🐟 Peixes

Peixe-serra

Pristis pristis (família Pristidae - 5 espécies vivas)

Atualizado em

até 7,3 m e 600 kgTamanho
salgada, salobra e doceTipo de água
25 a 35 anosExpectativa de vida
dócil e bentônicoTemperamento
não é de aquárioDificuldade
não é de aquárioDificuldade
Filhotes de peixe-serra nadando em estuário raso

O peixe-serra não é tubarão nem peixe-espada, mas uma raia gigante da família Pristidae, reconhecida pelo rostro longo e achatado com dentes laterais que lembra uma serra. Apesar da aparência intimidadora, é um animal dócil e bentônico que passa a maior parte do tempo semienterrado no fundo.

No Brasil, a espécie mais registrada é o Pristis pristis, chamado de peixe-serra-grande, que ocorre do Amapá ao litoral nordestino e entra em estuários e rios. Todas as espécies estão criticamente em perigo e sua pesca, captura e comércio são proibidos por lei.

Também conhecido como: peixe-serra-grande, peixe-serra-miúdo, sawfish (inglês), poisson-scie (francês), pez sierra (espanhol)

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

Explore a wiki

Galeria de fotos de Peixe-serra

Filhotes de peixe-serra nadando em estuário raso
Filhotes nascem com 60 a 80 cm e rostro protegido por membrana.
Peixe-serra caçando com golpe lateral do rostro
Golpe lateral do rostro para atordoar presas no fundo.
Peixe-serra semienterrado em fundo lodoso de manguezal
Comportamento bentônico típico em berçário de mangue.
Filhotes de peixe-serra nadando em estuário raso
Filhotes nascem com 60 a 80 cm e rostro protegido por membrana.
Peixe-serra caçando com golpe lateral do rostro
Golpe lateral do rostro para atordoar presas no fundo.
Comparação dos rostros de peixe-serra, tubarão-serra e peixe-espada
Diferenças entre peixe-serra, tubarão-serra e peixe-espada.
Peixe-serra semienterrado em fundo lodoso de manguezal
Comportamento bentônico típico em berçário de mangue.
Filhotes de peixe-serra nadando em estuário raso
Filhotes nascem com 60 a 80 cm e rostro protegido por membrana.

Perfil rápido de Peixe-serra

Estado de conservação

CR
Criticamente em Perigo

Risco extremamente alto de extinção na natureza.

População
em declínio
Protegido por
sim

Vida útil

Na natureza
25 a 35 anos, maturidade tardia entre 7 e 13 anos
Em cativeiro
raro e não recomendado; poucos aquários públicos no mundo mantêm exemplares sob licença especial

Reprodução

Tipo
ovovivípara lecitotrófica, sem placenta
Gestação
cerca de 5 meses
Ninhada
1 a 13 filhotes, média de 7, com 60 a 80 cm ao nascer
Intervalo reprodutivo
1 a 2 anos entre gestações
Maturidade
machos 7 a 10 anos, fêmeas 10 a 13 anos

Habitat

Ambientes

  • águas costeiras rasas
  • estuários e manguezais
  • lagoas costeiras
  • trechos baixos de rios de água doce

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Manguezal
  • Estuário
  • Amazônia e Mata Atlântica costeira

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • peixes bentônicos (tainha, bagre)
  • crustáceos (camarão, caranguejo)

Outros alimentos

  • moluscos
  • lulas

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Colômbia
  • Senegal
  • Moçambique
  • Austrália
  • Índia
  • Indonésia
  • Panamá

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Chondrichthyes
Ordem
Rhinopristiformes
Família
Pristidae
Gênero
Pristis / Anoxypristis
Espécie
Pristis pristis (Linnaeus, 1758) - referência no Brasil

Resumo

  • Peixe-serra é uma raia gigante com rostro serrilhado que chega a 7,3 metros e vive entre mar, estuários e rios.
  • Usa eletrorrecepção e golpes laterais do rostro para detectar e atordoar peixes e crustáceos no fundo.
  • Está criticamente em perigo no Brasil e no mundo por captura acidental, perda de habitat e crescimento lento.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoPristis pristis (mais comum no Brasil); família com 5 espécies: Pristis pristis, P. pectinata, P. zijsron, P. clavata e Anoxypristis cuspidata
FamíliaPristidae
OrdemRhinopristiformes
Origemcostas tropicais e subtropicais do Atlântico e Indo-Pacífico
Tipo de águaeurialino: marinha, salobra e doce
Tamanhoadulto 4 a 7,3 m; rostro com 1/4 do comprimento total
Peso adulto300 a 600 kg nos maiores exemplares
Expectativa de vida25 a 35 anos na natureza
Corescinza-escuromarrom-acinzentadobegeventre esbranquiçado
Alimentaçãocarnívora: peixes bentônicos, crustáceos e moluscos
Reproduçãoovovivípara, 1 a 13 filhotes por gestação
Variedades5 espécies vivas, todas criticamente ameaçadas

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeBaixo
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é o peixe-serra e como identificá-lo sem erro

O peixe-serra é uma raia gigante, não um tubarão. O corpo é achatado ventralmente, com nadadeiras peitorais amplas e fendas branquiais na parte de baixo, característica das raias. O que engana é o formato alongado e a nadadeira caudal bem desenvolvida.

A identificação é inequívoca pelo rostro em forma de serra, uma extensão achatada do crânio com dentes rostrais fixos dos dois lados. Diferente da serra do tubarão-serra, os dentes do peixe-serra são de tamanho mais uniforme e não são trocados ao longo da vida.

Os olhos são pequenos e ficam no topo da cabeça. A coloração é cinza-escura a marrom-acinzentada no dorso e esbranquiçada no ventre, ideal para camuflagem no fundo lodoso ou arenoso.

Tamanho real: o maior peixe de rostro do mundo

O peixe-serra está entre os maiores peixes cartilaginosos costeiros. O Pristis pristis pode atingir 7,3 metros e mais de 500 kg, enquanto Pristis pectinata chega a cerca de 5,5 metros. O rostro sozinho pode medir 1,5 metro.

O crescimento é extremamente lento. Machos amadurecem entre 7 e 10 anos e fêmeas entre 10 e 13 anos, o que torna a reposição populacional muito baixa. Essa é uma das razões centrais do risco de extinção.

Apesar do tamanho, não há registro confiável de ataque não provocado a humanos. Acidentes ocorrem quando o animal é manuseado após captura, pelo movimento brusco do rostro.

Onde vive no Brasil e no mundo

É um peixe eurialino: tolera água salgada, salobra e doce. Vive em águas rasas costeiras, estuários, manguezais, lagoas costeiras e trechos baixos de rios. Prefere fundos de areia e lama com até 30 metros de profundidade.

No Brasil, os registros históricos vão do Amapá ao Rio de Janeiro, com maior frequência no litoral norte e nordeste, especialmente no estuário do Amazonas, Maranhão, Pará e Ceará. Hoje os avistamentos são raros e concentrados no norte.

No mundo, ocorre no Atlântico ocidental e oriental e no Indo-Pacífico, mas sofreu redução de mais de 80% da área de ocorrência nas últimas décadas. Populações do Atlântico leste e do Mediterrâneo são consideradas praticamente extintas.

Como o rostro em forma de serra funciona na caça

O rostro não é só uma arma. Ele é coberto por ampolas de Lorenzini, eletrorreceptores capazes de detectar o batimento cardíaco de um peixe enterrado na areia. É um sistema sensorial de alta precisão.

Na caça, o peixe-serra faz duas manobras principais: varredura lateral para atordoar cardumes e pinçamento da presa contra o fundo. Depois, usa a boca ventral para aspirar o alimento. Os dentes rostrais não mastigam, apenas imobilizam.

Esse comportamento explica por que a espécie se enrosca facilmente em redes de emalhe. O rostro funciona como uma âncora que prende o animal e impede a fuga, mesmo em redes de malha grande.

Alimentação e comportamento no fundo

A dieta é carnívora e bentônica. Consome principalmente tainhas, bagres, camarões, caranguejos e lulas. Em rios amazônicos, também preda peixes de água doce como pescadas e piranhas.

É um animal predominantemente noturno e solitário. Durante o dia fica semienterrado, com apenas olhos e espiráculos expostos. À noite, patrulha ativamente o fundo em busca de presas.

Apesar do porte, é pouco ativo e nada de forma lenta e ondulante. Não forma cardumes e não tem comportamento territorial agressivo. Jovens permanecem por anos em berçários de mangue e estuário antes de ir para o mar aberto.

Reprodução ovovivípara e crescimento lento

A reprodução é ovovivípara com viviparidade lecitotrófica. Os embriões se desenvolvem dentro de ovos retidos no útero e nascem já formados, sem placenta. A gestação dura cerca de 5 meses.

Cada fêmea gera 1 a 13 filhotes por ciclo, com média de 7, e só se reproduz a cada 1 a 2 anos. Os filhotes já nascem com 60 a 80 cm e com o rostro mole e coberto por uma membrana para não ferir a mãe no parto.

Os filhotes perdem a membrana em poucos dias e o rostro endurece rapidamente. A taxa de sobrevivência é baixa, pois berçários costeiros são justamente as áreas mais pressionadas por pesca e ocupação humana.

Por que está criticamente em perigo

Todas as cinco espécies são classificadas como Criticamente em Perigo (CR) pela IUCN. No Brasil, o peixe-serra está na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas e sua captura é proibida pela Portaria MMA e Instrução Normativa do ICMBio/IBAMA.

As principais ameaças são captura incidental em redes de emalhe e arrasto, destruição de manguezais e estuários, poluição e o comércio do rostro como souvenir. Um único rostro pode ser vendido ilegalmente por valores altos, o que incentiva a retenção mesmo quando a captura é acidental.

Por ser longevo e de maturação tardia, qualquer mortalidade adulta tem impacto desproporcional. Estudos estimam que populações precisam de décadas sem pressão de pesca para se recuperar, mesmo parcialmente. Avistar um peixe-serra hoje no Brasil é um evento raro e deve ser notificado a órgãos ambientais.

Diferença entre peixe-serra, tubarão-serra e peixe-espada

A confusão é comum, mas a distinção é simples. O peixe-serra (Pristidae) é uma raia com fendas branquiais embaixo e rostro com dentes grandes e espaçados. O tubarão-serra (Pristiophoridae) é um tubarão com fendas laterais, barbilhões no rostro e dentes menores e alternados.

Já o peixe-espada (Xiphias gladius) tem uma lâmina lisa sem dentes laterais e corpo totalmente diferente, fusiforme e pelágico. Ele vive em mar aberto e não tem relação com peixes-serra.

Outro erro frequente é achar que o peixe-serra usa o rostro para serrar madeira ou atacar barcos. O rostro é uma ferramenta sensorial e de caça para presas pequenas, não para cortar objetos grandes.

Característica Peixe-serra Tubarão-serra Peixe-espada
Grupo Raia Tubarão Peixe ósseo
Fendas branquiais ventrais laterais opérculo
Rostro com dentes laterais fixos com dentes e barbilhões lâmina lisa sem dentes
Habitat preferido fundo costeiro e estuário fundo mais profundo oceano aberto

Perguntas frequentes

Peixe-serra é tubarão?

Não. É uma raia gigante da família Pristidae, com fendas branquiais na parte ventral e corpo achatado, embora nade como um tubarão.

Peixe-serra ataca humanos?

Não há ataques não provocados confirmados. É dócil e foge de mergulhadores. Acidentes só ocorrem ao manusear o animal capturado por causa do rostro.

Qual o tamanho do peixe-serra?

A espécie Pristis pristis, mais comum no Brasil, pode passar de 7 metros e 500 kg. A maioria dos avistamentos atuais é de jovens de 1 a 3 metros.

Onde encontrar peixe-serra no Brasil?

Historicamente do Amapá ao Rio de Janeiro, hoje quase restrito ao litoral norte e estuário do Amazonas. Avistamentos devem ser reportados ao ICMBio.

Pode criar peixe-serra em aquário?

Não. É uma espécie selvagem protegida, de grande porte e criticamente ameaçada. Só aquários públicos com autorização científica mantêm exemplares.

Por que o peixe-serra está em extinção?

Captura acidental em redes, destruição de manguezais e estuários, maturação tardia e comércio ilegal do rostro como troféu.

Qual a diferença para tubarão-serra?

Peixe-serra é raia sem barbilhões e com dentes rostrais grandes e espaçados; tubarão-serra é tubarão com barbilhões e dentes menores e alternados.

Fatos surpreendentes sobre o peixe-serra

1

Rostro com coração na mira

As ampolas de Lorenzini no rostro detectam campos elétricos de até 5 nanovolts, permitindo achar peixes enterrados só pelo batimento cardíaco.

2

Dentes que não se renovam

Diferente de tubarões, os dentes do rostro não caem e não são repostos. Se quebrarem, o animal fica com a falha pelo resto da vida.

3

Viajante de rio e mar

Pristis pristis já foi registrado a mais de 300 km rio acima na bacia amazônica, vivendo meses em água totalmente doce.

4

Fóssil vivo

Fósseis de pristídeos com rostro serrilhado datam de cerca de 60 milhões de anos, pouco depois da extinção dos dinossauros.

Fontes

  1. IUCN Red List - Pristidae
  2. FishBase - Pristis pristis
  3. ICMBio - Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada
  4. NOAA Fisheries - Sawfish

Prós e contras: Peixe-serra

Prós

  • papel ecológico importante como predador de fundo que regula peixes e crustáceos
  • indicador de saúde de manguezais e estuários bem preservados
  • inofensivo para mergulho e ecoturismo quando avistado
  • valor científico alto por ser linhagem antiga de 60 milhões de anos

Contras

  • criticamente em perigo e com populações em declínio acentuado
  • não pode ser pescado, comercializado nem mantido em aquário doméstico
  • extremamente vulnerável a redes de emalhe por causa do rostro
  • crescimento e reprodução muito lentos, recuperação demora décadas
  • avistamentos cada vez mais raros, frustrando quem espera encontrá-lo
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-serra é o exemplo mais claro de como um animal impressionante pode desaparecer sem que a maioria perceba: não é perigoso, não é alvo principal de pesca, mas morre calado preso em redes. Protegê-lo exige menos romantização e mais fiscalização de berçários costeiros e proibição efetiva do comércio de rostros.

Continue explorando: Peixes

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.