🐟 Peixes

Peixe-lápis

Nannostomus beckfordi (representante do gênero Nannostomus)

Atualizado em

3 a 6,5 cm adultoTamanho
Doce, ácida e maciaTipo de água
3 a 5 anosExpectativa de vida
Pacífico e de cardumeTemperamento
Fácil a moderadaDificuldade
Peixe-lápis Nannostomus beckfordi de lado mostrando corpo fino e listra horizontal

O peixe-lápis é um peixe de água doce amazônico do gênero Nannostomus, famoso pelo corpo fino e alongado que lembra um lápis e pelo nado característico em posição inclinada. Pacífico, pequeno e de cardume, é um dos peixes mais elegantes para aquários plantados.

Na natureza vive em igarapés e áreas alagadas de água escura e ácida, sempre em grupos numerosos entre a vegetação. Em aquário exige água estável, ácida a levemente neutra e alimentação variada de pequenos alimentos vivos e secos para manter cor e saúde.

Também conhecido como: Peixe-lápis-comum, Peixe-lápis de Beckford, Pencilfish, Brown pencilfish, Golden pencilfish

Faz parte de: Peixes de Água Doce, Peixes para Aquário

Explore a wiki

Galeria de fotos de Peixe-lápis

Peixe-lápis Nannostomus beckfordi de lado mostrando corpo fino e listra horizontal
Peixe-lápis Beckford, a espécie mais comum em aquários, com corpo em forma de lápis.
Close-up da cabeça e boca pequena do peixe-lápis
Detalhe da boca voltada para cima, adaptada para caçar na superfície.
Cardume de peixe-lápis marrom nadando inclinado em posição oblíqua
Nannostomus eques nadando na característica posição inclinada.
Aquário plantado amazônico com cardume de peixes-lápis entre plantas
Aquário ideal para peixe-lápis: plantas finas, troncos e luz suave.
Variações de cores do peixe-lápis anão e de três listras
Variações do gênero: anão com listras douradas e três-listras.
Ovos e alevinos minúsculos de peixe-lápis entre musgo
Ovos adesivos e alevinos minúsculos exigem infusórios nos primeiros dias.
Ideal para

Ideal para aquaristas que buscam um cardume pacífico e elegante para aquário plantado de 60 litros ou mais. Funciona muito bem para quem aprecia comportamento natural, aquários com tema amazônico e convivência tranquila com tetras, corydoras e camarões Amano.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem quer peixe de aquário pequeno sem tampa, para iniciantes que ainda não controlam pH e trocas de água, ou para quem mantém peixes grandes e agitados. Não é indicado para aquários sem plantas ou com filtragem muito forte, onde fica estressado e sem cor.

Como cuidar

Aquário
60 L ou mais, longo, com tampa, plantas finas, flutuantes e troncos; filtragem suave
Água
24-28 °C, pH 5,0-7,0, GH 2-8, trocas semanais de 20-30%, amônia e nitrito zero
Alimentação
Ração micro em flocos/grânulos + artêmia, dáfnia e microvermes 2-3x por semana
Rotina
Alimentar 2x ao dia, observar coesão do cardume e intensidade das listras
Saúde
Quarentena para novos peixes, meia dose de medicamentos, atenção a ictio e oodinium

Perfil rápido de Peixe-lápis

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Gênero amplamente distribuído na Amazônia sem risco global iminente.

População
Estável
Protegido por
Não

Vida útil

Em aquário
3 a 5 anos, até 6 anos em condições muito estáveis
Na natureza
2 a 4 anos, com alta predação de jovens

Reprodução

Tipo
Ovípara, sem cuidado parental
Desova
30 a 80 ovos adesivos espalhados em plantas finas
Eclosão
24 a 36 horas a 26-27 °C
Maturidade sexual
6 a 9 meses
Dificuldade em cativeiro
Moderada a difícil, pais comem ovos e alevinos exigem infusórios

Habitat

Ambientes

  • Igarapés de corrente lenta
  • Igapós e áreas alagadas de floresta
  • Canais marginais com vegetação densa
  • Águas pretas (blackwater) com folhas no fundo

Biomas

  • Amazônia
  • Mata de várzea e igapó

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Microcrustáceos
  • Larvas de insetos
  • Zooplâncton

Outros alimentos

  • Biofilme e algas filamentosas
  • Pequenos vermes
  • Ração fina de qualidade

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Venezuela
  • Colômbia
  • Peru

Como animal de estimação

Adequação para aquário
Alta, desde que em cardume de 6+ e aquário plantado
Legalidade no Brasil
Permitido, espécies amplamente comercializadas de criadouros
Nível de cuidado
Fácil a moderado, exige água ácida, macia e estável
Aquário mínimo
60 litros para grupo de 6 a 8, 80 litros para 10 a 12

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Characiformes
Família
Lebiasinidae
Gênero
Nannostomus
Espécie
Nannostomus beckfordi (espécie mais comum no comércio)

Resumo

  • O peixe-lápis (Nannostomus spp.) é um peixe amazônico de 3 a 6,5 cm, de corpo fino e nado inclinado, que vive em cardume em igarapés de água ácida e escura.
  • Pacífico e ativo na meia-superfície, precisa de aquário plantado a partir de 60 litros, pH entre 5,0 e 7,0 e temperatura de 24 a 28 °C, sempre em grupo de 6 a 10 indivíduos.
  • Onívoro de pequenas presas, aceita ração fina e alimentos vivos, tem reprodução ovípara difícil em cativeiro e vive de 3 a 5 anos com água estável e bem cuidada.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoNannostomus spp. (mais comum: Nannostomus beckfordi Günther, 1872)
FamíliaLebiasinidae
OrigemBacia Amazônica e bacias do norte da América do Sul (Guianas e Orinoco)
Tipo de águaÁgua doce, ácida a neutra, macia
Tamanho adulto3 a 6,5 cm conforme a espécie
TamanhoPequeno
Coresbegemarromdouradovermelhopretobranco translúcido
Expectativa de vida3 a 5 anos
AlimentaçãoOnívora micro-predadora (microcrustáceos, insetos, zooplâncton)
ReproduçãoOvípara, ovos adesivos espalhados em plantas
VariedadesN. beckfordi, N. eques, N. trifasciatus, N. marginatus, N. unifasciatus, N. mortenthaleri

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMédio
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
Nível de atividadeAlto
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosAlto

Como reconhecer um peixe-lápis de verdade

O peixe-lápis não é uma espécie única, mas um gênero inteiro: Nannostomus, com cerca de 20 espécies válidas. O que todas têm em comum é o corpo extremamente fino, alongado e levemente comprimido, boca pequena e pontuda e nadadeiras delicadas.

O mais criado no Brasil é o Nannostomus beckfordi, de 5 a 6,5 cm, com faixa horizontal escura e tons avermelhados nas nadadeiras. Já o Nannostomus eques, o famoso peixe-lápis marrom, é inconfundível porque nada permanentemente inclinado a 45° com a cabeça para cima, como se estivesse em pé na água.

Outras espécies populares ajudam a entender a variação: N. trifasciatus tem três faixas pretas bem marcadas, N. marginatus (peixe-lápis anão) não passa de 3,5 cm e tem faixas pretas e douradas, e N. mortenthaleri exibe vermelho coral intenso nos machos. Todas têm listras horizontais que mudam de intensidade conforme humor, luz e período do dia.

Origem e habitat natural: onde vive na natureza

Peixes-lápis são sul-americanos, distribuídos pela Bacia Amazônica, Rio Negro, Orinoco e rios costeiros das Guianas. Vivem em igarapés de corrente lenta, igapós, margens alagadas e pequenos canais de floresta, sempre onde há muita vegetação submersa e folhas no fundo.

A água é tipicamente escura (blackwater), ácida com pH entre 4,5 e 6,5, muito macia e quente (24 a 28 °C). A visibilidade é baixa e a luz é filtrada pela copa das árvores, por isso eles desenvolveram olhos grandes e comportamento de meia-água e superfície, onde caçam microinsetos.

Na natureza formam cardumes de dezenas a centenas de indivíduos, sempre próximos a galhos e plantas. Essa vida em grupo é proteção contra predadores e explica por que sofrem tanto quando mantidos sozinhos em aquário.

Comportamento: pacífico, mas cheio de nuances

É um peixe extremamente pacífico com outras espécies, mas com hierarquia interna sutil. Machos disputam posição no cardume com exibições laterais e nadadeiras abertas, sem agressão física real.

O nado é a marca registrada. Enquanto N. beckfordi e N. trifasciatus nadam na horizontal, N. eques e N. unifasciatus nadam oblíquos o tempo todo. Essa postura não é doença, é adaptação para se camuflar entre folhas e talos verticais e capturar presas na superfície.

São diurnos e muito ativos, explorando o tempo todo a parte superior do aquário. À noite, fazem algo curioso: apagam as cores e exibem manchas e barras verticais pálidas, um padrão de camuflagem noturno totalmente diferente do diurno. Assusta quem não conhece, mas é normal.

  • Cardume obrigatório: mantenha no mínimo 6, ideal 8 a 12. Abaixo disso ficam tímidos, pálidos e estressados.
  • Saltadores: podem saltar se assustados, aquário precisa de tampa.
  • Tímidos no início: nos primeiros dias se escondem entre plantas, depois ganham confiança e nadam à mostra.

Aquário ideal: pequeno no tamanho, exigente na água

Apesar do tamanho reduzido, peixe-lápis não é para aquário de 20 litros. O mínimo recomendado é 60 litros para um grupo de 6 a 8, com formato longo (60 cm de frente) para dar espaço de nado horizontal.

Parâmetros estáveis valem mais que números perfeitos. Mire em temperatura 24 a 28 °C, pH 5,0 a 7,0 e dureza baixa (GH 2 a 8). Filtragem deve ser suave a moderada, sem correnteza forte, e trocas parciais semanais de 20 a 30% são essenciais.

Decoração faz toda diferença. Use substrato escuro, muitas plantas finas (musgos, cabomba, myriophyllum), troncos e folhas secas para criar água levemente âmbar. Luz moderada e plantas flutuantes deixam o ambiente mais natural e as cores mais vivas.

Parâmetro Faixa ideal
Temperatura 24 a 28 °C
pH 5,0 a 7,0
GH / KH 2 a 8 / 1 a 4
Amônia e nitrito zero
Nitrato abaixo de 20 mg/L

Alimentação: boca pequena, apetite grande

Na natureza são micro-predadores onívoros: caçam náuplios, larvas de mosquito, pequenos vermes e também beliscam algas e biofilme. Em aquário, a boca minúscula exige alimentos bem pequenos.

A base pode ser ração em flocos micro ou granulada fina de alta qualidade, mas a cor e a vitalidade só aparecem com complementos. Ofereça artêmia recém-eclodida, dáfnias, microvermes e enquitreias 2 a 3 vezes por semana.

Alimente 2 vezes ao dia em porções que são consumidas em 1 a 2 minutos. Eles comem na superfície e meia-água e ignoram comida que afunda rápido. Jejum de um dia por semana ajuda a evitar problemas intestinais.

Convivência: com quem combina e com quem não combina

Por ser pacífico e de boca pequena, combina com peixes igualmente tranquilos e de tamanho semelhante. Ótimos companheiros são neons, rodóstomos, rasboras, corydoras anãs, otocinclus e camarões maiores como Amano.

Evite peixes grandes, agitados ou beliscadores de nadadeiras como barbos-tigre, bettas machos e ciclídeos territoriais. Eles competem por comida e estressam o cardume, que passa a se esconder.

Com camarões pequenos (neocaridinas) a convivência é possível, mas filhotes de camarão podem virar lanche. Se a intenção é reproduzir camarões, separe os aquários.

Reprodução: fascinante e desafiadora

Peixes-lápis são ovíparos espalhadores de ovos, sem cuidado parental. Na natureza desovam entre plantas finas na estação chuvosa. Em aquário, a reprodução acontece, mas os pais comem os ovos se não forem separados.

Para tentar, use aquário próprio de 20 a 30 litros com musgo de java abundante, água muito macia e ácida (pH 5,5 a 6,0), temperatura 26 a 27 °C e luz bem baixa. Condicione o casal com alimento vivo por 10 a 15 dias.

A fêmea libera 30 a 80 ovos adesivos por desova, que eclodem em 24 a 36 horas. Os alevinos são minúsculos e precisam de infusórios e paramécios nos primeiros 5 a 7 dias, depois náuplios de artêmia. Sem esse alimento inicial, a taxa de sobrevivência é quase zero, por isso a criação é considerada moderada a difícil.

Saúde, doenças e expectativa de vida

Com água estável vivem 3 a 5 anos, alguns N. beckfordi chegam a 6 anos em aquários bem cuidados. São sensíveis a amônia, nitrito e oscilações bruscas de pH, que causam apatia, perda de cor e respiração na superfície.

As doenças mais comuns são as de aquário comunitário: ictio (pontos brancos), oodinium (doença do veludo) e infecções fúngicas após estresse ou introdução sem quarentena. Por serem pequenos e sem escamas muito espessas, toleram mal medicamentos em dose cheia — use sempre meia dose e quarentena preventiva.

Sinais de alerta incluem cardume desfeito, indivíduo isolado no canto, nado errático ou listras sempre apagadas durante o dia. Manter trocas regulares, alimentação variada e grupo grande é a melhor prevenção.

O que torna o peixe-lápis único no aquarismo

Diferente de tetras mais comuns, o peixe-lápis oferece comportamento de superfície elegante e interação constante entre si, sem a agitação de peixes maiores. É um dos poucos characiformes que permanece a maior parte do tempo nos 10 cm superiores da coluna d’água, ocupando um nicho que muitos aquários deixam vazio.

Na nossa avaliação, é a escolha ideal para quem quer um aquário plantado amazônico autêntico e tranquilo, mas não é peixe para aquarista que busca cor explosiva imediata ou que não pode manter rotina de trocas de água. A beleza dele está no detalhe e no comportamento, não no impacto à primeira vista.

Se você valoriza naturalidade, cardume sincronizado e um peixe que conta uma história da floresta alagada, o peixe-lápis entrega mais que muitos peixes maiores e mais caros.

Perguntas frequentes

Peixe-lápis precisa viver em cardume?

Sim, é essencial. Mantenha no mínimo 6 indivíduos, ideal 8 a 12. Sozinho fica estressado, pálido e esconde-se o tempo todo.

Qual o tamanho mínimo do aquário para peixe-lápis?

60 litros com 60 cm de frente para 6 a 8 peixes. Para 10 a 12, prefira 80 litros ou mais, sempre com tampa e plantas.

Por que meu peixe-lápis nada torto ou em pé?

Se for Nannostomus eques ou N. unifasciatus, é normal nadar inclinado a 45°. Se outras espécies nadarem torto de repente, verifique qualidade da água e sinais de doença.

Peixe-lápis pode viver com betta ou camarão?

Com betta macho não é recomendado, há risco de estresse e beliscões. Com camarões Amano vai bem, com neocaridinas pode comer filhotes.

O que o peixe-lápis come?

Ração fina em flocos ou grânulos micro como base, complementada com artêmia, dáfnias e microvermes 2 a 3 vezes por semana.

Quanto tempo vive o peixe-lápis?

De 3 a 5 anos em aquário bem cuidado, com água ácida, macia e trocas regulares. Alguns chegam a 6 anos.

Peixe-lápis muda de cor à noite?

Sim. De dia tem listras horizontais fortes, à noite apaga as cores e mostra manchas verticais claras. É um padrão natural de descanso.

Você sabia?

1

Nado em pé

Nannostomus eques nada inclinado a cerca de 45° a vida toda. Não é defeito, é camuflagem para se misturar a talos e folhas verticais na margem dos igarapés.

2

Troca de roupa à noite

Durante o dia exibe listras horizontais marcantes, à noite apaga as cores e mostra manchas verticais pálidas. É um padrão noturno de descanso que confunde predadores.

3

Salto sincronizado

Quando assustado, o cardume inteiro pode saltar junto para fora da água. Na natureza isso ajuda a escapar de predadores de emboscada, no aquário exige tampa bem ajustada.

4

Parentesco enganoso

Apesar do nome, não é parente próximo dos tetras mais comuns. Pertence à família Lebiasinidae, a mesma dos peixes-borboleta de água doce, e tem boca voltada para cima para caçar na superfície.

Fontes

  1. FishBase - Nannostomus
  2. Seriously Fish - Nannostomus beckfordi
  3. Embrapa - Peixes ornamentais da Amazônia

Prós e contras: Peixe-lápis

Prós

  • Cardume pacífico e elegante, ideal para aquário plantado
  • Tamanho pequeno, adequado para aquários médios de 60 litros
  • Ocupa a meia-superfície, nicho pouco usado por outros peixes
  • Comportamento interessante de nado inclinado e interação em grupo
  • Compatível com tetras, corydoras e camarões maiores

Contras

  • Exige cardume de 6+ e não vive bem sozinho
  • Sensível a amônia, nitrito e oscilações de pH
  • Boca muito pequena exige alimentos bem finos
  • Reprodução difícil, pais comem ovos e alevinos precisam de infusórios
  • Pode saltar do aquário se não houver tampa
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-lápis é um dos cardumes mais subestimados do aquarismo: pequeno, pacífico e com um comportamento de superfície que poucos tetras oferecem. Vale a escolha para quem prioriza aquário plantado bem equilibrado e não abre mão de manter grupo grande com água estável.

Continue explorando: Peixes

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.