🐟 Peixes

Peixe-borboleta-africano

Pantodon buchholzi

Atualizado em

10 a 12 cmTamanho
DoceTipo de água
5 a 7 anosExpectativa de vida
Territorial na superfícieTemperamento
IntermediáriaDificuldade
Peixe-borboleta-africano de lado com nadadeiras peitorais abertas como asas

O peixe-borboleta-africano (Pantodon buchholzi) é o único representante da família Pantodontidae e um dos peixes de água doce mais distintos do mundo. Com corpo achatado, nadadeiras peitorais enormes em forma de asas e boca voltada para cima, ele vive colado à superfície e caça insetos tanto na água quanto fora dela.

Nativo de rios e pântanos calmos da África Ocidental e Central, esse peixe é famoso por seu salto planado: ele impulsiona-se e desliza por até 2 metros fora d'água para capturar presas ou fugir de predadores. No aquário, exige tampa, água calma e alimentação na superfície, mas recompensa com um comportamento que nenhum outro peixe de aquário oferece.

Também conhecido como: Peixe-borboleta, African butterflyfish, Freshwater butterflyfish, Poisson papillon africain

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Doce, Peixes para Aquário

Explore a wiki

Galeria de fotos de Peixe-borboleta-africano

Peixe-borboleta-africano de lado com nadadeiras peitorais abertas como asas
Vista lateral mostra as nadadeiras em forma de borboleta.
Close-up da cabeça do peixe-borboleta-africano com boca voltada para cima
Boca superior e olhos voltados para cima para caçar na superfície.
Peixe-borboleta-africano em aquário com plantas flutuantes
Aquário ideal tem plantas flutuantes e tampa vedada.
Peixe-borboleta-africano planando sobre a água
Salto planado de até 2 metros para capturar insetos.
Peixe-borboleta-africano caçando inseto na superfície
Predador de emboscada especializado em insetos.
Dois peixes-borboleta-africanos na superfície entre folhas flutuantes
Disputa territorial na superfície exige espaço.
Ideal para

Ideal para aquaristas intermediários que buscam um peixe de comportamento único e têm um aquário calmo, bem tampado e com plantas flutuantes. É perfeito para quem aprecia observar caça na superfície e pode oferecer insetos vivos regularmente.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para iniciantes sem tampa no aquário, para aquários pequenos, agitados ou superlotados na superfície, nem para quem quer peixe que aceite só ração seca que afunda. Também não funciona bem com crianças que batem no vidro ou com outros peixes de topo territoriais.

Como cuidar

Aquário
Mínimo 120 a 150 litros para um exemplar, com grande área de superfície e tampa vedada
Água
24 a 28 °C, pH 6,0 a 7,5, dureza baixa a moderada, sem correnteza na superfície
Alimentação
Insetos vivos flutuantes (grilos, drosófilas, larvas) e ração flutuante carnívora
Manutenção
Trocas semanais de 25%, plantas flutuantes e captura com pote, não com rede áspera

Perfil rápido de Peixe-borboleta-africano

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e estável em seu habitat natural.

População
Estável
Protegido por
Não

Vida útil

Na natureza
4 a 6 anos em águas ácidas e paradas com vegetação flutuante
Em aquário
5 a 7 anos, podendo chegar a 8 com água estável e dieta insetívora

Reprodução

Tipo
Ovípara com ovos flutuantes
Desova
Parcelada, até 200 ovos entre plantas flutuantes
Incubação
2 a 4 dias, sem cuidado parental
Dimorfismo
Macho com nadadeira anal recortada e alongada

Habitat

Ambientes

  • Rios de águas lentas
  • Lagos e lagoas marginais
  • Pântanos e igapós
  • Áreas com vegetação flutuante densa

Biomas

  • Floresta tropical úmida
  • Savana alagável

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos terrestres e aquáticos

Outros alimentos

  • Aranhas
  • Pequenos crustáceos
  • Larvas de insetos
  • Pequenos peixes de superfície

Encontrado em 8 países

  • Nigéria
  • Camarões
  • Gabão
  • República do Congo
  • República Democrática do Congo
  • República Centro-Africana
  • Benim
  • Serra Leoa

Como animal de estimação

Adequação
Intermediária, exige aquário tampado e alimento na superfície
Legalidade no Brasil
Permitida, encontrada em lojas especializadas como peixe ornamental
Nível de cuidado
Médio a alto, sensível à qualidade da água e a saltos
Custo de aquisição
Médio, mais caro que tetras comuns por ser importado e pouco reproduzido

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Osteoglossiformes
Família
Pantodontidae
Gênero
Pantodon
Espécie
Pantodon buchholzi

Resumo

  • O peixe-borboleta-africano é um predador de superfície da África que caça insetos e plana fora d'água usando suas nadadeiras peitorais em forma de asas.
  • Vive em águas doces calmas, ácidas e com vegetação flutuante, e precisa de aquário tampado, sem correnteza superficial e com dieta carnívora.
  • É territorial na superfície, pacífico com peixes de meio e fundo, mas difícil de reproduzir em cativeiro e exige alimento vivo ou flutuante.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoPantodon buchholzi
FamíliaPantodontidae
OrigemÁfrica Ocidental e Central (bacia do Congo, Níger e Lago Chade)
Tipo de águaDoce
Tamanho10 a 12 cm (máximo 13 cm)
Tamanho adulto10 a 12 cm
Expectativa de vida5 a 7 anos (até 8 com manejo ideal)
AlimentaçãoCarnívora insetívora
ReproduçãoOvípara, ovos flutuantes
Coresmarrombegecinza-prateadomanchas escuras
VariedadesNão há variedades ornamentais fixadas

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoBaixo
AgressividadeMédio
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosBaixo

Como reconhecer o peixe-borboleta-africano sem confundir

O peixe-borboleta-africano é inconfundível na superfície. O corpo é comprimido lateralmente e achatado em cima, com dorso reto e ventre levemente convexo. A cabeça é grande, com boca ampla voltada para cima e olhos grandes e voltados para o alto.

O detalhe que dá o nome são as nadadeiras peitorais enormes, que se abrem como asas de borboleta e podem ultrapassar metade do comprimento do corpo. Quando abertas, exibem faixas escuras e manchas que ajudam na camuflagem vista de cima.

A coloração é críptica: marrom-acinzentado a bege, com marmoreado escuro, ventre mais claro e nadadeiras com pontos pretos e bordas avermelhadas discretas. Por baixo, ele se confunde com folhas mortas flutuando. Não existe dimorfismo evidente, embora fêmeas adultas fiquem ligeiramente mais cheias e com borda anal mais reta.

Origem e habitat natural na África

Na natureza, o Pantodon buchholzi ocorre em águas lentas e paradas da África Ocidental e Central, das bacias do Níger e Congo até o Lago Chade e rios costeiros de Camarões, Nigéria e Gabão. Vive em igapós, pântanos, lagoas marginais e trechos de rio com vegetação flutuante densa.

Esses ambientes são ácidos, escuros e pobres em oxigênio, com pH entre 6,0 e 7,0, temperatura de 23 a 30 °C e muitos taninos. A superfície é coberta por folhas, galhos e plantas como Pistia e Salvinia, onde o peixe se esconde e caça.

É um peixe que nunca desce ao fundo por vontade própria. Toda a vida acontece nos primeiros 10 cm da coluna d’água. Essa especialização explica por que ele tolera mal correnteza e aquários agitados.

Comportamento: o predador que plana sobre a água

O borboleta-africano é um predador de emboscada de superfície. Fica imóvel, com as peitorais abertas, observando acima e abaixo da linha d’água ao mesmo tempo. Seus olhos são adaptados para enxergar nos dois meios, corrigindo a refração.

Ao detectar um inseto, ele ataca em um bote rapidíssimo, projeta a boca e suga a presa. Se o inseto está fora d’água, ele pode saltar e planar. Ele bate as peitorais e usa a nadadeira caudal como leme, deslizando por até 2 metros em voo rasante. É o único peixe de água doce africano com esse tipo de voo planado.

É territorial na superfície, mas não agressivo no sentido clássico. Dois indivíduos no mesmo aquário pequeno vão disputar o espelho d’água com perseguições e mordidas nas nadadeiras. Com peixes de meio e fundo, é geralmente pacífico, embora possa comer peixes muito pequenos que nadem na superfície.

Aquário ideal: tampa, espaço e água calma

O erro mais comum é colocá-lo em aquário aberto. Ele salta e plana e vai parar no chão em segundos. O aquário precisa de tampa bem vedada, sem frestas, e nível d’água 10 a 15 cm abaixo da borda.

Para um único exemplar, use no mínimo 120 a 150 litros com área de superfície grande. Aquários altos e estreitos são péssimos. Priorize comprimento e largura. Para dois ou mais, considere 200 litros ou mais e muitas barreiras visuais flutuantes.

A água deve ser calma na superfície. Filtro com saída submersa ou direcionada para a parede, sem agitação. Parâmetros estáveis funcionam melhor que números perfeitos:

Parâmetro Faixa recomendada
Temperatura 24 a 28 °C
pH 6,0 a 7,5
dH 2 a 12
Amônia e nitrito zero

Use plantas flutuantes cobrindo 40 a 60% da superfície, como salvínia, lentilha-d’água ou aguapé-anão. Elas dão segurança, reduzem luz e delimitam territórios. Troncos e folhas secas ajudam a acidificar levemente. Iluminação baixa a moderada é ideal.

Alimentação: por que ele só come em cima

Na natureza, a dieta é quase 100% insetos: moscas, formigas, besouros, aranhas e larvas que caem na água. Em aquário, ele ignora alimento que afunda. Se a ração cai, ele não desce para buscar.

Ofereça sempre alimento flutuante. A base pode ser grilos pequenos, moscas-das-frutas, tenébrios recém-eclodidos, baratas pequenas e larvas de mosquito. Complemente com ração flutuante carnívora de boa qualidade, mas não espere que aceite de imediato.

Alimente uma a duas vezes ao dia, em pouca quantidade, e retire o que não for consumido em 2 minutos. Jejum de um dia por semana ajuda a evitar obesidade. Evite alimentar com peixes vivos de loja, que trazem parasitas.

Convivência e compatibilidade com outros peixes

A regra é simples: nada que dispute a superfície. Outros peixes de topo, como peixe-machado ou betta, vão gerar conflito constante. Já peixes de meio e fundo são ótimos companheiros.

Boas companhias incluem tetras médios, barbos pacíficos, coridoras, apistogrammas e peixes-gato pequenos. Evite ciclídeos grandes e agressivos, e peixes mordedores de nadadeiras, como barbo-tigre em grupo pequeno, que podem atacar suas peitorais.

Mantenha o borboleta-africano sozinho ou em grupo de 3 ou mais com muito espaço. Duplas quase sempre terminam com um dominante perseguindo o outro sem trégua. Se notar perseguição contínua e nadadeiras rasgadas, separe.

Reprodução: por que é tão difícil em cativeiro

A reprodução em aquário é rara e pouco documentada. Na natureza, ocorre na estação chuvosa, com águas mais ácidas e nível elevado. Os ovos são flutuantes, com gotícula de óleo, e ficam entre plantas flutuantes.

O macho tem a nadadeira anal modificada, com raios alongados e recortados, usada para fertilizar os ovos na superfície. A fêmea libera poucos ovos por vez, até 200 em vários dias, e não há cuidado parental.

Em cativeiro, o gatilho parece ser chuva simulada com água mais macia e ácida, queda de condutividade e aumento de alimento vivo. Os ovos eclodem em 2 a 4 dias, mas as larvas são minúsculas e exigem infusórios e náuplios. A maioria dos criadores não tenta reproduzir e foca em manter bem o adulto.

Saúde, longevidade e erros que encurtam a vida

Quando bem mantido, vive 5 a 7 anos. É sensível a amônia, nitrito e oscilações de pH, e a infecções fúngicas e bacterianas após lesões nas peitorais. Saltos contra a tampa também causam traumas.

Os problemas mais comuns são recusa alimentar por estresse ou correnteza, ictio após queda de temperatura e hidropisia por má qualidade da água. Ele também é sensível a muitos medicamentos com cobre. Trate sempre em aquário hospital se possível.

Para prevenir, mantenha água estável, tampa segura, alimentação variada na superfície e quarentena para novos peixes. Nunca use rede áspera para capturá-lo; prefira pote plástico, para não rasgar as peitorais delicadas.

Curiosidades que tornam a espécie única

O peixe-borboleta-africano é um fóssil vivo. A linhagem dos Osteoglossiformes existe há mais de 100 milhões de anos, e o Pantodon mantém características primitivas, como bexiga natatória vascularizada que funciona como pulmão acessório.

Essa bexiga permite que ele respire ar atmosférico na superfície, útil em águas pobres em oxigênio. Por isso, ele precisa ter acesso ao ar e não pode viver em aquário totalmente fechado sem bolsa de ar.

Apesar do nome, ele não é parente dos peixes-borboleta marinhos (Chaetodontidae). A semelhança é só nas nadadeiras amplas. Seu parente mais próximo em aquariofilia é o aruanã, também Osteoglossiforme.

Perguntas frequentes

O peixe-borboleta-africano pula do aquário?

Sim, e muito. Ele salta e plana até 2 metros. Aquário sem tampa vedada é morte certa em poucos dias.

Ele pode viver com betta ou peixe-machado?

Não é recomendado. Todos disputam a superfície e haverá brigas constantes por território.

O que ele come se não aceitar ração?

Insetos vivos flutuantes como grilos pequenos, drosófilas e larvas de mosquito. Ração seca que afunda será ignorada.

Precisa de aquário grande?

Precisa de área de superfície grande. Mínimo de 120 a 150 litros para um exemplar, com plantas flutuantes e água calma.

Ele respira fora d'água?

Ele respira ar atmosférico com a bexiga natatória vascularizada, por isso vive bem em águas pobres em oxigênio, mas não sobrevive fora d'água.

É fácil reproduzir em casa?

Não. A reprodução em cativeiro é rara, com ovos flutuantes e larvas muito pequenas que exigem alimento vivo microscópico.

Você sabia?

1

Plana como um pássaro

Ao saltar, abre as peitorais e plana até 2 metros sobre a água, usando a caudal como leme para mudar de direção no ar.

2

Visão dupla

Os olhos são divididos funcionalmente para enxergar ao mesmo tempo acima e abaixo da linha d'água, corrigindo a distorção da refração.

3

Pulmão primitivo

Possui bexiga natatória ricamente vascularizada que permite respirar ar atmosférico, sobrevivendo em pântanos com pouco oxigênio dissolvido.

4

Fóssil vivo

É o único membro vivo da família Pantodontidae, com linhagem que remonta a mais de 100 milhões de anos, parente distante dos aruanãs.

Fontes

  1. FishBase - Pantodon buchholzi
  2. IUCN Red List
  3. Seriously Fish

Prós e contras: Peixe-borboleta-africano

Prós

  • Comportamento único de caça e voo planado na superfície
  • Visual exótico com nadadeiras em forma de asas
  • Pacífico com peixes de meio e fundo
  • Tolera águas levemente ácidas e com pouco oxigênio
  • Longevo para seu tamanho quando bem cuidado

Contras

  • Exige aquário obrigatoriamente tampado, salta com facilidade
  • Só aceita alimento na superfície, recusa o que afunda
  • Territorial com outros peixes de topo, não pode lotar a superfície
  • Sensível a amônia, correnteza e medicamentos com cobre
  • Reprodução muito difícil em aquário doméstico
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-borboleta-africano é um dos peixes mais subestimados do aquarismo: não é colorido, mas nenhum outro oferece caça, salto planado e comportamento de superfície tão teatral. Só vale a pena se você puder garantir tampa e comida flutuante viva; sem isso, ele definha rápido.

Continue explorando: Peixes

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.