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Tarumã-de-espinho

Citharexylum myrianthum Cham.

Atualizado em

8 a 20 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Moderada, solo úmidoRega
3 a 5 anosPrimeiros frutos
Fácil a moderadaDificuldade
Árvore de tarumã-de-espinho carregada de frutos roxos em cachos pendentes

O tarumã-de-espinho (Citharexylum myrianthum) é uma árvore nativa da Mata Atlântica que chama atenção pelos ramos com espinhos quando jovem e pelos cachos pendentes de frutinhos roxo-escuros. Pode chegar a 20 metros na mata, mas em quintais e áreas abertas costuma ficar entre 8 e 12 metros.

Muito usada em recuperação de mata ciliar e como árvore para atrair fauna, ela frutifica no verão e alimenta sabiás, jacus, morcegos e abelhas. Os frutos são pequenos, doces e comestíveis, consumidos in natura ou em geleias artesanais, embora o uso principal hoje seja ecológico e madeireiro leve.

Também conhecido como: Tarumã-branco, Pau-viola, Tucaneira, Tarumã-do-banhado, Citharexylum

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Tarumã-de-espinho

Árvore de tarumã-de-espinho carregada de frutos roxos em cachos pendentes
Tarumã-de-espinho com cachos de frutos maduros na copa.
Close-up dos frutos roxo-escuros do tarumã-de-espinho no galho
Detalhe dos frutos pequenos e brilhantes quando maduros.
Flores brancas em racemos pendentes do tarumã-de-espinho
Floração branca e perfumada que atrai abelhas.
Ramo jovem do tarumã-de-espinho com espinhos ramificados e folhas
Espinhos característicos nos ramos jovens da espécie.
Cesto com colheita de frutos de tarumã-de-espinho
Colheita dos frutinhos para consumo e geleias.
Tronco do tarumã-de-espinho com casca acinzentada fissurada
Tronco reto e casca acinzentada da árvore adulta.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, chácara ou quintal grande e quer uma árvore nativa de crescimento rápido para sombra, atração de pássaros e recuperação de área degradada. Também serve muito bem para projetos de restauração de mata ciliar e para quem busca uma frutífera rústica que quase não exige veneno. É uma ótima escolha para quem valoriza biodiversidade e não se importa com frutos pequenos e que mancham o chão, priorizando o papel ecológico da árvore.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento, casa com quintal pequeno ou quer cultivar em vaso, pois a árvore passa fácil de 8 metros e tem sistema radicular forte. Também não é indicada para quem busca fruta grande de mesa ou tem pouca tolerância a espinhos nos ramos jovens e a sujeira dos frutos no piso.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto por dia
Rega
Moderada; 2 a 3 vezes por semana no primeiro ano, depois apenas em estiagem
Solo
Fértil, profundo, úmido e bem drenado; rico em matéria orgânica
Temperatura
18 °C a 28 °C; tolera geadas leves depois de adulta
Adubação
Orgânica 2x ao ano (fim do inverno e pós-colheita) + NPK leve
Poda
Formação no 1º ano e limpeza anual após frutificação
Propagação
Sementes recém-colhidas (30 a 60 dias para germinar) e estacas semilenhosas

Perfil rápido de Tarumã-de-espinho

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie com distribuição ampla e estável na Mata Atlântica.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Frutos comestíveis para humanos e aves; sementes duras não devem ser ingeridas em grande quantidade.

Habitat

Ambientes

  • Mata ciliar
  • Floresta ombrófila densa
  • Capoeirões e áreas em regeneração
  • Encostas úmidas

Biomas

  • Mata Atlântica

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Lamiales
Família
Verbenaceae
Gênero
Citharexylum
Espécie
Citharexylum myrianthum

Resumo

  • O tarumã-de-espinho é uma árvore nativa da Mata Atlântica de 8 a 20 metros, reconhecida pelos espinhos nos ramos jovens e pelos cachos de frutos roxo-escuros.
  • Frutifica no verão, entre dezembro e março, e começa a produzir entre 3 e 5 anos quando plantada por semente, atraindo grande diversidade de aves.
  • Precisa de sol pleno, solo fértil e úmido e espaço amplo, sendo ideal para quintais grandes e projetos de restauração, mas pouco adequada para vasos.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularTarumã-de-espinho
Nome científicoCitharexylum myrianthum Cham.
Família botânicaVerbenaceae
OrigemMata Atlântica (Brasil, Paraguai e Argentina)
Tamanho8 a 20 m de altura; copa 5 a 8 m de diâmetro
Tempo até frutificar3 a 5 anos por semente; 2 a 3 anos por muda bem formada
Época de frutificaçãoDezembro a março (verão)
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada; solo levemente úmido
SoloFértil, profundo, úmido e bem drenado; pH 5,5 a 6,5
ClimaTropical e subtropical úmido
PropagaçãoSementes e estacas semilenhosas
Cultivo em vasoNão recomendado
Espaçamento6 a 8 m entre plantas

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosMuito baixo
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasAlto

Como reconhecer o tarumã-de-espinho de verdade

O tarumã-de-espinho não é o tarumã comum de cerrado. O Citharexylum myrianthum tem como marca os espinhos lenhosos e ramificados nos ramos jovens, que somem ou diminuem quando a árvore envelhece. É o detalhe que confirma a espécie no campo.

A casca é acinzentada e levemente fissurada, o tronco costuma ser reto com DAP de 30 a 60 cm, e a copa é alongada e densa. As folhas são opostas, simples, elípticas e brilhantes, com 5 a 15 cm de comprimento, verde-escuras em cima e mais claras embaixo.

Na floração, surgem racemos pendentes de 10 a 30 cm com dezenas de flores pequenas e brancas, muito perfumadas. Os frutos são drupas globosas de 5 a 8 mm, verdes quando imaturos e roxo-escuros a pretos quando maduros, com polpa suculenta e 2 a 4 sementes duras por fruto.

Onde ele ocorre e por que é tão importante na Mata Atlântica

É espécie nativa e pioneira da Mata Atlântica, ocorrendo da Bahia ao Rio Grande do Sul, com maior frequência no Sudeste e Sul. Aparece também no Paraguai e no norte da Argentina, sempre em mata ciliar, capoeirões e encostas úmidas.

Cresce rápido e tolera solos argilosos e periodicamente encharcados, por isso é uma das árvores mais usadas em recuperação de áreas degradadas e margens de rios. Em projetos de restauração, entra como espécie de preenchimento que sombreia rápido e atrai dispersores.

Sua importância ecológica é enorme. Um único indivíduo em frutificação pode atrair mais de 20 espécies de aves em um dia, como sabiá-laranjeira, sanhaço, bem-te-vi e jacu, além de morcegos e abelhas nativas que visitam as flores. É considerada planta melífera e ornitocórica por excelência.

Quando floresce e quando dá frutos

A floração acontece na primavera, de outubro a dezembro, com pico em novembro. As flores duram poucas semanas, mas são intensamente visitadas por abelhas, o que garante boa polinização cruzada.

Os frutos amadurecem no verão, de dezembro a março, com pico em janeiro e fevereiro. A frutificação é abundante e concentrada: os cachos ficam carregados e caem com facilidade quando maduros, manchando o chão de roxo.

Mudas de semente bem nutridas começam a produzir entre 3 e 5 anos após o plantio. Mudas de viveiro com 1 metro já plantadas no local definitivo podem antecipar para 2 a 3 anos se receberem sol pleno e adubação correta. A produção aumenta muito a partir do quinto ano.

Como plantar tarumã-de-espinho do jeito certo

O plantio ideal no Brasil é no início da estação chuvosa, de setembro a dezembro. Isso dá tempo para a muda enraizar antes da seca. Em regiões sem geada forte, pode ser plantado o ano todo com irrigação.

Escolha local com sol pleno e espaço de 6 a 8 metros de qualquer construção ou outra árvore grande. Abra cova de 60 x 60 x 60 cm, misture 15 litros de esterco curtido, 200 g de calcário e 150 g de farinha de ossos ao solo de superfície. Plante sem enterrar o colo da muda.

A propagação mais comum é por sementes recém-colhidas. Lave os frutos, retire a polpa e semeie a 1 cm de profundidade em substrato leve. A germinação é irregular e leva de 30 a 60 dias, com taxa de 40 a 70%. Estacas semilenhosas de 20 cm também pegam, mas com enraizamento mais lento.

  • Sementes: precisam ser semeadas logo após a colheita, pois perdem viabilidade rápido.
  • Mudas: prefira mudas com 50 a 80 cm, haste única e raiz não enovelada.
  • Tutoramento: use estaca nos primeiros 12 meses em locais com vento.

Luz, rega e solo ideais para crescer forte

É árvore de sol pleno absoluto. Com menos de 6 horas de sol direto, cresce estiolada, com copa rala e pouca frutificação. Não é espécie de sombra ou meia-sombra na fase adulta.

O solo ideal é fértil, profundo, úmido mas bem drenado, com boa matéria orgânica. Tolera argila e várzea úmida, mas não suporta encharcamento prolongado sem drenagem. Faixa de pH entre 5,5 e 6,5 é a melhor.

Na fase de muda, irrigue 2 a 3 vezes por semana nos primeiros 6 meses, mantendo o solo levemente úmido. Depois de estabelecida, a árvore tolera estiagens curtas e só precisa de rega em veranicos longos. Cobertura morta com folhas ou palha ajuda a reter umidade.

Poda, adubação e cuidados anuais

O tarumã-de-espinho exige pouca poda. Faça apenas poda de formação no primeiro ano, eliminando brotos laterais baixos para conduzir um tronco único, e poda de limpeza após a frutificação, retirando galhos secos, cruzados ou com espinhos mal posicionados perto de passagem.

Não faça poda drástica no topo. A frutificação ocorre nos ramos do ano, e cortes severos reduzem a produção do ciclo seguinte. Use luvas grossas, os espinhos dos ramos jovens furam com facilidade.

Adube duas vezes ao ano: no fim do inverno (agosto/setembro) e após a colheita (abril). Use 10 a 15 litros de composto orgânico por planta mais 100 g de NPK 10-10-10 ao redor da copa, sem encostar no tronco. Em solos pobres, adicione farinha de ossos rica em fósforo.

Dá para cultivar em vaso ou em quintal pequeno?

Na nossa avaliação, não é árvore para vaso. O sistema radicular é vigoroso e pivotante, e a copa precisa de espaço para se abrir. Em vaso, mesmo de 200 litros, ela não frutifica bem e sofre com falta de água.

Em quintal pequeno, só vale se houver pelo menos 40 m² livres e recuo de 4 metros de muros e fiação. Para áreas menores, a alternativa é plantar como árvore de calçada larga ou em sítio, onde pode atingir seu tamanho natural sem conflito.

Se o objetivo é atrair pássaros em espaço reduzido, prefira frutíferas menores como pitanga ou jabuticaba. O tarumã-de-espinho brilha mesmo quando tem espaço para virar árvore de sombra e de alimento para a fauna.

Pragas, doenças e o que mais confunde quem planta

É uma espécie rústica e pouco atacada. Ocasionalmente surgem lagartas desfolhadoras e cochonilhas em mudas sombreadas, controladas com poda e jato de água. Fungos de solo só aparecem em solo encharcado sem drenagem.

O erro mais comum é confundir com Vitex megapotamica (tarumã verdadeiro), que não tem espinhos ramificados e tem folhas compostas digitadas. Outro erro é esperar frutos grandes: o tarumã-de-espinho tem frutinhos de menos de 1 cm, consumidos como petisco ou para atrair aves, não como fruta de polpa abundante.

A madeira é leve, clara e sonora, tradicionalmente usada para fazer tampo de viola e instrumentos, daí o nome pau-viola. Os frutos mancham roupa e piso, então evite plantar sobre estacionamento ou área de lazer clara.

Usos, sabor e como aproveitar os frutos

O sabor é doce, levemente adstringente e com nota de açaí quando bem maduro. A polpa é fina, mas suculenta, e envolve sementes duras não comestíveis. O ideal é colher quando o fruto está quase preto e se solta com toque leve.

Na roça, o consumo é direto do cacho ou em suco coado, geleia e fermentado. Para geleia, cozinhe os frutos inteiros com pouca água, peneire para separar as sementes e adicione açúcar na proporção de 1 para 1 de polpa. Rende cor roxa intensa.

Para fauna, deixe parte dos cachos na árvore. Se quiser colher, estenda lona sob a copa e chacoalhe os ramos levemente pela manhã. Os frutos caem maduros e podem ser congelados por até 3 meses para uso posterior.

Perguntas frequentes

Tarumã-de-espinho tem espinho mesmo?

Sim, mas só nos ramos jovens e brotações. Árvores adultas com tronco grosso quase não apresentam espinhos na copa.

O fruto do tarumã-de-espinho é comestível?

Sim. Pequeno (5 a 8 mm), roxo-escuro quando maduro, polpa doce e levemente adstringente. Pode ser consumido in natura, em sucos e geleias, mas tem pouca polpa.

Quanto tempo demora para dar frutos?

De 3 a 5 anos quando plantado por semente em sol pleno e solo fértil. Mudas bem formadas de viveiro podem produzir em 2 a 3 anos.

Pode plantar tarumã-de-espinho em vaso?

Não é recomendado. É árvore de 8 a 20 metros com raiz pivotante forte e precisa de solo profundo e espaço de 6 a 8 metros.

Qual a diferença entre tarumã-de-espinho e tarumã comum?

O tarumã-de-espinho é Citharexylum myrianthum, com folhas simples e espinhos. O tarumã comum é Vitex megapotamica, com folhas compostas de 5 folíolos e sem espinhos.

Quando plantar tarumã-de-espinho?

O melhor período é de setembro a dezembro, no início das chuvas, para garantir bom enraizamento. Com irrigação, pode ser plantado o ano todo em regiões sem geada severa.

Você sabia?

1

Espinhos que somem

Os espinhos ramificados só aparecem nos ramos jovens e em brotações da base. À medida que o tronco engrossa, a casca os engloba e a árvore adulta fica praticamente sem espinhos.

2

Pau-viola de verdade

A madeira leve e ressonante do tarumã-de-espinho é tradicionalmente usada para fazer o tampo de viola caipira e de outros instrumentos, por isso um dos nomes populares é pau-viola.

3

Banquete para 30 aves

Em áreas de Mata Atlântica, um único tarumã-de-espinho frutificando já foi registrado atraindo mais de 30 espécies de aves em poucos dias, além de morcegos frugívoros à noite.

4

Confusão com o tarumã verdadeiro

Muita gente confunde com Vitex megapotamica, mas a diferença é clara: o tarumã-de-espinho tem folhas simples e espinhos, enquanto o tarumã verdadeiro tem folhas compostas com 5 folíolos e não tem espinhos.

Fontes

  1. Embrapa Florestas
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto de Pesquisas Ambientais - SP

Prós e contras: Tarumã-de-espinho

Prós

  • Crescimento rápido e muito rústico, ideal para recuperação de mata ciliar
  • Atrai grande diversidade de aves, abelhas e morcegos
  • Frutos comestíveis e melíferos, com floração perfumada
  • Pouca exigência de defensivos e boa tolerância a solos úmidos
  • Madeira leve valorizada para artesanato e instrumentos

Contras

  • Tamanho grande, inadequado para vasos e quintais pequenos
  • Frutos muito pequenos e que mancham piso e roupa
  • Ramos jovens com espinhos que exigem cuidado no manejo
  • Frutificação concentrada e curta, apenas no verão
  • Pode ser confundido com outras espécies de tarumã
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o tarumã-de-espinho é uma das melhores escolhas para quem quer uma frutífera nativa que trabalha pelo ecossistema, não só pela mesa. Não é fruta para vender na feira, é árvore para trazer pássaro, sombra rápida e restauração de verdade.

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.