🍊 Frutíferas

Cabeludinha

Myrciaria glazioviana

Atualizado em

4 a 6 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Moderada a frequenteRega
3 a 6 anosPrimeiros frutos
Baixa a médiaDificuldade
Frutos de cabeludinha amarelos e aveludados inteiros e cortados mostrando polpa translúcida

A cabeludinha é uma árvore frutífera nativa da Mata Atlântica que chama atenção pelos frutos amarelos cobertos por uma penugem fina e macia, que lembra veludo e explica o nome popular. Pequena e muito ornamental, ela produz frutos de 2 a 3 cm, com polpa suculenta, agridoce e aromática, bastante apreciados in natura e em sucos e geleias.

De crescimento moderado e copa densa, atinge de 4 a 6 metros no pomar e frutifica em abundância quando bem estabelecida. É uma espécie rústica, pouco exigente e ideal para quintais, chácaras e recuperação de áreas, atraindo abelhas nativas e pássaros durante a floração e a frutificação.

Também conhecido como: Cabeluda, Cabeludinha-amarela, Jabuticaba-amarela, Jabuticaba-cabeluda, Peludinha, Myrcia cabeluda

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Cabeludinha

Frutos de cabeludinha amarelos e aveludados inteiros e cortados mostrando polpa translúcida
Frutos de cabeludinha maduros com casca aveludada e polpa suculenta.
Close-up da casca aveludada da cabeludinha com penugem dourada
Detalhe da penugem que dá nome à cabeludinha.
Árvore de cabeludinha carregada de frutos amarelos no quintal
Árvore de cabeludinha em produção no quintal.
Flores brancas pequenas da cabeludinha com abelha nativa polinizando
Floração branca e perfumada visitada por abelhas nativas.
Cesto com colheita de cabeludinhas recém colhidas
Colheita de cabeludinha deve ser consumida em até dois dias.
Folhas brilhantes e tronco liso da árvore cabeludinha
Folhas perenes brilhantes e tronco liso típico da espécie.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal ou chácara no Sudeste e Sudeste e busca uma frutífera nativa, ornamental e de baixa manutenção. Produz bem com sol e adubação simples, atrai polinizadores e rende colheitas generosas para consumo familiar. Também funciona para quem quer uma frutífera diferente para vasos grandes em varandas ensolaradas e para projetos de restauração da Mata Atlântica, já que é rústica e de crescimento moderado.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento pequeno sem sol pleno ou em regiões com geadas fortes e secas prolongadas, onde a planta sofre e produz pouco. Também não serve para quem busca fruta para vender in natura longe da produção, pois a cabeludinha é extremamente perecível e não aguenta transporte. Exige paciência: mesmo em boas condições, leva alguns anos até a primeira safra cheia, o que frustra quem espera retorno imediato.

Cultivo rápido

Luminosidade
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto
Rega
Moderada a frequente na formação; solo sempre levemente úmido sem encharcar
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 5,5 a 6,5
Clima
Tropical úmido e subtropical; prefere calor e umidade, tolera frio leve sem geada forte
Adubação
Orgânica + NPK 10-10-10 ou 4-14-8 três vezes ao ano (ago, out, fev)
Poda
Formação nos 2 primeiros anos e limpeza anual após colheita
Propagação
Sementes frescas (30 a 60 dias para germinar) e enxertia para precocidade

Perfil rápido de Cabeludinha

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Myrtaceae
Gênero
Myrciaria
Espécie
Myrciaria glazioviana

Resumo

  • A cabeludinha é uma árvore frutífera nativa da Mata Atlântica com frutos amarelos, aveludados e de sabor agridoce, colhidos entre outubro e janeiro.
  • Atinge de 4 a 6 metros, prefere sol pleno, solo fértil e bem drenado e começa a produzir entre 3 e 6 anos conforme o método de propagação.
  • É rústica, produtiva e ornamental, ideal para quintais e vasos grandes, mas tem frutos muito perecíveis que devem ser consumidos em até 2 dias após a colheita.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularCabeludinha
Nome científicoMyrciaria glazioviana
Família botânicaMyrtaceae
OrigemMata Atlântica, Brasil (Sudeste)
Tamanho4 a 6 m de altura; copa de 3 a 4 m de diâmetro
Tempo até frutificar3 a 4 anos (muda enxertada); 5 a 8 anos (por semente)
Época de frutificaçãoOutubro a janeiro (pico em novembro/dezembro)
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 horas/dia)
Rega2 a 3 vezes por semana; solo úmido sem encharcar
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
ClimaSubtropical e tropical úmido; sensível a geadas fortes
PropagaçãoSementes e enxertia
Cultivo em vasoPossível em vasos acima de 80 litros
Espaçamento5 x 5 m no pomar

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosMédio
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasAlto

Como identificar a cabeludinha sem confundir

A cabeludinha se reconhece de longe pela casca fina coberta de pelos curtos e dourados, como um veludo. O fruto é redondo, amarelo vivo quando maduro, com 2 a 3 cm de diâmetro e polpa translúcida, suculenta e muito aromática.

As folhas são perenes, brilhantes e opostas, com 5 a 8 cm, verde-escuras em cima e mais claras embaixo. O tronco é liso, acinzentado e descama em placas finas, típico das Myrtaceae como jabuticaba e pitanga.

A floração é discreta e perfumada: flores brancas pequenas, com muitos estames, que surgem direto nos ramos. Muita gente confunde com jabuticaba-amarela, mas a cabeludinha tem fruto aveludado e não liso, e polpa mais ácida que doce.

Onde a cabeludinha vive e por que é tão brasileira

É endêmica da Mata Atlântica do Sudeste, ocorrendo naturalmente do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, com maior frequência no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Cresce em matas de encosta, capoeiras e quintais antigos, até cerca de 800 m de altitude.

Na natureza é árvore de sub-bosque a borda de mata, por isso tolera meia-sombra quando jovem, mas só produz bem com sol pleno na fase adulta. É muito usada em projetos de restauração e arborização urbana por atrair polinizadores.

Fora do Brasil quase não é cultivada comercialmente. Sua raridade no mercado se explica pela alta perecibilidade: o fruto fermenta em 1 a 2 dias após colhido, o que inviabiliza transporte longo.

Quando e quanto produz: época e produtividade real

A floração acontece entre agosto e setembro e a frutificação se concentra de outubro a janeiro, com pico em novembro e dezembro. Em regiões mais quentes pode haver uma segunda florada menor em março se a planta for bem irrigada e adubada.

Uma árvore adulta e bem cuidada produz de 20 a 40 kg de frutos por safra. A frutificação é abundante e simultânea, por isso a colheita deve ser feita a cada 2 a 3 dias no pico.

O ponto ideal é quando a casca está amarelo-ouro uniforme e levemente macia ao toque. Se colhida verde, não amadurece bem; se passar do ponto, cai e estraga rápido no chão.

Como plantar cabeludinha do jeito certo

O plantio deve ser feito no início da estação chuvosa, de setembro a março, com cova de 50 x 50 x 50 cm. Misture à terra 10 litros de esterco curtido, 200 g de calcário e 150 g de superfosfato simples, deixando curtir por 15 dias.

Mudas de semente são mais fáceis de achar, mas demoram mais. Mudas enxertadas frutificam em 3 a 4 anos, contra 5 a 8 anos das de semente. Prefira viveiros idôneos que garantam a espécie Myrciaria glazioviana.

Para sementes, use-as em até 15 dias após retirar da polpa, pois perdem viabilidade muito rápido. Lave bem, semeie a 1 cm de profundidade em substrato úmido e mantenha à meia-sombra até germinar, o que leva de 30 a 60 dias.

Luz, rega e solo ideais para crescer forte

A cabeludinha exige sol pleno, com pelo menos 6 horas diárias. Em sombra, cresce fina, com poucas flores e frutos pequenos e ácidos.

O solo ideal é fértil, profundo e bem drenado, com boa matéria orgânica e pH entre 5,5 e 6,5. Não tolera encharcamento: raízes abafadas causam amarelecimento e queda de folhas.

Na formação, regue 2 a 3 vezes por semana se não chover. Depois de adulta, aguenta curtos períodos de seca, mas a falta de água na floração derruba flores e reduz drasticamente a produção.

Poda, adubação e cuidados anuais

A poda é leve e de formação. Nos dois primeiros anos, conduza em haste única até 60 cm e depois deixe 3 a 4 ramos principais bem distribuídos. Após a colheita, faça apenas limpeza de ramos secos, cruzados e doentes.

Adube três vezes ao ano: no fim do inverno (agosto), no início da frutificação (outubro) e após a colheita (fevereiro). Use NPK 10-10-10 ou 4-14-8 mais composto orgânico, sempre com solo úmido.

Cobertura morta com folhas secas ou palha ajuda a manter umidade e proteger raízes superficiais. Evite capina profunda perto do tronco para não ferir as raízes finas.

Cultivo em vaso: dá certo?

Dá, mas com limitações. Use vaso de no mínimo 80 a 100 litros, com 60 cm de boca e profundidade, substrato leve (terra vegetal + areia grossa + húmus em partes iguais) e drenagem com argila expandida no fundo.

Em vaso, a árvore fica menor, com 2 a 3 metros e produção reduzida, de 3 a 8 kg por safra. Precisa de sol pleno, rega quase diária no verão e adubação bimestral com orgânico e NPK.

É uma boa opção para varandas grandes e coberturas, também como planta ornamental e para atrair abelhas. Troque o substrato superficial todo ano e faça poda de contenção após a colheita.

Pragas, doenças e erros que mais derrubam a produção

É considerada rústica e pouco atacada, mas pode sofrer com mosca-das-frutas, cochonilhas e ferrugem em anos muito úmidos. A mosca é o principal problema, pois põe ovos no fruto maduro e causa apodrecimento.

Previna ensacando parte dos frutos, colhendo no ponto certo e recolhendo frutos caídos diariamente. Para cochonilhas, use poda de aeração e jato de água com sabão neutro nos focos iniciais.

Os erros mais comuns são plantar na sombra, encharcar o solo e deixar o fruto passar do ponto na árvore. Outro erro é guardar sementes por meses achando que vão germinar: a viabilidade cai para quase zero após 20 dias.

Tipos, sabor e o que fazer com a fruta

Não há variedades comerciais registradas; o que existe é variação natural de tamanho e acidez entre matrizes. A polpa é agridoce, levemente ácida, muito suculenta e perfumada, com 1 a 2 sementes grandes e achatadas.

O sabor lembra uma mistura de jabuticaba com maracujá doce, com toque resinoso característico das Myrtaceae. A casca aveludada é comestível, mas muita gente prefere chupar só a polpa.

Como estraga em até 48 horas, o ideal é consumir na hora ou congelar a polpa. Rende ótimos sucos, geleias, licores, sorvetes e fermentados. Na nossa avaliação, a geleia é onde ela mais brilha, porque o equilíbrio entre acidez e pectina natural dá textura sem precisar de muito açúcar.

Perguntas frequentes

Cabeludinha e jabuticaba são a mesma coisa?

Não. São da mesma família Myrtaceae, mas a cabeludinha é Myrciaria glazioviana, com fruto amarelo e aveludado, enquanto a jabuticaba comum é Plinia cauliflora, com fruto roxo e liso.

Quanto tempo a cabeludinha demora para dar frutos?

Mudas enxertadas produzem em 3 a 4 anos; mudas de semente levam de 5 a 8 anos, dependendo de sol, solo e adubação.

Cabeludinha pode ser plantada em vaso?

Sim, em vasos de 80 a 100 litros com sol pleno e rega frequente, mas a árvore fica menor e produz de 3 a 8 kg por safra.

Qual a melhor época para plantar cabeludinha?

De setembro a março, no início das chuvas, quando o solo está quente e úmido, o que favorece o pegamento.

Como saber se a cabeludinha está madura?

A casca fica amarelo-ouro uniforme, com penugem dourada e fruto levemente macio. Se estiver verde-clara e dura, ainda não está no ponto.

Precisa de duas árvores para frutificar?

Não. É autocompatível, mas a presença de abelhas e de outra Myrtaceae por perto melhora a polinização e aumenta a produção.

Como conservar a cabeludinha depois de colhida?

Consuma em até 2 dias ou congele a polpa despolpada. A fruta fermenta rápido mesmo na geladeira, por isso geleia e suco devem ser feitos no mesmo dia.

Você sabia?

1

O nome vem do toque

Cabeludinha, cabeluda e peludinha são nomes dados pela penugem fina que cobre o fruto, única entre as Myrtaceae nativas mais cultivadas. Essa pubescência dourada protege contra desidratação e ataque de alguns insetos.

2

Semente que não espera

A semente é recalcitrante e perde a capacidade de germinar em cerca de 15 a 20 dias se secar. Por isso viveiristas semeiam logo após despolpar, diferente de outras frutíferas que podem ser armazenadas por meses.

3

Banquete para abelhas nativas

A floração branca e perfumada é intensamente visitada por abelhas nativas sem ferrão, como jataí e mandaçaia. A polinização cruzada por esses insetos aumenta o pegamento dos frutos em até 30%.

4

Fruto que não viaja

Depois de madura, a cabeludinha fermenta em 24 a 48 horas mesmo refrigerada, por isso raramente chega a feiras distantes. O jeito tradicional de conservar é congelar a polpa com um pouco de açúcar ou fazer geleia no mesmo dia.

Fontes

  1. Embrapa
  2. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Agronômico de Campinas (IAC)

Prós e contras: Cabeludinha

Prós

  • Frutos aromáticos e de sabor agridoce único, ótimos para sucos e geleias
  • Árvore rústica, resistente a pragas e de baixa exigência após estabelecida
  • Muito ornamental, com copa densa e floração que atrai abelhas nativas
  • Nativa da Mata Atlântica, ótima para quintais e restauração ambiental
  • Boa produtividade quando recebe sol pleno e adubação simples

Contras

  • Frutos extremamente perecíveis, duram apenas 1 a 2 dias após colhidos
  • Demora de 3 a 8 anos para primeira safra cheia
  • Exige sol pleno e não produz bem à meia-sombra ou em vasos pequenos
  • Sementes perdem viabilidade em poucos dias, dificultando armazenamento
  • Sensível a geadas fortes e a solos encharcados
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cabeludinha é uma das nativas mais subestimadas para pomar doméstico: bonita, rústica e com fruto de sabor único que não se encontra no supermercado. Vale o espaço no quintal justamente pela colheita curta e aromática que compensa a espera, desde que o tutor aceite consumir ou processar tudo em poucos dias.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.