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Peixe-boi-marinho

Trichechus manatus

Atualizado em

2,8 a 4 m de comprimentoTamanho
400 a 600 kgPeso
50 a 60 anosExpectativa de vida
Costeiro raso e estuarinoHabitat
Nenhum, é dócilPerigo para humanos
Peixe-boi-marinho adulto nadando de lado em água costeira rasa

O peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) é um mamífero aquático herbívoro que vive em águas costeiras rasas, estuários e fozes de rios do Atlântico ocidental. No Brasil, ocorre do Amapá a Alagoas e é o maior sirênio das Américas, podendo passar de 3,5 metros e 600 kg.

Apesar do tamanho, é um animal dócil, lento e silencioso, que passa até 8 horas por dia se alimentando de capim-agulha e outras plantas aquáticas. É inofensivo para humanos e depende de águas mornas e calmas para sobreviver, o que o torna extremamente vulnerável à degradação do habitat, colisões com embarcações e encalhes de filhotes.

Também conhecido como: Manati, Manatim, Peixe-boi, West Indian manatee, American manatee, Lamantino

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil

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Galeria de fotos de Peixe-boi-marinho

Peixe-boi-marinho adulto nadando de lado em água costeira rasa
Peixe-boi-marinho adulto com cauda em forma de remo, característica da espécie.
Close da cabeça do peixe-boi-marinho mostrando focinho e narinas
Detalhe da cabeça com focinho truncado e narinas no topo.
Close da cabeça do peixe-boi-marinho mostrando focinho e narinas
Detalhe da cabeça com focinho truncado e narinas no topo.
Detalhe da pele grossa e enrugada do peixe-boi-marinho
Pele espessa e enrugada com pelos sensoriais que detectam vibrações.
Peixe-boi-marinho se alimentando de capim-agulha no fundo raso
Pastoreando capim-agulha, sua principal fonte de alimento no Brasil.
Mãe e filhote de peixe-boi-marinho nadando juntos
Filhote permanece com a mãe por até dois anos aprendendo rotas e alimentação.
Peixe-boi-marinho na superfície expondo apenas as narinas para respirar
Respiração discreta: expõe só as narinas por poucos segundos.

Perfil rápido de Peixe-boi-marinho

Estado de conservação

VU
Vulnerável

População global em declínio devido a atividades humanas em áreas costeiras rasas.

População
Decrescente
Protegido por
Sim, protegido por lei no Brasil desde 1967 e por acordos internacionais (CITES Apêndice I)

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Pico de nascimentos no BrasilJFMAMJJASOND
Maior ocorrência de encalhes de filhotes (NE)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Animal dócil, sem veneno ou toxina; risco é para o animal quando há contato humano indevido.

Vida útil

Na natureza
50 a 60 anos
Em cativeiro
Até 65 anos com manejo especializado

Reprodução

Maturidade sexual
Fêmeas 3-5 anos, machos 5-7 anos
Sistema de acasalamento
Poligâmico, sem par fixo; grupos de machos seguem uma fêmea em estro
Gestação
12 a 13 meses
Tipo de nascimento
Vivíparo, 1 filhote (gêmeos raros)
Tamanho da ninhada
1 filhote de ~1 m e 25-35 kg
Amamentação
12 a 24 meses, dependência materna até 2 anos
Intervalo entre crias
2 a 5 anos

Habitat

Ambientes

  • Águas costeiras rasas
  • Estuários e fozes de rios
  • Baías protegidas
  • Manguezais
  • Bancos de capim-agulha

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Caatinga (litoral)
  • Amazônia costeira
  • Sistema Costeiro-Marinho

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Capim-agulha (Halodule wrightii)
  • Algas marinhas
  • Folhas de mangue

Outros alimentos

  • Capim-elefante
  • Aguapé
  • Alface e couve (em reabilitação)

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Belize
  • Honduras
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Cuba
  • Jamaica
  • República Dominicana
  • Porto Rico

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Sirenia
Família
Trichechidae
Gênero
Trichechus
Espécie
Trichechus manatus

Resumo

  • O peixe-boi-marinho é um mamífero marinho herbívoro de até 4 metros que vive em águas costeiras rasas e estuários do Atlântico, do sudeste dos EUA ao nordeste do Brasil.
  • Alimenta-se quase exclusivamente de plantas aquáticas como capim-agulha, tem gestação de cerca de 13 meses e cria um filhote por vez com forte vínculo materno por até 2 anos.
  • Está classificado como Vulnerável pela IUCN e Em Perigo no Brasil, ameaçado por colisões com barcos, captura em redes, poluição e perda de habitat.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemSirenia
FamíliaTrichechidae
Origem e distribuiçãoAtlântico ocidental, do sudeste dos EUA ao nordeste do Brasil (Amapá a Alagoas)
Tamanho2,8 a 4 m (fêmeas maiores que machos)
Peso400 a 600 kg, podendo chegar a 800 kg
Corescinzacinza-acastanhadocinza-rosado no ventre
Profundidade0 a 10 m, raramente até 20 m
HabitatÁguas costeiras rasas, estuários, baías, manguezais e fozes de rios
AlimentaçãoHerbívora (capim-agulha, algas, folhas de mangue)
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação de 12 a 13 meses
Expectativa de vida50 a 60 anos na natureza
Estado de conservaçãoVulnerável (IUCN) / Em Perigo (ICMBio - Brasil)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMédio
InteligênciaAlto
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar o peixe-boi-marinho

O peixe-boi-marinho é robusto, arredondado e sem nadadeira dorsal, diferente de baleias e golfinhos. O corpo é coberto por pele grossa e enrugada, cinza a cinza-acastanhada, com pelos táteis esparsos e manchas claras no ventre.

A cauda é o melhor marcador: em forma de remo arredondado e horizontal, larga e achatada. As nadadeiras peitorais são flexíveis, em forma de remo, com 3 a 4 unhas residuais na borda. Ele as usa para levar alimento à boca e até para um “abraço” lento quando dois indivíduos se encontram.

A cabeça é pequena em relação ao corpo, com focinho truncado e lábios grandes, móveis e divididos ao meio. Cada lado do lábio se move de forma independente para agarrar e puxar plantas. As narinas ficam no topo do focinho e se fecham ao mergulhar.

Não confunda com o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis). O marinho tem unhas nas nadadeiras e pele mais enrugada, vive em água salgada e salobra e é maior. O amazônico não tem unhas, tem mancha branca no peito bem marcada e vive só em água doce.

Onde vive no Brasil e por que só em água rasa e morna

No Brasil, a distribuição atual vai do Amapá a Alagoas, com populações mais estáveis entre Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Já desapareceu de grande parte da Bahia e do Espírito Santo.

Vive sempre em águas rasas, calmas e mornas, geralmente com menos de 10 metros de profundidade. Precisa de estuários, baías protegidas, manguezais e bancos de capim-agulha (Halodule wrightii). A temperatura ideal fica acima de 20°C.

É sensível ao frio. Abaixo de 18°C entra em estresse térmico e pode morrer, por isso não migra para águas frias e busca fontes de água mais quente no inverno. Também precisa de acesso regular à água doce para beber, mesmo vivendo no mar.

Seus deslocamentos são curtos e costeiros. Ao contrário de baleias, não faz grandes migrações oceânicas. Move-se alguns quilômetros por dia entre áreas de alimentação, descanso e água doce, seguindo a maré.

O que come e como pastoreia o fundo

É estritamente herbívoro e um dos poucos mamíferos marinhos com essa dieta. Consome de 40 a 80 kg de vegetação por dia, o equivalente a cerca de 10% do seu peso.

A base da dieta no Brasil é o capim-agulha, mas também come algas marinhas, folhas de mangue-vermelho, capins flutuantes e aguapés quando entra em estuários. Em cativeiro, aceita alface, couve e capim-elefante como substitutos.

Não caça. Ele pastoreia lentamente o fundo, usando o lábio superior preênsil para arrancar plantas e os dentes para triturar. Nada de forma quase silenciosa a 3 a 5 km/h, com mergulhos curtos de 3 a 5 minutos.

Possui uma adaptação rara: troca contínua de dentes. Os molares se desgastam com a areia ingerida junto às plantas e são substituídos por dentes novos que migram da parte de trás da mandíbula, como em elefantes.

Comportamento: lento, mas muito mais complexo do que parece

Passa 6 a 8 horas comendo, 8 a 10 horas descansando e o resto se deslocando ou socializando. Apesar da fama de solitário, forma grupos temporários de 3 a 6 indivíduos e agregações maiores em áreas de alimentação ou água doce.

É extremamente tátil e vocal. A pele é coberta por pelos sensoriais que detectam vibrações mínimas na água, e os filhotes mantêm contato constante com a mãe. A comunicação é por chiados e assobios de alta frequência, inaudíveis para nós sem hidrofone, usados entre mãe e filhote.

Tem boa memória espacial e aprende rotas entre bancos de capim e fontes de água doce. Estudos de campo mostram que indivíduos reconhecem áreas seguras e evitam locais onde sofreram perturbações.

A velocidade normal é de 2 a 6 km/h, mas pode dar arranques curtos de até 25 km/h se assustado. Mesmo assim, não consegue desviar rápido de embarcações, o que explica o alto número de colisões.

Reprodução e ciclo de vida: investimento total em um único filhote

A maturidade sexual chega entre 3 e 5 anos para fêmeas e 5 a 7 para machos. Não forma casais fixos. Durante o estro, uma fêmea é seguida por um grupo de machos que competem por dias, sem agressão direta.

A gestação dura 12 a 13 meses, uma das mais longas entre mamíferos marinhos. Nasce sempre um único filhote, com cerca de 1 metro e 30 kg. Gêmeos são raríssimos.

O filhote mama por 12 a 24 meses e permanece com a mãe por até 2 anos, aprendendo onde comer, onde beber água doce e quais rotas são seguras. Esse vínculo longo explica por que a perda da mãe quase sempre condena o filhote.

O intervalo entre gestações é de 2 a 5 anos. Com baixa taxa reprodutiva, qualquer mortalidade adulta tem impacto populacional grande e a recuperação é muito lenta.

É perigoso para humanos?

Não. O peixe-boi-marinho é totalmente inofensivo. Não morde, não ataca, não tem veneno e não é predador. É curioso e pode até se aproximar de embarcações, mas o risco é inverso: o humano é a ameaça para ele.

Acidentes só ocorrem se o animal for acuado ou tocado à força, quando pode reagir com uma batida de cauda por susto. Nunca tente tocar, montar ou alimentar. Além de ser crime ambiental no Brasil, o contato estressa o animal, separa mãe e filhote e transmite bactérias.

Para mergulhadores e banhistas, a regra é observar à distância, sem perseguir. Se ele se aproximar, mantenha-se imóvel e deixe que ele se afaste sozinho.

Ameaças e conservação: por que está em perigo no Brasil

A população brasileira é estimada em menos de 1.000 indivíduos, fragmentada e em declínio. No mundo, a espécie é Vulnerável (IUCN) e no Brasil é Em Perigo (ICMBio).

As principais ameaças são colisão com embarcações motorizadas, encalhe e morte de filhotes separados da mãe, captura acidental em redes de emalhe, poluição química e por plástico, e destruição de bancos de capim-agulha por dragagem, esgoto e carcinicultura.

Historicamente foi caçado intensamente por carne, couro e óleo. A caça é proibida desde 1967, mas ainda há casos isolados. Hoje, o maior gargalo são os filhotes órfãos encalhados no Nordeste, especialmente no Ceará e Rio Grande do Norte.

A conservação depende do Projeto Peixe-Boi-Marinho do ICMBio e da Fundação Mamíferos Aquáticos, com centros de reabilitação em Itamaracá (PE) e Porto de Pedras (AL). Filhotes resgatados passam anos em reabilitação antes da soltura com monitoramento por satélite.

Onde observar com responsabilidade

A observação na natureza só deve ser feita com operadores licenciados e a distância mínima de 30 metros. No Brasil, os melhores locais são a APA da Barra do Rio Mamanguape (PB) e o litoral de Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres (AL), onde há manejo controlado.

Prefira passeios de jangada ou caiaque a motor desligado, sem ruído e sem alimentar. Nunca entre na água para tocar ou nadar com o animal. Fotos sem flash e silêncio são obrigatórios.

Se encontrar um filhote encalhado ou um adulto debilitado, não tente devolver ao mar sozinho. Isole a área, não toque, mantenha o animal úmido e sombreado e acione imediatamente o ICMBio (Centro Mamíferos Aquáticos) ou o órgão ambiental estadual.

Diferenças que ajudam na identificação rápida

Característica Peixe-boi-marinho Peixe-boi-da-amazônia
Habitat Mar e estuário, água salgada/salobra Rios e lagos de água doce
Unhas na nadadeira Presentes (3 a 4) Ausentes
Tamanho adulto 3 a 4 m, até 600 kg 2,5 a 3 m, até 450 kg
Mancha no peito Ausente ou difusa Branca bem definida
Distribuição no Brasil Litoral do Amapá a Alagoas Bacia Amazônica

Perguntas frequentes

Peixe-boi-marinho é peixe ou mamífero?

É mamífero. Respira com pulmões, amamenta o filhote e tem pelos táteis pelo corpo, apesar de viver o tempo todo na água.

Qual a diferença entre peixe-boi-marinho e peixe-boi-da-amazônia?

O marinho vive no litoral e estuários, tem unhas nas nadadeiras e é maior; o amazônico vive só em água doce, não tem unhas e tem mancha branca no peito.

O peixe-boi-marinho morde ou ataca humanos?

Não. É dócil e inofensivo, sem dentes frontais para morder e sem comportamento agressivo. O perigo é o humano machucá-lo com barco ou rede.

Quanto tempo o peixe-boi-marinho fica sem respirar?

Em repouso sobe a cada 3 a 4 minutos, mas pode ficar submerso por até 15 minutos. Normalmente expõe só as narinas por poucos segundos.

O que o peixe-boi-marinho come?

Quase só plantas aquáticas, principalmente capim-agulha, além de algas e folhas de mangue. Um adulto come 40 a 80 kg por dia.

Onde ver peixe-boi-marinho no Brasil?

De forma responsável na Paraíba (Barra de Mamanguape) e em Alagoas (Porto de Pedras), com passeios licenciados que mantêm distância e não permitem tocar no animal.

Por que o peixe-boi-marinho está ameaçado de extinção?

População pequena e fragmentada, baixa reprodução, colisões com barcos, redes de pesca, poluição e perda de bancos de capim-agulha e manguezais.

Você sabia?

1

Parente do elefante

Apesar da aparência de foca gigante, seu parente vivo mais próximo é o elefante. Ambos têm pele grossa, unhas nas nadadeiras, lábio superior preênsil e troca contínua de molares ao longo da vida.

2

Respira sem sair totalmente da água

Ele só expõe as narinas na superfície por 2 a 3 segundos para respirar. Em repouso, sobe a cada 3 a 4 minutos, mas pode ficar submerso por até 15 minutos quando está em sono profundo.

3

Controle de flutuação com gases

Regula a flutuação não só com os pulmões, mas comprimindo e liberando gases intestinais. Por isso solta bolhas com frequência e consegue ficar suspenso na água sem esforço.

4

Marca natural na cauda

Cada indivíduo tem um padrão único de cicatrizes e marcas na cauda, deixado por hélices, redes e interações. Pesquisadores usam foto-identificação da cauda para monitorar quem é quem sem capturar o animal.

Fontes

  1. IUCN Red List - Trichechus manatus
  2. ICMBio - Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos
  3. NOAA Fisheries - West Indian Manatee
  4. Fundação Mamíferos Aquáticos

Prós e contras: Peixe-boi-marinho

Prós

  • Totalmente inofensivo e dócil para observação responsável
  • Herbívoro que mantém bancos de capim-agulha saudáveis e o equilíbrio estuarino
  • Fácil de identificar pela cauda em forma de remo e ausência de nadadeira dorsal
  • Espécie-bandeira que ajuda a proteger manguezais e águas costeiras
  • Alta longevidade e forte vínculo mãe-filhote, com comportamento fascinante

Contras

  • Extremamente vulnerável a hélices de barco e redes de pesca
  • Baixíssima taxa reprodutiva, recuperação populacional muito lenta
  • Dependente de águas mornas e rasas, sofre com frio e degradação do habitat
  • Filhotes órfãos dependem de anos de reabilitação antes da soltura
  • População brasileira pequena e fragmentada, com risco local de extinção
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-boi-marinho é o melhor símbolo da conservação costeira no Brasil: protegê-lo obriga a proteger capim-agulha, manguezal e água limpa ao mesmo tempo. É também a prova de que reabilitação séria funciona, mas só quando o turismo é feito com regra e fiscalização, não no toque.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.