🐛 Insetos

Percevejo-do-milho

Leptoglossus zonatus

Atualizado em

19 a 21 mm (adulto)Tamanho
Sugador de grãos e frutosAlimentação
35 a 45 dias de ovo a adultoCiclo de vida
Lavouras de milho e pomaresHabitat
Baixo, sem venenoPerigo para humanos
Percevejo-do-milho Leptoglossus zonatus adulto sobre espiga de milho

O percevejo-do-milho é o nome popular mais usado para o Leptoglossus zonatus, um percevejo da família Coreidae muito comum em lavouras de milho no Brasil. Ele também é chamado de percevejo-barriga-verde quando se refere às espécies Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus, que atacam milho na fase inicial.

De corpo alongado e pernas traseiras em forma de folha, o Leptoglossus zonatus mede entre 19 e 21 mm e se destaca pela faixa amarelada em zigue-zague nas asas. Ele suga grãos ainda leitosos e pode causar perdas se aparecer em grande número, mas não oferece risco grave para pessoas.

Fácil de reconhecer pelo cheiro forte que libera quando perturbado, vive em áreas agrícolas, bordas de mata e quintais com frutíferas. Entender seu ciclo e seus inimigos naturais é a chave para controlar sem uso excessivo de inseticida.

Também conhecido como: Percevejo-do-milho, Percevejo-da-espiga, Percevejo-barriga-verde (para Dichelops spp.), Percevejo-do-tomate, Leaf-footed bug (inglês), Chinche patas de hoja (espanhol)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

Explore a wiki

Galeria de fotos de Percevejo-do-milho

Percevejo-do-milho Leptoglossus zonatus adulto sobre espiga de milho
Adulto de Leptoglossus zonatus, o percevejo-do-milho mais comum no Brasil.
Close extremo da cabeça do percevejo-do-milho mostrando olhos e antenas
Detalhe da cabeça, olhos compostos e antenas longas.
Percevejo-do-milho com asas abertas em voo
Voo ativo e barulhento ajuda na dispersão entre lavouras.
Ovos do percevejo-do-milho em fileira sobre folha de milho
Ovos bronzeados postos em fileira na folha ou palha da espiga.
Ninfas alaranjadas do percevejo-do-milho agrupadas no milho
Ninfas jovens alaranjadas ficam agrupadas antes de se dispersar.
Percevejo-do-milho se alimentando em tomate maduro
Além do milho, também suga frutos como tomate e romã.

Perfil rápido de Percevejo-do-milho

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie não avaliada pela IUCN, muito abundante em áreas agrícolas.

População
Estável
Protegido por
Não

Calendário

Maior atividade na lavouraJFMAMJJASOND
Pico em milho safrinhaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa
  • PessoasBaixa

Sem veneno; picada defensiva pode causar dor e inchaço local. Odor forte pode irritar mucosas se manuseado.

Vida útil

Na natureza
30 a 60 dias como adulto; ciclo total de 35 a 45 dias no verão

Reprodução

Metamorfose
Incompleta: ovo > ninfa (5 ínstares) > adulto
Postura
15 a 20 ovos por fileira em folhas ou palha da espiga
Incubação
7 a 10 dias até eclosão
Gerações por ano
3 a 4 em regiões quentes com milho safrinha

Habitat

Ambientes

  • Lavouras de milho, sorgo e milheto
  • Bordas de mata e capoeiras
  • Pomares e hortas domésticas
  • Áreas de plantio direto com palhada

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pampa
  • Caatinga
  • Amazônia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Grãos de milho em fase leitosa e pastosa

Outros alimentos

  • Tomate
  • Romã
  • Soja
  • Citros
  • Maracujá
  • Feijão

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Estados Unidos
  • México
  • Colômbia
  • Venezuela

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hemiptera
Família
Coreidae
Gênero
Leptoglossus
Espécie
Leptoglossus zonatus (Dallas, 1852)

Resumo

  • O percevejo-do-milho mais comum no Brasil é o Leptoglossus zonatus, de 19 a 21 mm, com perna traseira em forma de folha e faixa amarela em zigue-zague.
  • Suga grãos de milho na fase leitosa e pastosa, além de tomate, romã e outras frutas, causando grãos chochos, manchas e porta de entrada para fungos.
  • Tem metamorfose incompleta, libera odor forte como defesa e pode ser manejado com monitoramento, inimigos naturais e eliminação de restos culturais.

Características

Ficha do inseto

OrdemHemiptera
FamíliaCoreidae (L. zonatus) / Pentatomidae (Dichelops spp.)
Origem e distribuiçãoAméricas, do sul dos EUA ao sul da América do Sul; muito comum no Brasil
TamanhoLeptoglossus zonatus: 19 a 21 mm; Dichelops spp.: 10 a 12 mm
Coresmarrom-escuroamarelolaranjaverde (ventre em Dichelops)
Asas e vooDois pares de asas, voo ativo e barulhento, bom dispersor
AlimentaçãoFitófago sugador: grãos de milho, soja, tomate, romã, citros
MetamorfoseIncompleta (ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vidaAdulto vive 30 a 60 dias
HabitatLavouras, bordas de mata, pomares e jardins
Comportamento socialSolitário a gregário, agrupa-se em espigas maduras
Principais predadoresVespas parasitoides, percevejos predadores, aranhas e pássaros

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasAlto
Vida em grupoMédio

Como identificar o percevejo-do-milho sem confundir

O Leptoglossus zonatus é o percevejo-do-milho mais fotografado e reconhecível. O adulto tem corpo alongado marrom-escuro, cabeça pequena e pernas traseiras com dilatação em forma de folha, característica da família Coreidae.

O detalhe que confirma a espécie é a faixa transversal amarelo-alaranjada em zigue-zague no meio das asas anteriores. Ninfas são diferentes: alaranjadas a avermelhadas, com pernas ainda sem a expansão foliácea.

Não confunda com o percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus e D. furcatus), também chamado de percevejo-do-milho no plantio direto. Ele é menor, com 10 a 12 mm, escudo marrom por cima e ventre verde, e ataca plântulas de milho, não a espiga. Já o percevejo-marrom Euschistus heros é mais arredondado e sem a perna em folha.

Característica Leptoglossus zonatus Dichelops spp.
Tamanho adulto 19 a 21 mm 10 a 12 mm
Marca principal Faixa amarela em zigue-zague e perna traseira foliácea Ventre verde, sem perna foliácea
Fase que ataca Espiga com grãos leitosos/pastosos Plântula, logo após a emergência
Dano típico Grãos chochos e manchados Morte do ponto de crescimento e perfilhamento

Onde vive e por que aparece tanto no milho

É nativo das Américas e ocorre do sul dos Estados Unidos até a Argentina e o sul do Brasil. Por aqui está presente em todos os estados produtores de milho, com maior pressão no Cerrado e no Sul.

Vive em lavouras de milho, milheto e sorgo, mas também em bordas de mata, capoeiras e pomares. Fora da safra, se abriga em plantas hospedeiras alternativas como picão, trapoeraba, romãzeira, tomateiro e citros.

Aparece mais quando há milho em estádio reprodutivo e restos culturais deixados no campo. A palhada do plantio direto favorece Dichelops, enquanto espigas expostas e maduras atraem Leptoglossus que voa de longe pelo cheiro.

O que ele come além do milho

É um sugador de sementes e frutos. No milho, introduz o aparelho bucal em forma de agulha nos grãos ainda leitosos e injeta saliva que dissolve o conteúdo para sugar.

Fora do milho, ataca tomate, romã, maracujá, citros, soja, feijão e pinhão-manso. Em pomares domésticos, é comum vê-lo sugando tomates maduros, deixando manchas amareladas e áreas murchas que apodrecem fácil.

Essa alimentação não é só mecânica. A picada abre porta para fungos como Fusarium, que causam grãos ardidos e frutos com podridão. Por isso o dano vai além do grão chocho.

Ciclo de vida e reprodução: da postura ao adulto

Tem metamorfose incompleta. A fêmea põe ovos em fileiras ao longo de folhas ou na palha da espiga, de cor marrom-bronzeada e com aspecto metálico. Uma postura tem em média 15 a 20 ovos.

Em 7 a 10 dias nascem as ninfas, que passam por cinco estágios em cerca de 25 a 35 dias. As ninfas iniciais ficam agrupadas e são alaranjadas; as maiores já se dispersam e escurecem.

De ovo a adulto o ciclo leva 35 a 45 dias no verão, mais longo no frio. O adulto vive de 30 a 60 dias e pode ter 3 a 4 gerações por ano em regiões quentes com milho safrinha. Dichelops tem ciclo parecido, mas um pouco mais rápido.

Comportamento, voo e defesa com cheiro forte

É diurno, bom voador e faz voo barulhento e desajeitado quando espantado. Costuma ficar parado na espiga ou no fruto durante horas sugando, o que facilita a observação.

Quando manipulado, libera um odor forte e picante, lembrando coentro ou erva rançosa, produzido por glândulas no tórax. Esse cheiro afasta predadores e é a principal defesa, junto com a coloração que o camufla na palha seca.

Tem hábito solitário a gregário. É comum encontrar 2 a 8 indivíduos na mesma espiga madura, mas sem formar colônias organizadas como abelhas ou formigas. Ninfas jovens, sim, ficam mais agregadas.

Pica pessoas? Riscos para humanos e pets

Não é percevejo de cama e não transmite doença. O percevejo-do-milho é fitófago e não procura sangue. A picada em pessoas só ocorre por defesa, se for apertado contra a pele.

Nesse caso, a picada pode doer como uma ferroada, com vermelhidão e inchaço local por 1 a 2 dias. Não tem veneno de importância médica, mas pessoas alérgicas podem ter reação mais forte.

Para cachorro e gato, o risco é baixo. Se o pet morder o inseto, o gosto ruim e o cheiro costumam fazer ele cuspir na hora. Ingestão acidental pode causar salivação e vômito passageiro. Em caso de picada dolorosa, inchaço persistente ou reação alérgica, procure atendimento médico ou veterinário.

É praga mesmo? Danos na lavoura e no jardim

Na agricultura, é praga secundária do milho espiga, mas pode ser primária em milho doce, milho pipoca e em pequenas áreas. O dano econômico aparece quando suga grãos leitosos e pastosos, que ficam chochos, leves e com mancha escura no ponto de punção.

Em Dichelops, o dano é mais grave no início: a picada na plântula causa murchamento do cartucho, furos alinhados nas folhas e até morte da planta, obrigando replantio. Por isso o monitoramento na emergência é crítico no plantio direto.

Em casa, o prejuízo é estético e de qualidade: tomates manchados, romãs com gomos secos e milho com falhas. Raramente mata a planta adulta, mas reduz produção e valor comercial.

Como fazer o manejo e quando controlar

O controle começa no monitoramento. Em lavoura, vistorie espigas em formação, principalmente nas bordas. Em milho grão, o nível de ação costuma ser discutido quando há mais de 1 percevejo por espiga na fase leitosa, mas varie por região e consulte um agrônomo.

Medidas culturais ajudam muito: eliminar restos de cultura, fazer rotação com espécies não hospedeiras, colher no ponto certo e não deixar espigas passadas no campo. Essas práticas quebram o ciclo e reduzem abrigo na entressafra.

Preserve inimigos naturais como vespas parasitoides de ovos (Trissolcus e Gryon), percevejos predadores e aranhas. Evite inseticida de amplo espectro sem necessidade. Se precisar intervir, prefira manejo integrado com orientação técnica e aplicação localizada, nunca pulverização preventiva por calendário.

Em horta doméstica, a catação manual com luva e o uso de barreiras físicas como telas em tomates resolvem a maioria dos casos. Jogue os insetos coletados em água com sabão, não esmague na mão por causa do odor.

Curiosidades que pouca gente sabe

Apesar da fama de praga, o Leptoglossus zonatus tem parentes próximos que são predadores de lagartas, o que causa confusão na identificação. Olhar a perna traseira foliácea evita eliminar um aliado por engano.

Ele é atraído por luz à noite e pode entrar em casas no interior durante a safra, pousando em paredes e cortinas. Não se reproduz dentro de casa e sai sozinho se a janela ficar aberta.

O nome zonatus vem do latim e significa zonado ou com faixas, referência direta à faixa amarela que corta as asas. É essa faixa que o distingue de outras 60 espécies do gênero nas Américas.

Perguntas frequentes

Percevejo-do-milho pica gente?

Só se for apertado contra a pele. A picada defensiva dói e pode inchar por 1 a 2 dias, mas não tem veneno perigoso nem transmite doença.

Qual a diferença entre Leptoglossus zonatus e percevejo-barriga-verde?

Leptoglossus tem 19 a 21 mm, perna traseira em forma de folha e faixa amarela em zigue-zague, ataca a espiga. Dichelops tem 10 a 12 mm, ventre verde e ataca a plântula de milho.

Como acabar com percevejo-do-milho na horta caseira?

Faça catação manual com luvas, elimine espigas velhas e use tela em tomates. Evite inseticida sem necessidade para não matar inimigos naturais.

Percevejo-do-milho é perigoso para cachorro e gato?

Risco baixo. O cheiro forte faz o pet cuspir. Se houver ingestão, pode haver salivação e vômito leve. Procure veterinário se os sintomas persistirem.

Quando o percevejo-do-milho mais aparece?

No Brasil, de outubro a março na safra e de fevereiro a maio na safrinha, quando o milho está com grãos leitosos e pastosos.

Ele entra dentro de casa?

Pode entrar atraído por luz à noite na época da safra, mas não se reproduz dentro de casa e não é como percevejo de cama.

Você sabia?

1

Perna em forma de folha

A dilatação da tíbia traseira não serve para nadar, mas ajuda na camuflagem e em disputas entre machos, que se empurram com as pernas.

2

Ovo com brilho metálico

Os ovos de Leptoglossus zonatus têm coloração bronzeada e brilho dourado, postos em fileira perfeita como se fossem contas coladas na folha.

3

Chega a voar quilômetros

Adultos podem se deslocar por vários quilômetros atrás de milho em fase leitosa, por isso reaparecem rápido mesmo após controle local.

4

Confundido com barbeiro

Muita gente confunde com o barbeiro transmissor de Chagas, mas o percevejo-do-milho tem perna foliácea e faixa amarela, ausentes no barbeiro.

Fontes

  1. Embrapa Milho e Sorgo
  2. GBIF - Leptoglossus zonatus
  3. ESALQ/USP - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Percevejo-do-milho

Prós

  • Fácil de identificar pela perna foliácea e faixa amarela
  • Não transmite doenças e raramente pica
  • Indica manejo cultural simples e eficaz
  • Serve de alimento para aranhas, vespas e pássaros

Contras

  • Suga grãos leitosos e deixa grãos chochos e manchados
  • Abre porta para fungos como Fusarium
  • Dichelops pode matar plântulas e exigir replantio
  • Libera odor forte e desagradável quando manuseado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o percevejo-do-milho é um ótimo exemplo de praga que não precisa de pânico nem de veneno preventivo. Com identificação correta e manejo cultural simples, o produtor e o horticultor doméstico resolvem a maioria dos casos preservando polinizadores.

Continue explorando: Insetos

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Sansão Monteiro
Revisão especializadaSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.