🐛 Insetos

Cupim

Isoptera (infraordem de Blattodea) — ex. Cornitermes cumulans e Coptotermes gestroi

Atualizado em

3 a 15 mm; rainha até 10 cmTamanho
Celulose de madeira, folhas e húmusAlimentação
Metamorfose incompleta; colônia vive anosCiclo de vida
Solo, madeira seca e árvores em todo o BrasilHabitat
Não pica nem é venenoso; danifica imóveisPerigo para humanos
Cupim operário subterrâneo de corpo claro em close macro

O cupim é um inseto social parente da barata, não da formiga, que vive em colônias organizadas em castas com rei, rainha, operários e soldados. No Brasil existem cerca de 300 espécies descritas, de cupins de solo a cupins de madeira seca, presentes em todos os biomas.

Apesar da fama de praga urbana, a maioria das espécies é benéfica: recicla madeira morta, areja o solo e sustenta cadeias alimentares. O problema começa quando poucas espécies invasoras ou sinantrópicas encontram alimento e umidade dentro de casas e estruturas.

Também conhecido como: Cupim, Termita, Aleluiá, Siriri, Sará-sará, Bitinga

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

Explore a wiki

Galeria de fotos de Cupim

Cupim operário subterrâneo de corpo claro em close macro
Operário de cupim subterrâneo, de corpo claro e mole, responsável por alimentar a colônia.
Cabeça de cupim soldado nasuto com focinho pontudo em close extremo
Soldado nasuto: em vez de morder, esguicha cola para defender o ninho.
Revoada de aleluias de cupim com asas ao entardecer perto da luz
Revoada de aleluias: reprodutores alados que fundam novas colônias.
Cupinzeiro de Cornitermes no Cerrado brasileiro
Cupinzeiro epígeo no Cerrado, que pode ultrapassar 1,5 metro de altura.
Resíduos granulados de cupim de madeira seca sob móvel
Pó granulado típico de cupim de madeira seca, diferente do pó fino da broca.
Ninho arborícola escuro de cupim em tronco de árvore
Ninho arborícola de Nasutitermes, comum em árvores e postes.

Perfil rápido de Cupim

Calendário

Revoada de aleluias (siriris)JFMAMJJASOND
Maior atividade de forrageamentoJFMAMJJASOND
Dispersão e fundação de novas colôniasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxico
  • PessoasNão tóxico e não venenoso

Não pica nem morde; risco é estrutural. Soldados podem beliscar se manipulados, sem gravidade. Em caso de ingestão grande por pets, observe e procure veterinário.

Vida útil

Na natureza
Colônia perene; operários e soldados 1–2 anos, rainha e rei 10–25 anos
Em área urbana
Infestação pode durar anos despercebida se houver umidade e madeira disponível

Reprodução

Sistema social
Monogâmico e eussocial: um rei e uma rainha fundadores, operários e soldados estéreis
Reprodução
Sexuada; apenas casal real se reproduz dentro da colônia
Revoada
Sazonal no início das chuvas; aleluias voam, perdem asas e formam novos casais
Ovos e desenvolvimento
Ovos brancos minúsculos; metamorfose incompleta com ninfas que viram castas
Tamanho da colônia
De poucos milhares (madeira seca) a mais de 1 milhão (subterrâneo)

Habitat

Ambientes

  • Solo e subsolo
  • Interior de madeira seca
  • Troncos e galhos
  • Cupinzeiros epígeos (montículos)
  • Ninhos arborícolas em árvores

Biomas

  • Amazônia
  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Caatinga
  • Pantanal
  • Pampa
  • Áreas urbanas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Celulose e lignocelulose de madeira

Outros alimentos

  • Folhas secas
  • Húmus
  • Papel e papelão
  • Fungos cultivados por algumas espécies

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Colômbia
  • Estados Unidos
  • Austrália

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Blattodea
Infraordem
Isoptera
Família
Termitidae (maior família), Rhinotermitidae, Kalotermitidae entre outras
Gêneros comuns no Brasil
Coptotermes, Heterotermes, Nasutitermes, Cornitermes, Cryptotermes

Resumo

  • Cupim é um inseto social da ordem Blattodea que vive em colônias com castas e se alimenta principalmente de celulose com ajuda de microrganismos intestinais.
  • No Brasil os tipos mais comuns são cupim subterrâneo, cupim de madeira seca e cupim arborícola, identificados por cupinzeiros, túneis de terra e revoada de aleluias.
  • Não pica, não é venenoso e não transmite doenças, mas pode causar grande prejuízo a móveis e estruturas se a infestação não for controlada com manejo correto.

Características

Ficha do inseto

OrdemBlattodea (infraordem Isoptera)
FamíliaPrincipais: Termitidae, Rhinotermitidae, Kalotermitidae
Origem e distribuiçãoNativa e cosmopolita; presente em todo o Brasil
TamanhoOperários e soldados 3–15 mm; aleluia com asas 10–20 mm; rainha 60–100 mm
Coresbranco-amareladobegemarrom-claromarrom-escuropreto
Asas e vooSó reprodutores (aleluias/siriris) voam na revoada; operários e soldados são ápteros
AlimentaçãoCelulose, lignocelulose, folhas secas, húmus e fungos
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia)
Expectativa de vidaOperários e soldados 1–2 anos; rei e rainha 10–25 anos
HabitatSolo, interior de madeira seca, troncos e cupinzeiros epígeos e arborícolas
Comportamento socialEussocial com castas: rei, rainha, operários e soldados
Principais predadoresFormigas, tamanduás, tatus, aves, lagartos e morcegos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Presença em casasAlto
Benefício para a agriculturaMédio
Dano às plantasMédio
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o cupim sem confundir com formiga

Cupim não é formiga. Ele pertence à ordem Blattodea, a mesma das baratas, e isso explica o corpo mais reto e as antenas curtas e retas.

Operários são branco-amarelados, moles e sem asas, com 3 a 12 mm. Soldados têm cabeça grande, escura e mandíbulas bem visíveis. As aleluias, também chamadas de siriris, são os únicos com asas longas, escuras e de mesmo tamanho.

A forma mais rápida de diferenciar: cupim não tem cinturinha fina entre tórax e abdômen, como a formiga tem. Na revoada, as asas do cupim caem facilmente após o voo e ficam espalhadas perto de janelas e lâmpadas.

Onde vive no Brasil: os 3 tipos que mais aparecem

No Brasil há cerca de 300 espécies descritas, mas só um punhado causa problema urbano. Entender o tipo ajuda a decidir o manejo.

  • Cupim subterrâneo (ex. Coptotermes gestroi, Heterotermes tenuis): vive no solo e constrói túneis de terra em paredes, rodapés e madeiramento. É o mais destrutivo em casas.
  • Cupim de madeira seca (ex. Cryptotermes brevis): vive dentro da própria peça de madeira, sem contato com o solo. Deixa pó fino granulado (fezes) abaixo do móvel.
  • Cupim arborícola e de montículo (ex. Nasutitermes spp., Cornitermes cumulans): faz ninhos pretos em árvores ou cupinzeiros de terra no campo e no Cerrado, com até 2 metros de altura.

Cupinzeiros de Cornitermes cumulans, comuns no Cerrado e pastagens, são epígeos e muito duros. Já os ninhos de Nasutitermes parecem bolas escuras em troncos e postes.

Em áreas urbanas, a presença costuma ser denunciada por madeira oca ao bater, pintura estufada, túneis de barro e asas descartadas após a revoada.

O que o cupim realmente come e como digere celulose

A base da dieta é celulose e lignocelulose de madeira, folhas secas, papel, papelão e húmus. Algumas espécies cultivam fungos para pré-digerir o material.

O cupim sozinho não digere celulose. Ele depende de protozoários e bactérias simbiontes no intestino que quebram as fibras em nutrientes. Sem essa microbiota, ele morre de fome mesmo com madeira disponível.

Por isso ele prefere madeira com umidade e celulose mais macia. Madeiras muito resinosas ou tratadas são menos atacadas, mas nenhuma madeira é 100% imune se houver umidade e acesso.

Como funciona a colônia: rei, rainha, operários e soldados

A colônia é eussocial e perene. Uma rainha e um rei fundam o ninho e se mantêm como único casal reprodutor por anos.

Operários são a maioria. Eles buscam alimento, cuidam dos ovos, alimentam as outras castas e constroem galerias. Soldados não se alimentam sozinhos; são alimentados pelos operários e defendem o ninho com mandíbulas ou jato químico (nos narigudos do gênero Nasutitermes).

A rainha pode viver 10 a 25 anos e, em espécies grandes, colocar milhares de ovos por dia no auge. O rei permanece ao lado dela por toda a vida, diferente do que ocorre com abelhas e formigas.

A comunicação é quase toda química, por feromônios, e por vibrações na madeira. Quando um soldado bate a cabeça no túnel, o alerta se espalha rapidamente.

Ciclo de vida e a revoada das aleluias

O desenvolvimento é por metamorfose incompleta. Do ovo nasce uma ninfa parecida com o adulto, que vai se diferenciando em operário, soldado ou reprodutor.

Uma vez por ano, geralmente no início da estação chuvosa, ocorre a revoada nupcial. Milhares de aleluias aladas saem ao entardecer, voam, perdem as asas e formam novos casais.

É por isso que em setembro a novembro surgem nuvens de siriris ao redor de luzes. A maioria morre predada; poucos conseguem fundar nova colônia. Encontrar asas soltas no chão é sinal clássico de revoada recente, não de infestação ativa por si só.

Colônias maduras podem levar 2 a 5 anos para atingir tamanho máximo, chegando a centenas de milhares a milhões de indivíduos nas espécies subterrâneas.

Cupim morde? É venenoso? Riscos para pessoas e pets

Cupim não pica, não morde gente e não é venenoso. Soldados podem beliscar se manuseados, mas sem importância médica. Ele não transmite doenças.

O risco real é estrutural e econômico: consumo silencioso de portas, forros, pisos, livros e até fiação embutida em madeira. Em casos extremos, pode comprometer telhados.

Para pets, a ingestão ocasional de aleluias durante a revoada geralmente não causa intoxicação, mas pode gerar irritação gástrica leve. Se o animal comer grande quantidade ou apresentar vômito persistente, procure o veterinário. Evite aplicar inseticida doméstico sem orientação.

Alergias respiratórias podem piorar em ambientes com muito pó de madeira e fezes secas de cupim de madeira seca. Ventilar e limpar com pano úmido ajuda.

Praga ou engenheiro do ecossistema? O papel ambiental

Na natureza, o cupim é engenheiro do ecossistema. No Cerrado e na Amazônia, ele é responsável por reciclar até 50% da serapilheira em algumas áreas, devolvendo nutrientes ao solo.

Seus túneis arejam e descompactam o solo, melhoram a infiltração de água e redistribuem matéria orgânica. Cupinzeiros abandonados viram abrigo para formigas, abelhas, lagartos e aves.

O problema é o desequilíbrio urbano: Coptotermes gestroi, espécie exótica e invasora no Sudeste, e Cryptotermes brevis, cosmopolita, encontram madeira seca e umidade constante sem predadores naturais. Aí viram praga.

Na nossa avaliação, a melhor postura é controlar com critério onde há dano e preservar cupinzeiros no campo e em áreas verdes, onde o serviço ecológico supera o prejuízo.

Como evitar infestação em casa sem veneno desnecessário

Prevenção vale mais que veneno. Cupim precisa de alimento + umidade + acesso. Corte um dos três e o risco cai muito.

  • Reduza umidade: corrija vazamentos, ventile porões e mantenha madeiramento seco. Subterrâneos morrem sem umidade.
  • Barre o acesso: vede frestas em rodapés, elimine contato direto madeira-solo e não acumule papelão ou lenha encostada na parede.
  • Inspecione todo ano: bata na madeira para ouvir som oco, procure túneis de terra e pó granulado. Móveis infestados por cupim de madeira seca devem ser isolados.
  • Na revoada, apague luzes externas e feche janelas ao entardecer para não atrair aleluias.

Se já houver infestação ativa, não fure ou quebre o cupinzeiro sem técnica, isso espalha a colônia. Para subterrâneos, o controle exige barreira e iscas com acompanhamento profissional. Para madeira seca, a troca ou tratamento localizado da peça costuma resolver.

Prefira manejo integrado e empresas que identifiquem a espécie antes de aplicar qualquer produto. Evite inseticidas genéricos em spray, que só matam operários na superfície e não atingem a rainha.

Como diferenciar cupim de broca e de formiga carpinteira

Muita gente confunde. A broca (besouro) deixa furos redondos perfeitos e pó bem fino como talco. O cupim de madeira seca deixa grânulos ovais e duros e não faz furo redondo visível.

Formiga carpinteira não come madeira; ela escava galerias lisas para morar e deixa serragem clara com restos de insetos. Cupim subterrâneo deixa túneis de barro e madeira com aspecto laminado.

Sinal Cupim subterrâneo Cupim de madeira seca Broca
Resíduo Túneis de terra Grânulos duros Pó fino tipo talco
Furo na madeira Não visível Não visível Furo redondo 1–3 mm
Som da madeira Oca e úmida Oca e seca Oca com galerias pequenas

Curiosidades que tornam o cupim único

O cupinzeiro mantém temperatura e umidade estáveis com chaminés de ventilação naturais, um sistema passivo tão eficiente que inspirou projetos de arquitetura bioclimática.

Soldados de Nasutitermes não mordem: eles esguicham cola terpênica irritante por um focinho pontudo chamado nasus, que gruda e imobiliza formigas.

Rainhas fisogástricas ficam tão grandes que não conseguem mais andar e são alimentadas e limpas pelos operários até a morte. Em compensação, vivem mais que qualquer outro inseto da colônia.

Perguntas frequentes

Cupim morde ou pica pessoas?

Não. Cupim não pica, não é venenoso e não transmite doenças. Soldados podem beliscar se forem manuseados, mas sem risco médico.

Qual a diferença entre cupim e formiga?

Cupim tem corpo reto sem cinturinha fina, antenas retas e asas iguais que caem após o voo. Formiga tem cintura marcada, antenas dobradas e asas de tamanhos diferentes.

Como saber se tenho cupim de madeira seca ou subterrâneo?

Madeira seca deixa montinhos de grânulos duros e não faz túneis de terra. Subterrâneo faz túneis de barro em paredes e rodapés e precisa de umidade do solo.

Cupim aparece por causa de umidade?

Sim, principalmente o subterrâneo. Vazamentos, madeira encostada no solo e pouca ventilação favorecem muito a infestação.

Aleluiá dentro de casa significa infestação?

Nem sempre. Na época de revoada elas entram atraídas pela luz e perdem as asas. Só há infestação se houver sinais como madeira oca, túneis ou pó granulado.

Como acabar com cupim sem piorar o problema?

Não quebre túneis ou cupinzeiros sem diagnóstico. Identifique o tipo, elimine umidade, isole peças infestadas e, se precisar, chame serviço especializado em manejo integrado.

Cupim faz bem para alguma coisa?

Sim. Na natureza recicla matéria orgânica, areja o solo, melhora infiltração de água e serve de alimento para tamanduás, tatus e aves.

Você sabia?

1

Parente da barata, não da formiga

Análises genéticas colocaram os cupins dentro da ordem Blattodea. A barata de madeira Cryptocercus é o parente vivo mais próximo.

2

Ar-condicionado natural

Cupinzeiros de Cornitermes e Macrotermes mantêm o interior até 10 °C mais fresco que o exterior graças a túneis e chaminés que regulam fluxo de ar e umidade.

3

Soldado que atira cola

Soldados nasutos de Nasutitermes não têm mandíbulas funcionais; eles disparam um jato pegajoso e irritante pelo focinho para travar formigas invasoras.

4

Rainha que não anda mais

Após anos de postura, a rainha fica fisogástrica, com abdômen enorme, imóvel na câmara real, podendo viver mais de 15 anos sendo alimentada pelos operários.

Fontes

  1. Embrapa - Cupins
  2. GBIF - Isoptera
  3. Universidade de São Paulo - Museu de Zoologia

Prós e contras: Cupim

Prós

  • Recicla madeira morta e folhas, devolvendo nutrientes ao solo
  • Areja e descompacta o solo, melhorando infiltração de água
  • Serve de alimento para fauna nativa como tamanduás e aves
  • Indica ecossistema ativo quando em cupinzeiros no campo
  • Ajuda a decompor celulose que poucos animais conseguem digerir

Contras

  • Pode destruir móveis, portas, forros e estruturas de madeira
  • Infestação subterrânea é silenciosa e de alto custo para reparar
  • Revoada anual causa incômodo com aleluias dentro de casa
  • Confundido com formiga, leva a tratamentos errados e ineficazes
  • Controle exige diagnóstico da espécie e manejo técnico, não só spray
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o cupim é um dos insetos mais injustiçados: essencial no campo e vilão apenas quando damos a ele casa úmida e madeira desprotegida. Controlar com identificação correta e manejo integrado é mais inteligente que demonizar todo cupinzeiro.

Continue explorando: Insetos

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Sansão Monteiro
Revisão especializadaSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.