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Tartaruga-de-kemp

Lepidochelys kempii

Atualizado em

60 a 70 cm (animal)Tamanho
Não se aplica (não é planta)Luminosidade
Não se aplica (não é planta)Rega
Animal, 30 a 50 anosCiclo de vida
Não cultivávelDificuldade
Tartaruga-de-kemp adulta nadando em água rasa com carapaça arredondada cinza-oliva

A tartaruga-de-kemp não é uma planta. Não existe nenhuma espécie vegetal com esse nome registrada na Flora e Funga do Brasil, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro ou nas bases da Embrapa. O nome pertence exclusivamente a um animal: a tartaruga marinha Lepidochelys kempii, a menor e mais ameaçada entre as sete tartarugas marinhas do mundo.

A confusão costuma surgir por buscas automáticas ou por associação com plantas de folhas arredondadas apelidadas de "tartaruga", como Peperomia prostrata (string-of-turtles). Se você procurava como plantar ou cuidar de uma planta com esse nome, não há cultivo, rega ou luminosidade a informar, pois a espécie vegetal simplesmente não existe.

Este guia esclarece o erro, apresenta a verdadeira tartaruga-de-kemp, explica como identificá-la, onde vive e por que ela não pode ser cultivada como planta, além de indicar quais plantas podem ser o que você realmente buscava.

Também conhecido como: Tartaruga-marinha-de-kemp, Kemp's ridley sea turtle (inglês), Tortuga lora (espanhol), Tortue de Kemp (francês)

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Galeria de fotos de Tartaruga-de-kemp

Tartaruga-de-kemp adulta nadando em água rasa com carapaça arredondada cinza-oliva
Tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii), a menor tartaruga marinha do mundo.
Close-up da cabeça e carapaça da tartaruga-de-kemp mostrando placas e coloração
Detalhe da cabeça triangular e das placas da carapaça.
Arribada de tartarugas-de-kemp desovando em grupo na praia de Rancho Nuevo
Arribada diurna, comportamento único da espécie.
Filhotes de tartaruga-de-kemp recém-nascidos caminhando para o mar
Filhotes com cerca de 4 cm ao nascer.
Peperomia prostrata colar-de-tartaruga em vaso, planta frequentemente confundida pelo nome
Peperomia prostrata, a planta ornamental apelidada de colar-de-tartaruga.
Dioscorea elephantipes com caudex fissurado em forma de casco de tartaruga
Dioscorea elephantipes, outra planta chamada pata-de-tartaruga.

Perfil rápido de Tartaruga-de-kemp

Estado de conservação

CR
Criticamente em Perigo

Risco extremamente alto de extinção na natureza.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, protegida por leis no México, EUA e por convenções internacionais; no Brasil pelo ICMBio/TAMAR

Vida útil

Expectativa de vida
30 a 50 anos na natureza; maturidade sexual entre 10 e 15 anos
Habitat
Marinho nerítico, costeiro, fundos lamosos e arenosos até 50 m; praias arenosas para desova
Comportamento
Solitária no mar, gregária apenas na arribada; diurna na desova

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação interna; arribada diurna sincronizada
Época de desova
Abril a julho, com pico em maio e junho no Golfo do México
Ninhada
1 a 4 ninhos por temporada, 90 a 110 ovos por ninho, incubação de 50 a 60 dias
Determinação sexual
Dependente da temperatura da areia (TSD); temperaturas mais altas geram fêmeas

Habitat

Ambientes

  • Águas costeiras rasas do Golfo do México
  • Praias arenosas de desova (Rancho Nuevo, Padre Island)
  • Estuários e lagoas costeiras para juvenis

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Praias e Restingas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Caranguejos (Callinectes spp.)

Outros alimentos

  • Camarões
  • Moluscos
  • Águas-vivas
  • Peixes pequenos

Encontrado em 2 países

  • México
  • Estados Unidos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Testudines
Família
Cheloniidae
Gênero
Lepidochelys
Espécie
Lepidochelys kempii

Resumo

  • Tartaruga-de-kemp não é planta, mas sim a tartaruga marinha Lepidochelys kempii, sem nenhum registro botânico válido com esse nome no Brasil.
  • É a menor tartaruga marinha do mundo, com 60 a 70 cm de carapaça e até 45 kg, famosa pela desova em massa chamada arribada e criticamente ameaçada de extinção.
  • Não existe cultivo, poda ou rega para a espécie, que é um animal silvestre protegido e não pode ser criada como planta ornamental ou pet.

Características

Nome popularTartaruga-de-kemp ou tartaruga-marinha-de-kemp
Nome científicoLepidochelys kempii (Garman, 1880)
FamíliaCheloniidae (tartarugas marinhas) - não é família botânica
OrigemGolfo do México e Atlântico Oeste; desova principalmente no México e EUA
TipoAnimal réptil marinho, não planta
Tamanho (carapaça)60 a 70 cm de comprimento curvilíneo, 30 a 45 kg
Ciclo de vidaLongevo, maturidade entre 10 e 15 anos
HabitatMarinho costeiro, águas rasas e praias arenosas para desova
Cultivo como plantaInexistente - não há sementes, mudas ou vasos
Toxicidade para petsNão se aplica
Status de conservaçãoCriticamente em Perigo (IUCN)

Tartaruga-de-kemp não é planta: entenda a confusão de nome

A resposta direta é: não existe planta chamada tartaruga-de-kemp. Qualquer ficha que informe luminosidade, rega ou substrato para essa espécie está inventando dados. O nome Lepidochelys kempii designa um réptil marinho e não consta em nenhum herbário, catálogo da Flora e Funga do Brasil ou publicação da Embrapa como vegetal.

A confusão tem duas origens comuns. A primeira é o erro de indexação de lojas e IAs que criam páginas de “planta” para todo termo buscado. A segunda é a semelhança com apelidos populares de plantas ornamentais de folhas pequenas e arredondadas, como Peperomia prostrata, chamada em inglês de string-of-turtles (colar-de-tartaruga), e Dioscorea elephantipes, a planta-pata-de-tartaruga. Nenhuma delas é a tartaruga-de-kemp.

Na nossa avaliação, manter uma página de “cultivo” para tartaruga-de-kemp como se fosse planta prejudica o leitor e a conservação: desinforma quem quer cultivar e invisibiliza um animal criticamente ameaçado que precisa de proteção, não de vaso.

Como identificar a verdadeira tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii)

A tartaruga-de-kemp é a menor tartaruga marinha do mundo e a única com distribuição quase restrita ao Golfo do México. Adultos medem 60 a 70 cm de comprimento curvilíneo de carapaça e pesam entre 30 e 45 kg, bem menor que a tartaruga-cabeçuda ou a verde.

Traços observáveis que a distinguem:

  • Carapaça quase circular e achatada, de cor cinza-oliva a verde-acinzentada, com 5 placas vertebrais e 5 pares de placas costais. É mais larga e arredondada que a da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), sua parente mais próxima.
  • Cabeça triangular e bico relativamente curto, adaptado para esmagar caranguejos, seu alimento preferido.
  • Nadadeiras com uma unha visível em cada uma, e plastrão (parte ventral) de cor creme a amarelado.
  • Filhotes cinza-escuros a pretos, com cerca de 4 cm ao nascer, diferente dos filhotes marrons de outras espécies.

Não há folhas, flores, frutos ou sementes. Se a descrição que você encontrou fala em folhas suculentas ou flores, trata-se de outra espécie vegetal com apelido parecido.

Onde vive e por que é tão rara

A tartaruga-de-kemp vive em águas costeiras rasas do Golfo do México e do Atlântico Noroeste, migrando ocasionalmente até a costa leste dos EUA. Adultos preferem fundos lamosos ou arenosos com até 50 metros de profundidade, onde caçam caranguejos, camarões, moluscos e águas-vivas.

A desova é o seu comportamento mais famoso: a arribada. Em vez de desovar sozinha à noite como outras tartarugas, as fêmeas de kemp chegam em grupo, durante o dia, em poucas praias. Cerca de 95% das desovas mundiais acontecem em uma única região: Rancho Nuevo, em Tamaulipas, México, com praias secundárias no Texas (Padre Island) e Veracruz.

Essa concentração geográfica a tornou extremamente vulnerável. Na década de 1940, um filme registrou cerca de 40 mil fêmeas desovando em um único dia em Rancho Nuevo. Em 1985, o número despencou para apenas 234 ninhos em toda a temporada. Foi o colapso mais drástico já documentado entre tartarugas marinhas, causado por coleta de ovos, captura incidental em redes de camarão e poluição. Mesmo com proteção, a população ainda não se recuperou e segue criticamente em perigo.

Por que não há cultivo como planta ornamental

Por ser um animal silvestre protegido por leis nacionais e internacionais, a tartaruga-de-kemp não pode ser semeada, propagada por estaquia ou mantida em vaso. No Brasil, o IBAMA proíbe a criação de tartarugas marinhas como pets, e nos EUA e México ela é protegida pela Endangered Species Act e por acordos binacionais desde 1966.

Não existe substrato, adubação ou poda. O manejo da espécie é feito apenas por programas de conservação com biólogos licenciados, que monitoram ninhos, protegem ovos e usam dispositivos de exclusão de tartarugas (TEDs) em redes de pesca.

Se você buscava uma planta com nome parecido, veja o que pode ser

Se sua busca era por uma planta de interior com folhas em forma de casco de tartaruga, provavelmente você queria uma destas duas, que são frequentemente confundidas por tradutores automáticos:

  • Peperomia prostrata (colar-de-tartaruga): suculenta rasteira e pendente, com folhas redondas de 1 a 2 cm com padrão que lembra casco. Vai bem em luz difusa brilhante, rega moderada e vaso pequeno. É a “planta-tartaruga” mais vendida no Brasil.
  • Dioscorea elephantipes (planta-pata-de-tartaruga): caudex suculento fissurado que parece casco de tartaruga, com ramos finos e folhas em forma de coração. Exige sol pleno a meia-sombra, solo muito drenável e rega espaçada.
  • Peperomia rotundifolia: outra peperômia de folhas redondas, às vezes vendida erroneamente como tartaruga-de-kemp por erro de etiqueta.

Nenhuma delas tem relação botânica com Lepidochelys kempii. Se for cultivar uma dessas, busque pelo nome científico correto para não receber instruções erradas de luz e rega.

O que torna a tartaruga-de-kemp biologicamente única

Além do tamanho e da arribada diurna, a espécie tem peculiaridades pouco divulgadas:

  • Desova diurna sincronizada: é a única tartaruga marinha que desova majoritariamente de dia, com forte sincronia ligada a ventos e marés. Acredita-se que o comportamento dilua a predação.
  • Termodependência extrema: como em outros répteis, a temperatura da areia define o sexo dos filhotes. Areia acima de cerca de 30,5 °C gera mais fêmeas, abaixo disso mais machos, o que torna a espécie sensível ao aquecimento global.
  • Fidelidade natal: fêmeas retornam à mesma região onde nasceram para desovar, o que explica a concentração em Rancho Nuevo.
  • Dieta especializada: diferente da tartaruga-verde (herbívora) ou da tartaruga-de-couro (gelatinívora), a de kemp é carcinófaga, com mandíbulas fortes para quebrar caranguejos do gênero Callinectes.

Esses traços não têm paralelo no reino vegetal e reforçam por que a ficha de cultivo não se aplica.

Conservação e o que você pode fazer

A IUCN classifica a tartaruga-de-kemp como Criticamente em Perigo (CR) desde 1996, com tendência atual de população em declínio após uma recuperação parcial até 2009. As principais ameaças são captura incidental na pesca de camarão, ingestão de plástico, derramamentos de óleo no Golfo do México e mudanças climáticas que afetam a proporção sexual dos ninhos.

Programas como o Projeto Kemp’s Ridley Binacional (México-EUA) protegem ninhos, incubam ovos em cercados e soltam filhotes. No Brasil, a espécie é visitante rara e todo encalhe deve ser comunicado ao Centro TAMAR/ICMBio. Não compre, não alimente e não toque em tartarugas marinhas.

Se seu interesse era jardinagem, direcione o cuidado para plantas nativas que ajudam a fauna marinha indiretamente, como vegetação de restinga que estabiliza praias de desova. Se era curiosidade sobre a tartaruga, apoiar instituições de conservação é a forma correta de “cultivar” interesse pela espécie.

Perguntas frequentes

Tartaruga-de-kemp é planta?

Não. É um réptil marinho (Lepidochelys kempii). Não há nenhuma planta com esse nome válido na Flora do Brasil.

Existe semente ou muda de tartaruga-de-kemp para plantar?

Não. Por ser um animal silvestre e criticamente ameaçado, não existe semente, muda ou vaso. A comercialização e criação são proibidas.

Qual planta pode ser confundida com tartaruga-de-kemp?

Geralmente Peperomia prostrata (colar-de-tartaruga) e Dioscorea elephantipes (planta-pata-de-tartaruga), que têm folhas ou caudex com padrão de casco.

Onde vive a tartaruga-de-kemp?

No Golfo do México e Atlântico Oeste, com desova concentrada em Rancho Nuevo, México, e no sul do Texas, EUA.

Por que ela é tão ameaçada?

Por ter área de desova muito restrita, captura incidental em redes de camarão, coleta histórica de ovos e ameaças como poluição por óleo e plástico.

Posso ter uma tartaruga-de-kemp em casa?

Não. É ilegal no Brasil e nos EUA/México. Tartarugas marinhas só podem ser manejadas por projetos de conservação autorizados como o TAMAR.

Qual o tamanho da tartaruga-de-kemp?

É a menor tartaruga marinha: 60 a 70 cm de carapaça e 30 a 45 kg quando adulta.

Você sabia? 4 fatos surpreendentes sobre a tartaruga-de-kemp

1

A arribada mais filmada da história

Em 1947, o engenheiro Andrés Herrera filmou cerca de 40 mil fêmeas desovando juntas em Rancho Nuevo em um único dia, imagens que primeiro revelaram a magnitude da espécie e depois seu colapso.

2

Nome em homenagem a um pescador

O epíteto kempii homenageia Richard Kemp, pescador e naturalista da Flórida que enviou o primeiro exemplar para descrição científica em 1880.

3

Desova à luz do dia

Enquanto quase todas as tartarugas marinhas desovam à noite, a de kemp prefere o dia e com vento forte, comportamento único que facilita a sincronização do grupo.

4

Menor rota migratória entre as marinhas

Diferente da tartaruga-de-couro que cruza oceanos, a de kemp faz migrações curtas e costeiras, raramente saindo do Golfo do México, o que a torna mais vulnerável a desastres locais como o vazamento da Deepwater Horizon em 2010.

Fontes

  1. IUCN Red List - Lepidochelys kempii
  2. NOAA Fisheries - Kemp's Ridley Turtle
  3. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  4. ICMBio / Centro TAMAR
Nossa opinião

Na nossa avaliação, insistir em tratar tartaruga-de-kemp como planta é um desserviço duplo: espalha desinformação de cultivo e apaga a urgência de conservar a tartaruga marinha mais ameaçada do planeta. O valor enciclopédico aqui está em corrigir o nome e direcionar o leitor para a espécie certa, seja ela animal ou a planta ornamental que ele realmente procurava.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.