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Tabaco-arbóreo

Nicotiana glauca Graham

Atualizado em

3 a 6 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Muito baixaRega
PereneCiclo de vida
Invasora, dispensa cultivoDificuldade
Tabaco-arbóreo adulto com folhas azuladas e flores amarelas em terreno baldio

O tabaco-arbóreo (Nicotiana glauca) é um arbusto a arvoreta perene da família Solanaceae, nativo do noroeste da Argentina e da Bolívia, que se tornou invasor em todo o Brasil. Com folhas grandes, ovaladas e de tom verde-azulado e flores amarelas em forma de trombeta, ele coloniza rapidamente terrenos baldios, beiras de estrada e áreas degradadas.

Apesar do nome, não serve para produzir tabaco para consumo e é altamente tóxico devido à alta concentração de anabasina, um alcaloide mais potente que a nicotina. No Brasil é classificado como espécie exótica invasora, com controle recomendado por órgãos ambientais, e não deve ser cultivado como ornamental, especialmente em locais com crianças e pets.

Também conhecido como: Fumo-bravo, Charuteira, Tabaco-bravo, Tree tobacco (inglês), Palán-palán (Argentina)

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Galeria de fotos de Tabaco-arbóreo

Tabaco-arbóreo adulto com folhas azuladas e flores amarelas em terreno baldio
Tabaco-arbóreo adulto em área degradada, com porte arbustivo característico.
Folhas grandes verde-azuladas e cerosas do tabaco-arbóreo
Folhas ovaladas e cerosas de tom verde-azulado, marca da espécie.
Flores amarelas tubulares do tabaco-arbóreo em cacho
Flores amarelas em forma de trombeta, polinizadas por beija-flores.
Caule lenhoso e frutos secos com sementes do tabaco-arbóreo
Caule lenhoso e cápsulas secas que liberam milhares de sementes.
Infestação de plântulas de tabaco-arbóreo em terreno com entulho
Plântulas colonizando solo exposto, mostrando potencial invasor.
Beija-flor se alimentando na flor amarela do tabaco-arbóreo
Beija-flor visitando a flor, principal polinizador da espécie.

Cultivo rápido

luz
Sol pleno o dia todo; não tolera sombra. É planta pioneira que só prospera em áreas abertas e bem iluminadas.
rega
Muito baixa. Planta adulta tolera seca prolongada. Regue apenas mudas recém-germinadas se o solo secar completamente.
solo
Pobre, arenoso ou pedregoso, bem drenado e levemente alcalino. Evite solo encharcado ou muito rico em matéria orgânica.
temperatura
Ideal entre 18 °C e 30 °C. Tolera calor intenso e frio leve, mas geada forte danifica folhas e mata plântulas.
adubação
Não recomendada. Adubar estimula crescimento excessivo e não é necessária para espécie invasora.
poda
Não há poda ornamental. Para controle, corte antes da frutificação e remova o toco com raiz para evitar rebrota.
propagação
Exclusivamente por sementes, produzidas em grande quantidade e dispersas pelo vento. Viabilidade no solo por anos.

Perfil rápido de Tabaco-arbóreo

Calendário

germinaçãoJFMAMJJASOND
floraçãoJFMAMJJASOND
frutificaçãoJFMAMJJASOND
controle / remoçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Todas as partes contêm anabasina, alcaloide mais tóxico que a nicotina. Ingestão de poucas folhas pode ser fatal para cães, gatos, bovinos e humanos. Manuseie com luvas e mantenha longe de crianças e pets.

Encontrado em 4 países

  • Argentina
  • Bolívia
  • Paraguai
  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Solanales
Família
Solanaceae
Gênero
Nicotiana
Espécie
Nicotiana glauca

Resumo

  • O tabaco-arbóreo (Nicotiana glauca) é um arbusto perene invasor de 3 a 6 metros, com folhas verde-azuladas e flores amarelas tubulares polinizadas por beija-flores.
  • É uma planta altamente tóxica para humanos, cachorros, gatos e gado por conter anabasina, e se espalha com facilidade por sementes que permanecem viáveis por anos no solo.
  • No Brasil floresce o ano todo com pico na primavera e verão, dispensa cuidados e exige manejo de controle, não sendo indicada como planta ornamental ou de vaso.

Características

Ficha da planta

Nome popularTabaco-arbóreo, fumo-bravo, charuteira, tabaco-bravo
Nome científicoNicotiana glauca Graham
Família botânicaSolanaceae
OrigemNoroeste da Argentina e Bolívia (Andes)
Tipo de plantaArbusto a arvoreta pioneira e invasora
Ciclo de vidaPerene
Tamanho3 a 6 m de altura, até 4 m de copa
Coresverde-azulado (folhas)amarelo (flores)marrom (sementes)
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixíssima; tolera seca prolongada
SoloPobre, arenoso, pedregoso e bem drenado
Temperatura15 °C a 32 °C; sensível a geada forte
PropagaçãoSementes (principal) e estacas
Toxicidade para petsTóxica (alta)

Perfil e comportamento

Necessidade de luzMuito alto
Necessidade de águaMuito baixo
Facilidade de cultivoMuito alto
Adequação a vasosMuito baixo
Resistência a pragasMuito alto
Tolerância ao frioMédio
Tolerância ao calorMuito alto
Valor ornamentalBaixo

Como identificar o tabaco-arbóreo sem confundir

O tabaco-arbóreo se reconhece de longe pela coloração verde-azulada ou acinzentada das folhas e dos ramos jovens. As folhas são grandes, de 10 a 25 cm, ovaladas a elípticas, com pecíolo longo, textura levemente emborrachada e cobertura cerosa que reflete o sol. O caule é ereto, ramificado no topo, lenhoso na base e quebradiço, com casca marrom-clara e medula esponjosa.

As flores amarelas em forma de trombeta são o traço mais distintivo. Elas têm 3 a 4 cm de comprimento, são tubulares e pendentes, agrupadas em cachos terminais. Diferente do tabaco comum (Nicotiana tabacum), que tem flores rosadas, o tabaco-arbóreo nunca tem tons de rosa ou branco. Os frutos são cápsulas secas de 1 a 1,5 cm que se abrem liberando centenas de sementes minúsculas e marrons, quase como pó.

Um erro comum é confundir com couve-arbórea ou com fumo-de-corda quando jovem. A diferença é que o tabaco-arbóreo tem látex ausente e cheiro forte e desagradável ao amassar a folha, além da cera azulada que nenhuma couve tem. Se a planta tem folhas verde-escuras brilhantes e não tem essa cera, não é Nicotiana glauca.

Por que o tabaco-arbóreo é considerado invasor e perigoso

O tabaco-arbóreo é espécie exótica invasora oficial no Brasil, listada na Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras do Instituto Hórus. Ele não é recomendado para plantio ornamental porque escapa com facilidade e domina áreas degradadas, competindo com a vegetação nativa por luz e água.

O perigo principal é a toxicidade por anabasina. Enquanto o tabaco comum contém principalmente nicotina, o tabaco-arbóreo acumula anabasina, um alcaloide mais estável e mais tóxico para mamíferos. A ingestão de poucas folhas pode causar vômito, tremores, taquicardia, paralisia e morte em cachorros, gatos, bovinos e humanos. O risco é maior para filhotes, pets curiosos e gado em pastagens invadidas.

Na nossa avaliação, o tabaco-arbóreo é um exemplo clássico de planta que parece inofensiva e até bonita, mas que não compensa manter. Ele não oferece benefício ornamental que supere o risco sanitário e ecológico, e seu manejo custa mais do que simplesmente removê-lo quando ainda é pequeno.

Onde o tabaco-arbóreo cresce e por que se espalha tão rápido

No Brasil, o tabaco-arbóreo está presente em todos os estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, além de áreas do Nordeste, sempre associado a ambientes alterados: terrenos baldios, entulho, beira de rodovias, margens de rios assoreadas, cascalheiras e áreas queimadas. Ele raramente entra em mata fechada, mas domina clareiras e solos expostos.

A velocidade de invasão vem de três fatores combinados. Primeiro, cada planta produz até 10 mil sementes por floração, leves e dispersas pelo vento e pela água. Segundo, as sementes têm dormência e podem ficar viáveis por mais de 5 anos no solo, germinando após qualquer revolvimento ou chuva. Terceiro, é uma pioneira extremamente rústica: tolera seca, solo pobre, salinidade moderada e poluição urbana.

  • Crescimento muito rápido: de semente a 2 metros em menos de um ano em solo exposto.
  • Rebrota fácil: se cortado rente, rebrota da base e da raiz se o toco não for arrancado.
  • Dispersão urbana: entulho com sementes e mudas descartadas é a principal forma de espalhar para novos bairros.

Floração e frutificação quase o ano todo

O tabaco-arbóreo floresce o ano inteiro em regiões quentes, com pico entre setembro e março no Sudeste e Sul. As flores são ricas em néctar e muito visitadas por beija-flores e abelhas mamangavas, que são seus polinizadores naturais. Essa relação explica por que ele frutifica tanto mesmo isolado.

Após a polinização, formam-se cápsulas que secam e se abrem em 3 a 4 semanas. Uma única inflorescência pode liberar milhares de sementes que germinam em 10 a 20 dias se houver umidade. Por isso, uma planta adulta ao lado de um muro pode gerar centenas de plântulas num raio de 20 metros na estação chuvosa seguinte.

Se você precisa controlar, o momento crítico é antes da abertura das cápsulas. Cortar os cachos florais ainda amarelos e ensacar para descarte reduz drasticamente o banco de sementes no solo.

Luz, solo e água: por que ele dispensa cuidados

O tabaco-arbóreo é planta de sol pleno absoluto. Não tolera sombra densa e definha sob árvores fechadas. É exatamente por isso que some quando a mata nativa se regenera e domina quando a área é desmatada ou queimada.

Quanto ao solo, prefere solos bem drenados, arenosos ou pedregosos, pobres em matéria orgânica e com pH alcalino. Não precisa de adubação; pelo contrário, solos muito férteis e úmidos favorecem fungos que podem apodrecer a base. A rega é praticamente desnecessária após o pegamento: a planta adulta sobrevive meses sem chuva graças à cera foliar que reduz a transpiração.

Não há necessidade de poda ornamental. Se for manter temporariamente até a remoção, apenas retire ramos secos com luvas. A planta não é adequada para vasos porque cria raiz pivotante profunda e quebra vasos pequenos em poucos meses.

Temperatura e clima no Brasil

Vai bem em clima tropical, subtropical e semiárido. Tolera calor acima de 35 °C e frio leve até cerca de 5 °C, mas geadas fortes queimam as folhas e podem matar plantas jovens. Em regiões serranas do Sul, o ciclo fica mais curto e a floração concentra-se no verão.

Riscos da toxicidade e cuidados ao manejar

Todas as partes do tabaco-arbóreo são tóxicas, mas folhas jovens e sementes concentram mais anabasina. A intoxicação em humanos geralmente ocorre por ingestão acidental ou por uso indevido em chás caseiros, prática que deve ser totalmente evitada. Em pets, a mastigação de folhas já é suficiente para emergência veterinária.

Ao manejar, use sempre luvas impermeáveis, manga longa e óculos. A seiva pode irritar pele e olhos, e o pó das folhas secas irrita as vias respiratórias. Nunca queime a planta verde: a fumaça contém alcaloides e irrita fortemente os pulmões. O descarte deve ser em saco fechado no lixo comum, nunca em composteira ou terreno baldio.

Se houver suspeita de ingestão por criança ou pet, não provoque vômito e procure atendimento médico ou veterinário imediatamente, levando uma amostra da folha para identificação. Não existe antídoto caseiro.

Como controlar e remover o tabaco-arbóreo corretamente

Para plantas com até 1 metro, a remoção mais eficaz é o arranquio manual com raiz após uma chuva, quando o solo está úmido. Cave ao redor da raiz pivotante e retire tudo; deixar fragmentos gera rebrota. Para plantas maiores, corte o tronco a 10 cm do solo e arranque o toco ou faça a coroa com enxada, removendo a casca da base para impedir rebrota.

Não deixe o material cortado no local. Ensacar flores e frutos é obrigatório para não espalhar sementes. Em áreas grandes infestadas, o controle exige capina repetida das plântulas por 2 a 3 anos até esgotar o banco de sementes. Herbicidas são usados apenas em grandes áreas por equipes técnicas e não são recomendados para uso doméstico.

Método Quando usar Ponto de atenção
Arranquio manual Plantas até 1,5 m Retirar raiz pivotante inteira
Corte + destoca Plantas de 2 a 6 m Remover casca do toco para não rebrotar
Remoção de cachos florais Antes das cápsulas abrirem Ensaque e descarte no lixo
Capina de plântulas Após chuvas Repetir por 2 anos

Diferença entre tabaco-arbóreo e tabaco comum

Embora sejam do mesmo gênero, são plantas bem diferentes. O tabaco comum (Nicotiana tabacum) é herbáceo anual de até 2 m, cultivado para produção de folhas, com flores rosadas e folhas verde-claras pegajosas. O tabaco-arbóreo (Nicotiana glauca) é lenhoso perene de até 6 m, não cultivado, com folhas azuladas cerosas e flores amarelas.

Quimicamente, o tabaco comum tem nicotina como alcaloide principal, enquanto o arbóreo tem anabasina, que não é usada na indústria do fumo e é mais tóxica por via oral. Ecologicamente, o tabaco comum não se torna invasor porque depende de cultivo, já o arbóreo se naturaliza e invade sem ajuda.

Perguntas frequentes

Tabaco-arbóreo é tóxico?

Sim, muito tóxico. Todas as partes contêm anabasina e a ingestão pode causar intoxicação grave em humanos, cachorros, gatos e gado.

Pode plantar tabaco-arbóreo em vaso ou jardim?

Não é recomendado. É espécie exótica invasora, tóxica e de crescimento rápido que escapa do cultivo e oferece risco a pets e crianças.

Como acabar com o tabaco-arbóreo no terreno?

Arranque plantas pequenas com raiz após a chuva e corte plantas grandes rente ao solo removendo o toco. Ensacar flores e frutos antes que abram evita nova infestação.

Tabaco-arbóreo e tabaco comum são a mesma coisa?

Não. O tabaco comum (Nicotiana tabacum) é herbáceo anual de flores rosadas cultivado para fumo; o arbóreo (Nicotiana glauca) é arbusto perene de flores amarelas, não cultivado e mais tóxico.

Quanto tempo vive o tabaco-arbóreo?

É perene e vive de 5 a 10 anos, mas se comporta como pioneira de vida curta, sendo substituída se a mata nativa se regenerar e sombrear a área.

Tabaco-arbóreo atrai beija-flor?

Sim, suas flores amarelas tubulares são ricas em néctar e muito visitadas por beija-flores e mamangavas.

Fatos surpreendentes sobre o tabaco-arbóreo

1

Anabasina, não nicotina

Ao contrário do tabaco comercial, seu alcaloide principal é a anabasina, já usada como inseticida natural no início do século 20 e hoje abandonada por ser tóxica demais.

2

Beija-flor como parceiro

As flores amarelas tubulares são adaptadas à polinização por beija-flores, que conseguem alcançar o néctar profundo com o bico longo.

3

Pioneira de áreas queimadas

É uma das primeiras plantas a colonizar solos após queimadas e deslizamentos, formando moitas densas que impedem a regeneração de nativas se não for controlada.

4

Sementes que esperam anos

Suas sementes microscópicas podem permanecer dormentes no solo por mais de 5 anos, germinando em massa após qualquer revolvimento do terreno.

Fontes

  1. Instituto Hórus - Base de Dados de Espécies Exóticas Invasoras
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Embrapa - Espécies Exóticas Invasoras

Prós e contras: Tabaco-arbóreo

Prós

  • Cresce sem nenhum cuidado em solo pobre e seco
  • Flores amarelas atraem beija-flores e polinizadores
  • Útil como indicadora de área degradada e solo exposto
  • Crescimento muito rápido para cobertura pioneira temporária

Contras

  • Altamente tóxico para humanos, cães, gatos e gado
  • Espécie exótica invasora que compete com nativas
  • Produz milhares de sementes com longa viabilidade no solo
  • Rebrota com facilidade se a raiz não for removida
  • Não serve para consumo nem tem valor ornamental seguro
  • Fumaça da queima é irritante e tóxica
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o tabaco-arbóreo não deve ser tratado como planta ornamental ou medicinal caseira. É uma invasora tóxica que traz mais risco do que beleza, e o melhor manejo é a remoção precoce antes que forme banco de sementes.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.