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Broca-do-olho-do-coqueiro

Rhynchophorus palmarum

Atualizado em

4 a 5 cm (adulto); larva até 6 cmTamanho
Tecido interno de coqueiro e palmeirasAlimentação
60 a 90 dias, metamorfose completaCiclo de vida
Coqueirais e palmeiras nas AméricasHabitat
Não pica e não é venenosaPerigo para humanos
Broca-do-olho-do-coqueiro adulta preta com bico longo sobre tronco de coqueiro

A broca-do-olho-do-coqueiro é um besouro da família Curculionidae, conhecido cientificamente como Rhynchophorus palmarum. O adulto é preto e robusto, com um bico longo, mas o maior estrago é feito pela larva branca e enrugada, chamada de gongo, que broqueia o olho e o palmito do coqueiro por dentro.

Nativa das Américas, é a principal praga do coqueiro e do dendezeiro no Brasil. Além de destruir o tecido da planta, é o vetor do nematoide Bursaphelenchus cocophilus, causador do anel-vermelho, doença letal que pode dizimar plantios inteiros em poucos meses.

Também conhecido como: Broca-do-coqueiro, Bicudo-do-coqueiro, Bicudo-das-palmeiras, Gongo (larva), Tapuru (larva na Amazônia), South American palm weevil (inglês), Charançon du palmier (francês)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Broca-do-olho-do-coqueiro adulta preta com bico longo sobre tronco de coqueiro
Adulto da broca-do-olho-do-coqueiro, besouro preto de 4 a 5 cm com rostro curvo.
Close extremo da cabeça e bico da broca-do-olho-do-coqueiro
Detalhe do rostro e das antenas dobradas, característica do bicudo.
Larva branca da broca-do-olho-do-coqueiro, o gongo, dentro do coqueiro
Larva (gongo) sem pernas que broqueia o palmito e mata a palmeira.
Casulo de fibras da pupa da broca-do-olho-do-coqueiro
Casulo de fibra onde a larva vira pupa por até 25 dias.
Broca-do-olho-do-coqueiro em voo sobre coqueiral
Adulto em voo, capaz de percorrer mais de 1 km por dia.
Armadilha de feromônio com isca de cana para capturar broca-do-olho-do-coqueiro
Armadilha de rincoforol com cana, base do manejo integrado.

Perfil rápido de Broca-do-olho-do-coqueiro

Calendário

Maior atividade dos adultosJFMAMJJASOND
Pico de postura e dano larvalJFMAMJJASOND
Monitoramento com armadilhasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não morde e não tem veneno. O risco é exclusivamente agrícola, como praga e vetor do anel-vermelho.

Vida útil

Na natureza
Adulto vive 60 a 90 dias; ciclo completo 60 a 90 dias
Em plantio sem controle
População dobra a cada geração se houver plantas doentes abandonadas

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa e adulto
Ovos por fêmea
150 a 250 ao longo da vida
Incubação
3 a 5 dias
Fase larval
40 a 60 dias dentro do palmito
Pupa
15 a 25 dias dentro de casulo de fibra
Atividade reprodutiva
Ano todo, com pico na estação chuvosa e quente

Habitat

Ambientes

  • Coqueirais litorâneos e de interior
  • Dendezais e açaizais
  • Palmeiras ornamentais em áreas urbanas
  • Restos de estipe e tocos em decomposição

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Amazônia
  • Caatinga
  • Cerrado

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Tecido interno do palmito e gema apical de coqueiro e palmeiras

Outros alimentos

  • Seiva fermentada de palmeiras feridas
  • Polpa de frutos de palmeiras em decomposição
  • Toletes de cana-de-açúcar e abacaxi usados como isca

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Peru
  • México
  • Costa Rica
  • Panamá
  • Guiana
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Curculionidae
Gênero
Rhynchophorus
Espécie
Rhynchophorus palmarum (Linnaeus, 1758)

Resumo

  • A broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum) é um besouro preto de 4 a 5 cm cuja larva devora o interior do coqueiro e de outras palmeiras.
  • É vetor do nematoide do anel-vermelho e mata a planta por dentro, com sintomas que só aparecem quando o dano já é irreversível.
  • Não pica nem é venenosa para pessoas e pets, mas exige manejo com armadilhas de feromônio e remoção de plantas doentes para controle.

Características

Ficha do inseto

OrdemColeoptera
FamíliaCurculionidae (subfamília Dryophthorinae)
Origem e distribuiçãoNativa das Américas, do México ao sul do Brasil e Argentina
TamanhoAdulto 35 a 50 mm; larva 50 a 60 mm de comprimento
Corespretomarrom-escuromarrom-avermelhado
Asas e vooCom asas; voo forte e direto, pode voar até 1,6 km por dia
AlimentaçãoLarva broqueia palmito e estipe; adulto suga seiva fermentada
MetamorfoseCompleta (ovo, larva, pupa, adulto)
Expectativa de vidaAdulto 2 a 3 meses; ciclo total 60 a 90 dias
HabitatPlantios de coco, dendê, açaí e palmeiras ornamentais
Comportamento socialSolitário, mas se agrega por feromônio (rincoforol)
Principais predadoresPássaros, formigas, tesourinhas e fungos como Beauveria bassiana

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoBaixo

Como identificar a broca-do-olho-do-coqueiro sem confundir

A broca-do-olho-do-coqueiro adulta é um besouro preto fosco de 35 a 50 mm, com corpo oval e forte. O detalhe que entrega é o rostro longo e curvo, um bico de quase 1 cm onde ficam as peças bucais.

O macho tem pelos curtos e densos na parte superior do rostro, a fêmea tem o bico mais liso e longo. As antenas são dobradas, em forma de cotovelo, e as pernas são pretas e bem fortes.

A larva não tem pernas, é branca-creme, enrugada e com cabeça marrom-escura, podendo chegar a 60 mm. É conhecida como gongo e fica sempre escondida dentro do coqueiro, por isso o produtor só vê o estrago quando a planta já está condenada.

Não confunda com a broca-do-estipe (Rhinostomus barbirostris), que tem o corpo com listras e ataca a base do estipe, nem com o bicudo-vermelho-das-palmeiras (Rhynchophorus ferrugineus), espécie asiática avermelhada ainda ausente no Brasil.

Onde vive e por que prefere coqueiros

É nativa das Américas Central e do Sul e ocorre em todo o Brasil, com maior pressão no Nordeste, Norte e Sudeste, onde há grandes plantios de coco e dendê. Também aparece em açaí, babaçu, tamareira, palmeira-imperial e outras ornamentais.

Vive quase exclusivamente em palmeiras (Arecaceae). O adulto é atraído pelo cheiro de tecido fermentado que sai de cortes, feridas de poda, plantas caídas ou já doentes.

Uma vez na planta, a fêmea procura o olho do coqueiro, a região do meristema apical onde nascem as folhas novas, ainda macia e rica em nutrientes. É ali que ela põe os ovos, garantindo alimento farto para as larvas.

Em paisagem natural quase não causa surto, mas em monocultivo o problema explode. Coqueirais abandonados, com plantas mortas em pé, viram criadouros permanentes.

O que a larva e o adulto comem de verdade

A larva é o estágio destruidor. Ela escava galerias no palmito e no estipe jovem, comendo o tecido tenro e úmido. Uma única larva consome gramas de tecido por dia e, em grupo, transforma o interior em uma massa fibrosa e podre.

O adulto se alimenta pouco em comparação. Ele lambe seiva fermentada e tecidos já amolecidos pelas larvas ou por feridas. Também visita tocos de cana e frutos de palmeira em decomposição.

O inseto não come folhas, frutos secos ou raízes. Seu foco é o tecido interno vivo do topo da palmeira, o que explica por que o ataque é tão letal e silencioso.

  • Larva: palmito, gema apical e base das folhas novas.
  • Adulto: seiva exsudada, tecidos fermentados e eventualmente colmos de cana cortada usados como isca.

Ciclo de vida completo: de ovo a besouro

O ciclo tem metamorfose completa e dura de 60 a 90 dias, dependendo da temperatura. Em clima quente do Nordeste, pode fechar em 60 dias e gerar até 4 gerações por ano.

A fêmea põe 150 a 250 ovos ao longo da vida, isolados em pequenos orifícios que ela abre com o rostro. Os ovos são brancos, alongados, de 2 a 3 mm, e eclodem em 3 a 5 dias.

A fase larval dura 40 a 60 dias e tem vários ínstares. No final, a larva constrói um casulo com fibras da própria palmeira, de 6 a 8 cm, onde vira pupa por 15 a 25 dias.

O adulto recém-emergido fica alguns dias dentro do casulo até a cutícula endurecer. Depois sai, voa principalmente ao entardecer e vive 60 a 90 dias, sendo atraído a longas distâncias pelo feromônio de agregação rincoforol liberado por machos.

Como ela mata a planta e transmite o anel-vermelho

O dano direto já é grave. As galerias destroem o ponto de crescimento e interrompem a emissão de folhas novas. O sintoma clássico é o amarelecimento e murcha das folhas centrais, que tombam como um guarda-chuva fechado.

Quando o olho morre, a palmeira não se recupera. O topo oca, exala cheiro forte de fermentação e a planta morre em semanas. Em coqueiros jovens, 10 a 15 larvas já são suficientes para matar.

O pior, porém, é o dano indireto. O adulto carrega no corpo o nematoide Bursaphelenchus cocophilus, causador do anel-vermelho. Ao visitar uma planta doente e depois uma sadia, ele inocula o verme microscópico.

O nematoide se espalha pelos vasos e forma um anel vermelho-alaranjado no corte do estipe, visível só ao serrar a planta. Não há cura; a recomendação técnica é erradicar e queimar a planta doente para não virar fonte de inóculo.

É perigosa para pessoas, cachorros e gatos?

Não. A broca-do-olho-do-coqueiro não pica, não morde, não tem ferrão e não possui veneno. Ela pode dar uma beliscada com o rostro se for manuseada, mas sem importância médica.

Para cachorros e gatos o risco também é desprezível. A larva, o gongo, é até consumida por pessoas em algumas regiões da Amazônia, rica em gordura, mas não deve ser oferecida a pets sem orientação.

O único alerta é indireto: não confunda a larva com lagartas urticantes e não use veneno doméstico sem necessidade. O inseto não infesta casas e não ataca alimentos guardados.

Em caso de contato acidental, basta lavar as mãos. Se houver reação alérgica rara ao pó das asas, procure atendimento médico.

Como controlar e prevenir sem acabar com polinizadores

O controle mais eficaz é o manejo integrado, não a pulverização isolada. A base é a vigilância e a higiene do coqueiral.

  • Armadilha de feromônio + isca vegetal: baldes com rincoforol e toletes de cana ou abacaxi atraem adultos. Troque a isca a cada 7 a 15 dias e enterre os insetos capturados. É a técnica validada pela Embrapa.
  • Remova plantas mortas: coqueiros com anel-vermelho ou tombo do olho devem ser cortados, picados e queimados. Deixar o estipe no campo mantém larvas e nematoides por meses.
  • Evite feridas: não faça podas desnecessárias e proteja cortes com piche ou pasta cicatrizante. Feridas são o principal convite.
  • Controle biológico: fungos como Beauveria bassiana e nematoides entomopatogênicos ajudam a reduzir pupas no solo, sem afetar abelhas.

Evite aplicar inseticida na copa sem recomendação agronômica. Além de pouco eficiente contra larvas internas, mata abelhas e inimigos naturais. Se precisar usar, aplique apenas localizado e com receituário.

Diferença entre broca-do-olho, broca-do-estipe e outras pragas

Essa distinção evita manejo errado. As duas brocas mais citadas atacam partes diferentes e exigem estratégias distintas.

Característica Broca-do-olho (Rhynchophorus palmarum) Broca-do-estipe (Rhinostomus barbirostris)
Tamanho adulto 35 a 50 mm, preto liso 20 a 35 mm, preto com estrias
Local do ataque Topo, olho e palmito Base e meio do estipe
Tipo de galeria Larga, úmida e fétida no palmito Túneis secos e com serragem na base
Transmite anel-vermelho Sim, principal vetor Não

Outros besouros pretos que visitam coqueiro, como Strategus aloeus (besouro-do-coqueiro), atacam raízes de mudas e têm chifres, bem diferentes do bico longo da broca-do-olho.

Curiosidades e erros comuns que custam caro

Um erro comum é achar que a planta amarelada é falta de adubo. Adubar um coqueiro com broca só alimenta as larvas e atrasa a erradicação, que deveria ser imediata.

Outro mito é que a armadilha atrai mais broca para a área e piora o problema. Estudos da Embrapa Tabuleiros Costeiros mostram o oposto: armadilhas bem posicionadas nas bordas reduzem a população quando associadas à remoção de plantas doentes.

A larva, o gongo, já foi muito valorizada como alimento em comunidades amazônicas, rica em proteína e gordura, mas seu consumo hoje é desaconselhado em áreas com uso de agrotóxicos.

Por fim, a broca voa melhor do que parece. Adultos marcados já foram recapturados a mais de 1,5 km do ponto de soltura em 24 horas, por isso o controle precisa ser coletivo entre vizinhos, não apenas em um lote isolado.

Perguntas frequentes

Broca-do-olho-do-coqueiro pica pessoas?

Não. Ela não tem ferrão nem veneno e não pica. O adulto pode beliscar com o bico se for apertado na mão, mas sem risco médico.

Como saber se meu coqueiro está com broca?

Observe o olho: folhas novas amarelas, murchas ou tombadas, cheiro fermentado no topo e galerias com fibras úmidas. Ao cortar o estipe, o anel vermelho indica transmissão do nematoide.

Qual a diferença entre broca-do-olho e broca-do-estipe?

A do olho (Rhynchophorus palmarum) ataca o topo e transmite o anel-vermelho; a do estipe (Rhinostomus barbirostris) ataca a base do tronco, faz serragem seca e não transmite a doença.

Armadilha com feromônio resolve sozinha?

Ajuda muito a monitorar e reduzir adultos, mas só funciona bem se combinada com remoção de plantas doentes e sem deixar tocos no terreno.

Tem como salvar coqueiro já atacado?

Se o palmito foi destruído, não. A planta morre porque o ponto de crescimento não se regenera. O correto é erradicar e queimar para não espalhar a praga.

A larva (gongo) pode ser comida?

Em algumas tradições amazônicas era consumida, mas hoje não é recomendado coletar larvas em plantios que podem ter agrotóxicos ou nematoides.

Você sabia?

1

Voo guiado por cheiro

O macho libera o feromônio rincoforol que, somado ao odor de cana fermentada, atrai machos e fêmeas a até 800 metros, por isso armadilhas com os dois juntos capturam até 10 vezes mais.

2

Larva que vira casulo de fibra

No final da fase larval, o gongo tece um casulo oval de 6 a 8 cm usando fibras secas do próprio coqueiro, tão resistente que precisa ser aberto com faca.

3

Vetor invisível

O nematoide do anel-vermelho que ela carrega mede menos de 1 mm e vive dentro do corpo do besouro sem matá-lo, pegando carona até a próxima palmeira sadia.

4

Confusão com alimento

Em partes da Amazônia a larva é chamada de gongo ou tapuru e já foi assada como petisco, mas hoje a Embrapa desaconselha o consumo de larvas coletadas em plantios tratados.

Fontes

  1. Embrapa Tabuleiros Costeiros - Manejo da broca-do-olho-do-coqueiro
  2. GBIF - Rhynchophorus palmarum distribuição e taxonomia
  3. Universidade Federal Rural de Pernambuco - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Broca-do-olho-do-coqueiro

Prós

  • Vetor facilmente monitorado com armadilha de feromônio barata e seletiva
  • Ciclo bem conhecido, o que permite manejo integrado eficiente
  • Não oferece risco direto a pessoas, pets ou abelhas quando o controle é feito corretamente
  • Larva é bioindicadora: indica coqueiral mal manejado e necessidade de higiene

Contras

  • Larva destrói o palmito e mata coqueiros jovens e adultos em poucas semanas
  • Principal transmissor do nematoide do anel-vermelho, doença sem cura
  • Voo longo facilita reinfestação a partir de áreas vizinhas abandonadas
  • Sintomas aparecem tarde, quando o dano interno já é irreversível
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a broca-do-olho-do-coqueiro é o exemplo clássico de praga que não se vence com veneno isolado: sem armadilha de feromônio e eliminação rápida de plantas com anel-vermelho, qualquer controle falha. É também a praga que mais exige ação coletiva entre vizinhos, já que um único coqueiral abandonado sustenta a infestação de toda a região.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.