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Estrofantina

Strophanthus spp.

Atualizado em

3 a 10 m como trepadeiraTamanho
Sol pleno a meia-sombraLuminosidade
ModeradaRega
PereneCiclo de vida
Alta - planta tóxicaDificuldade
Estrofantina florida cobrindo pergolado no jardim

A estrofantina (Strophanthus spp.) é uma trepadeira lenhosa da família Apocynaceae, nativa das florestas tropicais da África e da Ásia. Chama atenção pelas flores exóticas com pétalas que se estendem em longas caudas pendentes, que podem chegar a 30 cm, e pelo porte vigoroso que pode ultrapassar 10 metros quando bem conduzida.

Apesar do alto valor ornamental, é uma planta extremamente tóxica. Todas as partes contêm glicosídeos cardiotônicos, como a ouabaína e a estrofantina, historicamente usados como veneno de flecha e, em doses controladas, como base para medicamentos cardíacos. Por isso, seu cultivo exige cuidado, não é indicado para locais com crianças e pets sem supervisão e nunca deve ser ingerida ou manuseada sem luvas.

Também conhecido como: Estrofanto, Flor-de-estrofanto, Strophanthus, Fleur de Strophanthe, Strophanthus vine

Faz parte de: Plantas de Sol Pleno, Plantas Ornamentais, Plantas Trepadeiras

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Galeria de fotos de Estrofantina

Estrofantina florida cobrindo pergolado no jardim
Estrofantina adulta em pergolado exibindo as flores com caudas pendentes.
Close-up da flor da estrofantina com caudas longas
Detalhe da flor em estrela com as caudas características.
Folhas brilhantes e látex da estrofantina
Folhas opostas e látex branco típico da família Apocynaceae.
Frutos duplos e sementes com penacho da estrofantina
Frutos lenhosos duplos e sementes com penacho para dispersão.
Estrofantina conduzida em treliça no muro
Condução em treliça, ideal para muros e cercas com sol pleno.
Estrofantina cultivada em vaso grande com tutor
Cultivo em vaso grande exige tutoramento e podas frequentes.
Ideal para

Ideal para colecionadores de plantas exóticas e jardineiros experientes que buscam uma trepadeira de floração escultural para pergolados e muros em clima quente. Funciona bem em jardins amplos, com sol pleno e suporte forte, onde seu perfume noturno e suas caudas pendentes podem ser apreciados com segurança.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem tem crianças pequenas, cachorro ou gato com acesso livre ao jardim, nem para tutores de primeira viagem ou quem busca planta de baixa manutenção para apartamento. Por ser altamente tóxica, exigir podas com proteção e não tolerar frio e vasos pequenos, ela frustra quem tem pouco tempo ou espaço limitado.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno (5 a 6 horas) ou meia-sombra clara; floração melhor no sol
Rega
Moderada, 2 a 3 vezes por semana no verão, 1 vez no inverno; solo levemente úmido, nunca encharcado
Solo
Fértil, leve, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 6,0 a 7,0
Temperatura
22 °C a 30 °C; sensível a geada, não tolera abaixo de 10 °C por longos períodos
Adubação
A cada 3 meses com composto orgânico; reforço com NPK 4-14-8 no início da primavera para floração
Poda
Após floração (março a maio), encurtar até 1/3 dos ramos; sempre com luvas e ferramentas limpas
Propagação
Estacas semilenhosas no fim do inverno ou sementes frescas na primavera quente

Perfil rápido de Estrofantina

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
Propagação por estacasJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
PodaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Todas as partes contêm glicosídeos cardiotônicos (ouabaína, estrofantina). Ingestão ou mastigação pode causar arritmia grave. Manuseie com luvas e mantenha longe de crianças e animais.

Encontrado em 8 países

  • Senegal
  • Camarões
  • República Democrática do Congo
  • Quênia
  • Tanzânia
  • África do Sul
  • Índia
  • Filipinas

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Gentianales
Família
Apocynaceae
Gênero
Strophanthus
Espécie
Strophanthus spp.

Resumo

  • A estrofantina é uma trepadeira perene e tóxica da família Apocynaceae, famosa pelas flores com longas caudas e pelos glicosídeos cardíacos presentes em sementes e látex.
  • No Brasil ela só vai bem em clima quente e úmido, com sol pleno, solo fértil e bem drenado e suporte para subir, florescendo principalmente entre novembro e março.
  • Todas as partes são tóxicas para pessoas, cachorros e gatos, exigindo cultivo apenas ornamental, com luvas no manejo e longe do alcance de crianças e animais.

Características

Ficha da planta

Nome popularEstrofantina, estrofanto
Nome científicoStrophanthus spp. (ex: S. gratus, S. kombe, S. speciosus)
Família botânicaApocynaceae
OrigemÁfrica tropical e Ásia tropical (florestas úmidas)
Tipo de plantaTrepadeira lenhosa / arbusto escandente / liana
Ciclo de vidaPerene
Tamanho2 a 10 m de comprimento (1,5 a 3 m como arbusto podado)
Coresbrancocremeamareloroxovinho
LuminosidadeSol pleno a meia-sombra clara
RegaModerada, solo levemente úmido
SoloFértil, leve, bem drenado, pH 6,0 a 7,0
TemperaturaIdeal 22 °C a 30 °C, não tolera geada
PropagaçãoSementes e estacas semilenhosas
Toxicidade para petsTóxica

Perfil e comportamento

Necessidade de luzAlto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoBaixo
Adequação a vasosBaixo
Resistência a pragasAlto
Tolerância ao frioMuito baixo
Tolerância ao calorMuito alto
Valor ornamentalMuito alto

Como identificar a estrofantina: flores em cauda e sementes com penacho

A estrofantina não se confunde com outras trepadeiras quando está florida. O gênero Strophanthus reúne cerca de 38 espécies aceitas, todas com corola em forma de funil e cinco pétalas que terminam em caudas longas e retorcidas, que lembram fitas pendentes. Em Strophanthus gratus as caudas são curtas, já em S. speciosus e S. kombe ultrapassam 20 cm.

As folhas são opostas, brilhantes, elípticas e com nervura central bem marcada, de 8 a 18 cm, com látex branco ao serem quebradas. Os frutos são folículos duplos, lenhosos e alongados, que se abrem liberando sementes com penacho sedoso semelhante ao da paineira, adaptado para dispersão pelo vento. O caule é lenhoso, acinzentado e volúvel, que se enrola em suportes.

Na nossa avaliação, o erro mais comum é confundir estrofantina com alamanda (Allamanda) ou mandevila. A diferença prática: alamanda tem flor em trompete sem cauda e estrofantina sempre tem as cinco pontas afiladas e pendentes, além do fruto duplo bem mais grosso e das sementes com pluma longa.

Estrofantina é tóxica? Riscos para pessoas, cachorro e gato

Sim, extremamente tóxica. Todas as partes — sementes, folhas, flores, casca e látex — contêm glicosídeos cardiotônicos, principalmente ouabaína (g-estrofantina), k-estrofantina e cimarina. A ingestão, mesmo em pequena quantidade, pode causar náusea, vômito, arritmia, bradicardia e parada cardíaca.

O risco não é só por ingestão. O látex irrita pele e olhos e deve ser manuseado com luvas e óculos. Em caso de poda, lave bem as ferramentas e as mãos e mantenha crianças e pets distantes. Nunca use chás, infusões ou preparos caseiros com a planta; o uso medicinal só existe em ambiente farmacêutico, com dose purificada e controlada.

  • Para cachorro e gato: a planta é tóxica por ingestão e por mastigação de qualquer parte. Sintomas incluem salivação, vômito, diarreia, fraqueza e alterações cardíacas. Procure veterinário imediatamente.
  • Para humanos: mantenha vasos e treliças fora do alcance de crianças, não deixe sementes caídas no chão e descarte podas em saco fechado.
  • Primeiros socorros: não provoque vômito, leve amostra da planta e busque atendimento médico de urgência.

De onde vem e por que a estrofantina entrou para a história da medicina

A estrofantina é nativa de florestas tropicais úmidas da África Central e Ocidental e do Sudeste Asiático, ocorrendo do Senegal ao Congo, Quênia, Tanzânia e até Índia e Filipinas. Cresce como liana de borda de mata, subindo em árvores para buscar luz, em altitudes de 0 a 1.200 m.

Seu nome vem do grego strophos (corda torcida) + anthos (flor), referência direta às pétalas retorcidas. Na África, sementes de S. kombe e S. hispidus eram a base do veneno de flecha para caça, tamanha a potência cardiotóxica. Exploradores europeus levaram o material para a Europa no século XIX.

Em 1885, o farmacologista Thomas Fraser isolou a estofantina-k e demonstrou seu efeito sobre o músculo cardíaco. A partir daí, ouabaína e estrofantina purificadas foram usadas como cardiotônicos de ação rápida antes da digoxina se tornar padrão. Hoje o gênero segue como fonte de estudo para fármacos, mas sem uso doméstico.

Curiosidade de campo: a floração da estrofantina é muito perfumada à noite e atrai mariposas e abelhas grandes, seus polinizadores naturais. No jardim, o perfume adocicado fica mais intenso ao entardecer.

Luz, solo e clima ideais para cultivar estrofantina no Brasil

A estrofantina é tropical e heliófila, mas tolera meia-sombra clara. Para floração abundante, ofereça sol pleno por pelo menos 5 a 6 horas diárias. Em regiões muito quentes, meia-sombra nas horas mais fortes evita queimadura nas folhas jovens, sem prejudicar a floração.

O solo ideal é fértil, leve e muito bem drenado, com boa matéria orgânica. Mistura recomendada: 2 partes de terra vegetal, 1 parte de areia grossa e 1 parte de composto orgânico ou húmus, com pH entre 6,0 e 7,0. Encharcamento apodrece as raízes rapidamente. Em vaso, use recipiente grande (mínimo 60 litros) com camada de drenagem.

Quanto ao clima, ela exige calor e umidade. Cresce melhor entre 22 °C e 30 °C e não tolera geada nem frio abaixo de 10 °C. No Sul e Sudeste serrano, cultive em local protegido ou como arbusto podado anualmente. Ventos fortes rasgam as caudas florais, então posicione em local abrigado.

Como plantar e propagar estrofantina por sementes e estacas

O plantio no Brasil deve ser feito no início da estação chuvosa e quente, de setembro a novembro, quando a muda enraíza mais rápido. Escolha local definitivo com treliça, pergolado, cerca ou caramanchão resistente, pois a planta fica pesada com o tempo.

Passo a passo do plantio

  • Abra cova de 40 x 40 x 40 cm, misture composto orgânico e 100 g de farinha de ossos.
  • Posicione a muda sem enterrar o colo, firme o substrato e regue abundantemente.
  • Instale tutor e amarre os ramos iniciais com fitilho, conduzindo em espiral.
  • Mantenha rega regular nos primeiros 60 dias, sem encharcar.

Propagação

A forma mais fiel e rápida é por estacas semilenhosas de 15 a 20 cm, colhidas no final do inverno. Retire as folhas inferiores, mantenha duas no topo, use hormônio enraizador e plante em substrato úmido com vermiculita, sob meia-sombra. O enraizamento leva 30 a 45 dias.

Por sementes, o processo é mais lento e exige sementes frescas com penacho. Semeie superficialmente, mantenha úmido e quente (25 °C). A germinação ocorre em 2 a 4 semanas, mas a primeira floração pode demorar 2 a 3 anos. Use luvas ao manusear as sementes.

Como cuidar, podar e conduzir a trepadeira sem riscos

A estrofantina tem crescimento vigoroso e precisa de condução. Regue de forma moderada, 2 a 3 vezes por semana no verão, deixando o solo secar superficialmente entre regas. No inverno, reduza para 1 vez por semana. Adube a cada 3 meses com composto orgânico + NPK 10-10-10 ou 4-14-8 na floração, sempre seguindo a dose do rótulo.

A poda é essencial para controlar tamanho e estimular flores. Faça poda de formação logo após a floração, entre março e maio, encurtando ramos longos em até um terço e removendo galhos secos e cruzados. Use luvas, óculos e tesoura desinfetada por causa do látex. Nunca queime os restos de poda.

Conduza os ramos horizontalmente sobre o suporte para aumentar a emissão de gemas florais. Se quiser manter como arbusto, pode anualmente a 1,5 m de altura — ela aceita bem. Em vasos, a planta floresce menos e exige tutoramento constante e adubação mais frequente.

Pragas, doenças e problemas mais comuns

Apesar da toxicidade, que afasta muitos herbívoros, a estrofantina pode ser atacada por pulgões, cochonilhas e ácaros, principalmente em ambiente seco e abafado. O látex não impede cochonilha-de-carapaça, que se instala nos ramos lenhosos.

  • Pulgões e cochonilhas: remova com jato d’água e aplique óleo de neem ou sabão neutro em casos leves. Infestações grandes pedem poda sanitária.
  • Ácaros: folhas com pontos amarelados e teia fina indicam ar seco. Aumente a umidade e isole a planta.
  • Podridão de raiz e mancha foliar: causadas por excesso de água e pouca ventilação. Melhore a drenagem, espaçe as regas e evite molhar as flores.

Falta de floração geralmente indica pouca luz, excesso de nitrogênio ou poda na época errada. Se a planta só solta folhas, reduza adubo nitrogenado e garanta sol pleno.

Tipos e espécies de estrofantina mais conhecidas

Nem toda estrofantina é igual. As diferenças estão no tamanho da cauda, na cor e no porte. Veja as principais cultivadas como ornamentais ou estudadas:

Espécie Cor da flor Destaque
Strophanthus gratus branco a rosado, centro roxo Mais compacta, caudas curtas, perfume intenso, melhor para jardins menores
Strophanthus kombe creme com manchas roxas Fonte clássica de estrofantina-k, caudas de até 20 cm, porte grande
Strophanthus speciosus amarelo-creme com vinho Caudas muito longas (25 a 30 cm), floração vistosa, nativa da África do Sul
Strophanthus preussii branco com centro amarelo e roxo Trepadeira vigorosa, flores menores mas muito numerosas
Strophanthus hispidus amarelo com estrias roxas Usada historicamente para veneno de flecha, ramos mais pilosos

Para jardim residencial, S. gratus e S. speciosus são as mais indicadas pelo equilíbrio entre beleza e manejo. S. kombe e S. hispidus são mais rústicas e de crescimento muito agressivo, exigindo espaço.

Perguntas frequentes

Estrofantina é tóxica para cachorro e gato?

Sim, muito tóxica. Todas as partes contêm glicosídeos que afetam o coração. Mantenha a planta fora do alcance e procure veterinário imediatamente se houver ingestão.

Pode cultivar estrofantina em vaso?

Pode, mas não é ideal. Ela cresce melhor no chão com suporte. Em vaso precisa de recipiente grande (60 litros ou mais), tutor firme e podas frequentes, e floresce menos.

Como fazer a estrofantina florir?

Garanta sol pleno por 5 a 6 horas, solo fértil e bem drenado, adubação rica em fósforo na primavera e poda logo após a floração, nunca antes.

Qual a diferença entre estrofantina e alamanda?

A estrofantina tem pétalas com longas caudas pendentes e frutos duplos lenhosos com sementes de penacho; a alamanda tem flor em trompete sem cauda e não tem essa toxicidade cardíaca tão acentuada.

Estrofantina precisa de muita água?

Não. Prefere solo levemente úmido e bem drenado. Regue 2 a 3 vezes por semana no calor e reduza no inverno; encharcamento causa podridão de raiz.

Onde comprar muda de estrofantina no Brasil?

É rara em garden centers comuns. Procure viveiros especializados em trepadeiras tropicais e coleções botânicas, sempre verificando a identificação correta da espécie.

Você sabia?

1

Veneno de flecha que virou remédio

Sementes de Strophanthus kombe eram fervidas e aplicadas em pontas de flechas na África Central; a mesma ouabaína depois foi purificada para tratar insuficiência cardíaca em hospitais europeus.

2

Caudas que mudam com a idade

As longas caudas das pétalas só se esticam totalmente 2 a 3 dias após a abertura da flor, quando o perfume noturno atinge o pico para atrair mariposas.

3

Sementes que voam longe

Cada fruto libera até 200 sementes com penacho de 4 a 5 cm, capazes de planar por dezenas de metros, estratégia que explica sua rápida colonização de clareiras.

4

Látex que denuncia a família

Como toda Apocynaceae, a estrofantina solta látex branco ao ser cortada; esse látex já foi usado como cola rudimentar e como marcador para identificar a planta no campo.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Plants of the World Online - Royal Botanic Gardens, Kew
  3. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Prós e contras: Estrofantina

Prós

  • Floração exótica e única com caudas pendentes muito ornamentais
  • Perfume intenso ao entardecer que atrai polinizadores
  • Crescimento vigoroso ideal para cobrir pergolados e muros rapidamente
  • Boa resistência a pragas devido à toxicidade natural
  • Valor histórico e botânico ligado à medicina cardíaca

Contras

  • Extremamente tóxica para pessoas, cachorros e gatos
  • Exige manejo com luvas e descarte cuidadoso de podas
  • Não tolera geada, frio intenso ou vasos pequenos
  • Crescimento agressivo que exige podas e suporte forte
  • Floração demora 2 a 3 anos quando propagada por sementes
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a estrofantina é uma das trepadeiras mais esculturais que existem, mas seu lugar não é em jardim familiar sem controle. É planta para colecionador consciente, que valoriza história botânica e aceita manejar uma espécie bela e perigosa com o rigor que ela exige.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.