🐟 Peixes

Acará-bandeira

Pterophyllum scalare

Atualizado em

12 a 15 cm (até 25 cm de altura)Tamanho
Doce, ácida e maciaTipo de água
8 a 10 anosExpectativa de vida
Pacífico e territorialTemperamento
ModeradaDificuldade
Acará-bandeira prateado com listras pretas nadando de lado em aquário plantado

O acará-bandeira (Pterophyllum scalare) é um dos peixes de aquário mais icônicos do mundo, famoso pelo corpo em forma de disco achatado e pelas longas nadadeiras dorsal e anal que lembram um bandeira ao nadar. Natural da Bacia Amazônica, é um ciclídeo pacífico quando jovem, mas territorial na fase adulta e reprodutiva.

Apesar da aparência delicada, é um peixe resistente quando mantido em água estável, quente e levemente ácida, com altura de coluna d'água suficiente para sua natação vertical. Forma casais monogâmicos, cuida da desova e exibe dezenas de variedades seletivas que não existem na natureza.

Também conhecido como: Peixe-anjo, Angelfish, Scalare, Pterophyllum scalare

Faz parte de: Peixes de Água Doce, Peixes para Aquário

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Galeria de fotos de Acará-bandeira

Acará-bandeira prateado com listras pretas nadando de lado em aquário plantado
Acará-bandeira selvagem com as quatro barras verticais características.
Close-up da cabeça e nadadeiras do acará-bandeira
Detalhe da cabeça, olho avermelhado e filamentos ventrais longos.
Casal de acará-bandeira cuidando de ovos em folha vertical
Casal em cuidado biparental dos ovos em substrato vertical.
Grupo de acarás-bandeira nadando em aquário alto estilo biótopo amazônico
Grupo hierárquico em aquário alto com troncos e plantas amazônicas.
Variações de cores do acará-bandeira: mármore, koi, black e gold
Variedades ornamentais selecionadas: mármore, koi, black e gold.
Acará-bandeira se alimentando de artêmia em aquário
Alimentação com artêmia, parte essencial da dieta proteica.
Ideal para

Ideal para aquaristas com alguma experiência que têm aquário alto e plantado a partir de 200 litros e buscam um peixe elegante, inteligente e com comportamento reprodutivo fascinante para observar em casal ou pequeno grupo.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem tem aquário pequeno, baixo ou superpovoado, nem para iniciantes que querem misturar muitos peixes pequenos e coloridos sem se atentar a parâmetros de água, temperatura e territorialidade na reprodução.

Como cuidar

Aquário
Mínimo 200 L para grupo de 4 a 6, altura ≥50 cm, plantas altas, troncos verticais e tampa
Água
26 a 30 °C, pH 6,0 a 7,0, GH 3 a 8, amônia e nitrito zerados, trocas de 25 a 30% por semana
Filtragem
Filtro biológico eficiente com fluxo suave, sem correnteza forte
Alimentação
Ração para ciclídeos + artêmia, daphnia e bloodworms 2 a 3x por semana, 2 refeições diárias
Manutenção
Sifonagem leve, poda de plantas, quarentena de novos peixes por 20 a 30 dias

Perfil rápido de Acará-bandeira

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e comum na Amazônia, sem risco global de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não

Vida útil

Na natureza
5 a 8 anos, sujeito a predação e variação sazonal das cheias
Em aquário
8 a 10 anos, podendo chegar a 12 anos com água estável, alimentação variada e baixa densidade

Reprodução

Maturidade sexual
8 a 12 meses, com 8 a 10 cm de corpo
Tipo de reprodução
Ovípara com desova em substrato vertical
Tamanho da desova
300 a 600 ovos por postura
Cuidado parental
Biparental intenso, ambos guardam ovos e larvas
Frequência
Pode desovar a cada 15 a 25 dias se bem alimentado

Habitat

Ambientes

  • Rios de água doce de curso lento
  • Igarapés e igapós
  • Lagos de várzea e áreas alagadas
  • Margens com vegetação densa e troncos submersos

Biomas

  • Amazônia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Larvas de insetos
  • Pequenos crustáceos
  • Alevinos e ovos de outros peixes

Outros alimentos

  • Ração para ciclídeos
  • Artêmia e daphnia
  • Bloodworms e enquitreia

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Peru
  • Colômbia
  • Equador
  • Guiana

Como animal de estimação

Adequação ao aquário
Alta, um dos ciclídeos mais criados no Brasil
Legalidade no Brasil
Criação e comércio permitidos, sem necessidade de autorização do IBAMA para linhagens ornamentais
Nível de cuidado
Moderado, exige controle de temperatura, pH e altura do aquário
Custo de aquisição
Baixo a moderado, variedades comuns são acessíveis; linhagens raras custam mais

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Cichliformes
Família
Cichlidae
Gênero
Pterophyllum
Espécie
Pterophyllum scalare

Resumo

  • O acará-bandeira é um ciclídeo de água doce da Amazônia, de corpo alto e achatado, que pode chegar a 15 cm de comprimento e 20 a 25 cm de altura com as nadadeiras.
  • Vive em águas lentas, quentes e ácidas, forma hierarquia em grupo e casal monogâmico na reprodução, com cuidado biparental dos ovos e filhotes.
  • Em aquário precisa de no mínimo 200 litros e 50 cm de altura, água entre 26 e 30 °C e pH 6,0 a 7,0, e não deve ser mantido com peixes muito pequenos ou de nadadeiras longas.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoPterophyllum scalare (Lichtenstein, 1823)
FamíliaCichlidae
OrigemBacia Amazônica e Orinoco (Brasil, Peru, Colômbia, Equador)
Tipo de águaDoce, ácida e macia
Tamanho12 a 15 cm de corpo; 20 a 25 cm de altura total com nadadeiras
Expectativa de vida8 a 10 anos (até 12 anos em aquário estável)
Coresprateadopretobrancodouradolaranjamarmorizadolistrado
AlimentaçãoOnívoro (carnívoro com tendência a insetívoro)
ReproduçãoOvípara, desova em substrato vertical, cuidado biparental
VariedadesComum (selvagem), Mármore, Koi, Black, Gold, Leopardo, Fumaça
Temperatura ideal26 a 30 °C
pH ideal6,0 a 7,0

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMédio
AgressividadeMédio
SociabilidadeAlto
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosBaixo

Como reconhecer o acará-bandeira de verdade

O acará-bandeira selvagem tem corpo em forma de disco muito comprimido lateralmente e alto, quase tão alto quanto longo quando se contam as nadadeiras. Essa forma não é por acaso: permite que ele deslize entre raízes, galhos submersos e folhas na vertical, quase invisível.

A coloração natural é prateada com 4 barras verticais pretas bem marcadas, sendo a que atravessa o olho a mais evidente. Nadadeiras dorsal e anal são extremamente alongadas e triangulares, e as ventrais se transformam em longos filamentos. Qualquer acará-bandeira sem essas barras ou com corpo curto e arredondado é variedade ornamental selecionada.

Não confunda com o acará-altum (Pterophyllum altum), espécie distinta e maior, com corpo mais alto, focinho mais inclinado e exigências bem mais rígidas. O scalare é o que domina o aquarismo. O Pterophyllum leopoldi, o terceiro do gênero, é menor e raramente visto no comércio.

Origem e habitat natural na Amazônia

O Pterophyllum scalare ocorre em rios de curso lento, igarapés, lagos de várzea e áreas alagadas da Bacia Amazônica e do Orinoco. Prefere margens com vegetação densa, troncos submersos e água levemente turva, onde a luz é difusa.

O habitat típico tem água quente (26 a 30 °C), pH ácido entre 5,5 e 6,8 e dureza muito baixa. São águas pobres em minerais, ricas em taninos, com fundo de folhas em decomposição. Ele não vive em corredeiras ou águas frias.

Na natureza forma pequenos grupos hierárquicos de 6 a 12 indivíduos, não cardumes compactos. Fica à meia-água, em posição oblíqua, observando presas. Quando ameaçado, vira o corpo de lado e se esconde entre a vegetação vertical, usando as listras como camuflagem.

Comportamento: pacífico, mas com hierarquia e território

Jovem, o acará-bandeira é gregário e relativamente pacífico. Adulto, estabelece território e hierarquia. Um dominante costuma controlar o melhor ponto do aquário e perseguir subordinados, sem necessariamente causar ferimentos graves se houver espaço.

É um ciclídeo inteligente e observador. Reconhece o tutor, acompanha o movimento fora do vidro e aprende rapidamente o horário da alimentação. Fica estressado com movimentação brusca e barulho constante.

Na época reprodutiva a agressividade aumenta muito. O casal defende um território de 30 a 40 cm ao redor da desova e ataca qualquer peixe que se aproxime, inclusive outros bandeiras. Fora disso, tolera bem companheiros de tamanho compatível.

Aquário ideal: altura vale mais que comprimento

O erro mais comum é criar acará-bandeira em aquário baixo. Ele precisa de altura mínima de 50 cm e volume a partir de 200 litros para um grupo de 4 a 6 jovens. Para um casal adulto, 150 litros altos já funcionam, mas grupos precisam de mais espaço para diluir a dominância.

Mantenha temperatura entre 26 e 30 °C, pH 6,0 a 7,0 e dureza (GH) entre 3 e 8. Estabilidade é mais importante que número perfeito. Trocas parciais semanais de 25 a 30% são obrigatórias, pois ele é sensível a amônia e nitrito.

Use filtragem suave a moderada, sem correnteza forte, e plantas altas como Vallisneria, Amazonense (Echinodorus) e troncos verticais que sirvam de refúgio e substrato de desova. Substrato escuro e iluminação moderada realçam as cores e diminuem o estresse. Tampa é essencial: ele salta quando assustado.

Alimentação: onívoro que prefere proteína

Na natureza consome pequenos crustáceos, larvas de mosquito, alevinos e microinvertebrados que captura entre as plantas. Em aquário aceita ração, mas não pode viver só de flocos vegetais.

Ofereça ração de boa qualidade para ciclídeos (grânulos ou flocos) como base, complementada 2 a 3 vezes por semana com alimento vivo ou congelado: artêmia, daphnia, bloodworms e enquitreia. Essa variedade mantém a forma, a cor e a imunidade.

Alimente 2 vezes ao dia em porções que sejam consumidas em 2 minutos. Jejum de um dia por semana ajuda na digestão. Evite superalimentação: o bandeira come com avidez e a obesidade encurta a vida e prejudica a reprodução.

Convivência com outros peixes: quem pode e quem não pode

Combina melhor com peixes amazônicos pacíficos de porte médio que apreciem os mesmos parâmetros: tetras grandes (rodostomo, cardinal, negro), corydoras, apistogramas, ramirezi e loricarídeos pequenos. Eles ocupam níveis diferentes e não competem por território.

Evite peixes muito pequenos que caibam na boca, como neons recém-comprados e filhotes de lebiste, pois serão predados à noite. Também evite peixes mordedores de nadadeira, como barbo-tigre e algumas espécies de tetra-serpae, que retalham os filamentos do bandeira.

Não mantenha com ciclídeos grandes e agressivos (oscar, jack dempsey) ou com bettas e guppies de cauda longa. Dois machos adultos em aquário pequeno brigam até a morte. O ideal é comprar 6 jovens e deixar que formem casais naturalmente.

Reprodução e cuidado parental exemplar

O acará-bandeira forma casal monogâmico que pode durar várias desovas. A diferenciação sexual é sutil: machos têm testa mais inclinada e papila genital mais fina e pontiaguda; fêmeas têm ventre mais arredondado quando ovadas. Só é confiável observar o casal em corte.

A desova ocorre em superfície vertical lisa: folha larga, tronco, vidro ou ardósia. A fêmea deposita 300 a 600 ovos adesivos em fileiras, o macho fertiliza em seguida. Ambos ventilam os ovos com as nadadeiras peitorais e removem ovos brancos (não fertilizados).

Em 26 a 28 °C os ovos eclodem em 48 a 72 horas e as larvas ficam penduradas pelo saco vitelino por mais 4 a 5 dias. Os pais as transferem com a boca para outro local limpo. A partir do nado livre, alimente com náuplios de artêmia recém-eclodidos e infusórios. Em aquário comunitário, os pais raramente conseguem criar os filhotes até o final sem aquário separado.

Saúde, doenças comuns e prevenção

Bandeiras bem mantidos são longevos, mas sofrem com água instável, superpopulação e alimentação monótona. As doenças mais frequentes são íctio (pontos brancos), oodinium, verminoses intestinais e infecções bacterianas nas nadadeiras.

Sinais de alerta incluem barras desbotadas, nadadeiras encolhidas, nado inclinado, falta de apetite e fezes brancas e filamentosas. O escurecimento total do corpo ou o clareamento excessivo também indicam estresse crônico.

Prevenção é quarentena de 20 a 30 dias para peixes e plantas novas, manutenção da temperatura estável e quarentena sem uso de medicamentos preventivos. Nunca medique o aquário principal sem diagnóstico. Filtragem biológica madura e trocas regulares valem mais que qualquer remédio.

Variedades, preço e o que torna o bandeira único

O bandeira selvagem prateado deu origem a dezenas de linhagens ornamentais por seleção genética desde a década de 1950: mármore, koi (branco com manchas laranja e preta), black, gold, leopardo, fumaça e veil (nadadeiras extra-longas). Nenhuma delas existe na natureza.

O que o torna único entre os ciclídeos é a combinação de elegância, comportamento parental complexo e adaptabilidade. Poucos peixes cuidam tão ativamente da prole e ao mesmo tempo se adaptam a aquários plantados comunitários, desde que respeitadas altura e qualidade da água.

Na nossa avaliação, o acará-bandeira é o ciclídeo ideal para quem quer sair dos peixes iniciantes sem ir para espécies agressivas. Ele ensina noções reais de hierarquia, química da água e reprodução, mas pune erros de espaço e pressa. Não é peixe para aquário pequeno ou para quem quer lotar o aquário de espécies incompatíveis.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho mínimo do aquário para acará-bandeira?

Para um casal adulto, mínimo de 150 litros com 50 cm de altura. Para grupo de 4 a 6, a partir de 200 a 250 litros altos.

Acará-bandeira pode viver sozinho?

Pode, mas fica mais estressado e sem comportamento natural. O ideal é manter em casal ou grupo de 4 a 6 para formar hierarquia.

Quantos acarás-bandeira posso colocar juntos?

Em 200 litros, 4 a 6 jovens. Depois que formam casal, o casal dominante pode exigir aquário separado na reprodução.

Acará-bandeira come peixe pequeno?

Sim. Tetras muito pequenos, filhotes de lebiste e camarões pequenos podem ser predados, principalmente à noite.

Qual a temperatura e pH ideais?

Temperatura 26 a 30 °C e pH 6,0 a 7,0, com água macia (GH 3 a 8) e amônia e nitrito zerados.

Quanto tempo vive o acará-bandeira?

Em aquário bem cuidado, de 8 a 10 anos, podendo chegar a 12 anos.

Por que meu acará-bandeira está com as listras apagadas?

Listras desbotadas indicam estresse, água ruim, brigas ou doença. Verifique temperatura, pH, amônia e compatibilidade com outros peixes.

Você sabia?

1

Nada na diagonal

Quando caça ou se sente ameaçado, o acará-bandeira inclina o corpo em até 30 graus e nada entre galhos verticais, usando as listras para se confundir com a vegetação submersa.

2

Respira pela nadadeira

O casal ventila os ovos sem parar com as nadadeiras peitorais para oxigenar e impedir fungos, e chega a carregar as larvas com a boca para outro ponto mais limpo do aquário.

3

Muda de cor com o humor

As quatro barras verticais podem quase desaparecer quando está relaxado e ficar pretas e contrastadas em segundos quando estressado, brigando ou cuidando da desova.

4

Parente do disco

Pertence à mesma família dos acarás-disco (Symphysodon), mas é muito mais tolerante a variações de pH e temperatura, por isso se popularizou décadas antes no aquarismo mundial.

Fontes

  1. FishBase - Pterophyllum scalare
  2. Seriously Fish - Pterophyllum scalare
  3. IUCN Red List

Prós e contras: Acará-bandeira

Prós

  • Visual elegante e imponente, com nado suave e vertical
  • Comportamento inteligente e cuidado parental fascinante de observar
  • Boa longevidade (8 a 10 anos) quando bem mantido
  • Muitas variedades de cores acessíveis no Brasil
  • Adapta-se a aquário plantado comunitário amazônico

Contras

  • Exige aquário alto (≥50 cm) e volume grande, não serve para aquários pequenos
  • Territorial e agressivo na reprodução, pode atacar outros peixes
  • Preda peixes muito pequenos e camarões
  • Sensível a amônia, nitrito e oscilações de temperatura e pH
  • Difícil sexagem fora do período reprodutivo
Nossa opinião

O acará-bandeira é a porta de entrada mais elegante para o mundo dos ciclídeos: bonito, inteligente e com reprodução visível, mas que exige aquário alto e água estável. Na nossa avaliação, compensa mais manter um grupo pequeno bem alojado do que lotar o aquário com peixes incompatíveis.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 15.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.