🐛 Insetos

Donzelinha

Subordem Zygoptera

Atualizado em

2 a 5 cm de comprimentoTamanho
Carnívora de mosquitos e moscasAlimentação
Incompleto, com ninfa aquáticaCiclo de vida
Margens de rios, lagos e brejosHabitat
Nenhum, não pica nem mordePerigo para humanos
Donzelinha azul e preta pousada em junco com asas fechadas sobre o corpo

A donzelinha é o inseto delicado da ordem Odonata, parente da libélula mas com corpo muito mais fino e voo leve. Quando pousa, mantém as asas fechadas e paralelas ao corpo, o que já a diferencia no primeiro olhar.

Predadora voraz de mosquitos e pernilongos tanto na fase aquática quanto adulta, ela só existe onde a água é limpa e com vegetação. Por isso é considerada um excelente bioindicador de qualidade ambiental e uma aliada natural no controle de pragas.

Também conhecido como: donzelinha, jacinta, damselfly (inglês), demoiselle (francês), caballito del diablo (espanhol)

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos do Brasil, Insetos Voadores

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Galeria de fotos de Donzelinha

Donzelinha azul e preta pousada em junco com asas fechadas sobre o corpo
Donzelinha com asas fechadas sobre o abdômen, marca registrada da subordem Zygoptera.
Close extremo da cabeça da donzelinha mostrando olhos separados
Olhos bem separados nas laterais da cabeça diferenciam a donzelinha da libélula.
Casal de donzelinhas acasalando em forma de coração
Roda de acasalamento em forma de coração, típica das donzelinhas.
Ninfa aquática da donzelinha com três brânquias em forma de folha na cauda
Ninfa aquática com as três brânquias externas características.
Donzelinha caçando mosquito em voo sobre lagoa
Adulto captura mosquitos em voo com as pernas em forma de cesto.
Donzelinha pousada na ponta do dedo mostrando tamanho pequeno
Tamanho delicado: a maioria mede entre 2 e 5 cm.

Perfil rápido de Donzelinha

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Maioria das espécies comuns de Zygoptera é classificada como Pouco Preocupante, mas espécies endêmicas de Mata Atlântica são vulneráveis à perda de habitat.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Maior atividade dos adultosJFMAMJJASOND
Reprodução e oviposiçãoJFMAMJJASOND
Ninfas ativas na águaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não possui ferrão, não pica, não morde e não transmite doenças. Inofensiva para pessoas, cachorros e gatos.

Vida útil

Na natureza
Ninfa de 2 meses a 2 anos na água; adulto de 2 a 8 semanas voando
Ciclo total
De 3 meses a 2,5 anos do ovo ao fim da vida adulta, conforme espécie e clima

Reprodução

Acasalamento
Tandem e roda em forma de coração; macho segura fêmea pela nuca
Ovos
20 a 600 ovos inseridos em plantas aquáticas, às vezes debaixo d'água
Ninfa
Aquática com 3 brânquias caudais externas; 9 a 15 mudas até emergir
Sazonalidade
Ano todo em regiões quentes; pico na primavera e verão

Habitat

Ambientes

  • Margens de rios e córregos de água limpa
  • Lagos, lagoas e represas com vegetação
  • Brejos, banhados e veredas
  • Tanques naturais e jardins com espelho d'água

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Amazônia
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pantanal
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Mosquitos e pernilongos
  • Moscas pequenas
  • Pulgões

Outros alimentos

  • Borrachudos
  • Mosquitos-da-dengue (Aedes)
  • Pequenos dípteros e efêmeras

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Colômbia
  • Peru
  • México
  • Estados Unidos
  • Portugal
  • Espanha

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Odonata
Subordem
Zygoptera
Família
Coenagrionidae (mais comum no Brasil)
Gênero exemplo
Ischnura
Espécie exemplo
Ischnura fluviatilis

Resumo

  • A donzelinha é da subordem Zygoptera, diferente da libélula por ter corpo fino, olhos separados e asas iguais que se fecham sobre o abdômen quando pousada.
  • Vive sempre perto de água doce limpa, tem fase de ninfa aquática com brânquias externas e adulto predador que caça mosquitos em voo.
  • Não pica, não morde, não é venenosa e é inofensiva para pessoas e pets, sendo importante para o equilíbrio do ecossistema.

Características

Ficha do inseto

OrdemOdonata
FamíliaSubordem Zygoptera (principais: Coenagrionidae, Calopterygidae, Lestidae)
Origem e distribuiçãoCosmopolita, ausente só na Antártida; muito comum em todo o Brasil
Tamanho20 a 50 mm de comprimento; envergadura de 30 a 60 mm
Coresazulverdevermelhopretoamarelocobre metálicotransparente
Asas e voo2 pares de asas iguais, estreitas e pedunculadas; voo fraco e esvoaçante
AlimentaçãoCarnívora: mosquitos, pernilongos, moscas, pulgões e outros insetos pequenos
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia: ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vidaNinfa de 2 meses a 2 anos; adulto de 2 a 8 semanas
HabitatÁgua doce parada ou de corrente lenta com vegetação marginal
Comportamento socialSolitária; machos territoriais na época reprodutiva
Principais predadoresPássaros, aranhas, libélulas maiores, peixes e anfíbios

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaAlto
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoBaixo

Donzelinha e libélula são a mesma coisa? Como identificar na hora

Não. Apesar de serem da mesma ordem Odonata, donzelinha (subordem Zygoptera) e libélula (subordem Anisoptera) são grupos diferentes e fáceis de separar em campo.

A forma mais rápida é olhar as asas em repouso. A donzelinha fecha as asas juntas sobre o abdômen, como uma borboleta. A libélula mantém as asas sempre abertas, perpendiculares ao corpo.

Outros três detalhes entregam: olhos separados nas laterais da cabeça (na libélula os olhos se tocam no topo), corpo muito mais fino e alongado, quase como um palito, e asas anteriores e posteriores iguais em forma e tamanho. Na libélula, as asas posteriores são mais largas na base.

Característica Donzelinha (Zygoptera) Libélula (Anisoptera)
Asas em repouso Fechadas sobre o abdômen Abertas na horizontal
Olhos Separados, um de cada lado Grandes e juntos no topo da cabeça
Corpo Fino, delicado, 2 a 5 cm Robusto, mais largo
Voo Fraco, esvoaçante e baixo Forte, rápido e planado

Onde vive e onde encontrar donzelinha no Brasil

A donzelinha é obrigatoriamente ligada à água doce. Ela só completa o ciclo onde há rios, lagos, lagoas, brejos, represas ou até valas com vegetação aquática.

No Brasil ocorre em todos os biomas, da Amazônia à Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa. É mais abundante em áreas com mata ciliar preservada e água limpa, porque a ninfa é sensível à poluição.

Você a encontra pousada em folhas, juncos e galhos finos bem na margem, geralmente a poucos centímetros da água. Diferente da libélula que patrulha áreas abertas, a donzelinha raramente se afasta mais de alguns metros do criadouro.

Em cidades, aparece em parques com lagos, tanques de piscicultura e jardins com espelho d’água naturalizado. Não entra em casas, não forma enxames e não é atraída por luz artificial como mariposas.

O que a donzelinha come e como ela caça

É 100% predadora em todas as fases da vida. Não come folhas, não suga sangue e não estraga plantas.

O adulto caça em voo curto e certeiro. Fica à espera pousada e dá um bote rápido para capturar mosquitos, pernilongos, borrachudos, moscas, pulgões e mosquitos-da-dengue com as pernas espinhosas que formam uma espécie de cesto. Depois volta ao mesmo poleiro para comer.

A ninfa, aquática, é ainda mais voraz. Vive submersa entre plantas e ataca com o lábio extensível chamado máscara, que se projeta em milissegundos para agarrar larvas de mosquito, girinos pequenos, dáfnias e outros invertebrados aquáticos. Uma única ninfa pode consumir dezenas de larvas de mosquito por dia.

Ciclo de vida e reprodução: o coração e a ninfa de três caudas

A donzelinha tem metamorfose incompleta (hemimetabolia). Não tem fase de pupa. O ciclo é ovo > ninfa > adulto.

A reprodução é inconfundível. O macho transfere esperma para um órgão secundário no abdômen e agarra a fêmea pela nuca com apêndices do final do abdômen, formando o tandem. Depois a fêmea curva o abdômen para frente e se conecta ao macho, desenhando o famoso coração ou roda de acasalamento.

A fêmea põe os ovos sozinha ou ainda em tandem, inserindo-os dentro de tecidos de plantas aquáticas com um ovipositor em forma de lâmina. Algumas espécies descem até debaixo d’água para ovipositar, envoltas por uma bolha de ar.

A ninfa aquática

A ninfa é alongada, com três brânquias externas em forma de folha na ponta do abdômen, que também funcionam como nadadeira. É isso que a diferencia da ninfa de libélula, que tem brânquias internas.

Essa fase dura de 2 meses a até 2 anos, dependendo da espécie e da temperatura da água. Ela troca de pele de 9 a 15 vezes. Quando está pronta, sai da água, fixa-se em um talo e emerge o adulto, deixando a exúvia vazia.

O adulto vive pouco, de 2 a 8 semanas em média. Nesse tempo precisa acasalar e garantir a próxima geração.

Como voa e se comporta

O voo da donzelinha é fraco, lento e esvoaçante, quase como se flutuasse. Ela bate as quatro asas de forma independente, o que permite manobras delicadas entre a vegetação, mas não sustenta voo longo contra vento.

É um inseto solitário e territorial. Machos defendem poleiros ensolarados perto da água e expulsam outros machos com voos de exibição. Não formam colônias nem colmeias.

Para se defender, aposta na camuflagem e na fuga curta. Algumas espécies de Calopterygidae têm asas com brilho metálico azul ou cobre que refletem luz para confundir predadores e atrair fêmeas. Quando ameaçada, simplesmente se esconde do outro lado do talo.

Donzelinha pica ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

Não pica, não morde, não tem ferrão e não é venenosa. É totalmente inofensiva para humanos, cachorros e gatos.

O aparelho bucal é mastigador e pequeno, incapaz de perfurar pele humana. Mesmo se manuseada, no máximo tenta beliscar de leve sem causar dor ou alergia. Não transmite doenças.

Para pets, a ingestão acidental não oferece risco de intoxicação. O único cuidado é não confundir com insetos que realmente picam, como mutucas ou vespas. Se um cachorro ou gato brincar com uma donzelinha, ela apenas vai embora.

Em caso de contato ocular ou alergia respiratória rara a fragmentos de inseto, lave com água e procure atendimento médico, mas isso é excepcional.

Qual o papel no ecossistema: por que ela é uma aliada

A donzelinha tem importância ecológica dupla: controla pragas e indica qualidade ambiental.

Como predadora de mosquitos vetores como Aedes aegypti e Culex, tanto na água (ninfas comem larvas) quanto no ar (adultos caçam mosquitos adultos), ajuda a reduzir populações sem uso de inseticida. Na agricultura, consome pulgões e moscas que atacam hortas.

Por ser sensível a poluição, agrotóxicos e desmatamento de mata ciliar, sua presença sinaliza água limpa e ecossistema equilibrado. O desaparecimento de donzelinhas de um córrego é um alerta precoce de degradação, antes mesmo de análises químicas.

Além disso, serve de alimento para pássaros, morcegos e peixes, integrando a cadeia alimentar de áreas úmidas. Preservar a vegetação marginal é a melhor forma de mantê-la por perto.

Como conviver e atrair donzelinhas sem precisar controlar

Donzelinha nunca é praga e não precisa de controle. Pelo contrário, vale atrair.

Se você tem lago, tanque ou espelho d’água, mantenha plantas aquáticas nativas, juncos e capins na borda e evite inseticidas. Deixe troncos e folhas como poleiros. A água deve ter movimento suave e ser limpa, sem peixes predadores em excesso que comam as ninfas.

Não use larvicidas químicos onde há ninfas. Prefira manejo integrado: a própria donzelinha já faz o controle biológico. Se precisar reduzir mosquitos, elimine água parada artificial (pneus, vasos) que não serve para donzelinha, mas serve para Aedes.

Para fotografar ou observar, aproxime-se devagar pela lateral, sem sombra brusca. Ela costuma voltar ao mesmo poleiro em segundos, o que facilita o registro.

Curiosidades que quase ninguém conta sobre a donzelinha

O macho de algumas espécies remove o esperma de rivais do trato da fêmea com estruturas especiais do pênis antes de depositar o seu. É uma competição espermática direta e rara entre insetos.

As três lamelas caudais da ninfa não são só brânquias: se um peixe morde, ela pode autotomizar (soltar) uma lamela e fugir, regenerando depois parcialmente.

Apesar do voo fraco, donzelinhas do gênero Ischnura conseguem regular a cor com a idade e a temperatura. Fêmeas jovens podem ser laranja-vivo e ficarem azuladas ou acinzentadas quando maduras, o que confunde até entomólogos iniciantes.

No Brasil, o nome donzelinha vem da delicadeza, mas em inglês ela é damselfly (mosca-donzela) e na Amazônia é chamada de jacinta em algumas regiões. O registro fóssil de Odonata tem mais de 300 milhões de anos, com ancestrais de 70 cm de envergadura no Carbonífero.

Perguntas frequentes

Donzelinha pica ou morde?

Não. Ela não tem ferrão, não pica e não morde pessoas ou pets. É totalmente inofensiva.

Qual a diferença entre donzelinha e libélula?

A donzelinha é fina, tem olhos separados e fecha as asas sobre o corpo quando pousa. A libélula é robusta, tem olhos juntos e mantém as asas abertas.

Donzelinha transmite doença?

Não transmite nenhuma doença. Pelo contrário, ajuda a controlar mosquitos vetores como o Aedes aegypti.

Onde encontrar donzelinha?

Sempre perto de água doce limpa com plantas na margem: rios, lagos, brejos e lagos de parques. Não vive dentro de casas.

Quanto tempo vive uma donzelinha?

A ninfa vive de 2 meses a 2 anos na água e o adulto vive em média de 2 a 8 semanas.

O que atrai donzelinha?

Água limpa, vegetação aquática nativa e ausência de inseticidas. Manter juncos e capins na borda do lago é o melhor atrativo.

Donzelinha é praga? Precisa matar?

Nunca é praga e não precisa de controle. É benéfica e indica ambiente saudável, deve ser preservada.

Você sabia?

1

Coração no ar

O acasalamento forma um coração perfeito com os dois corpos. O macho segura a fêmea pela nuca e ela curva o abdômen até o órgão copulador dele, na famosa roda de acasalamento.

2

Brânquias que viram isca

A ninfa tem três brânquias em forma de folha na cauda que também servem para nadar. Se for atacada, ela solta uma delas para escapar, como lagartixas soltam a cauda.

3

Limpador de esperma rival

Machos de várias espécies possuem um pênis com filamentos que raspam e removem o esperma deixado por machos anteriores dentro da fêmea antes de acasalar.

4

Fêmeas que mudam de cor

Em Ischnura e outras Coenagrionidae, a mesma fêmea pode nascer laranja, ficar verde e depois azulada com a idade, além de existirem fêmeas androcromas que imitam a cor do macho para evitar assédio.

Fontes

  1. Embrapa - Entomologia e Controle Biológico
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. ICMBio / Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada

Prós e contras: Donzelinha

Prós

  • Predadora eficiente de mosquitos e pernilongos, inclusive Aedes
  • Bioindicadora de água limpa e ambiente equilibrado
  • Totalmente inofensiva para pessoas, cachorros e gatos
  • Não danifica plantas, hortas ou estruturas
  • Fácil de observar e fotografar, volta sempre ao mesmo poleiro

Contras

  • Só vive onde há água doce limpa com vegetação, não sobrevive em áreas secas ou poluídas
  • Voo fraco, não controla mosquitos longe da água
  • Ciclo dependente de mata ciliar preservada
  • Pode ser predada por peixes se o lago tiver muitos predadores
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a donzelinha é um dos insetos mais subestimados do Brasil: todo mundo conhece a libélula, poucos reconhecem a prima delicada que faz o mesmo serviço contra mosquitos com ainda mais dependência de água limpa. Preservar um cantinho de brejo com vegetação nativa vale mais que qualquer inseticida para mantê-la por perto.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.