🐟 Peixes

Atum-albacora

Thunnus albacares

Atualizado em

1,2 a 2,4 m e até 200 kgTamanho
Salgada oceânica pelágicaTipo de água
6 a 9 anosExpectativa de vida
Predador veloz e migratórioTemperamento
Não vive em aquárioDificuldade
Atum-albacora nadando de perfil em mar aberto mostrando nadadeiras amarelas alongadas

O atum-albacora (Thunnus albacares) é um dos atuns mais velozes e valiosos dos oceanos tropicais, reconhecido pelas nadadeiras dorsal e anal amarelo-intenso e extremamente alongadas. É um peixe pelágico de grande porte que vive em mar aberto e forma cardumes muitas vezes associados a golfinhos e objetos flutuantes.

Diferente do atum-rabilho, que prefere águas frias, o albacora é essencialmente tropical e precisa de água acima de 20 °C para se reproduzir e crescer rápido. Essa característica explica sua distribuição nos três grandes oceanos e sua importância central para a pesca industrial e artesanal, inclusive no Brasil.

Também conhecido como: Albacora-de-laje, Atum-de-barbatana-amarela, Yellowfin tuna (inglês), Atún de aleta amarilla (espanhol), Thon albacore (francês)

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Atum-albacora

Atum-albacora nadando de perfil em mar aberto mostrando nadadeiras amarelas alongadas
Atum-albacora adulto em mar aberto, com as nadadeiras amarelas características.
Close-up da cabeça do atum-albacora mostrando olho e boca
Detalhe da cabeça do atum-albacora, com corpo fusiforme e olho pequeno.
Cardume de atuns-albacora nadando juntos no oceano
Cardume de atuns-albacora, que vivem em grupos segregados por tamanho.
Atum-albacora caçando peixes pequenos perto da superfície
Albacora em ataque rápido a cardume de peixes pelágicos.
Detalhe das pínulas e nadadeira caudal amarelas do atum-albacora
Pínulas amarelas com borda preta, marca registrada do albacora.
Atum-albacora nadando próximo a golfinhos em habitat pelágico
Associação frequente entre albacoras e golfinhos no oceano tropical.

Perfil rápido de Atum-albacora

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída com populações grandes, mas com declínio em alguns estoques por pesca intensa.

População
em declínio
Protegido por
Não possui proteção integral; manejo por cotas da ICCAT, IATTC e WCPFC

Vida útil

Na natureza
6 a 9 anos, raramente até 10 anos
Em cativeiro
Não se mantém em aquários; apenas em tanques oceânicos de pesquisa por curtos períodos

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa pelágica
Estrutura social
Cardumes por classe de tamanho, sem par fixo
Padrão sazonal
Desova o ano todo no equador; primavera-verão nos subtrópicos
Fecundidade
1 a 4 milhões de ovos por evento, desovas parceladas a cada 2-3 dias
Maturidade
2 a 3 anos, com 70 a 100 cm de comprimento

Habitat

Ambientes

  • Oceano pelágico tropical e subtropical
  • Zona epipelágica de 0 a 250 m
  • Entorno de ilhas oceânicas, montes submarinos e FADs

Biomas

  • Oceano Atlântico
  • Oceano Pacífico
  • Oceano Índico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pelágicos pequenos (sardinhas, anchovas, peixes voadores)

Outros alimentos

  • Lulas oceânicas
  • Crustáceos pelágicos
  • Larvas de peixes

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Japão
  • Espanha
  • Indonésia
  • Filipinas
  • África do Sul
  • Senegal
  • Equador

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Scombriformes
Família
Scombridae
Gênero
Thunnus
Espécie
Thunnus albacares

Resumo

  • O atum-albacora é um atum tropical de grande porte com nadadeiras amarelas alongadas e corpo azul-metálico, que pode passar de 2 metros e 180 kg.
  • Vive em mar aberto nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, migra milhares de quilômetros e caça em cardumes velozes perto da superfície.
  • É o atum mais pescado no mundo para conserva e sashimi, com reprodução intensa em águas quentes e status de conservação Pouco Preocupante, mas com populações em declínio por sobrepesca.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoThunnus albacares
FamíliaScombridae
OrigemOceanos Atlântico, Pacífico e Índico (cinturão tropical e subtropical)
Tipo de águaSalgada marinha pelágica
TamanhoGrande: 1,2 a 2,4 m e 30 a 200 kg
Tamanho adultoComum 1,0 a 1,6 m; máximo 2,4 m
Expectativa de vida6 a 9 anos na natureza
Coresazul-escuro metálicoprateadoamarelo intenso
AlimentaçãoCarnívora: peixes, lulas e crustáceos
ReproduçãoOvípara com desova pelágica em águas >26 °C
VariedadesNão possui variedades; espécie única

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeAlto
SociabilidadeAlto
Nível de atividadeMuito alto
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como reconhecer o atum-albacora sem confundir

O atum-albacora é inconfundível quando adulto. O corpo é fusiforme e hidrodinâmico, azul-escuro metálico no dorso e prateado com faixas pontilhadas na barriga, mas o que realmente entrega a espécie são a segunda nadadeira dorsal e a anal amarelo-canário, muito alongadas e em forma de foice.

Essas duas nadadeiras podem chegar a 20% do comprimento total do corpo em exemplares grandes, muito mais longas que no atum-patudo (Thunnus obesus) ou no bonito. As pínulas — pequenas nadadeiras entre a dorsal/anal e a cauda — também são amarelas com borda preta, outro detalhe diagnóstico.

Um erro comum no Brasil é chamar qualquer atum de albacora. Por aqui, albacora-de-laje é o nome popular do Thunnus albacares, enquanto albacora-branca é o Thunnus alalunga e albacora-bandolim é o Thunnus obesus. No mercado internacional, o albacora é o yellowfin tuna, não o albacore (que é a albacora-branca).

Onde vive e por que está sempre em movimento

O albacora é um peixe epipelágico tropical, vive nos primeiros 250 metros da coluna d’água onde a temperatura fica entre 20 °C e 30 °C. Sua distribuição é circunglobal, entre aproximadamente 40°N e 35°S, nos três oceanos.

No Atlântico ocidental, ocorre de forma contínua do Golfo do México e Caribe até o sul do Brasil, com maior abundância no Nordeste e no Sudeste, especialmente em torno de ilhas oceânicas, montes submarinos e zonas de convergência. No Pacífico, vai do sul do Japão à Austrália e da Califórnia ao Peru.

É um migrante oceânico de longa distância, capaz de percorrer mais de 3.000 km em poucos meses. Ele não migra por temperatura fria como o rabilho, mas segue massas de água quente, concentração de alimento e correntes. Jovens ficam mais costeiros e associados a objetos flutuantes; adultos preferem mar aberto.

Tamanho, peso e crescimento acelerado

O albacora cresce muito rápido para um atum. Atinge cerca de 1 metro com 1,5 ano e 30 kg, e a maturidade sexual entre 2 e 3 anos, com 70 a 100 cm. O tamanho comum de captura comercial é de 1,0 a 1,6 m.

O recorde documentado pela IGFA passa de 200 kg e 2,4 m, mas exemplares acima de 150 kg já são considerados gigantes. Na pesca brasileira, a maioria desembarcada tem entre 15 e 60 kg.

Essa velocidade de crescimento tem um custo: metabolismo altíssimo e necessidade de nadar sem parar. Como outros atuns, ele mantém a temperatura muscular e cerebral alguns graus acima da água (endotermia regional), o que permite explosões de até 70 a 75 km/h em ataques curtos.

Comportamento: cardume, salto e associação com golfinhos

O albacora é altamente gregário. Forma cardumes por tamanho, às vezes com milhares de indivíduos do mesmo ano, e frequentemente se mistura com outros atuns, dourados e cardumes de peixes voadores.

Um comportamento marcante é a associação com golfinhos-pintados e rotadores no Pacífico leste, e com objetos flutuantes (troncos, boias, FADs) no Atlântico. Essa associação facilita a localização pela frota pesqueira, mas também gera captura acidental de golfinhos quando não há manejo adequado.

É um predador de superfície. Caça por visão, em ataques coordenados que empurram presas para cima, com saltos espetaculares fora d’água. Durante o dia fica mais disperso entre 50 e 150 m; ao entardecer sobe para caçar na camada superficial.

O que o albacora realmente come

A dieta é oportunista e 100% carnívora. A base são peixes pelágicos pequenos — sardinhas, anchovas, peixes voadores, carapaus — complementados por lulas oceânicas e crustáceos pelágicos como o krill.

Em conteúdo estomacal no Atlântico tropical, peixes representam 60 a 70% da dieta e cefalópodes 20 a 30%. Ele se alimenta diariamente do equivalente a 2 a 5% do seu peso corporal, o que explica por que precisa de áreas muito produtivas.

Essa dieta o coloca no topo da cadeia pelágica, mas também o torna bioacumulador de mercúrio. Exemplares grandes e velhos tendem a ter níveis mais altos, um ponto importante para consumo frequente.

Reprodução e ciclo de vida em águas quentes

O albacora só se reproduz em águas acima de 26 °C, por isso a desova ocorre o ano todo no equador e de forma sazonal (primavera e verão) nas bordas subtropicais. No Brasil, o pico vai de dezembro a março.

A desova é pelágica e parcelada: a fêmea libera ovos e o macho o esperma diretamente na água, sem cuidado parental. Uma fêmea grande pode liberar 1 a 4 milhões de ovos por desova e desovar a cada 2 a 3 dias durante semanas.

Os ovos e larvas são planctônicos e derivam com as correntes por 2 a 3 semanas. A mortalidade é massiva — menos de 1% chega a juvenil — mas a estratégia compensa pelo volume. Aos 30 dias, a larva já tem 2 cm e começa a formar cardume.

Pesca, mercado e por que ele domina a lata de atum

O albacora responde por cerca de 30% de toda a captura mundial de atuns, mais de 1,4 milhão de toneladas por ano segundo a FAO. É a espécie mais usada para conserva sólida, pouch e sashimi de menor custo que o rabilho.

No Brasil, é alvo da frota de espinhel pelágico e de vara e isca-viva, sobretudo no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia e Espírito Santo. A pesca com FADs (dispositivos de agregação) aumentou muito a eficiência, mas também a captura de juvenis.

A carne é vermelho-clara a rosada, menos gordurosa que a do patudo e do rabilho, com sabor mais suave. Por isso é preferida para enlatamento, enquanto lombos de albacora grande são vendidos como ahi tuna para poke e grelhados mal passados.

Diferença entre albacora, patudo e rabilho em 30 segundos

Para não errar na peixaria ou no mar, use três pistas. Albacora (yellowfin): corpo mais esguio, nadadeiras dorsal e anal amarelas longas e pínulas amarelas com borda preta, barriga com linhas pontilhadas.

Patudo (bigeye, Thunnus obesus): olho grande, corpo mais robusto e alto, nadadeiras amarelas curtas, carne mais vermelha e gordurosa. Vive mais fundo, até 500 m, e tolera água mais fria.

Rabilho (bluefin): muito maior (até 3 m e 400 kg), nadadeiras curtas e escuras, quilha caudal preta. É de água temperada/fria e atinge preços muito superiores. Se a nadadeira é amarela e longa, é albacora.

Conservação e o que o consumidor precisa saber

Na Lista Vermelha da IUCN, o albacora é classificado como Pouco Preocupante (LC) desde 2021, após ter sido Quase Ameaçado. A mudança reflete estoques globais ainda grandes, mas com tendência de declínio em várias regiões por excesso de esforço de pesca.

No Atlântico, o estoque é gerido pela ICCAT e no Pacífico pela IATTC e WCPFC, com cotas, tamanho mínimo e controle de FADs. O problema principal é a captura de juvenis antes da primeira reprodução, que reduz o potencial de reposição.

Para quem consome, a escolha mais responsável é preferir produtos com selo MSC ou com rastreabilidade de frota que evita FADs e tem observador a bordo. Evitar consumo excessivo de exemplares muito grandes também reduz a exposição ao mercúrio.

Perguntas frequentes

Atum-albacora é o mesmo que albacora-branca?

Não. Atum-albacora é Thunnus albacares (yellowfin), de nadadeiras amarelas longas. Albacora-branca é Thunnus alalunga (albacore), de nadadeiras peitorais muito longas e carne mais clara.

Qual o tamanho máximo do atum-albacora?

Pode chegar a 2,4 m e mais de 200 kg, mas o tamanho comum de pesca é 1,0 a 1,6 m e 15 a 60 kg.

Onde o atum-albacora vive no Brasil?

Em todo o Atlântico tropical brasileiro, com maior abundância no Nordeste e Sudeste, em mar aberto, ilhas oceânicas como Fernando de Noronha e sobre montes submarinos.

O atum-albacora pode ser criado em aquário?

Não. É um pelágico oceânico que precisa nadar continuamente em grandes volumes e não sobrevive em aquário doméstico.

Como é a carne do atum-albacora?

É vermelho-clara a rosada, firme e menos gordurosa que a do patudo e rabilho, ideal para conserva, poke, sashimi e grelhados.

O atum-albacora está ameaçado de extinção?

Está classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas alguns estoques regionais estão sobrepescados e em declínio, exigindo controle de cotas.

Por que o albacora se associa a golfinhos?

Ambos caçam os mesmos cardumes pelágicos e usam a estrutura do grupo para encurralar presas na superfície. A associação é ecológica, não simbiótica.

Fatos surpreendentes sobre o albacora

1

Nada sem parar para respirar

Como todo atum, o albacora precisa nadar constantemente com a boca aberta para forçar água pelas brânquias. Se parar, não consegue ventilar e pode sufocar.

2

Desova quase diária

Em água a 28 °C, uma fêmea pode desovar a cada 2 dias durante meses, liberando milhões de ovos microscópicos que flutuam como plâncton.

3

Fígado especial para mergulho rápido

Possui um sistema de troca de calor no fígado e nos músculos que mantém o interior aquecido, permitindo mergulhar de 30 °C na superfície para 15 °C a 200 m sem perder desempenho.

4

Cardume por tamanho exato

Os cardumes são segregados por classe de tamanho com precisão de poucos centímetros. Misturar tamanhos diferentes aumenta o risco de canibalismo e competição.

Fontes

  1. FishBase - Thunnus albacares
  2. IUCN Red List - Thunnus albacares
  3. FAO - Species Fact Sheet Yellowfin Tuna
  4. ICCAT - International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas

Prós e contras: Atum-albacora

Prós

  • Crescimento rápido e alta fecundidade, o que dá resiliência
  • Carne versátil e de grande valor comercial
  • Ampla distribuição tropical facilita manejo regional
  • Importante para pesca artesanal e industrial no Brasil
  • Espécie bem estudada com cotas internacionais definidas

Contras

  • Alta pressão de pesca com captura de juvenis em FADs
  • Tendência de declínio em estoques do Atlântico e Índico
  • Bioacumulação de mercúrio em exemplares grandes
  • Dependência de água quente o torna sensível a mudanças oceânicas
  • Captura incidental de golfinhos e tartarugas em algumas frotas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o albacora é o atum mais subestimado: menos famoso que o rabilho, mas muito mais relevante para o Brasil e para a segurança alimentar global. É também o melhor exemplo de como manejo de FADs e tamanho mínimo fazem diferença real entre pesca sustentável e colapso de juvenis.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.