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Lagostim

Nephrops norvegicus (lagostim-europeu) | Metanephrops rubellus (lagostim-brasileiro)

Atualizado em

18 a 25 cmTamanho
200 a 600 gPeso
10 a 15 anosExpectativa de vida
Fundo lodoso 20-800 mHabitat
InofensivoPerigo para humanos
Lagostim europeu de corpo inteiro sobre fundo lodoso

O lagostim é um crustáceo decápode marinho parente próximo da lagosta, mas com corpo mais esguio, garras longas e finas e coloração que varia do laranja-pálido ao rosado. Vive enterrado em tocas no fundo lodoso e é um dos frutos do mar mais valorizados da Europa, conhecido como langoustine ou scampi.

No Brasil, o nome lagostim também se aplica a espécies do gênero Metanephrops, encontradas no Atlântico Sul em profundidades maiores. Apesar da semelhança com a lagosta, o lagostim tem hábitos, tamanho e habitat bem distintos e não deve ser confundido com lagosta, camarão ou lagostim de água doce.

Também conhecido como: Lagostim-europeu, Langoustine, Scampi, Langostino, Nephrops

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Crustáceos Marinhos

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Galeria de fotos de Lagostim

Lagostim europeu de corpo inteiro sobre fundo lodoso
Lagostim com corpo alongado e garras finas característico de fundos lodosos profundos.
Close da cabeça e olhos do lagostim
Detalhe do rostro espinhoso e dos olhos adaptados à baixa luminosidade.
Detalhe da garra fina do lagostim
Garra longa e estriada, diferente da garra robusta da lagosta.
Lagostim na entrada de sua toca em fundo lodoso
Toca em forma de U escavada na lama, onde passa a maior parte do dia.
Fêmea de lagostim ovada com ovos sob a cauda
Fêmea incubando milhares de ovos presos sob a cauda por meses.
Lagostim juvenil em fundo lodoso
Juvenil ainda translúcido após fase larval planctônica.

Perfil rápido de Lagostim

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global estável, mas com sobrepesca localizada por arrasto de fundo.

População
Estável
Protegido por
Não em nível global; manejo por cotas, tamanho mínimo e restrição a fêmeas ovadas na UE e Reino Unido

Calendário

Reprodução e incubaçãoJFMAMJJASOND
Eclosão das larvasJFMAMJJASOND
Pesca (maior captura na Europa)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Sem veneno ou toxina. Garras podem beliscar se manuseado vivo. Risco alimentar apenas por alergia a crustáceos.

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro
Raramente mantido, não recomendado para aquário doméstico

Reprodução

Acasalamento
Após muda da fêmea, com transferência de espermatóforo
Estrutura social
Solitário e territorial, par temporário apenas na cópula
Padrão sazonal
Desova anual, com pico no verão europeu e incubação no outono-inverno
Tipo de nascimento
Ovípara com larvas planctônicas (zoeas)
Ninhada
1.000 a 4.000 ovos por ciclo, presos sob a cauda por 6 a 9 meses

Habitat

Ambientes

  • Fundos lodosos e areno-lodosos
  • Tocas escavadas entre 20 e 800 m
  • Plataforma continental e talude superior

Biomas

  • Marinho nerítico
  • Marinho batial

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes mortos
  • Poliquetas
  • Pequenos crustáceos e moluscos

Outros alimentos

  • Detritos orgânicos
  • Carcaças
  • Matéria orgânica do sedimento

Encontrado em 10 países

  • Noruega
  • Reino Unido
  • Irlanda
  • França
  • Espanha
  • Portugal
  • Itália
  • Islândia
  • Marrocos
  • Brasil

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Malacostraca
Ordem
Decapoda
Família
Nephropidae
Gênero
Nephrops / Metanephrops
Espécie
Nephrops norvegicus; Metanephrops rubellus (Brasil)

Resumo

  • O lagostim é um crustáceo decápode que vive em tocas no fundo lodoso entre 20 e 800 metros de profundidade, com atividade principalmente noturna.
  • Distingue-se da lagosta pelas garras finas e alongadas, corpo menor de 18 a 25 cm e cauda em leque marcada, sendo muito apreciado na gastronomia como langoustine.
  • Fêmeas carregam os ovos presos sob a cauda por até 9 meses sem sair da toca e a espécie é classificada como Pouco Preocupante, mas sofre pressão de pesca de arrasto.

Características

Ficha da espécie

GrupoCrustáceo
OrdemDecapoda
FamíliaNephropidae
Origem e distribuiçãoAtlântico Nordeste e Mediterrâneo (N. norvegicus); Atlântico Sudoeste incluindo Brasil (Metanephrops spp.)
Tamanho18 a 25 cm (máximo 30 cm)
Peso200 a 600 g
Coreslaranja-pálidorosa-alaranjadomarrom-clarocreme
Profundidade20 a 800 m (mais comum 80 a 400 m)
HabitatFundos lodosos e areno-lodosos com tocas
AlimentaçãoCarnívoro detritívoro e necrófago
ReproduçãoOvípara, ovos incubados sob a cauda por 6 a 9 meses
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMédio
VelocidadeBaixo
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar o lagostim e não confundir com lagosta

O lagostim lembra uma lagosta em miniatura, mas a identificação é simples quando você observa garras, corpo e cauda. Ele tem cefalotórax alongado, rostro pontiagudo com espinhos e dois pares de garras bem diferentes dos outros crustáceos.

O primeiro par de pereiópodes forma garras longas, finas e com faixas claras e escuras, desiguais entre si: uma mais robusta para esmagar e outra mais delicada para cortar. A carapaça é lisa, de cor laranja-pálida a rosa-alaranjada quando vivo, com olhos pretos bem desenvolvidos e antenas longas.

A cauda em leque é musculosa e marcada por sulcos transversais, usada para o nado rápido de fuga para trás. Adultos medem 18 a 25 cm, raramente chegando a 30 cm, bem menor que a maioria das lagostas.

Característica Lagostim Lagosta Camarão grande
Tamanho adulto 18 a 25 cm 30 a 60 cm 15 a 30 cm
Garras Longas, finas e estriadas Grossas e poderosas Ausentes ou muito pequenas
Habitat Toca em lama profunda Fenda rochosa recifal Fundo arenoso/lodoso sem toca fixa
Cor vivo Laranja-rosado pálido Marrom-avermelhado escuro Cinza-translúcido

Erro comum é chamar de lagostim o lagostim de água doce (crayfish), que vive em rios e tem biologia totalmente diferente. O verdadeiro lagostim marinho nunca vive em água doce.

Onde vive: oceanos, profundidade e tipo de fundo

O lagostim-europeu Nephrops norvegicus ocorre no Atlântico Nordeste, do Ártico da Islândia e Noruega até Marrocos, e em todo o Mediterrâneo. Já no Brasil, as espécies nativas são Metanephrops rubellus e Metanephrops binghami, do Amapá ao Rio Grande do Sul.

Ele é um especialista em fundos lodosos e areno-lodosos entre 20 e 800 metros, com maior densidade entre 80 e 400 metros. Não vive em recife de coral nem em costão rochoso como a lagosta.

Cada indivíduo escava uma toca em forma de U ou T, com 2 a 3 entradas e túneis de 20 a 80 cm de comprimento. A toca é sua casa, abrigo e berçário, e ele passa grande parte do dia dentro dela.

A distribuição é extremamente ligada ao tipo de sedimento. Onde a lama é fina e estável, as populações são densas; onde o fundo é arenoso ou rochoso, ele simplesmente não ocorre, mesmo que a profundidade seja ideal.

O que come e como caça no fundo do mar

O lagostim é carnívoro detritívoro, necrófago e predador oportunista. Sua dieta reflete o que cai no fundo lodoso, não uma caça ativa em mar aberto.

  • Principal: pequenos peixes mortos, poliquetas, crustáceos, moluscos e equinodermos.
  • Secundário: detritos orgânicos, carcaças de animais maiores e ocasionalmente suspensão de partículas.
  • Complemento: foraminíferos e matéria orgânica depositada na lama.

Ele é predominantemente noturno. Ao entardecer, sai da toca para forragear com as antenas e os pereiópodes, usando as garras finas para manipular o alimento com precisão. Durante o dia, fica na entrada da toca, filtrando sinais químicos da água.

Um detalhe pouco conhecido: o lagostim pode se alimentar do próprio sedimento, extraindo microrganismos e matéria orgânica, comportamento que o torna importante reciclador do fundo marinho.

Reprodução e ciclo de vida: 9 meses carregando ovos

A reprodução é sexuada e com acasalamento logo após a muda da fêmea, quando sua carapaça ainda está mole. O macho deposita o espermatóforo e a fêmea armazena até a desova.

A desova ocorre meses depois e os ovos verde-escuros ficam presos aos pleópodes sob a cauda. A fêmea carrega 1.000 a 4.000 ovos por ciclo, dependendo do tamanho, e permanece 6 a 9 meses dentro da toca ventilando e limpando os ovos, quase sem se alimentar.

As larvas eclodem como zoeas planctônicas que vivem semanas na coluna d’água antes de assentar no fundo e assumir a forma bentônica. A mortalidade nessa fase é altíssima, o que explica o número grande de ovos.

O crescimento é por mudas sucessivas. Atinge a maturidade sexual com 2 a 3 anos e cerca de 10 a 12 cm. Pode viver 10 a 15 anos, com mudas cada vez mais espaçadas na fase adulta.

Comportamento: territorial, solitário e arquiteto de tocas

O lagostim é solitário e territorial. Cada toca pertence a um indivíduo ou, temporariamente, a um casal em reprodução. Disputas por tocas envolvem exibição de garras e empurrões, raramente com danos reais.

Dentro da toca, ele mantém o túnel limpo e estabiliza as paredes com muco. O sistema de galerias tem câmaras de ventilação e a corrente criada pelos pleópodes renova a água e o oxigênio, essencial em fundos lodosos pobres em circulação.

É um animal de baixa mobilidade. Estudos de marcação mostram deslocamentos de apenas algumas centenas de metros ao longo de meses. Não faz migrações longas como camarões ou lagostas espinhosas.

Se ameaçado fora da toca, dá um salto brusco para trás contraindo a cauda, levantando nuvem de lama para se esconder. Essa fuga é rápida, mas consome muita energia e ele logo busca nova toca.

É perigoso para humanos? Risco real e manuseio

Não. O lagostim é inofensivo para humanos. Não possui veneno, toxinas ou ferrão, e não ataca banhistas ou mergulhadores.

As garras podem beliscar se o animal for manuseado vivo, causando um beliscão dolorido, mas sem risco médico. O perigo está apenas no manuseio descuidado na pesca.

Para consumo, o risco é o mesmo de qualquer crustáceo: alergia a frutos do mar e deterioração se mal conservado. Deve ser mantido refrigerado e bem cozido. Não há registro de envenenamento por toxina própria do lagostim.

Ameaças, pesca e estado de conservação

Globalmente, Nephrops norvegicus é avaliado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com populações estáveis em grande parte da área, mas com estoques locais sobrepescados. No Brasil, dados de Metanephrops são mais escassos e a pesca é menos intensa.

A principal ameaça é a pesca de arrasto de fundo. Redes arrastam a lama, destroem tocas, capturam fêmeas ovadas e geram alto descarte. O arrasto também revolve sedimento e afeta toda a comunidade bentônica.

  • Sobrepesca localizada: em áreas do Mar do Norte e Adriático, a captura excedeu a reposição em alguns anos.
  • Captura de imaturos: indivíduos abaixo do tamanho mínimo ainda são retidos em malhas pequenas.
  • Poluição e hipoxia: fundos lodosos acumulam contaminantes e sofrem com zonas de baixo oxigênio.

Medidas de manejo incluem tamanho mínimo de captura, proibição de captura de fêmeas ovadas, cotas, malhas seletivas e áreas de exclusão de arrasto. A pesca com covos (armadilhas) é considerada muito mais seletiva e menos destrutiva que o arrasto.

Onde observar com responsabilidade e consumo consciente

Ver lagostim na natureza exige mergulho técnico profundo ou imagens de ROV, pois vive abaixo de 20 metros em fundos lodosos sem visibilidade turística. Não é espécie de snorkel em recife.

Para quem consome, a escolha consciente faz diferença. Prefira lagostim capturado com covos ou com selo de pesca sustentável e respeite o período de defeso quando houver. No Brasil, informe-se sobre a legislação estadual para crustáceos de profundidade.

Se encontrar lagostim vivo em mercado ou pesca amadora, nunca devolva ao mar sem orientação se for espécie não nativa, e nunca mantenha como animal de estimação em aquário doméstico: exige água fria, fundo lodoso profundo e tocas, condições impossíveis de replicar em casa.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre o lagostim

O lagostim tem olhos extremamente sensíveis à luz azul-esverdeada que penetra em profundidade, mas é quase cego à luz vermelha. Por isso, pescadores usam luzes específicas para atraí-lo sem espantá-lo.

Fêmeas ovadas podem ficar até 10 meses sem sair da toca, ventilando os ovos com os pleópodes e limpando cada ovo com as pequenas garras para evitar fungos. Nesse período, perdem peso e ficam vulneráveis se a toca for destruída.

Apesar do nome scampi, muitos pratos vendidos como scampi na Europa não são lagostim verdadeiro, mas camarões ou lagostins de água doce empanados. O autêntico scampi é sempre Nephrops norvegicus.

Perguntas frequentes

Lagostim é o mesmo que lagosta?

Não. O lagostim é menor (18 a 25 cm), tem garras longas e finas e vive em tocas na lama profunda, enquanto a lagosta é maior, tem garras grossas e vive em fendas rochosas.

Lagostim tem veneno ou é perigoso?

Não tem veneno e é inofensivo. Pode apenas beliscar com as garras se manuseado vivo.

Onde vive o lagostim no Brasil?

Espécies do gênero Metanephrops vivem no Atlântico Sudoeste, do Amapá ao Rio Grande do Sul, em fundos lodosos entre 80 e 400 m de profundidade.

O que o lagostim come?

É carnívoro detritívoro: come peixes mortos, poliquetas, pequenos crustáceos, moluscos e matéria orgânica do sedimento.

Quanto tempo a fêmea carrega os ovos?

De 6 a 9 meses, com os ovos presos sob a cauda dentro da toca, ventilando e limpando até a eclosão.

Pode criar lagostim marinho em aquário?

Não é recomendado. Exige água fria, fundo lodoso profundo e tocas, além de manejo técnico que aquários domésticos não oferecem.

Qual a diferença para o lagostim de água doce?

O de água doce (crayfish) vive em rios e lagos, tem corpo mais robusto e biologia de água doce. O marinho vive só no mar, em profundidade.

Você sabia?

1

Arquiteto de lama

Cada lagostim escava tocas com 2 a 3 entradas e até 80 cm de túneis, que funcionam como sistema de ventilação. Ele cria corrente d'água batendo os pleópodes para oxigenar a toca em fundos sem corrente.

2

Mãe que jejua por meses

Fêmeas ovadas ficam de 6 a 9 meses escondidas na toca incubando de 1.000 a 4.000 ovos verde-escuros sob a cauda, limpando um a um para evitar fungos e quase sem se alimentar.

3

Olhos para o crepúsculo profundo

Seus olhos são adaptados à luz azul-esverdeada de profundidade e são quase cegos ao vermelho. Por isso saem para forragear ao entardecer, quando a luz no fundo lodoso é mínima.

4

Scampi nem sempre é lagostim

O famoso prato scampi só é autêntico quando feito com Nephrops norvegicus. Em muitos países, o nome é usado comercialmente para camarões grandes empanados que não são lagostim.

Fontes

  1. IUCN Red List - Nephrops norvegicus
  2. WoRMS - World Register of Marine Species
  3. NOAA Fisheries
  4. SeaLifeBase / FishBase

Prós e contras: Lagostim

Prós

  • Carne muito apreciada e de alto valor gastronômico
  • Importante reciclador do fundo lodoso
  • Indicador de saúde de fundos lodosos profundos
  • Pesca com covos é seletiva e sustentável
  • Ciclo de vida bem estudado, facilitando manejo

Contras

  • Muito vulnerável à pesca de arrasto que destrói tocas
  • Fêmeas ovadas ficam meses presas à toca e são facilmente capturadas
  • Baixa mobilidade dificulta recolonização de áreas degradadas
  • Confusão comercial com camarões vendidos como scampi
  • Exigente quanto ao tipo de sedimento, não se adapta a outros fundos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o lagostim é o crustáceo mais subestimado do Atlântico: confunde-se com lagosta, mas sua biologia de engenheiro de tocas em lama profunda o torna ecologicamente único. Valorizar a pesca com covos em vez do arrasto é a única forma de manter o scampi no prato sem destruir seu habitat.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.