🐟 Peixes

Peixe-porco

Balistes capriscus

Atualizado em

40 a 60 cm adultoTamanho
Salgada marinhaTipo de água
7 a 13 anosExpectativa de vida
Territorial e agressivoTemperamento
Alta no manejoDificuldade
Peixe-porco Balistes capriscus de lado nadando próximo a recife rochoso

O peixe-porco é um peixe marinho da família Balistidae, conhecido pelo corpo alto e comprimido, pele grossa e couro resistente e pelo mecanismo de trava na primeira nadadeira dorsal. No Brasil, o nome se refere principalmente a Balistes capriscus, também chamado de peroá ou peixe-porco-branco, muito comum na costa atlântica.

É uma espécie territorial, de natação potente e dentição forte, capaz de triturar conchas, ouriços e crustáceos. Apesar do temperamento agressivo e do ronco característico quando retirado da água, tem grande importância na pesca comercial e artesanal, especialmente no Sudeste e Sul do país.

Também conhecido como: peroá, peixe-porco-branco, cangulo, triggerfish (inglês), baliste cabri (francês), pez ballesta (espanhol)

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Peixe-porco

Peixe-porco Balistes capriscus de lado nadando próximo a recife rochoso
Peixe-porco (Balistes capriscus), o peroá, em vista lateral com corpo alto e pele de couro.
Close da cabeça do peixe-porco mostrando boca pequena e espinho dorsal ereto
Detalhe da cabeça: boca pequena, dentes em bico e gatilho dorsal travado.
Peixe-porco soprando jato de água na areia para desenterrar presas
Técnica de alimentação: jato de água para expor crustáceos enterrados.
Peixe-porco soprando jato de água na areia para desenterrar presas
Técnica de alimentação: jato de água para expor crustáceos enterrados.
Peixe-porco recém-pescado sobre convés mostrando pele áspera
Exemplar recém-capturado, onde se vê a pele grossa e o grunhido característico.
Dois peixes-porco nadando juntos sobre fundo de areia e pedra
Par patrulhando território em fundo misto de areia e rocha.
Peixe-porco soprando jato de água na areia para desenterrar presas
Técnica de alimentação: jato de água para expor crustáceos enterrados.
Peixe-porco recém-pescado sobre convés mostrando pele áspera
Exemplar recém-capturado, onde se vê a pele grossa e o grunhido característico.

Perfil rápido de Peixe-porco

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Balistes capriscus avaliado como Vulnerável devido ao declínio populacional por sobrepesca no Atlântico.

População
em declínio
Protegido por
não há proteção integral; há tamanhos mínimos e defesos regionais

Vida útil

Na natureza
7 a 13 anos, com maturidade por volta dos 2 anos e 30 cm
Em cativeiro marinho
Raramente mantido; pode passar de 10 anos em aquários públicos de grande porte com dieta adequada

Reprodução

Tipo
Ovípara com desova demersal
Estrutura social
Machos territoriais poligínicos, fêmeas guardam o ninho
Ninho
Depressão circular escavada na areia ou cascalho
Fecundidade
Dezenas de milhares de ovos adesivos por desova
Época no Brasil
Primavera e verão, com pico entre novembro e fevereiro
Cuidado parental
Fêmea ventila e defende os ovos até a eclosão (24 a 48 horas)

Habitat

Ambientes

  • recifes rochosos e parcéis
  • fundos de areia e cascalho
  • estruturas submersas e naufrágios
  • costões e ilhas costeiras entre 10 e 100 m

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Atlântico Tropical e Subtropical

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • crustáceos (caranguejos e camarões)
  • moluscos bivalves e gastrópodes
  • ouriços-do-mar e bolachas-da-praia

Outros alimentos

  • cracas e pequenos peixes
  • algas e hidrozoários
  • detritos bentônicos

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Senegal
  • Gana
  • Angola
  • Portugal
  • Espanha

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Tetraodontiformes
Família
Balistidae
Gênero
Balistes
Espécie
Balistes capriscus

Resumo

  • Peixe-porco é o nome popular dos Balistidae, com destaque para Balistes capriscus, o peroá da costa brasileira, de corpo achatado e pele de couro.
  • Vive em fundos rochosos e arenosos do Atlântico, entre 10 e 100 metros, e se destaca pelo gatilho dorsal travável, dentes fundidos e comportamento territorial.
  • É carnívoro de fundo, faz ninhos na areia, grunhe como um porco fora da água e está classificado como Vulnerável devido à pressão de pesca.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoBalistes capriscus (Gmelin, 1789)
FamíliaBalistidae
Nomes popularesPeixe-porco, peroá, peixe-porco-branco, triggerfish
OrigemAtlântico Ocidental e Oriental
Tipo de águaSalgada marinha
Tamanho35 a 60 cm (comum 40 cm), até 2,5 kg
Expectativa de vida7 a 13 anos na natureza
Corescinza-azuladoverde-olivabegemanchas azuladas
AlimentaçãoCarnívora de fundo (crustáceos, moluscos, equinodermos)
ReproduçãoOvípara com ninho em depressão na areia
Variedades chamadas peixe-porcoBalistes capriscus, Balistes vetula (peixe-porco-rei), Cantherhines spp.

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito alto
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeAlto
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é o peixe-porco e como reconhecê-lo na hora

O peixe-porco não é uma espécie única, mas o nome popular dado a várias espécies da família Balistidae. No Brasil, quando alguém fala em peixe-porco, está quase sempre se referindo ao Balistes capriscus, o peroá.

Ele tem corpo alto, comprimido lateralmente e coberto por pele grossa e áspera, sem escamas visíveis como as de outros peixes. A pele lembra couro e é tão resistente que precisa ser retirada como se fosse uma capa na hora de limpar.

A identificação mais segura está em três detalhes: boca pequena com dentes fortes e fundidos em forma de bico, olhos altos e afastados e, principalmente, a primeira nadadeira dorsal com 3 espinhos, sendo o primeiro grande e travável.

O mecanismo do gatilho: por que ele trava a nadadeira

O nome em inglês triggerfish (peixe-gatilho) explica a característica mais famosa do grupo. O primeiro espinho dorsal é ereto e se trava em posição vertical por um segundo espinho menor que funciona como gatilho.

Quando ameaçado, o peixe-porco entra em fendas de rochas, ergue o espinho e o trava. Assim ele se ancora na toca e fica quase impossível de ser puxado por um predador. Só quando o segundo espinho é recolhido o primeiro destrava.

Esse mesmo espinho é usado para produzir som. Ao ser capturado, o peixe vibra a bexiga natatória e range os dentes, emitindo um grunhido rouco muito parecido com o de um porco — daí o nome popular. É um dos poucos peixes que o pescador ouve antes mesmo de ver.

Onde vive o peixe-porco no Brasil e no mundo

O Balistes capriscus ocorre em todo o Atlântico Ocidental, de Nova Scotia (Canadá) até a Argentina, e também no Atlântico Oriental. No Brasil é abundante do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, com maior concentração no Sudeste.

Prefere fundos consolidados, recifes rochosos, parcéis e áreas de areia e cascalho entre 10 e 100 metros de profundidade. Jovens ficam mais rasos, próximos a costões e estruturas submersas, enquanto adultos ocupam áreas mais profundas e abertas.

Não é um peixe de água doce e não migra longas distâncias. Forma agregações sazonais para reprodução e alimentação, mas passa boa parte do tempo patrulhando um território fixo no fundo.

Como diferenciar as principais espécies chamadas peixe-porco

Espécie Nome comum Tamanho máximo Marca distintiva
Balistes capriscus Peixe-porco-branco / peroá 60 cm Cor cinza-azulada uniforme, sem linhas marcadas
Balistes vetula Peixe-porco-rei / cangulo-real 60 cm Linhas azuis no rosto e nadadeiras com tons alaranjados
Cantherhines pullus Peixe-porco-de-pedra 20 cm Corpo mais alongado, da família Monacanthidae

Muita confusão acontece porque peixe-porco e cangulo são nomes intercambiáveis no mercado. Biologicamente, todos são Balistiformes, mas o verdadeiro peixe-porco comercial é o B. capriscus.

Comportamento e temperamento: territorial e barulhento

O peixe-porco é solitário, diurno e extremamente territorial. Defende com agressividade o entorno do ninho e ataca mergulhadores que se aproximam demais na época reprodutiva, com mordidas que podem causar cortes.

Nada com movimento ondulatório das nadadeiras dorsal e anal, não com a cauda. Isso dá a ele grande precisão para manobrar entre rochas e virar de lado para fuçar o substrato em busca de alimento.

É um peixe inteligente para padrões de peixes recifais. Aprende a virar ouriços-do-mar para atacar a parte ventral desprotegida e sopra jatos de água na areia para desenterrar presas. Em cativeiro de grande porte, reconhece o tratador e pode se tornar agressivo com outros peixes.

Alimentação: o que ele come na natureza

É um carnívoro bentônico especializado em presas de casca dura. A dieta natural é composta por caranguejos, camarões, moluscos bivalves, gastrópodes e ouriços-do-mar, além de cracas e pequenos peixes.

Os dentes incisivos fortes e a mandíbula potente permitem quebrar conchas e espinhos calcários. Ele não engole a presa inteira: morde, tritura e cospe fragmentos de casca.

Em menor proporção consome algas, hidrozoários e detritos, mas não é herbívoro. Essa preferência explica por que é tão atraído por iscas de camarão, sardinha e lula na pesca de fundo.

Reprodução e ciclo de vida

A reprodução é ovípara com cuidado parental, algo raro entre peixes marinhos de fundo. Na primavera e verão, o macho escava uma depressão circular na areia e a fêmea deposita milhares de ovos adesivos.

A fêmea guarda o ninho agressivamente por 1 a 2 dias até a eclosão, abanando os ovos com as nadadeiras para oxigenar. O macho pode defender um território maior que engloba vários ninhos de fêmeas diferentes.

As larvas são pelágicas e ficam à deriva por semanas antes de se assentarem no fundo. O crescimento é relativamente rápido no primeiro ano, mas a maturidade sexual só ocorre com cerca de 2 anos e 30 cm.

Pesca, importância econômica e confusões comuns

No Sudeste e Sul do Brasil, o peixe-porco é um dos peixes mais desembarcados pela frota de arrasto e espinhel de fundo. É vendido como peroá, muitas vezes já sem pele e sem cabeça, o que confunde o consumidor.

A carne é branca, firme e de sabor suave, muito apreciada para filé e moqueca. Como tem pouca espinha intramuscular e couro fácil de remover, tem bom rendimento. O fígado é grande e oleoso, considerado iguaria em algumas regiões.

Um erro comum é achar que peixe-porco é peixe de aquário pequeno. Não é indicado para aquários domésticos: exige centenas de litros, água marinha estável e ataca invertebrados e outros peixes. Só aquários marinhos grandes e específicos para Balistidae conseguem mantê-lo.

Estado de conservação e manejo

O Balistes capriscus é classificado como Vulnerável (VU) pela IUCN, com tendência de declínio em várias áreas do Atlântico. A pressão de pesca, a captura de juvenis e a degradação de habitats recifais são as principais ameaças.

No Brasil, há medidas de defeso e tamanho mínimo de captura em alguns estados, além de cotas para a frota industrial. Ainda assim, a fiscalização é limitada e grande parte da captura vem como fauna acompanhante do camarão.

Para o consumidor consciente, a recomendação é evitar exemplares muito pequenos (abaixo de 30 cm) e preferir pescado com origem rastreada. O manejo com áreas de exclusão de arrasto em fundos recifais tem mostrado recuperação local da espécie.

Saúde, toxinas e cuidados ao manusear

O peixe-porco não é peixoto venenoso, mas pode causar ciguatera em regiões tropicais quando acumula toxinas de dinoflagelados via cadeia alimentar. Casos no Brasil são raros e associados a exemplares grandes de áreas recifais do Nordeste.

Ao manusear, cuidado com dentes e espinho dorsal travado. A mordida é forte e o espinho pode perfurar a mão se o peixe se debater. Pescadores experientes seguram pela parte superior da cabeça, com o gatilho destravado.

Depois de morto, a deterioração é rápida por causa do fígado oleoso. O ideal é eviscerar e refrigerar logo após a captura para preservar a qualidade da carne.

Perguntas frequentes

Peixe-porco é venenoso?

Não possui veneno próprio, mas exemplares grandes de áreas recifais tropicais podem acumular ciguatoxina e causar ciguatera. No Sudeste do Brasil o risco é muito baixo.

Por que se chama peixe-porco?

Porque emite um grunhido rouco quando capturado, ao vibrar a bexiga natatória e ranger os dentes. O som lembra o ronco de um porco.

Peixe-porco e peroá são o mesmo peixe?

Sim. Peroá é o nome comercial mais usado no Sudeste para Balistes capriscus, o peixe-porco-branco. Cangulo também é usado, mas pode se referir a outras espécies da família.

Dá para criar peixe-porco em aquário?

Só em aquário marinho muito grande, acima de 500 litros, e com experiência. É territorial, destrói invertebrados e ataca outros peixes, por isso não é recomendado para iniciantes nem para aquários pequenos.

Qual o tamanho que o peixe-porco atinge?

O Balistes capriscus adulto mede comumente 40 cm e pode chegar a 60 cm e cerca de 2,5 kg. Acima disso é raro.

Como limpar peixe-porco?

A pele é grossa como couro e se puxa inteira a partir de um corte atrás da cabeça. Depois eviscere, retire o fígado e filete. A carne é branca e firme.

Onde pescar peixe-porco no Brasil?

Em fundos de pedra e areia entre 20 e 80 metros, do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, usando iscas de camarão, sardinha ou lula na pesca de fundo.

Você sabia?

1

O grunhido que batiza o nome

Fora da água, o peixe-porco vibra a bexiga natatória e range os dentes, produzindo um ronco audível a metros de distância. Pescadores antigos diziam que o barco parecia ter um porco a bordo.

2

Trava que nem cadeado

O primeiro espinho dorsal só destrava se o segundo, bem menor, for recolhido. Mergulhadores já viram peixes-porco presos em fendas tão bem ancorados que nem moreias conseguem puxá-los.

3

Soprador de areia

Para achar alimento enterrado, ele sopra jatos fortes de água pela boca sobre o substrato, levantando nuvem de areia e expondo caranguejos e bivalves. Depois peneira tudo com a boca.

4

Ninho vigiado com mordida

Na época de desova, a fêmea não abandona o ninho nem para comer e ataca nadadeiras, câmeras e até a mão de mergulhadores. Há registros de mordidas que arrancaram pedaços de roupa de neoprene.

Fontes

  1. IUCN Red List - Balistes capriscus
  2. FishBase - Balistes capriscus
  3. ICMBio - Biodiversidade Marinha do Brasil

Prós e contras: Peixe-porco

Prós

  • Carne branca, firme e saborosa com poucas espinhas
  • Fácil de filetar por causa da pele em couro
  • Importante para pesca artesanal e comercial no Sudeste
  • Comportamento fascinante: gatilho travável e ninhos na areia
  • Resistente e adaptável a diferentes fundos marinhos

Contras

  • Classificado como Vulnerável por sobrepesca
  • Agressivo e territorial, não convive bem em aquários comunitários
  • Mordida forte e espinho dorsal podem ferir ao manusear
  • Pode acumular ciguatoxina em áreas tropicais
  • Juvenis frequentemente capturados como fauna acompanhante do camarão
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-porco é um dos peixes marinhos mais subestimados do Brasil: extremamente interessante biologicamente pelo gatilho e pelo comportamento de ninho, mas tratado apenas como filé barato. Valorizar o peroá passa por respeitar tamanho mínimo e entender que não é peixe para aquário doméstico.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.