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Agrião-do-seco

Lepidium didymum L. (sin. Coronopus didymus)

Atualizado em

10 a 30 cm de altura, hábito prostradoTamanho
Sol pleno a meia-sombraLuminosidade
Moderada, sem encharcarRega
Anual a bienal curtoCiclo de vida
Muito fácil, espontâneaDificuldade
Agrião-do-seco planta adulta rasteira com folhas recortadas no solo

O agrião-do-seco é uma erva rasteira e muito comum em terrenos baldios, calçadas e hortas de todo o Brasil, frequentemente arrancada como mato mas comestível quando jovem. Diferente do agrião d'água (Nasturtium officinale), ele cresce em solo seco e tem folhas bem recortadas com sabor picante que lembra mostarda e agrião.

Apesar da aparência discreta, a planta é uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) rica em glucosinolatos e usada na medicina popular como expectorante e digestiva. É anual, de ciclo muito curto e se espalha com facilidade, o que explica por que surge espontaneamente sem precisar plantar.

Também conhecido como: Mastruço, Mastruz, Mentruz, Agrião-bravo, Coronopo

Faz parte de: Hortaliças, Plantas para Vasos

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Galeria de fotos de Agrião-do-seco

Agrião-do-seco planta adulta rasteira com folhas recortadas no solo
Agrião-do-seco adulto com hábito prostrado e folhas pinatífidas.IA
Folhas recortadas do agrião-do-seco em close
Detalhe das folhas recortadas com aroma picante de mostarda.
Flores minúsculas brancas do agrião-do-seco
Flores minúsculas brancas, com menos de 2 mm.
Frutos duplos em forma de rim do agrião-do-seco
Frutos didimos característicos em forma de rim.
Agrião-do-seco cultivado em vaso na varanda
Cultivo em vaso, ideal para colheita limpa e controlada.
Plântulas jovens de agrião-do-seco na horta
Plântulas jovens, fase ideal para colheita como PANC.
Ideal para

Ideal para quem busca PANCs e hortas espontâneas de baixo custo, pois o agrião-do-seco nasce sozinho, exige poucos cuidados e fornece folhas picantes para temperar saladas e refogados. Funciona bem para quem tem horta em vasos ou canteiros pequenos e quer aproveitar ao máximo o espaço com uma espécie rústica e de ciclo rápido.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem procura hortaliça principal de sabor suave ou planta ornamental vistosa, já que o sabor é forte e amarga com a idade, e a floração é insignificante. Também não é indicado para quem não pode garantir a identificação correta e a higiene da colheita, pois o risco de contaminação em plantas de rua é alto.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno 4 a 6 horas; tolera meia-sombra, mas perde sabor e vigor
Rega
Moderada; manter solo levemente úmido, regar quando o topo secar
Solo
Leve, fértil, bem drenado, com composto orgânico; pH 6,0 a 7,0
Temperatura
Ideal 15 °C a 25 °C; tolera 10 °C a 28 °C e geadas leves
Adubação
Leve, com húmus ou composto a cada 30 dias; evitar excesso de nitrogênio
Poda
Não precisa; apenas colheitas frequentes das pontas para estimular rebrota
Propagação
Exclusivamente por sementes, semeadura direta superficial com luz

Perfil rápido de Agrião-do-seco

Calendário

Plantio / semeaduraJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Colheita (folhas jovens)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica em pequenas quantidades
  • PessoasNão tóxica em pequenas quantidades como alimento

Em excesso pode causar irritação gástrica e interferir na tireoide pelos glucosinolatos. Lave bem e consuma com moderação. Em caso de ingestão grande, procure veterinário ou médico.

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Paraguai
  • Chile

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Brassicales
Família
Brassicaceae
Gênero
Lepidium
Espécie
Lepidium didymum L.

Resumo

  • O agrião-do-seco (Lepidium didymum) é uma erva rasteira anual da família Brassicaceae, conhecida também como mastruço, que cresce em solo seco ao contrário do agrião d'água.
  • Identifica-se pelas folhas pinatífidas bem recortadas, caule prostrado e frutos duplos em forma de rim, com sabor picante de mostarda devido aos glucosinolatos.
  • É comestível quando jovem e usado como PANC, mas deve ser consumido com moderação e bem lavado, cultivado a sol pleno com rega moderada e colheita em 40 a 60 dias.

Características

Ficha da planta

Nome popularAgrião-do-seco, mastruço, mastruz, mentruz
Nome científicoLepidium didymum L. (sin. Coronopus didymus)
Família botânicaBrassicaceae (crucíferas)
OrigemAmérica do Sul, naturalizada em todo o Brasil
Tipo de plantaHerbácea rasteira, ruderal e PANC
Ciclo de vidaAnual, raramente bienal
Tamanho10 a 30 cm de altura, até 50 cm de diâmetro
LuminosidadeSol pleno a meia-sombra
RegaModerada, solo levemente úmido
SoloFértil, leve, bem drenado, pH 6,0 a 7,0
Temperatura10 °C a 28 °C, tolera geadas leves
PropagaçãoSementes
Toxicidade para petsNão tóxica em pequenas quantidades (consultar veterinário)

Perfil e comportamento

Necessidade de luzAlto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoMuito alto
Adequação a vasosAlto
Resistência a pragasAlto
Tolerância ao frioAlto
Tolerância ao calorAlto
Valor ornamentalMuito baixo

Como identificar o agrião-do-seco sem confundir com o agrião d’água

O agrião-do-seco não é a mesma espécie do agrião d’água que se compra em maço no mercado. Enquanto o agrião d’água (Nasturtium officinale) precisa de água corrente e tem folhas arredondadas e brilhantes, o agrião-do-seco cresce em solo seco, em frestas de calçada, canteiros e beira de estrada.

A forma mais segura de reconhecer é pelo porte e pela folha. Ele tem hábito prostrado, com caules finos e ramificados que se espalham rente ao chão, formando uma pequena roseta. As folhas são pinatífidas e profundamente recortadas, verde-escuras, com segmentos estreitos e irregulares, bem diferentes da folha inteira do agrião d’água.

Outro traço inconfundível aparece quando você amassa uma folha: exala um cheiro forte de mostarda e agrião, levemente picante. As flores são minúsculas, brancas, com 4 pétalas, quase imperceptíveis a olho nu. E o fruto é o detalhe que deu nome científico à planta: duas sementes unidas em forma de rim, o chamado fruto didimo, que fica bem visível com lupa.

Onde o agrião-do-seco nasce e por que aparece tanto

Originário da América do Sul e hoje cosmopolita, o agrião-do-seco é uma planta ruderal clássica. No Brasil ocorre de forma espontânea em todas as regiões, do Pampa ao Nordeste, principalmente em áreas antropizadas: hortas, pomares, terrenos baldios, margens de estrada e até vasos abandonados.

Ele prospera porque tem ciclo curtíssimo de 40 a 80 dias da germinação à frutificação e cada planta produz milhares de sementes muito leves que se dispersam com vento, água e nos solados de sapatos. As sementes permanecem viáveis no solo por anos e germinam assim que há umidade e luz, mesmo em solo compactado e pobre.

Na natureza, prefere sol pleno e solo bem drenado, mas tolera meia-sombra. Não exige frio nem calor extremo e suporta geadas leves, por isso aparece o ano todo, com pico no outono, inverno e início da primavera, quando as temperaturas amenas favorecem as Brassicaceae. É justamente nessa época que as folhas ficam mais tenras para consumo.

Floração e frutificação: o detalhe dos frutos duplos

A floração do agrião-do-seco é discreta, mas importante para a identificação botânica. As flores têm menos de 2 mm de diâmetro, brancas, agrupadas em racemos curtos nas axilas das folhas. Muitas vezes passam despercebidas porque a planta é arrancada antes de florescer.

Após a polinização, que é feita por pequenas moscas e abelhas, formam-se os frutos característicos: síliquas curtas didimas, ou seja, duas metades arredondadas e rugosas unidas no centro, lembrando um par de rins ou um número 8. Quando secos, ficam amarronzados e se desprendem facilmente. É por esse fruto que o epíteto didymum foi dado, do grego didymos, gêmeo.

Se você quer coletar sementes, deixe algumas plantas florescerem e observe quando os frutos começam a secar na planta-mãe. A dispersão é explosiva e rápida: em poucos dias as sementes caem e colonizam o entorno. Para controle, o ideal é colher ou capinar antes da frutificação completa.

Agrião-do-seco é comestível? Sabor, uso e cuidados

Sim, o agrião-do-seco é comestível quando jovem e considerado PANC em várias regiões do Brasil. As folhas e ramos tenros têm sabor picante, que lembra agrião e mostarda, devido à presença de glucosinolatos, os mesmos compostos da rúcula e do rabanete. Quanto mais velha a planta, mais amarga e fibrosa ela fica.

Na culinária, usa-se cru em pequenas quantidades em saladas, sanduíches, refogados rápidos, omeletes e sucos verdes. O ideal é colher folhas com até 10 cm, bem lavadas, e usar como tempero, não como base da salada. O cozimento rápido reduz a picância. Na medicina popular, o chá das folhas é citado como expectorante e digestivo, mas sem comprovação clínica e com risco de irritação gástrica se consumido em excesso.

  • Quando consumir: apenas folhas jovens, tenras e de plantas cultivadas sem agrotóxico ou contaminação urbana.
  • Quando evitar: plantas de beira de rua muito poluída, com fuligem, fezes de animais ou próximas a esgoto.
  • Moderação: por causa dos glucosinolatos, o consumo deve ser esporádico e em porções pequenas, especialmente para pessoas com problemas de tireoide, estômago sensível, gestantes e crianças.

Na nossa avaliação, o agrião-do-seco vale mais como tempero de horta espontânea do que como hortaliça principal. Ele não substitui o agrião d’água em valor nutricional nem em textura, mas é interessante para quem busca PANCs e quer aproveitar o que já nasce sozinho, desde que com identificação correta e higiene rigorosa.

Como plantar e cultivar agrião-do-seco em casa

Você não precisa comprar muda: basta semeadura direta. O agrião-do-seco germina com muita facilidade e não precisa de berçário. Escolha um vaso com pelo menos 20 cm de profundidade ou um canteiro com solo solto.

Luz: ofereça sol pleno por 4 a 6 horas diárias. Em meia-sombra ele cresce, mas fica estiolado e menos saboroso. Solo: use substrato leve, fértil e bem drenado, com mistura de terra vegetal, composto orgânico e areia grossa. O pH ideal fica entre 6,0 e 7,0. Solo encharcado apodrece a raiz pivotante fina.

Rega: mantenha o solo levemente úmido, nunca encharcado. Regue quando o primeiro centímetro do solo secar. No verão, regas curtas a cada 1 ou 2 dias; no inverno, espaçe mais. Temperatura: faixa ideal de 15 °C a 25 °C, mas tolera de 10 °C a 28 °C. Em calor excessivo acima de 30 °C, a planta floresce precocemente e amarga.

Passo a passo da semeadura

  • Espalhe as sementes superficialmente, sem enterrar muito, pois precisam de luz para germinar. Cubra com camada finíssima de substrato peneirado.
  • Mantenha úmido com borrifador até a germinação, que ocorre em 5 a 10 dias.
  • Desbaste deixando 10 a 15 cm entre plantas para evitar competição.
  • Adube levemente a cada 30 dias com composto orgânico ou húmus de minhoca. Excesso de nitrogênio deixa a folha aguada e menos aromática.

Não é necessário podar. Apenas faça colheitas frequentes das pontas para estimular brotações laterais e retardar a floração. Se cultivar em vaso, o agrião-do-seco funciona bem como forração rápida e pode ser consorciado com temperos de ciclo mais longo, como salsinha.

Propagação, colheita e como evitar que vire praga

A única forma de propagação é por sementes. A planta não pega por estaca. Como a produção de sementes é abundante, o manejo é mais sobre conter do que sobre multiplicar.

A colheita começa em 30 a 45 dias após a germinação, quando as folhas têm 5 a 10 cm. Corte os ramos com tesoura, deixando 3 a 4 cm da base para rebrotar. Lave em água corrente e deixe de molho por 10 minutos em solução de hipoclorito própria para hortaliças, enxaguando bem depois.

Para não virar invasora na horta, adote três cuidados: 1) colha antes de frutificar se não quiser sementes; 2) arranque plantas que nascerem fora do canteiro ainda jovens, puxando pela raiz; 3) não deixe o solo nu por muito tempo, faça cobertura morta com palha, que dificulta a germinação espontânea. Em vasos, a contenção é natural e o risco de invasão é mínimo.

Pragas, doenças e erros comuns

Por ser uma Brassicaceae rústica, o agrião-do-seco é pouco atacado por pragas. Os problemas mais frequentes são pulgões e lagartas de pequenas borboletas brancas, as mesmas que atacam couve. Em caso de infestação leve, remova manualmente ou use jato d’água. Evite inseticidas se for consumir.

Doenças fúngicas como míldio e oídio aparecem quando há excesso de umidade e pouca ventilação. O sintoma é um pó branco ou manchas amareladas nas folhas. Previna com espaçamento correto, rega no solo e não nas folhas, e sol pleno. Folhas doentes devem ser descartadas e não consumidas.

Os erros mais comuns de quem tenta cultivar são: confundir com outra espécie e consumir planta errada; regar demais achando que é agrião d’água; colher folhas velhas e amargas e concluir que a planta não presta; e coletar em local contaminado, como canteiros com fezes de cachorro ou beira de rua com tráfego intenso. Lave sempre muito bem e, na dúvida, cultive suas próprias sementes em vaso limpo.

Perguntas frequentes

Agrião-do-seco é o mesmo que agrião d'água?

Não. O agrião-do-seco (Lepidium didymum) cresce em solo seco e tem folhas recortadas e sabor de mostarda, enquanto o agrião d'água (Nasturtium officinale) cresce em água corrente e tem folhas arredondadas.

Agrião-do-seco é comestível?

Sim, as folhas jovens são comestíveis e usadas como PANC em saladas e refogados, mas devem ser consumidas em pequenas quantidades, bem lavadas e de plantas cultivadas em local limpo.

Como plantar agrião-do-seco em vaso?

Faça semeadura direta superficial, pois a semente precisa de luz. Use vaso com 20 cm de profundidade, solo leve e drenado, sol pleno e rega moderada. Germina em 5 a 10 dias.

Qual a diferença entre agrião-do-seco e mastruço?

São nomes populares para a mesma planta, Lepidium didymum. Mastruço, mastruz e mentruz são sinônimos regionais de agrião-do-seco.

Precisa de muita água como o agrião d'água?

Não. O agrião-do-seco prefere solo levemente úmido e bem drenado. Encharcar apodrece as raízes e favorece fungos.

Como evitar que se espalhe demais na horta?

Colha antes da frutificação, arranque plântulas fora do canteiro e use cobertura morta. Em vasos o controle é mais fácil.

É tóxico para cachorro e gato?

Em pequenas quantidades não é considerado tóxico, mas o excesso pode causar irritação gástrica pelos glucosinolatos. Mantenha o consumo ocasional e consulte o veterinário em caso de ingestão grande.

Você sabia?

1

O fruto gêmeo que batiza a planta

O nome didymum vem do grego didymos, gêmeo, por causa do fruto duplo em forma de rim, único entre as Brassicaceae ruderais brasileiras.

2

Parente da mostarda, não do agrião d'água

Apesar do nome popular, ele é botanicamente mais próximo da mostarda e da rúcula, com glucosinolatos que dão a picância característica.

3

Indicadora de solo compactado

A presença espontânea de agrião-do-seco costuma indicar solo compactado, fértil e com boa disponibilidade de nitrogênio, comum em hortas bem adubadas.

4

Semente que espera anos

Suas sementes podem ficar dormentes no banco de sementes do solo por vários anos, germinando assim que há luz e umidade após uma capina.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Hortaliças
  3. Instituto Plantarum - Lorenzi

Prós e contras: Agrião-do-seco

Prós

  • Ciclo muito rápido, colheita em 30 a 45 dias
  • Extremamente rústico e fácil de cultivar, até em vasos
  • Comestível como PANC e tempero picante
  • Atrai polinizadores pequenos e é pouco atacado por pragas
  • Germinação fácil sem necessidade de mudas

Contras

  • Sabor picante e amargo se colhido velho, não agrada a todos
  • Pode virar invasora se deixar frutificar na horta
  • Floração e valor ornamental insignificantes
  • Risco de contaminação se coletado em ruas e terrenos baldios
  • Confusão frequente com outras ervas ruderais
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o agrião-do-seco é mais valioso como PANC de aproveitamento do que como hortaliça planejada. Vale cultivá-lo em vaso limpo para uso pontual como tempero picante, mas não compensa ocupar canteiro nobre se você busca sabor suave e produção volumosa.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.