🍊 Frutíferas

Pereira-asiática

Pyrus pyrifolia

Atualizado em

4 a 8 m (3 a 4 m com poda)Tamanho
Sol pleno, 6h+Luminosidade
ModeradaRega
3 a 4 anosPrimeiros frutos
MédiaDificuldade
Pereira-asiática carregada de frutos redondos no pomar

A pereira-asiática (Pyrus pyrifolia), também chamada de pera-japonesa ou nashi, é uma árvore frutífera de origem asiática famosa por frutos redondos, suculentos e crocantes, bem diferentes da pera europeia manteigosa. A polpa é firme, muito aquosa e doce, para comer fresca como maçã.

No Brasil ela se adapta melhor ao Sul e ao Sudeste em regiões de altitude, pois precisa de frio no inverno para florescer bem. É produtiva, ornamental na florada e exige polinização cruzada na maioria das variedades, além de podas anuais para manter a copa baixa e iluminada.

Também conhecido como: Pera-japonesa, Pera-nashi, Nashi, Pera-asiática, Asian pear (inglês), Nash pear

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Pereira-asiática

Pereira-asiática carregada de frutos redondos no pomar
Árvore de pereira-asiática em produção no verão.
Frutos da pereira-asiática ainda na árvore, detalhe da casca
Frutos redondos e firmes, típicos da espécie.
Flores brancas da pereira-asiática na primavera
Florada branca que precisa de polinização cruzada.
Pera-asiática cortada ao meio mostrando polpa branca e suculenta
Polpa crocante e muito aquosa, diferente da pera europeia.
Cesta de colheita com peras-asiáticas
Colheita de verão entre dezembro e março no Brasil.
Muda enxertada de pereira-asiática em vaso
Muda enxertada, forma recomendada de plantio.
Ideal para

Ideal para quem mora no Sul e Sudeste serrano e tem quintal com sol pleno e espaço para duas árvores compatíveis. É uma ótima escolha para quem busca uma frutífera diferente, produtiva e ornamental, que dá frutos crocantes para consumo in natura sem precisar cozinhar ou esperar amolecer. Também funciona para entusiastas que gostam de podar e cuidar do pomar com disciplina. Com raleio e condução correta, a pereira-asiática recompensa com colheitas generosas e frutos de calibre comercial no verão.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em regiões quentes e litorâneas sem inverno frio, como Norte, Nordeste e baixadas do Sudeste. Sem horas de frio, a planta vegeta mas quase não frutifica e frustra o iniciante. Também não é indicada para quem tem pouco tempo, varanda sombreada ou quer uma árvore sem manejo. Ela exige duas variedades para polinizar, poda anual, raleio de frutos e controle de mosca-das-frutas; sem isso a produção fica pequena e bichada.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, 6 a 8 horas de sol direto; meia-sombra reduz drasticamente a produção
Rega
Moderada; manter solo levemente úmido, sem encharcar; reforçar na floração e engrossamento dos frutos
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, rico em matéria orgânica; pH 6,0 a 6,5
Temperatura
Clima temperado a subtropical; precisa de 300-600h de frio <7,2 °C; tolera geada leve no inverno e calor no verão com irrigação
Adubação
Composto orgânico no inverno + NPK 4-14-8 ou similar no pré-floração; cobertura com potássio na frutificação; calcário se pH baixo
Poda
Formação em taça nos 2 primeiros anos; poda de frutificação anual no inverno + raleio de frutos na primavera
Propagação
Enxertia de garfagem ou borbulhia sobre Pyrus calleryana, P. betulifolia ou marmeleiro; semente não mantém a variedade

Perfil rápido de Pereira-asiática

Calendário

Plantio (muda dormente)JFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 3 países

  • China
  • Japão
  • Coreia do Sul

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Rosales
Família
Rosaceae
Gênero
Pyrus
Espécie
Pyrus pyrifolia

Resumo

  • A pereira-asiática produz peras redondas, firmes e muito suculentas, que amadurecem na árvore e não amolecem depois de colhidas como a pera europeia.
  • Precisa de sol pleno, inverno frio com 300 a 600 horas de frio e outra variedade compatível por perto para polinização cruzada.
  • No Sul e Sudeste do Brasil frutifica no verão, entre dezembro e março, e começa a produzir de 3 a 4 anos após o plantio da muda enxertada.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularPereira-asiática, pera-japonesa, nashi
Nome científicoPyrus pyrifolia (Burm.f.) Nakai
Família botânicaRosaceae
OrigemChina, Japão e Península Coreana
Tamanho4 a 8 m de altura; 3 a 4 m com poda de condução
Tempo até frutificar3 a 4 anos (muda enxertada)
Época de frutificaçãoDezembro a março no Brasil
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada, solo úmido sem encharcar
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 6,0 a 6,5
ClimaTemperado a subtropical; exige 300-600h de frio <7,2 °C
PropagaçãoEnxertia sobre Pyrus calleryana ou P. betulifolia
Cultivo em vasoPossível em vaso grande (80 L+) com poda e tutor
Espaçamento4 a 5 m entre plantas; 4 x 3 m em pomar compacto

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosMédio
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasMédio

O que é a pereira-asiática e como reconhecer

A pereira-asiática não é um híbrido de maçã com pera, apesar da aparência. É uma espécie legítima de Pyrus, do mesmo gênero da pera europeia, mas com fruto em formato de maçã, casca fina e polpa granulada bem crocante.

O fruto é redondo, firme e suculento, com peso entre 150 e 400 g conforme a variedade. A cor varia de amarelo-dourado a marrom-acastanhado, às vezes com russeting (aspecto áspero). Ao contrário da pera europeia, ela amadurece na árvore e deve ser colhida já doce; depois de colhida não amolece muito.

A árvore tem folhas ovais, brilhantes e serrilhadas, copa ereta e flores brancas em corimbos na primavera. O tronco tem casca acinzentada que escama com a idade. É ornamental e produtiva ao mesmo tempo.

Onde e quando produz no Brasil: clima e necessidade de frio

O ponto crítico da pereira-asiática no Brasil é o frio hibernal. Ela precisa de dormência para florescer de forma uniforme. A maioria das cultivares exige 300 a 600 horas abaixo de 7,2 °C.

Por isso, os melhores resultados estão no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e regiões serranas de São Paulo e Minas Gerais acima de 700 m. Em clima quente sem frio, a brotação falha, a floração é rala e os frutos ficam pequenos.

No calendário brasileiro, a floração ocorre entre agosto e setembro e a colheita entre dezembro e março, com pico em janeiro e fevereiro. Em regiões mais frias, pode estender até abril com cultivares tardias como Atago.

Variedades mais plantadas e como escolher

Quase todas as pereiras-asiáticas são autoincompatíveis: precisam de outra variedade compatível florindo junto para haver polinização cruzada por abelhas. Plantar uma só raramente dá boa safra.

As cultivares mais difundidas no Brasil são de origem japonesa:

Variedade Cor da casca Sabor e textura Colheita
Kosui Dourada com russeting Muito doce, suculenta, precoce Dezembro a janeiro
Hosui (Housui) Marrom-bronzeada Doce, aromática, crocante Janeiro a fevereiro
Nijisseiki (Século XX) Amarelo-esverdeada Suave, muito suculenta, pele fina Janeiro a fevereiro
Shinseiki Amarela clara Leve, refrescante, boa para iniciantes Janeiro
Atago Amarelo-bronzeada, grande Gigante (até 600 g), tardia Fevereiro a março

Para quintal, a combinação Kosui + Hosui ou Nijisseiki + Shinseiki funciona bem e garante polinização. Verifique sempre a compatibilidade no viveiro, pois algumas são inter-incompatíveis.

Como plantar pereira-asiática: muda, espaçamento e polinização

Prefira muda enxertada de viveiro idôneo, com porta-enxerto Pyrus calleryana ou P. betulifolia, mais tolerantes a solos brasileiros. Muda de semente demora e não mantém a variedade.

Plante no inverno, de junho a agosto, quando a muda está dormente. Faça cova de 60 x 60 x 60 cm, misture composto orgânico e calcário para corrigir o pH. Mantenha o ponto de enxertia 5 cm acima do solo.

Respeite 4 a 5 m entre plantas em quintal. Em pomar doméstico compacto, 4 x 3 m com condução em taça ou líder central funciona. Instale tutor nos dois primeiros anos e plante as duas variedades a até 10 m de distância para as abelhas transitarem.

Luz, rega e solo ideais para frutificar bem

A pereira-asiática exige sol pleno, mínimo de 6 horas diretas. Sombra reduz floração e deixa frutos sem açúcar. Vento forte derruba flores; se necessário, use quebra-vento.

O solo ideal é profundo, fértil e bem drenado. Ela não tolera encharcamento, que causa podridão de raízes. Mantenha cobertura morta (palhada) para conservar umidade e regue 2 a 3 vezes por semana no primeiro ano, depois apenas em estiagens longas e na formação dos frutos.

Na frutificação, a falta de água causa frutos pequenos e rachaduras. O excesso perto da colheita dilui o sabor. Rega moderada e constante é o melhor equilíbrio.

Poda, adubação e condução da copa

A poda é obrigatória para manter a árvore produtiva e baixa. Faça poda de formação nos 2 primeiros anos em taça aberta com 3 a 4 pernadas, e poda de frutificação todo inverno, após a queda das folhas.

Remova ramos cruzados, ladrões e ramos muito verticais. Encurte ramos longos e preserve esporões curtos, onde nascem as flores. O raleio de frutos é essencial: deixe 1 fruto a cada 15 a 20 cm quando tiverem tamanho de bolinha de gude, para ganhar calibre e doçura.

Adube com matéria orgânica no inverno e reforço com NPK rico em potássio e fósforo no pré-floração (agosto). Em solos ácidos do Sul, corrija com calcário anualmente. Análise de solo a cada 2 anos evita excessos.

Como saber o ponto de colheita

A pera-asiática muda de verde para amarelo-dourado ou bronze e se solta com facilidade ao torcer levemente. As sementes ficam pretas quando madura. Prove uma: deve estar crocante e doce, não adstringente. Colha com cuidado para não bater.

Cultivo em vaso: é possível?

É possível, mas com limitações. Use vaso de 80 a 120 litros, com substrato leve (terra, composto e perlita/areia grossa) e drenagem excelente. Escolha variedades menos vigorosas como Shinseiki ou Nijisseiki em porta-enxerto anão.

Em vaso, a árvore fica com 1,8 a 2,5 m e produz menos, de 15 a 30 frutos por safra com bom manejo. Precisa de sol pleno em varanda ou quintal, rega frequente, adubação parcelada e poda anual para não envasar. Sem frio suficiente, mesmo em vaso a produção falha.

Para apartamento sem sacada com sol direto, não compensa. O vaso esquenta muito e a planta sofre. Nesses casos, prefira frutíferas subtropicais sem exigência de frio.

Pragas, doenças e problemas comuns

A pereira-asiática é mais resistente que a europeia à sarna, mas ainda sofre com entomosporiose (mancha foliar), ferrugem e fogo-bacteriano (Erwinia amylovora) em anos úmidos. Folhas com manchas pretas e frutos rachados indicam fungo; ramos com aspecto de queimado indicam bactéria.

Entre as pragas, mosca-das-frutas, pulgões, cochonilhas e ácaros são as mais comuns no Brasil. Ensacar frutos com saquinhos de TNT quando têm 3 a 4 cm reduz muito o ataque de mosca e melhora a aparência.

Previna com poda para arejar a copa, remoção de frutos caídos e folhas doentes, e calda bordalesa no inverno após a poda. Evite molhar folhas na rega e não deixe frutos mumificados na árvore.

Curiosidades, sabor e uso na cozinha

O sabor lembra pera com notas de maçã e melão, extremamente suculento — algumas cultivares têm mais de 85% de água. Por isso, na Ásia ela é servida fatiada bem gelada, como fruta refrescante, e não cozida.

Diferente da pera europeia, ela não amacia na fruteira. Se colhida verde, continua dura e sem graça. O ideal é refrigerar após a colheita; dura 2 a 4 semanas na geladeira e até 3 meses em câmara fria, bem mais que a pera comum.

Na culinária japonesa e coreana, entra em saladas, sucos e até como amaciante natural de carnes no bulgogi, graças a enzimas que amaciam proteína. Evite cozinhar demais, pois perde a crocância que é seu maior charme.

Perguntas frequentes

Pereira-asiática precisa de outra árvore para dar frutos?

Na maioria das variedades sim. Elas são autoincompatíveis e precisam de outra cultivar compatível florindo ao mesmo tempo e de abelhas para polinização cruzada.

Quanto tempo demora para dar frutos?

Muda enxertada bem conduzida começa a produzir entre 3 e 4 anos após o plantio, com produção plena a partir do 5º ou 6º ano.

Posso plantar pereira-asiática em região quente?

É difícil. Sem 300 a 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C no inverno, a floração falha e a frutificação é fraca. Prefira regiões serranas do Sul e Sudeste.

Qual a diferença entre pera-asiática e pera europeia?

A asiática é redonda, firme e crocante como maçã, suculenta e se come dura. A europeia é piriforme, de polpa manteigosa que amolece depois de colhida.

Quando colher a pera-asiática?

Quando a casca muda de verde para amarelo-dourado ou bronze, o fruto se solta fácil ao torcer e as sementes estão pretas. Ela não amadurece bem se colhida verde.

Dá para cultivar em vaso?

Dá, em vaso de 80 a 120 litros, com sol pleno, variedade menos vigorosa e poda anual. A produção será menor e ainda exige frio no inverno.

Precisa ensacar os frutos?

Recomendado. Ensacar com TNT quando o fruto tem 3 a 4 cm reduz ataque de mosca-das-frutas, pássaros e melhora a casca.

Você sabia?

1

Não é cruzamento de maçã com pera

Apesar do formato redondo, a pereira-asiática é Pyrus puro. A semelhança com maçã é convergência evolutiva, não hibridação. O gênero Pyrus tem cerca de 30 espécies selvagens na Eurásia.

2

Cultivada há mais de 2.000 anos

Registros chineses da dinastia Han já citavam a pera-asiática. No Japão, a cultivar Nijisseiki foi descoberta em 1898 por um jovem de 13 anos e se tornou a mais plantada do país por décadas.

3

Precisa de abelhas, não de vento

As flores são autoincompatíveis e dependem de abelhas para levar pólen de outra cultivar. Pomares comerciais chegam a introduzir colmeias na floração para garantir vingamento.

4

Fruto que não amadurece fora do pé

Diferente da pera europeia que amolece na fruteira com etileno, a nashi deve ser colhida madura. Se colhida verde, permanece dura, pouco doce e sem aroma.

Fontes

  1. Embrapa - Fruticultura de Clima Temperado
  2. Instituto Agronômico (IAC) - Frutíferas Temperadas
  3. FAO - Ecocrop / Plant Resources

Prós e contras: Pereira-asiática

Prós

  • Frutos crocantes, muito suculentos e doces, diferentes de qualquer pera comum
  • Boa conservação pós-colheita na geladeira (2 a 4 semanas)
  • Árvore ornamental com florada branca abundante
  • Mais resistente a sarna que a pereira europeia
  • Produção alta com manejo correto e raleio

Contras

  • Exige frio hibernal e não produz bem em clima quente
  • Necessita de duas variedades compatíveis para polinização
  • Exige poda anual e raleio de frutos para bom calibre
  • Suscetível a mosca-das-frutas e entomosporiose se não manejada
  • Fruto não amadurece depois de colhido verde
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a pereira-asiática é uma das frutíferas temperadas mais gratificantes para o Sul do Brasil, justamente por entregar um fruto único — crocante e suculento — que não se encontra bem no mercado comum. O preço é a exigência de frio e de polinização cruzada: sem duas variedades compatíveis e poda anual, ela vira árvore ornamental. Para quem topa o manejo, poucas frutíferas dão tanto retorno em sabor e conservação pós-colheita.

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.