🍊 Frutíferas

Sete-capotes

Campomanesia guazumifolia

Atualizado em

4 a 8 mTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
4 a 6 anosPrimeiros frutos
MédiaDificuldade
Árvore de sete-capotes carregada de frutos amarelo-alaranjados

A sete-capotes é uma árvore frutífera nativa da Mata Atlântica, conhecida pelos frutos pequenos, amarelo-alaranjados e extremamente aromáticos, com polpa suculenta e sabor doce-ácido. Pertence à família Myrtaceae, a mesma da goiaba e da pitanga, e se destaca pelo cálice persistente no fruto que forma uma coroa.

De porte médio, entre 4 e 8 metros no quintal, tem tronco tortuoso com casca que se solta em placas finas e copa arredondada. É semidecídua, melífera e muito visitada por abelhas nativas e pássaros, sendo ótima para pomar doméstico e para restauração ecológica.

Frutifica por poucas semanas entre novembro e janeiro e exige colheita rápida, pois os frutos caem e fermentam logo. É rústica, tolera geadas leves e produz bem a pleno sol, mas tem crescimento lento e sementes que perdem a viabilidade em semanas.

Também conhecido como: Sete-capotes, Sete-capas, Sete-casacas, Araçá-do-mato, Guabiroba-do-mato

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Sete-capotes

Árvore de sete-capotes carregada de frutos amarelo-alaranjados
Árvore de sete-capotes em frutificação, com frutos amarelos na copa.
Frutos maduros de sete-capotes com coroa do cálice em detalhe
Frutos maduros de sete-capotes com o cálice persistente em forma de coroa.
Fruto de sete-capotes cortado mostrando polpa e sementes
Polpa suculenta e sementes da sete-capotes.
Flores brancas da sete-capotes com muitos estames
Floração branca e melífera da sete-capotes.
Muda jovem de sete-capotes em saquinho de viveiro
Muda de sete-capotes pronta para plantio definitivo.
Cesto com colheita de sete-capotes recém-colhidos
Colheita de sete-capotes, fruto muito perecível e aromático.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal, chácara ou sítio e quer uma frutífera nativa rústica, de sol pleno e baixa necessidade de defensivos. Funciona muito bem para quem valoriza frutos aromáticos para sucos e geleias e quer atrair abelhas nativas e pássaros. Também é ótima para projetos de agrofloresta e restauração, pois cresce em solos férteis bem drenados e tolera geadas leves do Sul e Sudeste.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para apartamento ou vasos pequenos, pois precisa de porte médio e grande volume de substrato para frutificar bem. Também não serve para quem busca frutificação em 1 a 2 anos ou frutos que aguentem muitos dias na fruteira, já que a safra é curta e o fruto fermenta rápido.

Cultivo rápido

Luminosidade
Sol pleno (mínimo 6 h/dia); meia-sombra apenas nos primeiros meses
Rega
Moderada; 2 a 3 vezes/semana no 1º ano, depois só em estiagem e na frutificação
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 5,5 a 6,5
Temperatura ideal
18 a 28 °C; adulta tolera geadas leves até -3 °C
Adubação
Composto orgânico 3x/ano (fim do inverno, frutificação e pós-colheita) + P e K na fase produtiva
Poda
Formação nos 2 primeiros anos e limpeza anual após a colheita (jan/fev)
Propagação
Sementes frescas (20 a 60 dias para germinar); estaquia é possível mas pouco usada

Perfil rápido de Sete-capotes

Calendário

Plantio da mudaJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Myrtaceae
Gênero
Campomanesia
Espécie
Campomanesia guazumifolia

Resumo

  • A sete-capotes (Campomanesia guazumifolia) é uma árvore frutífera nativa da Mata Atlântica com frutos amarelos, aromáticos e de polpa doce-ácida.
  • Frutifica entre novembro e janeiro, começa a produzir entre 4 e 6 anos e precisa de sol pleno, solo fértil e bem drenado.
  • É ideal para quintais e sítios que buscam frutífera nativa rústica e atrativa para polinizadores, mas pouco indicada para vasos pequenos e para quem busca produção rápida.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularSete-capotes, sete-capas, araça-do-mato
Nome científicoCampomanesia guazumifolia (Cambess.) O.Berg
Família botânicaMyrtaceae
OrigemMata Atlântica (Brasil, Paraguai e Argentina)
Tamanho4 a 8 m no cultivo (até 12 m na mata)
Tempo até frutificar4 a 6 anos por semente; 3 a 4 anos com muda bem formada
Época de frutificaçãoNovembro a janeiro
LuminosidadeSol pleno; meia-sombra apenas na fase jovem
RegaModerada; solo úmido sem encharcar
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
ClimaSubtropical e tropical; tolera geadas leves até -3 °C
PropagaçãoSementes (principal) e estaquia
Cultivo em vasoPossível só em vasos grandes (+100 L), com produção reduzida
Espaçamento6 x 6 m a 7 x 7 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solAlto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeMédio
Resistência a pragasAlto

Como reconhecer a sete-capotes sem confundir

A sete-capotes é Campomanesia guazumifolia, da família Myrtaceae. O nome popular vem do cálice persistente com 7 sépalas que permanece na ponta do fruto como pequenas capas ou coroas.

A árvore tem tronco tortuoso e casca pardo-acinzentada que se solta em placas finas, um ótimo marcador em campo. A copa é arredondada e relativamente rala, com 4 a 8 metros em quintal e até 12 metros na mata fechada.

As folhas são opostas, elípticas, com nervuras bem marcadas e leve pilosidade na face inferior, de 5 a 10 cm de comprimento. Quando amassadas, exalam cheiro característico de Myrtaceae.

As flores são brancas, solitárias, axilares, com muitos estames, de 1,5 a 2 cm de diâmetro. Os frutos são bagas globosas de 1,5 a 2,5 cm, amarelo-alaranjadas quando maduras, com polpa amarelo-clara, suculenta e 1 a 6 sementes pequenas.

Onde ela vive e por que é tão brasileira

A espécie é nativa da Mata Atlântica e ocorre de Minas Gerais e Goiás até o Rio Grande do Sul, além do leste do Paraguai e de Misiones na Argentina. No Brasil é mais comum em Floresta Estacional Semidecidual e em matas ciliares.

É semidecídua: perde parte das folhas no inverno seco e brota com vigor na primavera. Essa estratégia ajuda a tolerar estiagens curtas e geadas leves, o que explica sua adaptação do litoral ao interior subtropical.

Na natureza é importante para a fauna. As flores alimentam abelhas nativas sem ferrão e Apis, e os frutos são consumidos por sabiás, sanhaços e mamíferos pequenos, que dispersam as sementes.

Quando e como frutifica

A floração acontece de setembro a novembro, logo após a brotação. A frutificação é curta e concentrada, de novembro a janeiro, com pico em dezembro na maior parte do Sudeste e Sul.

O fruto amadurece rápido e cai ao chão em 2 a 3 semanas. O aroma fica muito intenso no ponto de colheita, adocicado e penetrante, e a casca passa de verde para amarelo-alaranjado uniforme.

A produção por árvore adulta varia de 15 a 30 kg por safra em cultivo doméstico bem conduzido, mas é alternante em alguns anos. Por sementes, a primeira carga vem em 4 a 6 anos; mudas de viveiros idôneos podem antecipar para 3 a 4 anos.

Como plantar sete-capotes do zero

A propagação é quase sempre por sementes e elas são recalcitrantes: perdem viabilidade em poucas semanas se secarem. Semeie em até 10 dias após a colheita.

Lave as sementes para remover a polpa, deixe secar à sombra por um dia e semeie a 1 cm de profundidade em substrato leve com areia, terra vegetal e composto orgânico. A germinação leva 20 a 60 dias, com taxa entre 40% e 70% quando a semente é fresca.

Transplante quando a muda tiver 15 a 20 cm, para saquinho ou vaso maior, e leve ao local definitivo com 40 a 60 cm de altura. No campo, faça cova de 50 x 50 x 50 cm com 10 a 15 litros de composto curtido e 200 g de calcário se o pH estiver abaixo de 5,5.

Plante no início da estação chuvosa, de setembro a março, com espaçamento de 6 x 6 metros. Proteja do sol forte nos primeiros 3 meses com sombrite 30% se a região for muito quente.

Luz, rega e solo ideais para produzir bem

Adultas precisam de sol pleno, no mínimo 6 horas por dia. Mudas jovens toleram meia-sombra leve, mas a produção só estabiliza com luz direta.

O solo ideal é profundo, fértil, bem drenado e com matéria orgânica. Solos encharcados causam apodrecimento de raízes, comuns em Myrtaceae. Mantenha cobertura morta para conservar umidade.

A rega deve ser moderada e regular: duas a três vezes por semana no primeiro ano e apenas em veranicos depois de estabelecida. Na floração e no enchimento dos frutos, não deixe secar completamente, senão há queda prematura.

Em regiões frias, a sete-capotes suporta geadas fracas e curtas até cerca de -3 °C quando adulta. Em locais com ventos fortes, plante com quebra-vento, pois os ramos são algo quebradiços.

Poda, adubação e condução da copa

Conduza em haste única com 3 a 4 pernadas principais a partir de 60 cm do solo. A poda de formação nos dois primeiros anos define uma copa arejada, essencial para reduzir fungos.

Faça poda de limpeza logo após a colheita, em janeiro/fevereiro, removendo ramos secos, cruzados e ladrões. Evite podas drásticas na primavera, pois eliminam botões florais.

Adube três vezes ao ano: no fim do inverno, no início da frutificação e após a colheita. Use composto orgânico (8 a 12 litros por planta) + formulação rica em fósforo e potássio na fase produtiva. Em solos pobres, complemente com calcário dolomítico a cada 2 anos.

Como colher e usar os frutos

Colha quando o fruto estiver macio ao toque e uniformemente amarelo, com perfume forte. Como fermenta em 1 a 2 dias, colha diariamente e mantenha refrigerado.

A polpa é aromática e agridoce, consumida in natura, em sucos, geleias, sorvetes e licores. As sementes não são consumidas e devem ser descartadas ou semeadas rapidamente.

Cultivo em vaso e em pequenos quintais: vale a pena?

Em vaso a sete-capotes cresce, mas produz pouco. É uma árvore de raiz pivotante e copa média, que precisa de volume.

Se for tentar, use vaso de no mínimo 100 a 200 litros, com 60 cm de profundidade, substrato bem drenado e adubação orgânica bimestral. Espere porte de 1,8 a 2,5 metros com podas anuais e frutificação mais tardia e irregular.

Para quintais pequenos, prefira plantio no solo em canto ensolarado, longe de muros e fiações. Uma única árvore já garante boa colheita para consumo familiar e atrai polinizadores para outras frutíferas.

Pragas, doenças e erros comuns

É relativamente rústica. Os problemas mais frequentes são ferrugem e mancha foliar em períodos úmidos, além de mosca-das-frutas e brocas nos frutos maduros.

Previna com copa arejada, colheita diária e retirada de frutos caídos. Pulverizações com calda bordalesa no fim do inverno ajudam em áreas com histórico de ferrugem, mas raramente são necessárias em pomar doméstico.

  • Erro 1: guardar sementes secas por meses. Elas morrem; semeie frescas.
  • Erro 2: plantar em solo encharcado ou vaso sem drenagem. A planta definhará.
  • Erro 3: podar forte em setembro/outubro e perder a florada.
  • Erro 4: esperar o fruto ficar mole na árvore. Ele cai e estraga no chão.

Curiosidades e valor para o pomar nativo

A sete-capotes é pouco comercial, mas muito valorizada por quem conhece frutíferas nativas. O fruto não aguenta transporte longo, por isso quase não aparece em mercados, sendo típico de quintais, feiras locais e projetos de agrofloresta.

Sua madeira é densa e durável, usada para moirões e cabos de ferramentas, e a árvore é empregada em recomposição de mata ciliar por atrair dispersores. Para o tutor, o maior trunfo é ter uma frutífera autóctone, melífera e de baixa exigência química, que entrega sabor que não se encontra em fruta convencional.

Na nossa avaliação, ela não compete com pitanga ou jabuticaba em produtividade precoce, mas vence em rusticidade e aroma. Se você busca resgatar sabores da Mata Atlântica e alimentar a fauna local, é uma das melhores escolhas de Myrtaceae nativa.

Perguntas frequentes

Sete-capotes e gabiroba são a mesma coisa?

Não. São do mesmo gênero Campomanesia, mas a sete-capotes é Campomanesia guazumifolia, com frutos menores e cálice com 7 sépalas bem visíveis. A gabiroba mais comum é Campomanesia xanthocarpa.

Quanto tempo a sete-capotes demora para dar frutos?

De 4 a 6 anos quando plantada por semente fresca e de 3 a 4 anos com muda bem formada de viveiro, a pleno sol e com adubação regular.

Dá para plantar sete-capotes em vaso?

Dá, mas a produção é baixa. Use vaso de 100 a 200 litros, sol pleno e podas anuais para manter 1,8 a 2,5 m. No solo o desempenho é muito superior.

Qual o sabor do fruto da sete-capotes?

Polpa suculenta, aromática, agridoce, lembrando goiaba e pitanga, com acidez leve. É ótima in natura, em sucos, geleias e licores, mas estraga em 1 a 2 dias.

Quando colher sete-capotes?

Entre novembro e janeiro, quando o fruto está amarelo-alaranjado, macio e muito perfumado. Colha diariamente, pois cai e fermenta rápido.

A sete-capotes precisa de outra árvore para frutificar?

Não. As flores são hermafroditas e a polinização é feita por abelhas. Uma única árvore já frutifica, embora mais de uma aumente a visitação de polinizadores.

Ela aguenta geada?

A planta adulta tolera geadas leves e rápidas até cerca de -3 °C. Mudas jovens precisam de proteção nos dois primeiros invernos.

Você sabia?

1

As sete capas do fruto

O nome vem das 7 sépalas persistentes que ficam como uma coroa na ponta do fruto, parecendo capas sobrepostas.

2

Semente que não espera

As sementes são recalcitrantes e perdem a viabilidade em 2 a 4 semanas se desidratadas, por isso precisam ser semeadas quase imediatamente.

3

Casca que descama

O tronco solta placas finas e irregulares, característica que ajuda a identificar a espécie mesmo sem folhas ou frutos.

4

Perfume que avisa a colheita

O aroma forte e adocicado exalado quando madura é tão intenso que é o melhor indicador do ponto de colheita, mais confiável que a cor.

Fontes

  1. Embrapa
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Brasileiro de Florestas

Prós e contras: Sete-capotes

Prós

  • Frutífera nativa rústica e adaptada ao clima do Sudeste e Sul
  • Frutos muito aromáticos e diferenciados para consumo familiar
  • Melífera e atrativa para pássaros, ótima para biodiversidade
  • Boa resistência a pragas e baixa necessidade de defensivos
  • Útil para agrofloresta e recomposição de mata ciliar

Contras

  • Crescimento lento e frutificação tardia (4 a 6 anos)
  • Safra curta e frutos muito perecíveis, sem valor comercial em larga escala
  • Sementes recalcitrantes que não podem ser armazenadas por muito tempo
  • Porte médio exige espaço; pouco produtiva em vasos pequenos
  • Frutos caem e fermentam rápido, exigindo colheita diária
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a sete-capotes é uma das Myrtaceae nativas mais perfumadas e rústicas para quintais do Sul e Sudeste, mas seu fruto perecível e a frutificação curta explicam por que segue rara no comércio. Vale plantar para consumo próprio e biodiversidade, não para produção comercial em larga escala.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.