🍊 Frutíferas

Sapota-do-Peru

Quararibea cordata (sin. Matisia cordata)

Atualizado em

12 a 25 m (6 a 12 m cultivada)Tamanho
Sol plenoLuminosidade
Moderada a altaRega
3 a 5 anosPrimeiros frutos
MédiaDificuldade
Fruto da sapota-do-peru inteiro e cortado mostrando polpa alaranjada

A sapota-do-peru (Quararibea cordata) é uma árvore frutífera da Amazônia ocidental, famosa pelos frutos grandes de casca aveludada e polpa alaranjada intensa, muito doce e fibrosa. Apesar do nome, ocorre em toda a bacia amazônica e nos contrafortes andinos.

No Brasil é cultivada principalmente no Norte e em áreas quentes e úmidas do Sudeste e Centro-Oeste. É uma árvore de crescimento rápido e copa densa, que precisa de calor constante, boa umidade e espaço para se desenvolver bem.

Também conhecido como: Sapote sul-americano, Chupa-chupa, Sapota-do-amazonas, Zapote chupa-chupa, South American sapote

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Sapota-do-Peru

Fruto da sapota-do-peru inteiro e cortado mostrando polpa alaranjada
Fruto da sapota-do-peru inteiro e cortado, com polpa alaranjada e fibrosa.
Árvore de sapota-do-peru com folhas grandes e frutos no tronco
Árvore de sapota-do-peru com folhas cordiformes e frutos no tronco.
Detalhe da casca aveludada da sapota-do-peru ainda na árvore
Detalhe da casca aveludada da sapota-do-peru.
Flores da sapota-do-peru nascendo no tronco
Flores amarelo-claras da sapota-do-peru brotando no tronco.
Cesto com colheita de sapota-do-peru
Colheita de sapota-do-peru em cesto.
Polpa da sapota-do-peru servida em tigela
Polpa alaranjada da sapota-do-peru pronta para consumo.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal amplo, sítio ou chácara em região quente e úmida e busca uma frutífera diferente, de crescimento rápido e frutos grandes e doces. Funciona bem para colecionadores de frutíferas amazônicas e para quem quer sombra densa com produção no verão. Também agrada famílias que consomem a fruta in natura ou em sobremesas e têm tempo para regar e adubar nos primeiros anos, quando a árvore estabelece o sistema radicular.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento, casa com quintal pequeno ou região fria com geadas frequentes, pois a árvore fica grande e não tolera frio prolongado. Também não é a melhor escolha para quem busca frutífera de vaso ou produção muito precoce sem manejo. Quem tem pouco tempo para irrigação na seca ou não pode lidar com frutos grandes que caem e precisam ser colhidos rápido pode preferir espécies menores e mais rústicas ao frio.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno o dia todo; não tolera sombreamento na fase produtiva
Rega
Regular, 2 a 3 vezes por semana na seca nos 2 primeiros anos; manter solo úmido sem encharcar
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 5,5 a 6,5
Temperatura
22 °C a 30 °C; sensível a geada e a frio abaixo de 12 °C por muitos dias
Adubação
Orgânica + NPK rico em potássio no início das chuvas e após colheita; calagem leve a cada 2 anos
Poda
Formação até 3 anos e limpeza anual após colheita; evitar podas drásticas
Propagação
Sementes frescas (perdem viabilidade rápido) e enxertia para precocidade

Perfil rápido de Sapota-do-Peru

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 5 países

  • Peru
  • Equador
  • Colômbia
  • Brasil
  • Venezuela

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malvales
Família
Malvaceae
Gênero
Quararibea (sin. Matisia)
Espécie
Quararibea cordata

Resumo

  • Sapota-do-peru é uma frutífera amazônica de polpa alaranjada, doce e suculenta, com frutos que podem passar de 1 kg.
  • Precisa de sol pleno, clima quente e úmido e solo fértil e bem drenado para produzir bem no Brasil.
  • Frutifica entre 3 e 5 anos quando plantada por muda e tem colheita concentrada no verão e início do outono.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularSapota-do-peru, sapote sul-americano, chupa-chupa
Nome científicoQuararibea cordata (sin. Matisia cordata)
Família botânicaMalvaceae (ex-Bombacaceae)
OrigemAmazônia ocidental (Peru, Equador, Colômbia e Brasil)
Tamanho12 a 25 m na natureza; 6 a 12 m em pomar doméstico
Tempo até frutificar3 a 5 anos por semente; 2 a 3 anos por muda enxertada
Época de frutificaçãoDezembro a abril no Brasil
LuminosidadeSol pleno
RegaRegular, mantendo solo úmido sem encharcar
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
ClimaTropical quente e úmido, 22 °C a 30 °C
PropagaçãoSementes, enxertia e estaquia
Cultivo em vasoPouco recomendado, apenas temporário
Espaçamento8 x 8 m a 10 x 10 m entre árvores

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaAlto
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasMédio

O que é a sapota-do-peru e como reconhecê-la

A sapota-do-peru não é a sapoti (Manilkara zapota) e nem o sapotá. O nome correto é Quararibea cordata, ainda muito citada como Matisia cordata, da família Malvaceae. É nativa da Amazônia ocidental e das encostas úmidas dos Andes, onde cresce como árvore de dossel.

Você reconhece a árvore pelas folhas grandes em forma de coração, com 20 a 35 cm de comprimento, verde-escuras e levemente ásperas. O tronco é reto, de casca acinzentada, e a copa é densa e arredondada.

O fruto é inconfundível: ovalado, com casca espessa e aveludada, verde quando imaturo e amarelo-alaranjado quando maduro. Pesa de 400 g a 1,5 kg e mede 10 a 18 cm. A polpa é alaranjada forte, fibrosa, muito suculenta e doce, envolvendo 2 a 5 sementes grandes. O sabor lembra abóbora doce com toque de manga.

Onde plantar e qual clima ela exige no Brasil

A sapota-do-peru é essencialmente tropical de terras baixas. Ela rende bem onde a temperatura média fica entre 22 °C e 30 °C e a umidade relativa é alta o ano todo. Frio prolongado abaixo de 12 °C prejudica o crescimento e a floração.

No Brasil, os melhores resultados são na Região Norte, no norte do Centro-Oeste e em áreas quentes do Sudeste litorâneo. No Sul e em regiões serranas, só produz bem com microclima protegido e sem geada.

Precisa de sol pleno o dia todo e de proteção contra ventos fortes, que quebram ramos carregados de frutos. Em quintais, plante longe de muros e fiações, pois a árvore adulta abre copa de 6 a 8 metros de diâmetro.

Como plantar sapota-do-peru do jeito certo

A forma mais comum é por semente fresca. A semente perde viabilidade rápido, então plante em até 7 dias após retirar da polpa. Lave, deixe secar à sombra por um dia e semeie a 2 cm de profundidade em substrato arenoso e úmido. A germinação ocorre em 20 a 40 dias.

Mudas enxertadas são mais interessantes para quem quer precocidade e frutos mais uniformes. Elas começam a produzir com 2 a 3 anos, enquanto plantas de semente levam 3 a 5 anos. Compre mudas de viveiros idôneos e com procedência amazônica.

Para plantio definitivo, abra berço de 60 x 60 x 60 cm, misture 15 a 20 litros de composto orgânico curtido, 200 g de calcário e 100 g de superfosfato simples. O espaçamento ideal é de 8 x 8 m a 10 x 10 m. Em pomar pequeno, uma única árvore já produz bem, mas duas aumentam a polinização cruzada.

Passo a passo do plantio

  • Escolha local com sol pleno e solo profundo, sem encharcamento.
  • Plante no início da estação chuvosa, de outubro a janeiro na maior parte do Brasil.
  • Faça tutoramento nos primeiros 12 meses para o tronco crescer reto.
  • Mantenha cobertura morta ao redor, sem encostar no tronco, para conservar umidade.

Luz, rega e solo ideais para frutificação

Luz é inegociável. Sombreamento reduz drasticamente a floração. Mesmo muda jovem precisa de pelo menos 6 horas de sol direto.

O solo deve ser fértil, profundo, fofo e bem drenado, com pH entre 5,5 e 6,5. Solos argilosos compactados ou encharcados causam apodrecimento de raízes. Se o terreno for pesado, plante em camalhão de 30 a 40 cm de altura.

A rega deve ser regular e profunda. Nos dois primeiros anos, irrigue 2 a 3 vezes por semana na seca, mantendo o solo úmido. Árvore adulta tolera estiagens curtas, mas a falta de água na floração derruba flores e frutos novos. Na frutificação, não deixe faltar água, mas evite encharcar.

Quando e como a sapota-do-peru frutifica

A floração é cauliflora: as flores amarelo-claras nascem direto no tronco e nos ramos grossos, não nas pontas. Isso facilita a polinização por abelhas e morcegos pequenos e torna a árvore muito ornamental quando florida.

No Brasil, a floração ocorre principalmente entre agosto e novembro, e a colheita vai de dezembro a abril, com pico em janeiro e fevereiro. Cada árvore adulta bem cuidada pode produzir 100 a 300 frutos por safra.

O ponto de colheita é quando a casca muda de verde para amarelo-alaranjado e cede levemente ao toque. O fruto amadurece fora do pé em 3 a 6 dias. Colha com cuidado, pois quedas racham a polpa. Fruto maduro dura 3 a 5 dias na geladeira e deve ser consumido logo.

Poda e adubação para manter a árvore produtiva

A sapota-do-peru precisa de poda de formação nos primeiros 3 anos. Conduza em haste única até 1,2 m e depois deixe 3 a 4 ramos principais bem distribuídos. Isso cria copa arejada e facilita a colheita.

Após a colheita, faça poda de limpeza: retire ramos secos, cruzados e mal posicionados. Não faça podas drásticas, pois a frutificação ocorre em madeira mais velha. Cortes grandes demoram a cicatrizar e atraem brocas.

Na adubação, use a lógica de pomar tropical:

  • No plantio: composto orgânico + fósforo.
  • Crescimento (ano 1 e 2): 3 a 4 adubações ao ano com NPK 10-10-10 ou orgânico rico em nitrogênio.
  • Produção: adube no início das chuvas e após a colheita com fórmula rica em potássio e matéria orgânica, como 15-05-20 + 10 litros de húmus por planta.

Cobertura morta permanente e calagem leve a cada 2 anos ajudam a manter o pH e a vida do solo.

Cultivo em vaso: vale a pena?

Na nossa avaliação, vaso não é o habitat da sapota-do-peru. É uma árvore grande, de raiz pivotante profunda e que precisa de volume de solo para sustentar frutos pesados.

É possível manter muda jovem em vaso de 100 a 200 litros por 2 a 3 anos, com substrato fértil e rega frequente, mas a produção será pequena e a planta pedirá transplante. Para varanda ou apartamento, escolha frutíferas de pequeno tamanho.

Se insistir no vaso, use recipiente largo, com 60 cm de profundidade mínima, tutor firme e adubação mensal leve. Espere crescimento limitado e poucos frutos.

Pragas, doenças e cuidados que evitam perdas

A espécie é relativamente rústica, mas sofre com mosca-das-frutas, broca-do-tronco e cochonilhas em pomares mal manejados. Frutos com perfuração e polpa escura indicam ataque de mosca. Ensacamento com saco de TNT quando o fruto tem 5 a 7 cm reduz muito o problema.

Em solo encharcado, surge podridão de raízes e antracnose nas folhas e frutos. Evite molhar a copa à noite, faça drenagem e remova frutos caídos do chão. Calda bordalesa preventiva, no início da floração, ajuda em regiões muito úmidas.

O manejo mais eficaz é preventivo: copa arejada, solo bem drenado, adubação equilibrada e colheita no tempo certo. Árvores bem nutridas e com sol pleno resistem melhor e produzem frutos maiores e mais doces.

Sabor, usos e o que a torna interessante

A polpa da sapota-do-peru é fibrosa e perfumada, para comer de colher ou chupar. Por isso o nome popular chupa-chupa na Amazônia. O sabor é doce, sem acidez, com notas de mamão e abóbora. Não é uma fruta para suco coado, pois a fibra domina.

Na culinária amazônica, vira cremes, sorvetes, mousses e vitaminas com leite. A polpa pode ser congelada por até 6 meses sem perder muito aroma. As sementes não são comestíveis cruas.

Além do fruto, a árvore tem valor ornamental e de sombra em sítios e chácaras. Cresce rápido, forma copa fechada e atrai polinizadores. É uma frutífera para quem busca diversidade no pomar e quer uma espécie amazônica pouco comum fora do Norte, mas perfeitamente adaptável a clima quente úmido.

Na nossa avaliação, a sapota-do-peru é uma das frutíferas amazônicas mais gratificantes para quintais grandes: exige espaço e água, mas entrega frutos gigantes, doces e uma árvore bonita que pouca gente conhece fora da Amazônia.

Perguntas frequentes

Sapota-do-peru é a mesma coisa que sapoti?

Não. Sapoti é Manilkara zapota, de polpa marrom e sabor caramelado. Sapota-do-peru é Quararibea cordata, de polpa alaranjada, fibrosa e fruto muito maior.

Quanto tempo demora para dar frutos?

De semente, de 3 a 5 anos. Muda enxertada pode frutificar em 2 a 3 anos, se tiver sol pleno, água e adubação adequadas.

Pode plantar sapota-do-peru em vaso?

Só temporariamente. A árvore fica grande e precisa de solo profundo. Em vaso de 100 a 200 litros ela cresce pouco e produz poucos frutos.

Qual o tamanho do fruto?

Em média 10 a 18 cm e 400 g a 1,5 kg. Frutos bem nutridos e irrigados ficam maiores e mais doces.

Precisa de outra árvore para polinizar?

Não é obrigatório, mas ter duas árvores melhora a polinização cruzada e aumenta a produção, feita por abelhas e morcegos.

Como saber a hora de colher?

Quando a casca passa de verde para amarelo-alaranjado e cede levemente ao toque. Depois de colhido, amadurece em 3 a 6 dias fora da geladeira.

A sapota-do-peru aguenta frio e geada?

Não. É sensível a frio prolongado abaixo de 12 °C e não tolera geada. Prefere clima tropical quente e úmido o ano todo.

Você sabia?

1

Flor no tronco

A sapota-do-peru é cauliflora: as flores e os frutos brotam diretamente no tronco e nos galhos grossos, não nas pontas dos ramos, o que facilita a colheita.

2

Fruto gigante

Um único fruto pode pesar de 400 g a 1,5 kg, com polpa alaranjada tão fibrosa que na Amazônia o nome popular é chupa-chupa, porque se chupa em vez de morder.

3

Folha em forma de coração

O epíteto cordata vem do latim coração, referência às folhas grandes cordiformes de até 35 cm, que tornam a árvore fácil de identificar mesmo sem frutos.

4

Parente do cacau e do baobá

Pertence à família Malvaceae, a mesma do cacau, do cupuaçu e do baobá, grupo conhecido por árvores de frutos polposos e madeira leve.

Fontes

  1. Embrapa Amazônia Oriental
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Missouri Botanical Garden - Tropicos

Prós e contras: Sapota-do-Peru

Prós

  • Frutos grandes, doces e muito produtivos em clima quente
  • Crescimento rápido e copa densa que fornece sombra
  • Floração cauliflora ornamental e fácil de manejar
  • Polpa versátil para consumo in natura, sorvetes e cremes
  • Relativamente rústica quando tem sol pleno e solo bem drenado

Contras

  • Árvore grande que exige quintal amplo e espaçamento de 8 a 10 m
  • Não tolera frio, geada nem sombreamento
  • Frutos pesados precisam de colheita cuidadosa e estragam rápido
  • Pouco adequada para vaso e para espaços pequenos
  • Sementes perdem viabilidade rápido e mudas são pouco encontradas fora do Norte
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a sapota-do-peru vale o espaço se você tem clima quente e quintal grande: é produtiva, ornamental e entrega uma fruta realmente diferente. Não é frutífera para vaso ou para quem não pode irrigar na seca, mas é uma das amazônicas mais fáceis de acertar fora da Amazônia.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.