🐟 Peixes

Peixe-cofre

Lactophrys trigonus (família Ostraciidae)

Atualizado em

30 a 55 cm adultoTamanho
SalgadaTipo de água
8 a 12 anosExpectativa de vida
Pacífico e tímidoTemperamento
AltaDificuldade
Close-up da cabeça do peixe-cofre mostrando boca pequena e placas hexagonais

O peixe-cofre é um peixe marinho de corpo em forma de caixa, coberto por uma carapaça rígida de placas ósseas hexagonais fusionadas. Nada devagar, movendo apenas as nadadeiras, e se destaca pelo formato anguloso e pelas cores que mudam com a idade.

No Brasil, as espécies mais comuns são o peixe-cofre-comum (Lactophrys trigonus) e o peixe-cofre-pintado (Acanthostracion polygonius), encontrados em recifes e fundos rasos do Atlântico Ocidental. É pacífico e tímido, mas pode liberar ostracitoxina quando muito estressado ou ao morrer, o que torna a criação em aquário um desafio para aquaristas experientes.

Também conhecido como: Peixe-caixão, Peixe-vaca, Cofre-pintado, Trunkfish, Boxfish, Cowfish

Faz parte de: Peixes de Água Salgada, Peixes para Aquário

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Close-up da cabeça do peixe-cofre mostrando boca pequena e placas hexagonais
Detalhe da cabeça: boca em bico e placas ósseas hexagonais.
Ideal para

Ideal para aquarista marinho experiente que busca um peixe diferente, pacífico e de comportamento curioso, e que tem aquário grande, estável e com rotina de manutenção rigorosa. Funciona para quem valoriza observação tranquila e pode oferecer dieta variada e ambiente sem companheiros agressivos.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para iniciantes, para quem tem aquário pequeno ou comunitário agitado, nem para famílias que querem um peixe resistente e de baixa manutenção. A sensibilidade à qualidade da água, o risco de liberar toxina mortal e a dieta exigente tornam a espécie frustrante e arriscada para quem tem pouco tempo ou pouca experiência com marinho.

Como cuidar

Aquário
Grande, com rochas formando tocas amplas e área livre para manobra; tampa para evitar saltos
Água
Marinha estável: 24-27 °C, pH 8,1-8,4, salinidade 1.020-1.025, amônia e nitrito zerados
Alimentação
2 a 3 vezes ao dia com camarão, mexilhão, krill, mysis e algas nori; evite só ração seca
Segurança
Mantenha carvão ativado e água para troca sempre prontos; nunca use medicamentos com cobre no aquário principal

Perfil rápido de Peixe-cofre

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécies do gênero Lactophrys avaliadas como pouco preocupantes devido à ampla distribuição.

População
Estável
Protegido por
Não há proteção específica, mas coleta é regulada por órgãos ambientais

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica para outros peixes
  • PessoasTóxica se ingerida

Libera pahutoxina (ostracitoxina) quando estressado ou morto; carne pode ser tóxica se mal preparada, risco de ciguatera em algumas regiões

Vida útil

Na natureza
8 a 12 anos, vivendo solitário em recifes e pradarias rasas
Em aquário marinho
4 a 8 anos, depende de água estável, dieta variada e ausência de estresse

Reprodução

Tipo
Ovípara, desova pelágica sem cuidado parental
Comportamento
Par temporário, sobe na coluna d'água ao entardecer para liberar ovos
Ovos e larvas
Ovos planctônicos que eclodem em 1 a 2 dias; larvas derivam no plâncton por semanas
Maturidade
2 a 3 anos, com cerca de 25 cm
Em aquário
Não se reproduz em aquário doméstico; exemplares são de coleta na natureza

Habitat

Ambientes

  • Recifes de coral
  • Recifes rochosos
  • Pradarias de fanerógamas marinhas
  • Fundos arenosos e lodosos rasos
  • Estuários e lagoas costeiras

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Recifes

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Crustáceos bentônicos
  • Moluscos
  • Tunicados

Outros alimentos

  • Esponjas
  • Vermes poliquetas
  • Algas
  • Ovos de invertebrados

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Belize
  • Cuba
  • Jamaica
  • Bahamas
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Panamá

Como animal de estimação

Adequação
Baixa para aquário comum; apenas para aquarista marinho avançado
Legalidade no Brasil
Coleta e comércio dependem de autorização do IBAMA; compre apenas de lojistas regularizados
Nível de cuidado
Muito alto: água impecável, alimentação fresca variada e plano contra toxina
Aquário mínimo
400 a 600 litros para um adulto, com filtragem e skimmer potentes

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Tetraodontiformes
Família
Ostraciidae
Gênero
Lactophrys
Espécie
Lactophrys trigonus

Resumo

  • Peixe-cofre é o nome popular da família Ostraciidae, de peixes marinhos com carapaça óssea rígida em forma de caixa e nado lento por nadadeiras.
  • Vive em recifes, pradarias marinhas e costões rasos do Atlântico Ocidental, incluindo toda a costa brasileira, de 2 a 50 metros de profundidade.
  • Libera ostracitoxina (pahutoxina) quando estressado, é onívoro de fundo e exige aquário marinho grande, estável e sem companheiros agressivos.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoLactophrys trigonus (principal no Brasil; família Ostraciidae reúne ~25 espécies)
FamíliaOstraciidae
OrigemAtlântico Ocidental (Caribe, Golfo do México e costa brasileira)
Tipo de águaSalgada
Tamanho30 a 55 cm (comum 35 a 45 cm)
Coresamarelomarrompretobrancoazul-acinzentadooliva
Expectativa de vida8 a 12 anos na natureza; 4 a 8 anos em aquário bem mantido
AlimentaçãoOnívora (invertebrados bentônicos, algas e tunicados)
ReproduçãoOvípara, desova pelágica em mar aberto
Variedadespeixe-cofre-liso, peixe-cofre-pintado, peixe-cofre-de-chifre, peixe-cofre-malhado

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeBaixo
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é o peixe-cofre e como reconhecê-lo na hora

O peixe-cofre não é uma espécie única, mas o nome popular de toda a família Ostraciidae, conhecida como boxfish ou trunkfish em inglês. No Brasil, o termo se refere principalmente a Lactophrys trigonus e Acanthostracion polygonius, ambos do Atlântico Ocidental.

O reconhecimento é imediato: corpo triangular ou quadrangular em corte transversal, como uma caixa. Essa forma vem da carapaça de placas ósseas hexagonais soldadas, que deixa de fora apenas boca, olhos, nadadeiras e pedúnculo caudal. Não há escamas flexíveis como nos peixes comuns.

A boca é pequena, com lábios carnudos e dentes em forma de bico, adaptados para soprar jatos de água na areia e desenterrar presas. Os olhos são grandes e podem se mover de forma independente. Juvenis costumam ser mais claros, com manchas pretas bem definidas; adultos ficam mais escuros, amarelados ou acinzentados.

Carapaça, nado e veneno: o que torna essa espécie única

A carapaça é a marca registrada. Ela é rígida e não cresce por estiramento, por isso o peixe tem crescimento limitado e corpo pouco flexível. Em troca, oferece proteção excelente contra predadores. Algumas espécies, como o peixe-cofre-de-chifre (Lactoria cornuta), têm projeções frontais que lembram chifres, mas são apenas extensões da carapaça.

O nado é outro ponto singular. O peixe-cofre usa o modo ostraciiforme: impulsiona-se quase só com as nadadeiras dorsal, anal e peitorais, batendo de forma rápida e curta, enquanto o corpo permanece rígido. A nadadeira caudal só entra em ação para arrancadas. O resultado é um nado lento, preciso e desajeitado, ótimo para manobrar entre corais, péssimo para fugir em velocidade.

A defesa química é o fato mais importante para quem pensa em criar. Sob estresse extremo, doença ou morte, o peixe-cofre secreta pela pele a ostracitoxina (pahutoxina), uma toxina hemolítica e ictiotóxica. Em aquário fechado, essa substância pode matar todos os habitantes em minutos, mesmo que o cofre pareça ser a vítima. É uma defesa contra predadores na natureza, mas fatal em sistema fechado.

Onde vive o peixe-cofre no Brasil e no mundo

Na natureza, o peixe-cofre é marinho e costeiro. Ocorre do sul dos Estados Unidos e Bermudas até o sul do Brasil, incluindo Caribe e Golfo do México. No Brasil, é registrado do Maranhão a Santa Catarina, com maior abundância no Nordeste.

Habita recifes de coral, recifes rochosos, pradarias de capim-marinho e fundos arenosos ou lodosos entre 2 e 50 metros. Juvenis preferem águas muito rasas, protegidas, como manguezais, estuários e poças de maré, onde a carapaça ainda em formação encontra abrigo. Adultos vão para áreas mais profundas e expostas.

É um peixe solitário e territorialista leve. Não forma cardumes, mas pode ser visto em pares durante a reprodução. Passa o dia forrageando lentamente no fundo e se recolhe em fendas à noite, onde consegue se travar com a carapaça para não ser puxado por predadores.

Comportamento e temperamento: pacífico, mas perigoso se estressado

O temperamento é pacífico, tímido e curioso. Não ataca outros peixes e raramente disputa território de forma agressiva. Pode, no entanto, beliscar invertebrados sésseis e mordiscar nadadeiras de peixes muito lentos se estiver com fome.

A convivência com outras espécies é delicada não por agressividade, mas por sensibilidade. O peixe-cofre se estressa fácil com peixes agitados, como cirurgiões grandes e gatilhos, e com aquários muito movimentados. Quando acuado, em vez de brigar, libera a toxina.

Na nossa avaliação, é um peixe para observação tranquila, não para aquário comunitário agitado. Ele reconhece o tutor com o tempo, aprende a cuspir água na superfície para pedir comida e pode interagir, mas não tolera manejo constante nem transporte mal feito.

Como criar em aquário marinho: exigências reais

Criar peixe-cofre só faz sentido em aquário marinho maduro, grande e extremamente estável. Para um adulto de 35 a 45 cm, o mínimo recomendado é 400 a 600 litros, com filtragem potente, skimmer superdimensionado e carvão ativado sempre à mão para emergências com toxina.

  • Temperatura: 24 a 27 °C, sem oscilações bruscas.
  • pH: 8,1 a 8,4
  • Salinidade: 1.020 a 1.025
  • Amônia e nitrito: sempre zerados; nitrato abaixo de 20 ppm

A decoração deve ter rochas vivas com tocas amplas, mas com espaço livre para nadar, pois ele não contorna obstáculos com facilidade. Evite rochas instáveis que possam prendê-lo. A tampa é essencial: ele pode dar saltos curtos quando assustado.

A compatibilidade exige critério. Mantenha apenas um peixe-cofre por aquário e evite companheiros agressivos, muito rápidos ou mordedores de nadadeiras. Invertebrados ornamentais como camarões e caranguejos pequenos viram comida. Corais podem ser beliscados, especialmente os de pólipos moles.

Alimentação: o que ele come na natureza e no aquário

Na natureza é onívoro bentônico. Sopra jatos de água na areia para expor crustáceos, moluscos, vermes poliquetas, esponjas, tunicados e algas. Essa técnica de sopro é tão característica que aquaristas reconhecem o peixe-cofre só pelo comportamento de forrageio.

Em aquário, a dieta precisa ser variada, rica em proteína e oferecida em pequenas porções 2 a 3 vezes ao dia. Ele tem metabolismo lento, mas precisa de alimento fresco para manter a carapaça e o sistema imune.

  • Base: camarão, mexilhão, lula e krill picados, sempre sem tempero.
  • Complemento: artêmia, mysis e alimentos congelados para marinhos.
  • Vegetal: nori e algas marinhas secas, oferecidas com clipe.
  • Evite: alimentos secos como única fonte e peixes de água doce crus, pobres em HUFAs marinhos.

Um erro comum é oferecer só flocos. O peixe-cofre recusa ou definha, pois precisa triturar presas duras com seus dentes fundidos. Sem variedade, desenvolve deficiência nutricional e erosão da carapaça.

Reprodução e ciclo de vida

A reprodução é ovípara com desova pelágica. Na natureza, macho e fêmea sobem na coluna d’água ao entardecer e liberam óvulos e esperma juntos. Os ovos são planctônicos e eclodem em cerca de 24 a 48 horas, dependendo da temperatura.

As larvas são planctônicas e já nascem com uma pré-carapaça espinhosa, bem diferente do adulto em caixa. Passam semanas à deriva antes de se assentarem no fundo. Essa fase é extremamente sensível e explica por que não há reprodução viável em aquário doméstico; quase todos os exemplares à venda vêm de coleta na natureza.

Não há cuidado parental. Após a desova, os adultos se separam. A maturidade sexual ocorre entre 2 e 3 anos, quando o peixe atinge cerca de 25 cm. A longevidade na natureza chega a 10-12 anos; em cativeiro raramente passa de 8 sem manejo impecável.

Saúde, ostracitoxina e erros comuns de manejo

O peixe-cofre é resistente a parasitas externos graças à carapaça, mas muito sensível à qualidade da água. Picos de amônia, cobre e medicamentos à base de cobre são frequentemente fatais. Nunca medique o aquário principal; use aquário hospital separado se preciso.

Os problemas mais comuns são ictio (Cryptocaryon) secundário ao estresse, infecções bacterianas na base das nadadeiras e inanição por dieta inadequada. Sinais de alerta incluem perda de apetite, nado na superfície, respiração acelerada e descoloração da carapaça.

O manejo da toxina exige preparo. Tenha sempre carvão ativado de qualidade, trocas parciais de água prontas e um aquário reserva. Se o peixe-cofre morrer ou liberar toxina (água espumosa, cheiro forte, peixes ofegantes), faça troca imediata de 50%, ligue carvão e aeração máxima e remova o peixe morto sem demora. Esse é o motivo pelo qual muitos aquaristas experientes desaconselham a espécie para iniciantes.

Curiosidades que pouca gente conta

Apesar da aparência desengonçada, o peixe-cofre inspirou estudos de hidrodinâmica. Pesquisadores da Mercedes-Benz copiaram seu formato para um carro-conceito por causa da estabilidade e baixo arrasto, mesmo com corpo quadrado.

Outro detalhe pouco conhecido: ele consegue produzir sons de clique e ronco rangendo os dentes e vibrando a bexiga natatória, usados em disputas territoriais. É um dos poucos peixes-caixa que vocaliza de forma audível fora d’água.

Perguntas frequentes

Peixe-cofre é venenoso?

Sim. Ele secreta ostracitoxina (pahutoxina) pela pele quando muito estressado ou ao morrer, que pode matar outros peixes no aquário. A carne também pode ser tóxica se consumida.

Dá para criar peixe-cofre em aquário pequeno?

Não. Adultos chegam a 45 cm e precisam de 400 a 600 litros, com água marinha muito estável e filtragem potente.

Peixe-cofre pode viver com outros peixes?

Só com espécies pacíficas e calmas. Evite peixes agressivos, muito agitados ou mordedores, que estressam o cofre e aumentam o risco de liberação de toxina.

O que o peixe-cofre come?

É onívoro de fundo: crustáceos, moluscos, vermes, esponjas, tunicados e algas. Em aquário precisa de dieta variada com frutos do mar picados e algas nori.

Peixe-cofre muda de cor?

Sim. Juvenis são mais claros com manchas pretas bem definidas; adultos ficam amarelados, acinzentados ou amarronzados, com padrão mais apagado.

É possível reproduzir peixe-cofre em casa?

Não em aquário doméstico. A desova é pelágica em mar aberto e as larvas são planctônicas por semanas, exigindo condições que não são replicáveis em casa.

Você sabia?

1

Carro inspirado no peixe

O formato quadrado e estável do peixe-cofre inspirou o carro-conceito Mercedes-Benz Bionic, estudado por sua aerodinâmica surpreendente apesar da forma de caixa.

2

Sopro de caçador

Ele sopra jatos de água pela boca para revirar a areia e desenterrar camarões e vermes, técnica que deixa pequenas crateras no fundo.

3

Veneno que mata o aquário

Quando morre ou entra em pânico, libera pahutoxina na água, capaz de dizimar todos os peixes do sistema em poucos minutos se não houver carvão e troca imediata.

4

Filhote diferente do adulto

Juvenis nascem com espinhos e cores mais vivas, com manchas pretas bem marcadas, e só depois desenvolvem a carapaça lisa e amarelada do adulto.

Fontes

  1. FishBase - Ostraciidae
  2. IUCN Red List
  3. World Register of Marine Species (WoRMS)
  4. Instituto Chico Mendes (ICMBio)

Prós e contras: Peixe-cofre

Prós

  • Visual único em forma de caixa, fácil de identificar
  • Comportamento pacífico e curioso, interage com o tutor
  • Resistente a parasitas externos graças à carapaça
  • Ótimo para aquário marinho temático de recife calmo

Contras

  • Libera toxina mortal para o aquário quando estressado ou morto
  • Exige aquário grande (400L+) e água extremamente estável
  • Não é compatível com invertebrados pequenos nem corais delicados
  • Dieta exigente e cara, não vive só de ração seca
  • Não se reproduz em cativeiro e depende de coleta na natureza
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-cofre é fascinante pela engenharia da carapaça e pelo nado único, mas é uma escolha técnica, não afetiva: exige aquário grande e plano de emergência contra a toxina. Para a maioria dos aquaristas, o custo biológico e o risco para todo o sistema superam o charme da espécie.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.