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Imbu-cajá

Spondias bahiensis

Atualizado em

6 a 12 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Moderada, tolera secaRega
3 a 4 anosPrimeiros frutos
Baixa a médiaDificuldade
Frutos de imbu-cajá inteiros e cortado ao meio mostrando polpa amarela

O imbu-cajá é uma árvore frutífera híbrida natural entre o umbu (Spondias tuberosa) e o cajá (Spondias mombin), descrita cientificamente como Spondias bahiensis. Nativa do Nordeste do Brasil, sobretudo do Recôncavo Baiano, une a resistência à seca do umbuzeiro com a produtividade e o aroma do cajazeiro.

De tamanho médio a grande, com 6 a 12 metros de altura e copa ampla, produz frutos ovais de 3 a 4 cm, casca fina amarelo-alaranjada e polpa suculenta agridoce muito usada em sucos, sorvetes e geleias. É uma frutífera rústica, de sol pleno e pouca exigência de água depois de estabelecida, ideal para quintais e sítios em clima quente.

Também conhecido como: Imbu-cajá, Umbu-cajá, Cajá-umbu, Cajá-umbuzeiro, Umbu-cajazeira

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Imbu-cajá

Frutos de imbu-cajá inteiros e cortado ao meio mostrando polpa amarela
Frutos maduros de imbu-cajá com polpa amarelo-clara e caroço fibroso.
Árvore de imbu-cajá carregada de frutos no pomar
Imbu-cajazeiro adulto em produção, com copa ampla e frutos pendentes.
Folhas compostas do imbu-cajá em close
Folhas pinadas do imbu-cajá, com folíolos verde-brilhantes.
Cesto de palha cheio de imbu-cajás colhidos
Colheita de imbu-cajá: frutos colhidos no ponto ideal de maturação.
Flores pequenas do imbu-cajá em panícula
Floração do imbu-cajá, com flores branco-amareladas visitadas por abelhas.
Suco e polpa congelada de imbu-cajá
Polpa e suco de imbu-cajá, formas mais comuns de consumo.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal, sítio ou chácara em região quente e quer uma frutífera rústica, produtiva e de sombra generosa. É uma ótima escolha para famílias que valorizam frutos nativos para suco e polpa congelada, pois uma única árvore abastece a casa na safra e ainda sobra para compartilhar. Também funciona bem para quem busca baixa manutenção após o pegamento. Depois de estabelecida, tolera estiagem, exige pouca rega e quase não precisa de poda técnica, sendo mais simples que frutíferas exigentes como pêssego ou maçã.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento ou tem quintal muito pequeno e sombreado. O porte grande, a copa larga e a necessidade de sol pleno inviabilizam o cultivo em vaso e em áreas com menos de 6 horas de sol. Também não é indicado para quem tem pouco tempo na época da safra ou mora em região com geadas frequentes. A frutificação é concentrada e os frutos caem maduros todos os dias, exigindo colheita diária, e o frio intenso do Sul e da Serra queima folhas e impede a produção.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto por dia
Rega
Moderada no primeiro ano; depois tolera seca, regar apenas em floração e frutificação se houver estiagem
Solo
Profundo, bem drenado, fértil, pH 5,5 a 6,5; evitar encharcamento
Clima
Tropical quente e semiárido, 22 °C a 32 °C; sensível à geada
Adubação
Anual no início das chuvas com esterco curtido + NPK rico em fósforo e potássio
Poda
Formação nos 2 primeiros anos e limpeza anual após a colheita
Propagação
Estaquia e enxertia (recomendadas); sementes com alta variabilidade

Perfil rápido de Imbu-cajá

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Sapindales
Família
Anacardiaceae
Gênero
Spondias
Espécie
Spondias bahiensis

Resumo

  • Imbu-cajá é o híbrido natural entre umbu e cajá (Spondias bahiensis), nativo da Bahia e adaptado ao clima quente e semiárido.
  • Árvore de 6 a 12 m produz frutos agridoce de casca amarelo-alaranjada entre dezembro e março, com pico em janeiro e fevereiro.
  • De cultivo fácil e alta produtividade, prefere sol pleno e solo bem drenado, frutificando em 3 a 4 anos quando plantada por estaca ou enxertia.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularImbu-cajá, umbu-cajá, cajá-umbu, cajá-umbuzeiro
Nome científicoSpondias bahiensis (híbrido Spondias mombin × Spondias tuberosa)
Família botânicaAnacardiaceae
OrigemNordeste do Brasil (Bahia - Caatinga e Mata Atlântica de transição)
Tamanho6 a 12 m de altura; copa de 5 a 8 m de diâmetro
Tempo até frutificar3 a 4 anos (estaquia/enxertia); 6 a 8 anos (semente)
Época de frutificaçãoDezembro a março, pico em janeiro e fevereiro
LuminosidadeSol pleno, mínimo de 6 horas por dia
RegaModerada; tolera seca após estabelecida
SoloProfundo, bem drenado, fértil, pH 5,5 a 6,5
ClimaTropical quente e semiárido; não tolera geada
PropagaçãoEstaquia, enxertia e sementes
Cultivo em vasoPouco recomendado devido ao porte
Espaçamento8 x 8 m a 10 x 10 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeMuito alto
Resistência a pragasAlto

O que é o imbu-cajá e por que ele não é só um umbu grande

Imbu-cajá não é variedade de umbu nem de cajá. É um híbrido natural entre as duas espécies, que ocorre espontaneamente onde as áreas de umbuzeiro e cajazeiro se sobrepõem no interior da Bahia.

Por muito tempo foi tratado como Spondias sp., até ser descrito formalmente em 2015 como Spondias bahiensis. Na prática, carrega o melhor dos dois pais: a resistência à seca e a rusticidade do umbu com o tamanho, aroma e produtividade do cajá.

Diferente do umbuzeiro, que forma xilopódios (batatas subterrâneas para armazenar água), o imbu-cajazeiro tem sistema radicular profundo mas sem reserva tão evidente. E diferente do cajazeiro, que é mais exigente em água, ele aguenta veranicos longos sem abortar frutos.

Como identificar a árvore e o fruto

A árvore tem tronco acinzentado, tortuoso e copa arredondada e ampla, que oferece boa sombra. Atinge 6 a 12 metros, podendo chegar a 15 metros em solos férteis.

As folhas são compostas e pinadas, com 5 a 9 folíolos verde-brilhantes, que caem parcialmente na seca. A floração é discreta, em panículas terminais com flores pequenas branco-amareladas, muito visitadas por abelhas nativas.

O fruto é uma drupa oval de 3 a 4 cm, pesando 15 a 25 g. Quando maduro, a casca fina fica amarelo-alaranjada e levemente brilhante. A polpa é amarelo-clara, suculenta, agridoce e muito aromática, com caroço central fibroso e espinhoso, como o do cajá, mas menor.

  • Imbu: fruto arredondado, casca verde-amarelada com pelos, polpa mais ácida e caroço menor.
  • Cajá: fruto mais alongado, casca lisa amarelo-forte, polpa mais ácida e fibrosa.
  • Imbu-cajá: formato intermediário, casca lisa, equilíbrio entre doçura e acidez e rendimento de polpa superior ao umbu, cerca de 60% a 70%.

Onde plantar: clima, luz e solo ideais no Brasil

O imbu-cajá é planta de sol pleno e calor. Precisa de pelo menos 6 horas de sol direto por dia para produzir bem. Tolera temperaturas de 22 °C a 32 °C e não suporta geada.

Vai melhor em clima tropical semiárido e tropical úmido quente. Por isso produz com destaque no Nordeste, no Norte e no Centro-Oeste. No Sudeste frutifica bem em regiões quentes; no Sul, só em áreas litorâneas sem frio intenso.

O solo ideal é profundo, bem drenado e moderadamente fértil, com pH entre 5,5 e 6,5. Tolera solos arenosos e até pedregosos, desde que não encharquem. Em solo compactado ou com lençol freático alto, a raiz apodrece e a produção cai drasticamente.

Como plantar imbu-cajá passo a passo

A forma mais segura é por muda de estaca ou enxertada. Semente gera muita variação e demora mais para produzir, além de segregar características dos pais.

Escolha muda com 60 a 80 cm, de viveiro idôneo, de preferência enxertada sobre umbuzeiro para maior resistência à seca. O plantio deve ser feito no início das chuvas, de outubro a dezembro na maior parte do Brasil.

  1. Abra cova de 50 x 50 x 50 cm com 30 dias de antecedência.
  2. Misture à terra 10 a 15 litros de esterco curtido, 200 g de calcário e 150 g de superfosfato simples.
  3. Plante mantendo o colo da muda no nível do solo e faça uma bacia de 50 cm ao redor.
  4. Regue abundantemente após o plantio e mantenha rega 2 a 3 vezes por semana nos 3 primeiros meses.
  5. Tutore a muda e mantenha o espaçamento de 8 x 8 m a 10 x 10 m entre árvores.

Em quintal pequeno, plante a pelo menos 5 metros de muros e fiações, pois a copa abre bastante.

Quando e quanto produz: frutificação e colheita

Mudas de estaca ou enxertia começam a produzir com 3 a 4 anos. Por semente, de 6 a 8 anos. A árvore entra em plena produção entre 8 e 12 anos.

A floração ocorre de setembro a novembro e a frutificação de dezembro a março, com pico em janeiro e fevereiro no Nordeste. No Sudeste, pode atrasar 3 a 4 semanas.

Uma árvore adulta e bem manejada produz 100 a 300 kg de frutos por safra, com relatos de até 400 kg em anos chuvosos. A colheita é feita quando o fruto muda de verde para amarelo-alaranjado e começa a cair.

Colha diariamente, de preferência pela manhã, recolhendo os frutos do chão e os que se soltam com leve toque. Frutos verdes não amadurecem bem fora da planta e ficam muito ácidos.

Como saber o ponto certo

  • Casca: amarelo-alaranjada uniforme, sem manchas verdes.
  • Aroma: cheiro doce e forte, característico.
  • Toque: levemente macio, mas sem afundar o dedo.

Como cuidar, podar e adubar para produzir mais

Após o primeiro ano, o imbu-cajazeiro quase não precisa de rega, exceto em secas prolongadas durante floração e enchimento dos frutos. Nessas fases, uma rega profunda por semana evita queda de flores.

A adubação anual faz diferença na produtividade. Aplique no início das chuvas:

  • Matéria orgânica: 15 a 20 litros de esterco curtido por árvore.
  • Mineral: formulação rica em fósforo e potássio, como 10-30-20, seguindo análise de solo.
  • Cobertura morta: mantenha palhada ao redor do tronco para conservar umidade.

A poda é simples. Faça poda de formação nos 2 primeiros anos, deixando 3 a 4 ramos principais bem distribuídos. Depois, apenas poda de limpeza após a colheita, removendo galhos secos, doentes e cruzados.

Evite podas drásticas. A frutificação ocorre em ramos do ano, e cortes excessivos reduzem a safra seguinte.

Pragas e doenças que mais atacam

É uma árvore rústica, mas não imune. As ocorrências mais comuns no Brasil são:

  • Mosca-das-frutas (Anastrepha spp. e Ceratitis capitata): principal problema. Fura o fruto e causa apodrecimento. Controle com ensacamento, coleta de frutos caídos e armadilhas com suco.
  • Antracnose (Colletotrichum spp.): manchas escuras em folhas e frutos em anos úmidos. Melhore a ventilação da copa e evite encharcamento.
  • Cochonilhas e pulgões: atacam brotações novas. Remoção manual e calda de sabão neutro costumam resolver em quintal.
  • Brocas de tronco: mais raras, entram por ferimentos de poda. Mantenha ferramentas desinfetadas.

Plantas bem nutridas e com copa arejada raramente precisam de defensivos. A diversidade de frutíferas ao redor ajuda a atrair inimigos naturais.

Usos do fruto e como aproveitar melhor

A polpa do imbu-cajá é considerada por muitos superior à do umbu e do cajá isolados, por ser menos ácida que o cajá e mais aromática que o umbu. O rendimento é alto e o sabor agridoce agrada mesmo quem acha o cajá muito azedo.

Os usos mais comuns são suco, batida, sorvete, picolé, geleia, licor e caipirinha. A polpa congela muito bem por até 12 meses, mantendo cor e aroma, o que explica sua valorização nas agroindústrias do Nordeste.

Para suco, use 1 parte de polpa para 2 a 3 partes de água e adoce a gosto. Para congelar, bata a polpa sem água, coe as fibras grossas e armazene em porções de 200 a 500 ml.

Forma de uso Rendimento Dica
Suco natural 1 kg rende 2 a 3 litros Coar levemente para manter fibras finas
Polpa congelada 1 kg rende 600 a 700 g de polpa Congelar sem açúcar em saquinhos
Geleia 1 kg rende 4 potes médios Equilíbrio natural de pectina, pouca adição necessária

Curiosidades e valor cultural

O nome vem do tupi: umbu significa “árvore que dá de beber” e cajá, “fruto amarelo”. A junção reflete exatamente a origem híbrida.

Quase toda a produção ainda é extrativista ou de quintais na Bahia, Pernambuco e Piauí. Há poucos pomares comerciais clonais, o que torna a polpa valorizada e sazonal fora do Nordeste.

A Embrapa Mandioca e Fruticultura mantém um banco de germoplasma de Spondias em Cruz das Almas (BA) para selecionar clones mais produtivos e com frutos maiores, já que a espécie ainda passa por domesticação.

Perguntas frequentes

Imbu-cajá é o mesmo que umbu-cajá?

Sim. São nomes diferentes para o mesmo híbrido Spondias bahiensis. Cajá-umbu e umbu-cajazeira também são usados.

Quanto tempo o imbu-cajá demora para dar frutos?

De 3 a 4 anos se a muda for de estaca ou enxertada. Por semente, leva de 6 a 8 anos e a produção é mais variável.

Dá para plantar imbu-cajá em vaso?

Não é recomendado. A árvore chega a 6 a 12 metros e precisa de sol pleno e espaço para a copa. Em vaso, não produz bem.

Qual a época de colheita do imbu-cajá?

De dezembro a março na maior parte do Brasil, com pico em janeiro e fevereiro no Nordeste. Os frutos caem quando maduros.

Precisa de muita água?

Não. Após o primeiro ano, tolera bem a seca. Só precisa de rega complementar durante floração e enchimento dos frutos se houver veranico.

Como diferenciar imbu-cajá de cajá e umbu?

O imbu-cajá tem fruto intermediário: oval, casca lisa amarelo-alaranjada, polpa agridoce equilibrada e caroço fibroso menor que o do cajá.

O fruto pode ser congelado?

Sim, e muito bem. A polpa sem água pode ser congelada por até 12 meses mantendo aroma e cor, ideal para sucos e sorvetes.

Você sabia?

1

Híbrido reconhecido há pouco tempo

Apesar de conhecido pelos agricultores há décadas, o imbu-cajá só foi descrito como espécie nova, Spondias bahiensis, em 2015 por pesquisadores da UEFS e UFBA.

2

Propagação quase sempre por estaca

Como é híbrido, a semente gera plantas muito desiguais. Por isso, quase todas as mudas comerciais vêm de estacas ou enxertia, que clonam a planta-mãe.

3

Fruto que não amadurece bem fora do pé

Diferente da banana, o imbu-cajá colhido verde não completa o amadurecimento e permanece ácido e adstringente. O ponto ideal é quando já está amarelo e se solta fácil.

4

Safra curta e disputada

A safra dura apenas 60 a 90 dias e a polpa congelada chega a valer mais que a de cajá e umbu puros no Nordeste, justamente pela oferta limitada e sabor equilibrado.

Fontes

  1. Embrapa Mandioca e Fruticultura
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS

Prós e contras: Imbu-cajá

Prós

  • Fruto agridoce equilibrado com alto rendimento de polpa (60% a 70%)
  • Muito rústico e tolerante à seca após estabelecido
  • Alta produtividade: 100 a 300 kg por árvore adulta na safra
  • Polpa valorizada e ótima para congelamento
  • Copa ampla que oferece sombra no quintal

Contras

  • Porte grande, inadequado para vasos e quintais pequenos
  • Safra curta e concentrada, exige colheita diária
  • Sensível à geada e ao frio intenso
  • Mudas de qualidade ainda são pouco encontradas fora do Nordeste
  • Frutos atacados com frequência por mosca-das-frutas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o imbu-cajá é a Spondias mais interessante para quintal no Nordeste e no Brasil quente: reúne rusticidade, sombra e fruto de qualidade superior aos pais. Seu único ponto fraco é o porte, que o afasta de vasos e quintais pequenos, mas para quem tem espaço, é uma das frutíferas nativas mais gratificantes.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.