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Chá-de-bugre

Cordia ecalyculata

Atualizado em

2 a 12 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
PereneCiclo de vida
MédiaDificuldade
Chá-de-bugre adulto plantado em jardim com copa alongada e folhas brilhantes

O chá-de-bugre (Cordia ecalyculata) é uma arvoreta perene nativa da Mata Atlântica e do Cerrado, muito conhecida no Brasil pelo uso das folhas em chás. Atinge de 8 a 12 metros na mata, mas quando cultivada em quintal ou sítio costuma ficar entre 2 e 4 metros, com copa alongada e folhas verde-escuras bem características.

Apesar da fama como planta medicinal e "emagrecedora", é antes de tudo uma espécie nativa de valor ecológico, que produz flores brancas melíferas e frutos vermelhos que alimentam pássaros. Exige sol pleno, solo bem drenado e espaço para crescer, não sendo uma planta de vaso pequeno ou de interior.

Também conhecido como: Porangaba, Café-do-mato, Café-de-bugre, Louro-salgueiro, Claraíba

Faz parte de: Plantas de Sol Pleno, Plantas para Jardim

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Galeria de fotos de Chá-de-bugre

Chá-de-bugre adulto plantado em jardim com copa alongada e folhas brilhantes
Chá-de-bugre adulto em cultivo a sol pleno, porte típico de arvoreta.
Folhas do chá-de-bugre em close mostrando formato lanceolado e brilho
Detalhe das folhas lanceoladas e coriáceas do chá-de-bugre.
Flores brancas pequenas do chá-de-bugre em panícula
Flores brancas em panícula, muito visitadas por abelhas.
Frutos vermelhos do chá-de-bugre em cacho no galho
Frutos drupa vermelhos quando maduros, apreciados por pássaros.
Muda jovem de chá-de-bugre em saco de viveiro
Muda jovem de chá-de-bugre pronta para plantio definitivo.
Chá-de-bugre cultivado em vaso grande em área ensolarada
Cultivo em vaso grande exige sol pleno e drenagem perfeita.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal, sítio ou chácara em região quente e quer uma arvoreta nativa de crescimento rápido, com valor ecológico e uso tradicional como chá. Também funciona bem em projetos de recuperação de área degradada e para atrair pássaros e abelhas, já que flores e frutos são muito visitados.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para apartamento, varanda pequena ou casa com pouco sol, pois precisa de sol pleno e espaço para raiz profunda e não se adapta bem a vasos pequenos. Também não é indicada para quem busca planta puramente ornamental de floração vistosa, para quem tem pets que roem folhas sem supervisão ou para quem espera uso medicinal sem acompanhamento profissional.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto por dia; meia-sombra enfraquece a planta
Rega
Moderada: 2 a 3 vezes por semana em mudas; adulta tolera estiagem curta, mas prefere solo levemente úmido
Solo
Fértil, profundo, leve e bem drenado; pH 5,5 a 6,5; enriquecer com composto orgânico
Temperatura
18 °C a 28 °C; sensível a geada forte e frio abaixo de 5 °C
Adubação
2 vezes ao ano (primavera e fim do verão) com composto orgânico ou NPK 10-10-10
Poda
Formação nos 2 primeiros anos e limpeza anual no inverno; remover até 30% da copa
Propagação
Sementes frescas (20 a 40 dias para germinar) e estaquia semilenhosa no fim do inverno

Perfil rápido de Chá-de-bugre

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Poda leveJFMAMJJASOND
Colheita de folhasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsIndeterminada
  • PessoasPotencialmente tóxica em uso excessivo

Folhas contêm cafeína; excesso pode causar taquicardia, insônia e aumento da pressão. Contraindicado para gestantes, lactantes, crianças e cardiopatas. Uso deve ter orientação de profissional de saúde. Em caso de ingestão por pets, procure veterinário.

Habitat

Ambientes

  • Bordas de mata
  • Capoeiras e clareiras
  • Matas ciliares
  • Cerradão

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Boraginales
Família
Boraginaceae
Gênero
Cordia
Espécie
Cordia ecalyculata

Resumo

  • Chá-de-bugre (Cordia ecalyculata) é arvoreta perene nativa da Mata Atlântica, de 2 a 12 metros, com folhas lanceoladas e frutos drupa vermelhos muito procurados por pássaros.
  • Ficou famosa pelo chá das folhas, que contém cafeína e alantoína, com efeito diurético e estimulante, mas o uso excessivo pode causar taquicardia e insônia.
  • Precisa de sol pleno, solo fértil e bem drenado, rega moderada e clima quente; propaga-se principalmente por sementes recalcitrantes que perdem a viabilidade em poucas semanas.

Características

Ficha da planta

Nome popularChá-de-bugre, porangaba, café-do-mato, louro-salgueiro
Nome científicoCordia ecalyculata Vell. (sin. Cordia salicifolia Cham.)
Família botânicaBoraginaceae
OrigemBrasil - Mata Atlântica e Cerrado
Tipo de plantaArvoreta / arbusto lenhoso
Ciclo de vidaPerene
Tamanho2 a 4 m cultivada; até 12 m na natureza
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada, solo levemente úmido
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
Temperatura18 °C a 28 °C, não tolera geada forte
PropagaçãoSementes e estaquia de ramos semilenhosos
Toxicidade para petsIndeterminada - consultar veterinário

Perfil e comportamento

Necessidade de luzMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosBaixo
Resistência a pragasAlto
Tolerância ao frioBaixo
Tolerância ao calorMuito alto
Valor ornamentalBaixo

Como identificar o chá-de-bugre sem confundir com outras espécies

O chá-de-bugre é uma arvoreta perene de tronco fino e casca acinzentada, com copa estreita e ramos bem ramificados. O traço mais fácil para reconhecer são as folhas simples, alternas, lanceoladas e coriáceas, com 7 a 14 cm de comprimento, verde-escuras e brilhantes na face superior, mais claras embaixo, com margem levemente ondulada e nervura central bem marcada. Quando amassadas, não têm cheiro forte, diferente de Cordia verbenacea (baleeira), que é mais peluda e aromática.

A floração ocorre em panículas terminais com flores pequenas e brancas, de 1 a 1,5 cm, com 5 pétalas e perfume suave que atrai abelhas nativas e apis. Logo depois surgem os frutos do tipo drupa, ovoides, de 1 a 1,2 cm, que ficam verdes e depois vermelho-vivo quando maduros, com polpa adocicada e uma semente clara no interior. É nessa fase que a planta mais chama atenção de pássaros como sabiás e sanhaços.

Um erro comum é confundir o chá-de-bugre com louro ou com erva-mate por causa do formato da folha. Repare que o chá-de-bugre tem folha mais estreita e alongada, pecíolo curto e frutos vermelhos em cacho, enquanto a erva-mate tem folha mais oval e fruto preto-arroxeado. Na dúvida, observe também o porte: o chá-de-bugre raramente passa de 4 metros em cultivo doméstico, mas na mata pode chegar a 12 metros.

Onde o chá-de-bugre vive e por que ficou tão famoso

Na natureza, Cordia ecalyculata ocorre principalmente na Mata Atlântica do Sudeste e Sul, avançando para o Cerrado e matas ciliares do Centro-Oeste. Prefere bordas de mata, capoeiras e áreas de transição, onde há bastante luz e solo úmido, mas bem drenado. É espécie pioneira secundária, que coloniza clareiras e ajuda na recuperação de áreas degradadas.

O nome popular vem do uso tradicional: “bugre” era como os colonizadores chamavam os indígenas, que já utilizavam as folhas em infusão como estimulante, diurético e para “quebrar” a fome em longas caminhadas. A partir da década de 1980, o chá-de-bugre ganhou fama nacional como planta “emagrecedora” e supressora de apetite, sendo vendido em farmácias de manipulação e lojas de produtos naturais, muitas vezes associado à porangaba.

O efeito está ligado à composição química. As folhas contêm cafeína (0,3% a 0,8%), alantoína, alantoato de potássio, taninos e flavonoides. Por isso a infusão tem ação diurética, termogênica leve e estimulante do sistema nervoso central. Não é milagrosa e o uso contínuo sem orientação pode causar insônia, taquicardia, irritabilidade e aumento da pressão, além de ser contraindicado para gestantes, lactantes e cardiopatas.

Como plantar chá-de-bugre: semente, muda e local ideal

O chá-de-bugre não é planta de interior nem de vaso pequeno. Precisa de sol pleno e espaço para raiz pivotante profunda. O plantio ideal no Brasil é no início da estação chuvosa, de setembro a dezembro, quando a muda enraíza mais rápido. Escolha local com pelo menos 6 horas de sol direto e solo que não encharque.

A propagação mais comum é por sementes recalcitrantes, que perdem a viabilidade em 3 a 4 semanas se secarem. Por isso, semeie logo após colher frutos maduros: lave a polpa, deixe a semente secar à sombra por um dia e plante a 1 cm de profundidade em substrato leve (terra + areia grossa + composto orgânico). A germinação leva de 20 a 40 dias e a taxa costuma ser de 50% a 70% quando a semente é fresca.

  • Passo a passo com muda comprada: cave berço de 40 x 40 x 40 cm, misture 5 litros de composto orgânico e 100 g de farinha de ossos ao solo retirado.
  • Espaçamento: deixe 3 a 4 metros de outras árvores, muros ou fiação, pois a copa se abre com a idade.
  • Primeiros 30 dias: regue a cada 2 dias sem encharcar e faça cobertura morta com palha para manter a umidade.
  • Estaquia: também é possível por estaca semilenhosa de 20 cm no fim do inverno, com enraizador, mas o pegamento é mais baixo que por semente.

Luz, rega, solo e clima que realmente funcionam

Em cultivo, o chá-de-bugre rende melhor em sol pleno o dia todo. Em meia-sombra ele até sobrevive, mas cresce estiolado, com folhas menores e pouca floração. É planta de clima tropical e subtropical quente, com ótimo desempenho entre 18 °C e 28 °C. Não tolera geada forte nem frio prolongado abaixo de 5 °C; em regiões serranas do Sul, plante em local abrigado do vento sul.

O solo ideal é fértil, profundo, leve e bem drenado, com pH entre 5,5 e 6,5. Solos argilosos e compactados causam apodrecimento de raiz. Se o seu terreno for pesado, plante em camalhão (monte de 30 cm) e misture areia grossa e matéria orgânica. A planta tolera seca moderada depois de adulta, mas mudas jovens precisam de rega moderada, 2 a 3 vezes por semana, mantendo o solo levemente úmido, nunca encharcado.

A adubação é simples e faz diferença na produção de folhas. Faça duas adubações por ano: no início da primavera e no fim do verão, com composto orgânico curtido (5 a 10 litros por planta) ou NPK 10-10-10 conforme análise de solo. Evite excesso de nitrogênio, que deixa a folha muito grande, mas com menos princípios ativos e mais suscetível a pulgões.

Poda, colheita e propagação ao longo do ano

O chá-de-bugre não exige poda drástica. A poda é de formação nos dois primeiros anos, para conduzir um tronco único, e depois apenas de limpeza no inverno (junho a agosto), retirando galhos secos, cruzados ou muito baixos. Se quiser estimular brotação de folhas novas para colheita, faça poda leve de ponteiros após a frutificação, nunca removendo mais de 30% da copa.

A colheita de folhas para chá pode começar quando a planta tem cerca de 1,5 metro e 18 a 24 meses. Colha folhas maduras, mas ainda verdes e firmes, preferencialmente pela manhã, após o orvalho secar. Seque à sombra, em local ventilado, até ficarem quebradiças, e armazene em pote fechado por até 6 meses. Nunca arranque todas as folhas de um ramo; deixe pelo menos 60% para a planta se recuperar.

Para multiplicar, além da semente, a estaquia de ramos semilenhosos no final do inverno funciona se usar estufa simples com substrato úmido e sombreamento de 50%. Outra técnica usada por viveiristas é a alporquia em ramos de 1 cm de diâmetro, com enraizamento em 60 a 90 dias. Mudas de viveiro idôneo são a forma mais segura para quem não quer esperar a germinação.

Pragas, doenças e os erros que mais matam a muda

Na nossa avaliação, o chá-de-bugre é relativamente rústico e pouco atacado por pragas quando está em sol pleno e solo drenado. Os problemas mais comuns são pulgões e cochonilhas em brotações novas, especialmente após adubação nitrogenada excessiva, e ácaros em períodos muito secos. O controle começa com jato forte de água e poda de ramos muito infestados; em casos persistentes, use óleo de neem ou calda de sabão neutro.

Doenças fúngicas como mancha foliar e oídio aparecem quando há sombreamento, pouca ventilação e rega por cima da folhagem à noite. Evite molhar as folhas, faça espaçamento correto e remova folhas doentes do chão. O erro que mais mata mudas jovens é o encharcamento por vaso sem dreno ou solo compactado, que causa podridão de raiz e murcha irreversível.

Outro erro frequente é plantar em vaso pequeno esperando efeito medicinal rápido. Em vaso de 20 litros a planta fica raquítica, com poucas folhas e vida curta. Se não tem quintal, prefira vaso de pelo menos 80 a 100 litros, com sol pleno na varanda e adubação regular, mas saiba que a produção será limitada. E nunca consuma o chá em excesso achando que “natural não faz mal”: limite-se a 1 xícara por dia e por períodos curtos, com orientação profissional.

Característica Como observar no chá-de-bugre
Folha Lanceolada, 7-14 cm, verde-escura brilhante, margem levemente ondulada
Flor Branca, pequena, em panícula terminal, floração primavera-verão
Fruto Drupa ovoide vermelha, 1-1,2 cm, polpa doce, atrai pássaros
Porte Arvoreta 2-4 m em quintal, até 12 m na mata
Cheiro Folha sem aroma forte quando amassada

Perguntas frequentes

Chá-de-bugre é a mesma coisa que porangaba?

Sim, porangaba é um dos nomes populares de Cordia ecalyculata, mas o termo também é usado comercialmente para blends que misturam outras plantas.

Chá-de-bugre emagrece mesmo?

Não há comprovação científica robusta de emagrecimento. O chá tem efeito diurético e estimulante pela cafeína, que pode reduzir temporariamente o apetite e a retenção, mas não substitui dieta e exercício.

Como fazer o chá-de-bugre?

A forma tradicional é infusão de 1 colher de chá de folhas secas picadas para 1 xícara de água quente, abafando por 5 a 10 minutos. Limite a 1 xícara ao dia e evite uso contínuo sem orientação profissional.

Posso plantar chá-de-bugre em vaso?

Só em vaso muito grande, de 80 a 100 litros, com sol pleno e drenagem perfeita. Em vasos pequenos a planta fica fraca e produz poucas folhas.

Quanto tempo demora para colher as folhas?

A partir de 18 a 24 meses após o plantio, quando a planta atinge cerca de 1,5 metro, já é possível colher folhas maduras de forma moderada.

Chá-de-bugre é tóxico para cachorro e gato?

Não há dados conclusivos para pets, mas por conter cafeína, a ingestão pode ser prejudicial. Mantenha a planta fora do alcance e procure veterinário se houver ingestão.

Qual a diferença entre chá-de-bugre e erva-baleeira?

São espécies diferentes do mesmo gênero. A baleeira (Cordia verbenacea) é arbusto peludo e aromático, de uso tópico; o chá-de-bugre é arvoreta de folhas lisas e brilhantes, usado em infusão.

Você sabia?

1

O nome entrega a história

Chá-de-bugre faz referência direta aos indígenas, chamados pejorativamente de bugres no período colonial, que já usavam a infusão como estimulante e para espantar a fome.

2

Fruto que alimenta a mata

A drupa vermelha e doce é muito procurada por sabiás, sanhaços e saíras, sendo importante para dispersão da espécie na Mata Atlântica.

3

Semente que não espera

As sementes são recalcitrantes e perdem a viabilidade em 3 a 4 semanas se desidratadas, por isso viveiristas semeiam logo após a colheita.

4

Parente da baleeira, mas diferente

Apesar de ser do mesmo gênero Cordia que a erva-baleeira (Cordia verbenacea), o chá-de-bugre tem folhas lisas e sem pelos, sem o cheiro forte característico da baleeira.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  3. Instituto de Pesquisas Ambientais - Herbário SP

Prós e contras: Chá-de-bugre

Prós

  • Nativa da Mata Atlântica, ótima para biodiversidade e para atrair pássaros e abelhas
  • Rústica e resistente a pragas quando em sol pleno e solo bem drenado
  • Crescimento relativamente rápido e copa estreita que ocupa pouco espaço lateral
  • Folhas e frutos têm valor ecológico e cultural, com uso tradicional bem documentado

Contras

  • Precisa de sol pleno e espaço; não serve para interior ou vaso pequeno
  • Sensível a geada e frio intenso, limitada no Sul em altitude
  • Sementes recalcitrantes com viabilidade curta, dificultam o plantio por semente seca
  • Uso medicinal exige moderação e orientação; excesso causa efeitos colaterais
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o chá-de-bugre vale mais como arvoreta nativa para quintal e para biodiversidade do que como promessa de emagrecimento. É rústica e bonita quando tem sol e espaço, mas frustra em vaso pequeno e exige responsabilidade no consumo do chá.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.