🐟 Peixes

Peixe-gato-cauda-vermelha

Phractocephalus hemioliopterus

Atualizado em

90 a 130 cmTamanho
DoceTipo de água
15 a 20 anosExpectativa de vida
Predador e territorialTemperamento
Muito altaDificuldade
Peixe-gato-cauda-vermelha adulto de lado mostrando dorso escuro, barriga branca e cauda vermelha

O peixe-gato-cauda-vermelha é um bagre gigante da Amazônia e do Orinoco, famoso pela cauda vermelho-alaranjada intensa que contrasta com o dorso escuro e a barriga branca. Pode passar de 1,3 m e 80 kg na natureza e vive de 15 a 20 anos quando bem manejado.

Apesar de vendido como filhote de 5 a 10 cm em lojas, é um predador noturno, territorial e de crescimento muito rápido. Na nossa avaliação, é um dos peixes mais inadequados para aquários domésticos comuns e só faz sentido em lagos, tanques de grande porte ou aquários públicos.

Também conhecido como: Pirarara, Cajaro, Peixe-gato-de-cauda-vermelha, Redtail catfish, Torre catfish

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Doce, Peixes para Aquário

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Galeria de fotos de Peixe-gato-cauda-vermelha

Peixe-gato-cauda-vermelha adulto de lado mostrando dorso escuro, barriga branca e cauda vermelha
Adulto de peixe-gato-cauda-vermelha com coloração típica: dorso escuro e cauda vermelho-alaranjada.
Close da cabeça do peixe-gato-cauda-vermelha mostrando barbilhões longos e boca larga
Detalhe da cabeça larga e dos três pares de barbilhões sensoriais.
Filhote de peixe-gato-cauda-vermelha em aquário grande com areia e tronco
Filhote já exibe a cauda avermelhada e crescimento muito rápido.
Peixe-gato-cauda-vermelha se alimentando de peixe e camarão
Predador piscívoro que precisa de dieta à base de peixes e crustáceos.
Peixe-gato-cauda-vermelha gigante em lago externo mostrando tamanho adulto
Tamanho adulto real exige lagos de milhares de litros.
Peixe-gato-cauda-vermelha nadando em habitat natural de rio amazônico
Habitat natural em rios grandes e lagos de várzea da Amazônia e Orinoco.
Ideal para

Ideal para criadores com lagos de grande porte, pesque-pagues licenciados ou aquários públicos que buscam um predador amazônico de grande impacto visual e têm estrutura para tanques acima de 2.000 litros, filtragem potente e alimentação adequada por muitos anos. Também atende aquaristas muito experientes com peixes jumbo que entendem o crescimento rápido, o comportamento predador e o compromisso de até 20 anos, e que não pretendem mantê-lo em aquário comunitário.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para iniciantes, famílias com aquários de 100 a 300 litros, apartamentos ou quem busca peixe comunitário e sociável. Ele vai comer todos os vizinhos menores, exige trocas de água pesadas e pode causar acidentes com seus espinhos. Também não serve para quem tem pouco tempo, pouca grana para filtragem e energia, ou pensa em soltar o peixe quando crescer. Sem lago grande, o animal sofre, deforma a coluna e morre precocemente.

Como cuidar

Aquário
Mínimo 2.000 litros para jovem e 5.000+ litros ou lago para adulto; 2,5 m de comprimento mínimo e tampa pesada
Água
24 a 28 °C, pH 6,0 a 7,5, amônia e nitrito zerados, oxigenação alta e filtragem superdimensionada
Alimentação
Peixes inteiros, camarão, minhocas e ração para carnívoros jumbo; 3 a 4 vezes por semana para adultos; evitar carne de mamífero
Convivência
Sozinho ou com peixes gigantes e robustos; não compatível com peixes pequenos ou médios

Perfil rápido de Peixe-gato-cauda-vermelha

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída nas bacias do Amazonas e Orinoco sem declínio global detectado.

População
Estável
Protegido por
Não

Vida útil

Na natureza
15 a 20 anos em rios e lagos de várzea
Em cativeiro
12 a 18 anos em lagos bem filtrados; menos em aquários pequenos

Reprodução

Tipo
Ovípara
Desova
Sazonal, na cheia dos rios
Fecundidade
Milhares de ovos por fêmea
Cuidado parental
Ausente
Em aquário doméstico
Não se reproduz sem indução hormonal

Habitat

Ambientes

  • Rios de grande porte e canais principais
  • Lagos de várzea e áreas alagadas na cheia
  • Poços profundos e áreas de corredeira

Biomas

  • Amazônia
  • Orinoco

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes

Outros alimentos

  • Crustáceos
  • Insetos
  • Minhocas
  • Frutos

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Guiana

Como animal de estimação

Adequação
Apenas para lagos e tanques jumbo; inadequado para aquários comuns
Legalidade no Brasil
Criação permitida; soltura em natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Muito alto
Custo de manutenção
Alto (filtragem, energia, alimentação e espaço)

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Siluriformes
Família
Pimelodidae
Gênero
Phractocephalus
Espécie
Phractocephalus hemioliopterus

Resumo

  • O peixe-gato-cauda-vermelha é o Phractocephalus hemioliopterus, bagre predador da Amazônia e Orinoco que chega a 130 cm.
  • Tem cauda vermelha viva, dorso escuro e barriga branca, é noturno, territorial e engole qualquer peixe que caiba na boca.
  • Exige aquários acima de 2.000 litros, não se reproduz em casa e não é indicado para iniciantes ou aquários comunitários.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoPhractocephalus hemioliopterus
FamíliaPimelodidae
OrigemBacias do Amazonas e Orinoco (América do Sul)
Tipo de águaDoce
TamanhoGrande
Tamanho adulto90 a 130 cm (até 80 kg na natureza)
Corespretocinza-escurobrancovermelho-alaranjado
Expectativa de vida15 a 20 anos
AlimentaçãoCarnívora / piscívora
ReproduçãoOvípara, desova na cheia
VariedadesNão há variedades ornamentais

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito alto
SociabilidadeMuito baixo
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como reconhecer o peixe-gato-cauda-vermelha de verdade

O peixe-gato-cauda-vermelha é inconfundível adulto, mas muito confundido filhote. O corpo é robusto e alongado, com cabeça larga, boca grande e três pares de barbilhões sensoriais bem longos.

O padrão de cor é o que entrega a espécie: dorso preto a cinza-escuro, laterais acinzentadas, ventre branco puro e nadadeira caudal vermelho-alaranjada intensa. As nadadeiras dorsal e adiposa são escuras, e não há manchas ou listras como em outros bagres amazônicos.

  • Filhote: já nasce com a cauda avermelhada, mas o vermelho fica mais vivo após os 10 cm.
  • Confusão comum: é vendido como “pirarara” e confundido com o peixe-gato-de-cauda-vermelha asiático (Hemibagrus wyckioides), que é menor e tem corpo mais avermelhado.
  • Detalhe técnico: pertence à família Pimelodidae, a mesma da pirarara e do surubim, e não à família dos bagres africanos.

Onde vive na natureza: rios grandes, não igarapés

Na natureza, o peixe-gato-cauda-vermelha ocorre nas bacias do Amazonas e Orinoco, em Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador e Guianas. Prefere o canal principal de rios de grande porte, lagos de várzea e áreas de corredeira com fundo de areia ou rochas.

É um peixe de fundo, mas nada em meia-água para caçar. Durante a cheia, migra para áreas alagadas ricas em peixes e frutos; na seca, concentra-se nos poços mais profundos dos rios.

Diferente de muitos bagres de aquário, não vive em cardume. Adultos são solitários e territoriais, encontrando outros da espécie apenas para reprodução. Essa característica explica grande parte da agressividade em cativeiro.

O tamanho que ninguém conta na loja

Este é o ponto central para quem pesquisa a espécie. O filhote fofo de 7 cm dobra de tamanho em poucos meses com alimentação adequada. Em um ano, é comum chegar a 30-40 cm; com dois anos, a 50-60 cm.

Adultos em cativeiro raramente ficam abaixo de 90 cm, e exemplares bem mantidos em lagos chegam a 120-130 cm e 40 a 80 kg. É um dos maiores Pimelodidae e cresce a vida toda, embora mais devagar após os 4 anos.

Por isso, o famoso aquário de 200 ou 300 litros serve por semanas, não por anos. Na prática, manter um adulto exige tanque ou lago acima de 2.000 a 5.000 litros, com filtragem para peixes jumbo e espaço para virar o corpo sem bater nas paredes.

Comportamento: predador noturno que engole o vizinho

O temperamento é predador, não necessariamente agressivo por maldade. Ele simplesmente tenta comer tudo que cabe na boca. Tetras, barbos, kinguios, ciclídeos médios e até outros bagres menores desaparecem durante a noite.

É mais ativo ao entardecer e à noite, quando usa os barbilhões para farejar presas. De dia, costuma ficar parado no fundo, mas reage explosivamente a alimento. Produz sons audíveis de estalo ao ser manipulado, rangendo a base da nadadeira peitoral — mecanismo de defesa comum em Pimelodidae.

  • Com outros peixes: só convive com peixes muito grandes e robustos, como aruanã, tucunaré-açu, pirarucu jovem ou grandes pacus. Mesmo assim, há risco.
  • Com da mesma espécie: dois machos adultos no mesmo espaço brigam feio. A manutenção em dupla ou grupo só funciona em lagos enormes.
  • Com o tutor: reconhece quem alimenta e pode comer na mão, mas não é peixe para manuseio. Espinhos das nadadeiras peitorais causam ferimentos doloridos.

Aquário para gigante: por que quase ninguém deveria tentar

Se você realmente vai manter um, pense em lago, não em aquário. O ideal é tanque de alvenaria, caixa d’água de 2.000+ litros ou aquário de 2,5 m de comprimento mínimo, com tampa pesada porque ele salta e desloca tampas leves.

Parâmetros são menos críticos que espaço e filtragem, mas importam: temperatura 24 a 28 °C, pH 6,0 a 7,5 e amônia e nitrito sempre zerados. É um peixe que come muito e defeca muito, então filtragem biológica superdimensionada e trocas parciais semanais de 30 a 50% são obrigatórias.

Decoração deve ser mínima e segura. Use fundo de areia fina ou sem substrato, troncos grandes e lisos e poucas pedras. Plantas serão arrancadas e enfeites pequenos serão engolidos. Evite cascalho grosso que ele pode aspirar junto com a comida.

Iluminação moderada e esconderijo amplo (tubo de PVC grande ou tronco oco) reduzem estresse. E nunca use aquecedor interno sem proteção: ele quebra o vidro do termostato com o corpo.

Alimentação: carnívoro que não pode viver de carne de boi

Na natureza, é piscívoro oportunista: come peixes, crustáceos, insetos, minhocas e até frutos que caem na água na cheia. Em cativeiro, precisa de dieta variada e rica em proteína animal de origem aquática.

A base deve ser peixes inteiros (lambari, tilápia), camarão, filé de peixe branco, minhocas e ração específica para bagres carnívoros jumbo. Ofereça pedaços do tamanho da boca, 3 a 4 vezes por semana para adultos e diariamente para filhotes.

O erro mais comum é alimentar com coração de boi, carne vermelha ou frango em excesso. Gordura de mamífero e ave causa degeneração hepática e deformidades a longo prazo. Outro erro é usar peixes vivos como única dieta: além do risco de parasitas, acostuma o predador a caçar tudo que se mexe.

Reprodução: acontece na cheia e não acontece no aquário doméstico

A reprodução é ovípara e sazonal, ligada ao ciclo de cheia dos grandes rios. Fêmeas liberam milhares de ovos adesivos em áreas alagadas e não há cuidado parental prolongado. Larvas crescem rápido em águas ricas em alimento.

Em cativeiro doméstico, não há registro confiável de reprodução espontânea. A reprodução comercial na Ásia e no Brasil para pesca esportiva usa indução hormonal e tanques de reprodutores de várias toneladas. O dimorfismo sexual é sutil e só evidente em adultos maduros, com fêmeas mais volumosas.

Saúde, longevidade e os erros que mais matam

Bem cuidado, vive 15 a 20 anos. É resistente a doenças quando a água está estável, mas sofre rápido com picos de amônia, nitrito alto e quedas bruscas de temperatura. Manchas brancas (ictio), fungos em feridas de espinhos e intoxicação por amônia são as ocorrências mais vistas.

Os maiores causadores de morte em casa não são doenças, e sim aquário pequeno, filtragem fraca e engasgo. Ele tenta engolir pedras, tampas de filtro e peixes grandes demais e morre sufocado. Outro risco é a obesidade por excesso de alimento gorduroso.

Para longevidade, mantenha oxigenação alta, alimentação magra e variada e jejum de um dia por semana para adultos. Qualquer apatia, perda de cor da cauda ou barbilhões encurtados indica água ruim ou infecção bacteriana e exige teste imediato de amônia e pH.

O que torna a pirarara tão procurada — e tão problemática

A pirarara é o nome brasileiro mais usado para o peixe-gato-cauda-vermelha e carrega status na pesca esportiva. É um peixe de força extrema, salto e ronco característico quando fisgado, o que o tornou estrela de pesque-pagues e lagos de pesca.

Essa fama alimentou o comércio de filhotes como peixe ornamental, mas criou um ciclo de abandono. Muita gente compra sem saber o tamanho adulto e depois solta em rios ou represas onde não é nativo, causando impacto grave sobre espécies locais. Soltura é crime ambiental e ecologicamente irresponsável.

Na nossa avaliação, a espécie só deveria ser mantida por quem tem estrutura de lago e plano para 15 anos. Para aquarista comum, admirar em aquários públicos ou em vídeos de natureza é a escolha mais ética e prática.

Perguntas frequentes

Peixe-gato-cauda-vermelha pode ficar em aquário de 200 litros?

Não. Serve apenas como berçário por poucas semanas. Adultos precisam de 2.000 a 5.000 litros ou lago.

Quanto o peixe-gato-cauda-vermelha cresce por ano?

Muito rápido no primeiro ano, de 7 cm para 30-40 cm, e pode chegar a 50-60 cm no segundo ano com alimentação correta.

O que ele come?

Peixes inteiros, camarão, minhocas e ração para bagres carnívoros jumbo. Evite carne de boi, frango e alimentos gordurosos.

Ele pode viver com outros peixes?

Só com peixes muito grandes e robustos, como aruanã ou tucunaré grande. Qualquer peixe que caiba na boca será comido, principalmente à noite.

Precisa de aquecedor?

Sim, se a temperatura cair abaixo de 24 °C. Mantenha entre 24 e 28 °C e proteja o aquecedor, pois ele pode quebrar o vidro.

Por que a cauda fica pálida?

Cauda desbotada indica estresse, água ruim (amônia alta) ou doença. Teste a água e faça troca parcial imediatamente.

Ele se reproduz no aquário?

Não em casa. A reprodução depende da cheia dos rios e, em cativeiro comercial, de indução hormonal em tanques enormes.

Você sabia?

1

Cauda que não desbota à toa

O vermelho intenso da cauda é usado como sinalização em águas turvas. Quando o peixe está estressado ou com água ruim, a cor fica pálida ou amarelada — um termômetro visual de saúde.

2

Bagre que "fala"

Ele produz estalos altos ao travar a nadadeira peitoral contra a cintura escapular. Pescadores amazônicos ouvem o ronco dentro do barco e sabem que é pirarara antes mesmo de ver.

3

Filhote que já é predador

Com apenas 5 cm já tenta engolir peixes de 2 a 3 cm. Em lojas, é comum um filhote comer todos os companheiros de aquário em uma única noite.

4

Confusão de nomes que custa caro

No Brasil, "pirarara" é Phractocephalus hemioliopterus, mas em pesque-pagues o híbrido com surubim é vendido como "pirarara-surubim" ou "cachara-vermelha". O híbrido cresce ainda mais e é estéril.

Fontes

  1. FishBase
  2. Seriously Fish
  3. PlanetCatfish
  4. ICMBio / ICMBio

Prós e contras: Peixe-gato-cauda-vermelha

Prós

  • Visual impressionante com cauda vermelha intensa
  • Muito resistente quando tem espaço e água estável
  • Reconhece o tutor e aceita comer na mão
  • Longevidade alta de 15 a 20 anos
  • Ótimo para lagos e pesque-pagues licenciados

Contras

  • Cresce até 130 cm e exige lago ou tanque gigante
  • Predador que come qualquer peixe menor
  • Não convive em aquário comunitário
  • Alta produção de resíduos e conta de energia elevada
  • Soltura na natureza é crime e causa dano ambiental
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-gato-cauda-vermelha é espetacular, mas um dos piores arrependimentos do aquarismo por impulso. Só vale a pena para quem já tem lago pronto e entende que está assumindo um predador de 1 metro por duas décadas.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.