🐟 Peixes

Matrinxã

Brycon amazonicus

Atualizado em

40 a 50 cmTamanho
DoceTipo de água
8 a 10 anosExpectativa de vida
Muito ativo e assustadoTemperamento
Moderada a altaDificuldade

A matrinxã é um peixe de água doce da Amazônia conhecido pela velocidade, pelos saltos acrobáticos e pela carne saborosa. É um dos peixes nativos mais criados na piscicultura brasileira e também um dos mais esportivos para pesca.

De corpo alongado e prateado, com nadadeiras avermelhadas, ela é frequentemente confundida com a piraputanga, mas se distingue pelo porte maior e pelo comportamento extremamente ativo. Na natureza é migradora e frugívora, com papel importante na dispersão de sementes na floresta alagada.

Também conhecido como: matrinchã, tambasa, piau, Brycon cephalus (sinônimo), South American trout (inglês)

Faz parte de: Peixes de Água Doce, Peixes para Aquário

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Ideal para

Ideal para piscicultores que buscam um peixe nativo de crescimento rápido e boa aceitação de mercado, e para pescadores esportivos que valorizam briga e saltos. Também atende aquaristas jumbo experientes com estrutura para aquários acima de 1.000 litros e filtragem potente. Funciona bem para quem tem acesso a água de qualidade e pode oferecer manejo com tampa de proteção e alimentação variada. Em viveiros bem manejados, é rústica e produtiva.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem procura peixe para aquário pequeno, aquário plantado ou para iniciantes sem experiência com espécies agitadas. O temperamento assustado, os saltos e a exigência por oxigênio alto geram perdas rápidas em sistemas simples. Também não serve para quem tem pouco tempo ou quer peixe que se reproduza sozinho em casa. Sem indução hormonal e sem espaço para cardume, ela não completa o ciclo reprodutivo em cativeiro.

Como cuidar

Aquário / viveiro
Mínimo de 1.000 litros para pequeno cardume em aquário; em piscicultura, viveiro escavado com renovação e rede/tampa contra saltos
Água
Temperatura 24 a 30 °C, pH 6,0 a 7,5, oxigênio >4 mg/L, amônia baixa e filtragem forte com correnteza suave
Alimentação
Ração extrusada 32-36% PB 2 a 3 vezes ao dia, complementada com frutas picadas e insetos; evitar excesso de gordura
Manejo
Evitar sustos, manter cardume de 3 a 5 indivíduos, fazer despesca com rede de malha lisa e jejum prévio de 24h

Perfil rápido de Matrinxã

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Populações amplas e estáveis na Amazônia, com ocorrência extensa.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Reprodução (piracema)JFMAMJJASOND
Melhor época para pesca esportivaJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Energia
aprox. 130 a 150 kcal
Proteína
aprox. 18 a 20 g
Gordura total
aprox. 5 a 8 g
Observação
Valores por 100 g de filé cru, variam conforme sistema de criação e alimentação; fonte: tabelas TACO e USDA para peixes de água doce magros

Vida útil

Na natureza
8 a 10 anos, com maturidade sexual entre 2 e 3 anos
Em piscicultura
Ciclo de engorda de 8 a 12 meses até 1 kg; reprodutores mantidos por 5 a 7 anos
Em aquário jumbo
6 a 8 anos quando há grande volume, oxigenação e tampa contra saltos

Reprodução

Maturidade
2 a 3 anos, com 30 a 35 cm
Padrão sazonal
Migradora reofílica, desova total na piracema de novembro a março
Tipo de desova
Ovípara, ovos livres sem cuidado parental, eclosão em 12 a 16 horas a 28 °C
Fecundidade
Acima de 100 mil ovos por fêmea de 2 kg
Em cativeiro
Só com indução hormonal (hipofisação), não se reproduz em água parada

Habitat

Ambientes

  • rios de água clara e escura
  • igarapés e canais de corredeira
  • lagos de várzea e igapó
  • viveiros escavados e tanques-rede

Biomas

  • Amazônia
  • Cerrado (bacia do Araguaia-Tocantins)
  • Mata Atlântica (introduzida)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • frutos e sementes
  • insetos terrestres e aquáticos

Outros alimentos

  • pequenos peixes
  • crustáceos
  • ração extrusada em cativeiro

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Peru
  • Colômbia
  • Bolívia
  • Equador

Como animal de estimação

Adequação
Alta para piscicultura e pesca esportiva; baixa para aquário doméstico comum, restrita a aquários jumbo
Legalidade no Brasil
Criação e comércio permitidos; pesca segue regras de defeso da piracema e legislação estadual
Nível de cuidado
Moderado a alto, exige água bem oxigenada, espaço e contenção contra saltos
Custo de aquisição
Baixo para alevinos e juvenis em pisciculturas; reprodutores e lotes para engorda variam por região

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Characiformes
Família
Bryconidae
Gênero
Brycon
Espécie
Brycon amazonicus

Resumo

  • A matrinxã (Brycon amazonicus) é um peixe amazônico migrador de até 50 cm, famoso por saltar da água e brigar muito na pesca esportiva.
  • Onívora com forte tendência frugívora, cresce rápido na piscicultura e só se reproduz naturalmente em rios com correnteza durante a piracema.
  • Exige água bem oxigenada e muito espaço, por isso não é indicada para aquários pequenos e só desova em cativeiro com indução hormonal.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoBrycon amazonicus (Spix & Agassiz, 1829) - sinônimo Brycon cephalus
FamíliaBryconidae
OrigemBacias do Amazonas e Araguaia-Tocantins
Tipo de águaDoce, tropical
Tamanho adulto30 a 50 cm e 2 a 5 kg
Expectativa de vida8 a 10 anos
Coresprateadocinza-prateadoamarelovermelho-alaranjadopreto
AlimentaçãoOnívora frugívora
ReproduçãoOvípara migradora, desova total na piracema
VariedadesNão há variedades ornamentais; espécie única, confundida com piraputanga (Brycon hilarii)

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoBaixo
AgressividadeBaixo
SociabilidadeAlto
Nível de atividadeMuito alto
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como identificar a matrinxã de verdade

A matrinxã tem corpo alongado e fusiforme, prateado e brilhante, com dorso levemente acinzentado e ventre mais claro. As nadadeiras peitoral, ventral e anal são amareladas a vermelho-alaranjadas, e a caudal costuma ser mais escura, com tons de cinza e vermelho. É esse contraste que ajuda a separá-la de outros Brycon.

A cabeça é relativamente pequena, com boca terminal e dentes fortes, e os olhos são grandes. O detalhe mais técnico são os dentes molariformes, adaptados para quebrar sementes e frutos, bem diferentes dos dentes pontiagudos de peixes carnívoros como a traíra. Adultos saudáveis chegam a 40 a 50 cm e 3 a 5 kg, embora na piscicultura o abate ocorra bem antes, com 1 a 1,5 kg.

Muita gente confunde matrinxã com piraputanga (Brycon hilarii) do Pantanal. Na nossa avaliação, a forma mais segura de diferenciar é pelo conjunto: matrinxã tem corpo mais alongado e menos alto, coloração mais prateada e ocorre naturalmente na Amazônia, enquanto a piraputanga tem corpo mais alto e avermelhado intenso. No comércio, o nome matrinxã também aparece como matrinchã e tambasa.

Onde vive e por que é um peixe migrador

Na natureza, a matrinxã ocorre em rios de água clara e escura, igarapés, lagos de várzea e canais de corredeira da Amazônia e do Araguaia-Tocantins. Foi introduzida em outras bacias, como Paraná e Sudeste, para piscicultura e pesca esportiva, onde hoje também é encontrada.

É um peixe reofílico e migrador: faz a piracema subindo o rio na cheia para se reproduzir. Essa migração pode passar de dezenas a centenas de quilômetros. Fora da época reprodutiva, forma cardumes em áreas de remanso e corredeira, sempre onde há água bem oxigenada e correnteza moderada.

Seu papel ecológico é pouco comentado e muito relevante. Como é frugívora e dispersora de sementes, carrega frutos da mata ciliar e da floresta alagada (igapó e várzea) para longe da planta-mãe. Sem peixes como a matrinxã, várias árvores amazônicas teriam dificuldade de se espalhar.

Comportamento: por que ela salta tanto

Quem já pescou ou criou matrinxã sabe: é um peixe extremamente ativo, arisco e saltador. Qualquer susto, sombra ou batida no viveiro pode provocar saltos de até 1 metro acima da água. Em tanques e aquários, isso significa risco real de fuga se não houver tampa ou rede.

Vive em cardume e nada o tempo todo, explorando a coluna média e a superfície. Não é um peixe territorialista agressivo, mas pode ser dominante na hora de comer e beliscar companheiros menores se houver falta de espaço ou alimento. Com peixes muito pequenos, o risco é de predação oportunista.

Em cativeiro, o estresse aparece rápido quando a água está com pouco oxigênio ou muito amônia. Sinais clássicos são nado na superfície buscando ar, perda de apetite e saltos constantes. É um bioindicador exigente: se a matrinxã está bem, a qualidade da água geralmente está boa.

Matrinxã na piscicultura: crescimento e manejo

É por isso que a matrinxã se tornou uma das principais espécies nativas da piscicultura nacional. Cresce muito rápido, aceita ração e tem carne branca e saborosa, com poucas espinhas. Em sistema intensivo, pode atingir 1 kg entre 8 e 12 meses, o que é excelente para peixe nativo amazônico.

O sistema mais usado é viveiro escavado ou tanque-rede com boa renovação de água. Parâmetros ideais são temperatura de 26 a 30 °C, pH entre 6,0 e 7,5 e oxigênio dissolvido sempre acima de 4 mg/L. É sensível a quedas bruscas de oxigênio no fim da madrugada, principal causa de mortalidade em criações mal manejadas.

A densidade precisa ser controlada. Cardumes muito adensados aumentam o estresse e os saltos, causando ferimentos e perda de escamas. O manejo recomendado inclui despesca com rede sem arrasto brusco, jejum prévio de 24 horas e tampa de proteção nos tanques. É um peixe rústico a parasitas quando bem nutrido, mas sofre com manejo grosseiro.

Criação em aquário jumbo: o que realmente exige

Matrinxã não é peixe para aquário comum. Para um grupo mínimo de 3 a 5 indivíduos, o aquário precisa ter pelo menos 1.000 a 1.500 litros, com 150 cm de comprimento e tampa bem vedada. Aquários menores causam deformidade, estresse crônico e morte por salto.

A filtragem deve ser potente e com forte movimentação, simulando corredeira leve. Ela precisa de água cristalina, com filtragem biológica e mecânica superdimensionada e trocas parciais semanais de 30%. Temperatura entre 24 e 28 °C e pH levemente ácido a neutro funcionam melhor.

Decoração deve ser simples: poucas pedras lisas, troncos e espaço livre para nado. Plantas naturais são comidas ou arrancadas. Companheiros precisam ser peixes jumbo calmos e de tamanho similar, como pacus, tambaquis jovens ou grandes cascudos. Evite peixes pequenos, lentos ou de nadadeiras longas.

Alimentação natural e em cativeiro

Na natureza, a matrinxã é onívora com preferência por frutos, sementes, insetos e pequenos peixes. Na cheia, entra na floresta alagada para comer frutos de ingá, seringa e outras árvores. Na seca, complementa com insetos terrestres que caem na água e larvas.

Na piscicultura e no aquário, aceita bem ração extrusada com 32 a 36% de proteína bruta, de preferência flutuante. Para manter a saúde e a cor, criadores intercalam com frutas picadas (mamão, manga, goiaba), insetos e larvas. Excesso de ração gordurosa causa degeneração hepática, um erro comum.

Alimente 2 a 3 vezes ao dia em porções que sejam consumidas em 3 a 5 minutos. Como é comedora voraz e competitiva, espalhe a ração para que todos do cardume comam. Jejum de um dia por semana ajuda no manejo digestivo em sistemas intensivos.

Reprodução e piracema

A matrinxã não se reproduz em água parada. Na natureza, a desova ocorre na piracema, entre novembro e março, quando o rio enche e a temperatura sobe. É uma desova total: a fêmea libera todos os óvulos de uma vez em áreas de corredeira, e o macho fertiliza em seguida.

Em cativeiro, a reprodução só acontece com indução hormonal por extrato de hipófise de carpa. Sem esse estímulo, as gônadas não amadurecem completamente. Uma fêmea de 2 kg pode liberar mais de 100 mil ovos por desova, que eclodem em cerca de 12 a 16 horas a 28 °C.

As larvas são canibais nos primeiros dias e exigem alimento vivo (plâncton, náuplios de artêmia) antes da transição para ração farelada. Esse é o gargalo da produção: sem manejo fino de larvicultura, a sobrevivência despenca.

Pesca esportiva e conservação

Para o pescador esportivo, a matrinxã é sinônimo de briga. Quando fisgada, corre, salta e faz arrancadas laterais, exigindo vara de ação rápida e linha resistente. Iscas naturais como frutos, massas e insetos, além de iscas artificiais de superfície, são as mais efetivas.

Apesar da pressão de pesca e da criação extensiva, a espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com populações estáveis na maior parte da Amazônia. O risco maior não é a extinção global, mas declínios locais por barragens que bloqueiam a piracema, desmatamento da mata ciliar e poluição.

Parâmetro Ideal para criação
Temperatura 26 a 30 °C
pH 6,0 a 7,5
Oxigênio dissolvido > 4 mg/L
Amônia total < 0,5 mg/L
Sistema Viveiro escavado ou tanque-rede com renovação

Na nossa avaliação, a matrinxã é o melhor exemplo de peixe nativo que une produção e esporte, mas exige respeito à sua natureza migradora. Criar ou pescar sem entender a necessidade de água corrente e oxigenada é o erro que mais gera frustração e perda.

Perguntas frequentes

Matrinxã pode viver em aquário pequeno?

Não. É um peixe grande, de cardume e muito ativo que precisa de pelo menos 1.000 litros e tampa, além de forte oxigenação. Em aquário pequeno sofre estresse e morre por salto.

Qual o tamanho que a matrinxã atinge?

Na natureza chega a 40 a 50 cm e 3 a 5 kg. Na piscicultura é abatida com 1 a 1,5 kg, peso que atinge em 8 a 12 meses.

Matrinxã é carnívora?

Não. É onívora com forte tendência frugívora. Come frutos, sementes, insetos e eventualmente pequenos peixes, mas a base são frutos da mata alagada.

Como reproduzir matrinxã em cativeiro?

Só com indução hormonal por extrato de hipófise, pois não desova em água parada. A desova natural ocorre na piracema, de novembro a março, em rios com correnteza.

Matrinxã e piraputanga são o mesmo peixe?

Não. São espécies do mesmo gênero Brycon, mas a matrinxã (Brycon amazonicus) é amazônica e mais prateada, enquanto a piraputanga (Brycon hilarii) é do Pantanal e mais avermelhada.

Por que a matrinxã salta tanto?

É um comportamento de fuga e também comum quando fisgada. Qualquer susto, falta de oxigênio ou manejo brusco provoca saltos que podem chegar a 1 metro.

Matrinxã tem muita espinha?

Tem espinhas intramusculares em Y, mas menos que peixes como a traíra. O filé é apreciado justamente por ser saboroso e de espinhas mais fáceis de remover.

Você sabia?

1

Dispersora de floresta

Na cheia, a matrinxã entra na floresta alagada para comer frutos e carrega sementes no intestino por quilômetros, ajudando a regenerar a mata ciliar amazônica.

2

Salto de fuga

Quando assustada ou fisgada, pode saltar mais de 1 metro fora da água e dar várias cambalhotas no ar, o que a torna famosa entre pescadores esportivos.

3

Crescimento relâmpago

Em piscicultura bem manejada, atinge 1 kg em 8 a 12 meses, um dos crescimentos mais rápidos entre peixes nativos de escama do Brasil.

4

Só desova com hormônio

Em viveiro ou aquário sem correnteza, a matrinxã não desova naturalmente e precisa de indução com extrato de hipófise para liberar os óvulos.

Fontes

  1. FishBase - Brycon amazonicus
  2. Embrapa Pesca e Aquicultura
  3. IUCN Red List

Prós e contras: Matrinxã

Prós

  • Crescimento muito rápido para peixe nativo, com 1 kg em menos de 1 ano
  • Carne branca saborosa e bem aceita no mercado
  • Excelente para pesca esportiva devido à briga e aos saltos
  • Rústica quando há água bem oxigenada e manejo correto
  • Importante ecologicamente como dispersora de sementes

Contras

  • Exige água com alto oxigênio e não tolera amônia
  • Salta muito e foge com facilidade se não houver tampa ou rede
  • Não se reproduz naturalmente em viveiro sem indução hormonal
  • Precisa de muito espaço e não serve para aquários pequenos
  • Pode predar peixes muito pequenos se houver falta de alimento
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a matrinxã é o peixe nativo mais subestimado da piscicultura brasileira: cresce rápido, tem carne excelente e ainda oferece pesca esportiva de alto nível. O erro é tratá-la como peixe de aquário comum, quando na verdade ela exige espaço, correnteza e manejo contra saltos para mostrar seu potencial.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.