🍊 Frutíferas

Guabirobeira

Campomanesia xanthocarpa

Atualizado em

10 a 15 m (até 25 m na mata)Tamanho
Sol plenoLuminosidade
Moderada a regularRega
3 a 6 anos por sementePrimeiros frutos
Baixa a médiaDificuldade
Árvore de guabirobeira carregada de frutos amarelos maduros

A guabirobeira é uma árvore frutífera nativa do Brasil da família Myrtaceae, muito confundida com a jabuticabeira quando jovem, mas com frutos amarelo-alaranjados, redondos e perfumados. Chega a 10 a 15 metros na mata, tem casca que descama em placas cor de canela e copa densa que oferece sombra e atrai pássaros.

É uma das frutíferas nativas mais rústicas para quintal e pomar agroecológico: tolera geadas leves, seca moderada depois de estabelecida e frutifica entre outubro e janeiro com polpa suculenta para consumo in natura, sucos, geleias e licores. A safra é curta e o fruto fermenta rápido, por isso quase não chega ao mercado e vale plantar em casa.

Também conhecido como: Guabiroba, Gabiroba, Guavirova, Guabirova, Gabirova-de-árvore, Guabiroba-de-árvore

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Guabirobeira

Árvore de guabirobeira carregada de frutos amarelos maduros
Guabirobeira adulta em plena frutificação, com copa densa e frutos amarelo-ouro.
Frutos maduros de guabirobeira no ramo em close
Frutos de guabirobeira maduros, redondos e muito perfumados.
Frutos de guabirobeira inteiros e cortados mostrando polpa e sementes
Polpa suculenta e sementes da guabiroba, de sabor doce-ácido.
Flores brancas da guabirobeira com muitos estames
Floração branca da guabirobeira, muito visitada por abelhas nativas.
Detalhe da casca descamante da guabirobeira em tons de canela
Casca descamante cor de canela, marca registrada da guabirobeira.
Cesto com colheita de guabirobas frescas
Colheita diária de guabiroba: fruto precisa ser consumido ou congelado rápido.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal ou chácara no Sul e Sudeste e busca uma frutífera nativa rústica, de sombra generosa e que alimenta pássaros e abelhas sem exigir pulverizações constantes. Também é ótima para quem valoriza sabores tradicionais e quer produzir geleias, licores e polpas com aroma único da Mata Atlântica.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento, tem varanda pequena ou quer fruta o ano todo na feira. O porte grande, a safra concentrada em 2 a 3 meses e a polpa que fermenta em 1 a 2 dias exigem espaço, colheita diária e processamento rápido, o que frustra quem tem pouco tempo ou espera cultivo em vaso pequeno.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas diárias; meia-sombra só para mudas até 20 cm
Rega
Regular nos 2 primeiros anos; após, regar apenas em estiagens na floração e frutificação
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, pH 5,5 a 6,5; enriquecer com 10 a 15 L de composto por cova
Temperatura
15 a 28 °C ideal; adulta tolera geada leve até -5 °C, muda precisa proteção
Adubação
Orgânica no fim do inverno e pós-colheita; reforço de fósforo e potássio antes da florada
Poda
Formação leve nos 2 primeiros anos e limpeza anual no inverno; evitar cortes grandes
Propagação
Sementes frescas (20 a 45 dias para germinar) e enxertia para precocidade

Perfil rápido de Guabirobeira

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Myrtaceae
Gênero
Campomanesia
Espécie
Campomanesia xanthocarpa

Resumo

  • Guabirobeira (Campomanesia xanthocarpa) é árvore nativa da Mata Atlântica e Pampa, de 10 a 15 m, com frutos amarelos perfumados e doces-ácidos.
  • Frutifica de outubro a janeiro, começa a produzir entre 3 e 6 anos se plantada por semente e precisa de sol pleno e solo bem drenado.
  • É rústica, atrai abelhas e aves, tolera frio e quase não tem praga grave, mas a semente perde viabilidade em poucas semanas e o fruto estraga em 1 a 2 dias após colhido.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularGuabirobeira, guabiroba, gabiroba, guavirova
Nome científicoCampomanesia xanthocarpa (Mart.) O.Berg
Família botânicaMyrtaceae
OrigemBrasil (Mata Atlântica, Cerrado e Pampa), Argentina, Paraguai e Uruguai
Tamanho10 a 15 m de altura (copa de 6 a 9 m); até 25 m em floresta
Tempo até frutificar3 a 6 anos por semente; 2 a 3 anos por muda enxertada
Época de frutificaçãoOutubro a janeiro (pico em novembro-dezembro)
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 horas/dia)
RegaRegular nos 2 primeiros anos; depois apenas em estiagens longas
SoloProfundo, bem drenado, fértil, pH 5,5 a 6,5, rico em matéria orgânica
ClimaSubtropical a tropical de altitude; tolera geada leve até -5 °C
PropagaçãoSementes recalcitrantes e enxertia
Cultivo em vasoPouco indicado; só em vasos acima de 200 L e com porte controlado
Espaçamento6 x 6 m a 7 x 7 m no pomar

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasAlto

Como reconhecer a guabirobeira sem confundir com jabuticaba

A guabirobeira é Campomanesia xanthocarpa, da mesma família da jabuticabeira e da pitanga, a Myrtaceae. Jovem, lembra muito a jabuticabeira pelas folhas brilhantes, mas se entrega por três detalhes.

Primeiro, a casca descamante cor de canela, que solta placas finas e deixa o tronco manchado de tons claros e acastanhados. Segundo, as folhas têm pontuações translúcidas quando vistas contra a luz, que são glândulas de óleo essencial, e cheiram levemente ao serem amassadas. Terceiro, o fruto não é roxo e sim amarelo a alaranjado, redondo, de 1,5 a 2,5 cm, com coroa de sépalas no topo e polpa amarelo-clara muito aromática.

A árvore é semidecídua: perde parte das folhas no inverno e brota com vigor na primavera. Flores são brancas, com muitos estames, solitárias ou em pequenos grupos, e muito visitadas por abelhas nativas. O fruto tem 1 a 6 sementes pequenas e casca fina que amassa fácil.

Onde a guabirobeira vive e por que sumiu dos quintais

Na natureza ocorre do Espírito Santo e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, avançando para Missiones na Argentina, leste do Paraguai e norte do Uruguai. Habita Mata Atlântica, matas de araucária, matas ciliares e borda de Cerrado, sempre em solos profundos e bem drenados.

Era extremamente comum em quintais do Sul e Sudeste até os anos 1980, mas perdeu espaço para frutíferas exóticas e para o desmatamento. Hoje é mais encontrada em pomares agroecológicos, áreas de restauração e arborização urbana no Sul, onde é valorizada por atrair sabiás, saíras, periquitos e abelhas.

Na nossa avaliação, é uma das nativas com maior potencial para voltar aos quintais justamente por ser rústica, longeva e produtiva sem veneno, mas exige aceitar a sazonalidade curta e a queda de frutos no chão.

Quando e como a guabirobeira frutifica

A floração acontece de agosto a novembro, logo após a brotação. A frutificação vem de outubro a janeiro, com pico em novembro e dezembro, variando com altitude e frio.

Cada árvore adulta bem conduzida pode produzir 30 a 80 kg por safra, embora a produção alterne um pouco entre anos. Os frutos amadurecem de forma desuniforme e caem quando maduros, por isso a colheita é quase diária.

O ponto ideal é quando a casca está amarelo-ouro, levemente macia e muito perfumada. Depois de colhido, fermenta em 24 a 48 horas em temperatura ambiente. Essa perecibilidade explica por que você quase não encontra guabiroba na feira.

Como plantar guabirobeira do jeito certo

O método mais comum é por semente recalcitrante, que não pode secar nem ser armazenada. Semeie em até 7 a 15 dias após a colheita, retirando a polpa, lavando e plantando a 1 cm de profundidade em substrato leve e úmido.

A germinação leva 20 a 45 dias e a taxa é alta quando a semente é fresca. Mantenha em meia-sombra até 20 cm e depois leve a sol pleno. Mudas de viveiro com 40 a 60 cm já podem ir a campo.

Para antecipar a produção, a enxertia por garfagem ou borbulhia sobre a própria guabirobeira é a melhor via, reduzindo para 2 a 3 anos o início da frutificação e garantindo frutos maiores. O plantio definitivo deve ser feito no início da estação chuvosa, de setembro a março, em cova de 60 x 60 x 60 cm bem adubada com composto orgânico.

Passo a passo de plantio no quintal

  • Escolha local com sol pleno e sem encharcamento, longe de muros e fiação, pois a copa abre bastante.
  • Corrija o solo para pH 5,5 a 6,5 e misture 10 a 15 litros de composto curtido mais 200 g de farinha de ossos por cova.
  • Plante com o colo no nível do solo, tutorando nos primeiros meses e regando fundo após o plantio.
  • Cubra com mulching de folhas ou palha para manter umidade e proteger raízes superficiais.

Luz, rega, solo e clima ideais para produzir bem

Guabirobeira é árvore de sol pleno. Com menos de 6 horas de sol, cresce, mas produz pouco e os frutos ficam menos doces. Tolera meia-sombra apenas na fase de muda.

Nos dois primeiros anos, regue 2 a 3 vezes por semana se não chover, mantendo o solo úmido mas nunca encharcado. Depois de estabelecida, aguenta estiagens de 20 a 30 dias, mas a falta de água na floração derruba flores e reduz a safra.

O solo ideal é profundo, argilo-arenoso, bem drenado e rico em matéria orgânica. Não tolera solo compactado ou com lençol freático alto. Em solos pobres, responde muito bem a cobertura orgânica permanente.

Quanto ao clima, prefere subtropical e tropical de altitude, com inverno ameno a frio. Suporta geadas leves e curtas até cerca de -5 °C quando adulta, mas mudas precisam de proteção. Em baixadas muito quentes e úmidas o ano todo, frutifica menos.

Poda, adubação e condução da copa

A guabirobeira tem crescimento inicial lento e depois forma copa globosa naturalmente. A poda é simples e deve ser leve.

Faça poda de formação no primeiro e segundo ano, selecionando 3 a 4 ramos principais bem distribuídos e eliminando ramos cruzados ou voltados para dentro. Depois, apenas poda de limpeza no inverno, retirando galhos secos, doentes e ladrões da base.

Evite podas drásticas: cortes grandes demoram a cicatrizar e abrem porta para brocas. Sempre use pasta cicatrizante em ramos acima de 2 cm.

Na adubação, divida em duas aplicações: no fim do inverno (agosto-setembro) e após a colheita (janeiro-fevereiro). Use composto orgânico (10 a 20 L por árvore) mais adubo rico em fósforo e potássio na pré-florada. Excesso de nitrogênio dá muita folha e pouco fruto.

Guabirobeira em vaso: dá certo?

É possível, mas não é a vocação da espécie. Por ser árvore de porte médio a grande e raiz pivotante profunda, o vaso limita muito o desenvolvimento.

Se quiser tentar, use vaso de no mínimo 200 a 300 litros, com substrato bem drenado (terra vegetal + areia grossa + composto 2:1:1) e tutoramento. Será necessário poda anual de copa e raiz para manter 1,5 a 2 m, além de rega quase diária no verão e adubação fracionada a cada 2 meses.

Na prática, a produção em vaso fica em 2 a 5 kg por safra, bem abaixo do pomar. Para varanda ou apartamento, outras Myrtaceae como pitanga-anã são escolhas mais realistas.

Pragas, doenças e o que realmente atrapalha

A guabirobeira é considerada muito resistente. Os problemas mais comuns não são pragas agressivas, mas manejo.

  • Mosca-das-frutas (Anastrepha spp.): principal praga do fruto maduro. Colha diariamente, não deixe frutos caídos no chão e use armadilhas com suco ou proteína hidrolisada.
  • Ferrugem e manchas foliares: surgem em outono úmido, mas raramente comprometem a árvore adulta. Melhore a ventilação da copa e evite molhar folhas à tarde.
  • Formigas cortadeiras e brocas: atacam mudas jovens. Proteja com barreira física no tronco e mantenha a área coroada.
  • Abortamento floral: quase sempre é falta de água ou de polinizadores, não doença. Mantenha floração sem estresse hídrico e evite inseticida na florada.

Por atrair abelhas nativas, evite pulverizar qualquer defensivo durante a floração. O controle mais eficaz é cultural: copa arejada, colheita rápida e chão limpo.

Usos, sabor e como aproveitar a safra curta

O sabor da guabiroba é doce-ácido, com notas de maracujá e limão, e perfume intenso. A polpa é suculenta, mas tem pouca fibra e caroços que ocupam parte do fruto. Quando bem madura, lembra goiaba branca, porém mais ácida.

Como estraga rápido, o ideal é colher e processar no mesmo dia. As melhores formas de uso são:

  • In natura, logo após colhida, ou congelada como polpa para suco.
  • Geleia, compota e licor, onde o aroma se destaca. A geleia fica amarelo-ouro e não precisa de muita pectina.
  • Caipirinha e fermentados artesanais, muito tradicionais no interior do Sul.
  • Uso medicinal popular: chá da casca e folhas é usado como adstringente e antidiarreico, mas sem comprovação clínica e não deve substituir tratamento.

A madeira, densa e dura, já foi usada para cabos de ferramentas e lenha, e as folhas têm óleo essencial com compostos como limoneno e cineol, estudados por seu potencial antimicrobiano. Para fauna, é planta-chave: alimenta aves e abelhas em época de escassez.

Característica Guabirobeira (C. xanthocarpa) Jabuticabeira (Plinia cauliflora)
Cor do fruto Amarelo-alaranjado Roxo-preto
Casca do tronco Descamante cor de canela, manchada Lisa, descamante acinzentada
Local do fruto Nas pontas dos ramos No tronco e ramos grossos
Perecibilidade 1 a 2 dias 2 a 3 dias
Tolerância a geada Alta (até -5 °C) Média

Perguntas frequentes

Guabirobeira e guabiroba são a mesma coisa?

Sim. Guabirobeira é a árvore e guabiroba é o fruto, mas no dia a dia os dois nomes são usados para a espécie Campomanesia xanthocarpa.

Quanto tempo a guabirobeira demora para dar frutos?

De semente, de 3 a 6 anos; de muda enxertada, de 2 a 3 anos, com sol pleno e solo fértil.

Guabirobeira dá em vaso?

Dá com limitações. Precisa de vaso de 200 a 300 litros, sol pleno e podas constantes, e produz bem menos que no chão.

Qual a época da guabiroba?

A safra vai de outubro a janeiro no Brasil, com pico em novembro e dezembro, logo após a floração de agosto a novembro.

Precisa de duas árvores para frutificar?

Não. A guabirobeira é autocompatível, mas ter mais de uma planta ou outras Myrtaceae por perto aumenta a polinização por abelhas e a produção.

Como plantar guabiroba pela semente?

Retire a polpa, lave e semeie em até 15 dias a 1 cm de profundidade em substrato úmido. A germinação ocorre em 20 a 45 dias.

Guabiroba estraga rápido?

Sim, em 24 a 48 horas após colhida já fermenta. Colha madura, consuma no dia ou congele a polpa.

Você sabia?

1

Semente que não espera

A semente da guabirobeira é recalcitrante: se secar por mais de 2 a 3 semanas, perde o poder germinativo. Por isso viveiristas semeiam quase imediatamente após despolpar.

2

Perfume que entrega a safra

O fruto maduro exala aroma tão forte que é possível sentir a árvore frutificada a metros de distância, o que ajuda aves a encontrá-la rapidamente na mata.

3

Parente da goiaba com casca de canela

O tronco descama em placas finas cor de canela e deixa manchas claras, característica ornamental que faz a árvore ser usada também em paisagismo urbano no Sul.

4

Fruto que não viaja

Por ter casca fina e fermentar em até 48 horas, a guabiroba quase nunca chega ao comércio centralizado, sendo típica de pomares domésticos, feiras locais e agroindústrias artesanais.

Fontes

  1. Embrapa Florestas
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) / Instituto Florestal

Prós e contras: Guabirobeira

Prós

  • Muito rústica e longeva, tolera geada leve e dispensa agrotóxicos
  • Atrai abelhas nativas e pássaros, ótima para pomar biodiverso
  • Fruto aromático e versátil para suco, geleia, licor e polpa congelada
  • Copa densa e tronco ornamental, serve também para sombra e paisagismo

Contras

  • Porte grande para terrenos pequenos e pouco adequada a vasos
  • Semente recalcitrante que perde viabilidade em poucas semanas
  • Safra curta e fruto altamente perecível que fermenta em 1 a 2 dias
  • Crescimento inicial lento e frutificação só após 3 a 6 anos por semente
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a guabirobeira é a nativa mais subestimada para quintais do Sul e Sudeste: entrega sombra, rusticidade e uma safra perfumada que nenhum mercado oferece. Vale plantar se você aceita colher e processar rápido, em vez de esperar fruta de prateleira.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.