Resumo
- O percevejo-do-milho mais comum no Brasil é o Leptoglossus zonatus, de 19 a 21 mm, com perna traseira em forma de folha e faixa amarela em zigue-zague.
- Suga grãos de milho na fase leitosa e pastosa, além de tomate, romã e outras frutas, causando grãos chochos, manchas e porta de entrada para fungos.
- Tem metamorfose incompleta, libera odor forte como defesa e pode ser manejado com monitoramento, inimigos naturais e eliminação de restos culturais.
Características
Ficha do inseto
| Ordem | Hemiptera |
|---|---|
| Família | Coreidae (L. zonatus) / Pentatomidae (Dichelops spp.) |
| Origem e distribuição | Américas, do sul dos EUA ao sul da América do Sul; muito comum no Brasil |
| Tamanho | Leptoglossus zonatus: 19 a 21 mm; Dichelops spp.: 10 a 12 mm |
| Cores | marrom-escuroamarelolaranjaverde (ventre em Dichelops) |
| Asas e voo | Dois pares de asas, voo ativo e barulhento, bom dispersor |
| Alimentação | Fitófago sugador: grãos de milho, soja, tomate, romã, citros |
| Metamorfose | Incompleta (ovo > ninfa > adulto) |
| Expectativa de vida | Adulto vive 30 a 60 dias |
| Habitat | Lavouras, bordas de mata, pomares e jardins |
| Comportamento social | Solitário a gregário, agrupa-se em espigas maduras |
| Principais predadores | Vespas parasitoides, percevejos predadores, aranhas e pássaros |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Muito baixo |
|---|---|
| Importância para o ecossistema | Baixo |
| Presença em casas | Baixo |
| Benefício para a agricultura | Muito baixo |
| Dano às plantas | Alto |
| Vida em grupo | Médio |
Como identificar o percevejo-do-milho sem confundir
O Leptoglossus zonatus é o percevejo-do-milho mais fotografado e reconhecível. O adulto tem corpo alongado marrom-escuro, cabeça pequena e pernas traseiras com dilatação em forma de folha, característica da família Coreidae.
O detalhe que confirma a espécie é a faixa transversal amarelo-alaranjada em zigue-zague no meio das asas anteriores. Ninfas são diferentes: alaranjadas a avermelhadas, com pernas ainda sem a expansão foliácea.
Não confunda com o percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus e D. furcatus), também chamado de percevejo-do-milho no plantio direto. Ele é menor, com 10 a 12 mm, escudo marrom por cima e ventre verde, e ataca plântulas de milho, não a espiga. Já o percevejo-marrom Euschistus heros é mais arredondado e sem a perna em folha.
| Característica | Leptoglossus zonatus | Dichelops spp. |
|---|---|---|
| Tamanho adulto | 19 a 21 mm | 10 a 12 mm |
| Marca principal | Faixa amarela em zigue-zague e perna traseira foliácea | Ventre verde, sem perna foliácea |
| Fase que ataca | Espiga com grãos leitosos/pastosos | Plântula, logo após a emergência |
| Dano típico | Grãos chochos e manchados | Morte do ponto de crescimento e perfilhamento |
Onde vive e por que aparece tanto no milho
É nativo das Américas e ocorre do sul dos Estados Unidos até a Argentina e o sul do Brasil. Por aqui está presente em todos os estados produtores de milho, com maior pressão no Cerrado e no Sul.
Vive em lavouras de milho, milheto e sorgo, mas também em bordas de mata, capoeiras e pomares. Fora da safra, se abriga em plantas hospedeiras alternativas como picão, trapoeraba, romãzeira, tomateiro e citros.
Aparece mais quando há milho em estádio reprodutivo e restos culturais deixados no campo. A palhada do plantio direto favorece Dichelops, enquanto espigas expostas e maduras atraem Leptoglossus que voa de longe pelo cheiro.
O que ele come além do milho
É um sugador de sementes e frutos. No milho, introduz o aparelho bucal em forma de agulha nos grãos ainda leitosos e injeta saliva que dissolve o conteúdo para sugar.
Fora do milho, ataca tomate, romã, maracujá, citros, soja, feijão e pinhão-manso. Em pomares domésticos, é comum vê-lo sugando tomates maduros, deixando manchas amareladas e áreas murchas que apodrecem fácil.
Essa alimentação não é só mecânica. A picada abre porta para fungos como Fusarium, que causam grãos ardidos e frutos com podridão. Por isso o dano vai além do grão chocho.
Ciclo de vida e reprodução: da postura ao adulto
Tem metamorfose incompleta. A fêmea põe ovos em fileiras ao longo de folhas ou na palha da espiga, de cor marrom-bronzeada e com aspecto metálico. Uma postura tem em média 15 a 20 ovos.
Em 7 a 10 dias nascem as ninfas, que passam por cinco estágios em cerca de 25 a 35 dias. As ninfas iniciais ficam agrupadas e são alaranjadas; as maiores já se dispersam e escurecem.
De ovo a adulto o ciclo leva 35 a 45 dias no verão, mais longo no frio. O adulto vive de 30 a 60 dias e pode ter 3 a 4 gerações por ano em regiões quentes com milho safrinha. Dichelops tem ciclo parecido, mas um pouco mais rápido.
Comportamento, voo e defesa com cheiro forte
É diurno, bom voador e faz voo barulhento e desajeitado quando espantado. Costuma ficar parado na espiga ou no fruto durante horas sugando, o que facilita a observação.
Quando manipulado, libera um odor forte e picante, lembrando coentro ou erva rançosa, produzido por glândulas no tórax. Esse cheiro afasta predadores e é a principal defesa, junto com a coloração que o camufla na palha seca.
Tem hábito solitário a gregário. É comum encontrar 2 a 8 indivíduos na mesma espiga madura, mas sem formar colônias organizadas como abelhas ou formigas. Ninfas jovens, sim, ficam mais agregadas.
Pica pessoas? Riscos para humanos e pets
Não é percevejo de cama e não transmite doença. O percevejo-do-milho é fitófago e não procura sangue. A picada em pessoas só ocorre por defesa, se for apertado contra a pele.
Nesse caso, a picada pode doer como uma ferroada, com vermelhidão e inchaço local por 1 a 2 dias. Não tem veneno de importância médica, mas pessoas alérgicas podem ter reação mais forte.
Para cachorro e gato, o risco é baixo. Se o pet morder o inseto, o gosto ruim e o cheiro costumam fazer ele cuspir na hora. Ingestão acidental pode causar salivação e vômito passageiro. Em caso de picada dolorosa, inchaço persistente ou reação alérgica, procure atendimento médico ou veterinário.
É praga mesmo? Danos na lavoura e no jardim
Na agricultura, é praga secundária do milho espiga, mas pode ser primária em milho doce, milho pipoca e em pequenas áreas. O dano econômico aparece quando suga grãos leitosos e pastosos, que ficam chochos, leves e com mancha escura no ponto de punção.
Em Dichelops, o dano é mais grave no início: a picada na plântula causa murchamento do cartucho, furos alinhados nas folhas e até morte da planta, obrigando replantio. Por isso o monitoramento na emergência é crítico no plantio direto.
Em casa, o prejuízo é estético e de qualidade: tomates manchados, romãs com gomos secos e milho com falhas. Raramente mata a planta adulta, mas reduz produção e valor comercial.
Como fazer o manejo e quando controlar
O controle começa no monitoramento. Em lavoura, vistorie espigas em formação, principalmente nas bordas. Em milho grão, o nível de ação costuma ser discutido quando há mais de 1 percevejo por espiga na fase leitosa, mas varie por região e consulte um agrônomo.
Medidas culturais ajudam muito: eliminar restos de cultura, fazer rotação com espécies não hospedeiras, colher no ponto certo e não deixar espigas passadas no campo. Essas práticas quebram o ciclo e reduzem abrigo na entressafra.
Preserve inimigos naturais como vespas parasitoides de ovos (Trissolcus e Gryon), percevejos predadores e aranhas. Evite inseticida de amplo espectro sem necessidade. Se precisar intervir, prefira manejo integrado com orientação técnica e aplicação localizada, nunca pulverização preventiva por calendário.
Em horta doméstica, a catação manual com luva e o uso de barreiras físicas como telas em tomates resolvem a maioria dos casos. Jogue os insetos coletados em água com sabão, não esmague na mão por causa do odor.
Curiosidades que pouca gente sabe
Apesar da fama de praga, o Leptoglossus zonatus tem parentes próximos que são predadores de lagartas, o que causa confusão na identificação. Olhar a perna traseira foliácea evita eliminar um aliado por engano.
Ele é atraído por luz à noite e pode entrar em casas no interior durante a safra, pousando em paredes e cortinas. Não se reproduz dentro de casa e sai sozinho se a janela ficar aberta.
O nome zonatus vem do latim e significa zonado ou com faixas, referência direta à faixa amarela que corta as asas. É essa faixa que o distingue de outras 60 espécies do gênero nas Américas.
Perguntas frequentes
Percevejo-do-milho pica gente?
Só se for apertado contra a pele. A picada defensiva dói e pode inchar por 1 a 2 dias, mas não tem veneno perigoso nem transmite doença.
Qual a diferença entre Leptoglossus zonatus e percevejo-barriga-verde?
Leptoglossus tem 19 a 21 mm, perna traseira em forma de folha e faixa amarela em zigue-zague, ataca a espiga. Dichelops tem 10 a 12 mm, ventre verde e ataca a plântula de milho.
Como acabar com percevejo-do-milho na horta caseira?
Faça catação manual com luvas, elimine espigas velhas e use tela em tomates. Evite inseticida sem necessidade para não matar inimigos naturais.
Percevejo-do-milho é perigoso para cachorro e gato?
Risco baixo. O cheiro forte faz o pet cuspir. Se houver ingestão, pode haver salivação e vômito leve. Procure veterinário se os sintomas persistirem.
Quando o percevejo-do-milho mais aparece?
No Brasil, de outubro a março na safra e de fevereiro a maio na safrinha, quando o milho está com grãos leitosos e pastosos.
Ele entra dentro de casa?
Pode entrar atraído por luz à noite na época da safra, mas não se reproduz dentro de casa e não é como percevejo de cama.
Você sabia?
Perna em forma de folha
A dilatação da tíbia traseira não serve para nadar, mas ajuda na camuflagem e em disputas entre machos, que se empurram com as pernas.
Ovo com brilho metálico
Os ovos de Leptoglossus zonatus têm coloração bronzeada e brilho dourado, postos em fileira perfeita como se fossem contas coladas na folha.
Chega a voar quilômetros
Adultos podem se deslocar por vários quilômetros atrás de milho em fase leitosa, por isso reaparecem rápido mesmo após controle local.
Confundido com barbeiro
Muita gente confunde com o barbeiro transmissor de Chagas, mas o percevejo-do-milho tem perna foliácea e faixa amarela, ausentes no barbeiro.










