🍊 Frutíferas

Cajá-mirim

Spondias mombin

Atualizado em

6 a 25 mTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
3 a 4 anosPrimeiros frutos
Baixa a médiaDificuldade
Frutos de cajá-mirim inteiros e cortado mostrando polpa amarela e caroço fibroso

O cajá-mirim (Spondias mombin) é uma árvore frutífera nativa do Brasil, muito comum na Amazônia e no Nordeste, conhecida pelos frutos pequenos, amarelos e de polpa suculenta e ácida. Diferente do cajá-manga, que é maior e de origem asiática, o cajá-mirim é silvestre, rústico e altamente produtivo na estação chuvosa.

É uma árvore de grande porte na natureza, que pode passar de 15 metros, mas em pomar doméstico costuma ser mantida entre 6 e 12 metros com podas. A frutificação é concentrada entre dezembro e abril e atrai abelhas na floração e pássaros na frutificação.

Muito valorizada para suco, cajá-mirim também rende polpa congelada, sorvete, geleia e cachaça curtida. É uma frutífera de baixa exigência, ideal para quintais amplos e sítios em clima quente e úmido.

Também conhecido como: Taperebá, Cajá, Cajá-pequeno, Cajá-mirim, Taperebá-açu, Hog plum (inglês)

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Cajá-mirim

Frutos de cajá-mirim inteiros e cortado mostrando polpa amarela e caroço fibroso
Frutos de cajá-mirim maduros com polpa amarelo-ouro e caroço fibroso.
Árvore de cajá-mirim carregada de frutos amarelos em cachos
Árvore de cajá-mirim em produção plena durante a safra.
Folhas compostas e flores brancas do cajá-mirim em detalhe
Folhas compostas e inflorescência branca do cajá-mirim.
Cesto cheio de cajá-mirim colhido na fazenda
Colheita de cajá-mirim: safra concentrada e abundante.
Suco natural e polpa congelada de cajá-mirim
Polpa de cajá-mirim é base para sucos e sorvetes.
Tronco acinzentado do cajá-mirim com textura da casca
Tronco acinzentado característico do cajá-mirim adulto.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal amplo, sítio ou chácara em região quente do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste litorâneo e busca uma frutífera nativa muito produtiva e de baixa manutenção. Também é ótima para quem quer produzir polpa para congelar e fazer sucos e sorvetes o ano todo, além de atrair abelhas e pássaros.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para apartamentos, varandas ou quintais muito pequenos, pois a árvore cresce rápido e exige sol pleno e espaço para a copa. Também não funciona bem para quem mora em regiões com geada frequente ou inverno frio, onde a planta sofre, perde vigor e quase não frutifica, e para quem tem pouco tempo para colher e processar frutos na safra curta.

Cultivo rápido

Luminosidade
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto por dia
Rega
Moderada; manter úmido no 1º ano, depois apenas em estiagem prolongada
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, com matéria orgânica, pH 5,5 a 6,5
Temperatura ideal
24 °C a 32 °C; sensível a geada e frio abaixo de 12 °C
Adubação
Composto orgânico + NPK 10-10-10 no início das chuvas; reforço de potássio na frutificação
Poda
Formação em taça no 1º ano e limpeza anual após a colheita
Propagação
Sementes, estaquia de ramos grossos e enxertia por garfagem

Perfil rápido de Cajá-mirim

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • México
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Peru

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Sapindales
Família
Anacardiaceae
Gênero
Spondias
Espécie
Spondias mombin L.

Resumo

  • Cajá-mirim é a Spondias mombin, frutífera nativa da Amazônia e Mata Atlântica com frutos amarelos, ácidos e aromáticos de dezembro a abril.
  • Árvore de 6 a 25 metros, precisa de sol pleno, solo profundo e bem drenado e começa a produzir entre 3 e 4 anos quando plantada por muda.
  • Muito produtiva e rústica, é ideal para quintais grandes e regiões quentes, mas pouco indicada para vasos pequenos e climas frios ou com geada.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularCajá-mirim
Nome científicoSpondias mombin L.
Família botânicaAnacardiaceae
OrigemAmérica tropical - Amazônia e Mata Atlântica (Brasil)
Tamanho6 a 12 m em cultivo; até 25 m na mata
Tempo até frutificar3 a 4 anos (muda enxertada); 5 a 7 anos (por semente)
Época de frutificaçãoDezembro a abril (pico em janeiro e fevereiro)
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 horas/dia)
RegaModerada; 2 a 3 vezes por semana no primeiro ano
SoloProfundo, fértil, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
ClimaTropical quente e úmido; não tolera geada
PropagaçãoSementes, estaquia e enxertia
Cultivo em vasoPouco recomendado; apenas vasos acima de 200 litros
Espaçamento8 x 8 m a 10 x 10 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeMuito alto
Resistência a pragasAlto

Como reconhecer o cajá-mirim de verdade

O cajá-mirim é a Spondias mombin, também chamada de taperebá na Amazônia. Muita gente confunde com cajá-manga (Spondias dulcis), mas a diferença é clara: o mirim tem fruto pequeno, de 2 a 4 cm, casca fina amarelo-ouro quando maduro e caroço grande e fibroso com espinhos curtos.

A árvore tem tronco acinzentado, copa ampla e rala e folhas compostas com 5 a 11 folíolos alongados que caem na estação seca. É caducifólia: perde boa parte das folhas antes de florescer, o que deixa os cachos de flores brancas bem visíveis.

O sabor é o marcador principal. A polpa é amarelo-intensa, muito aromática, ácida e levemente adstringente, com rendimento de 60% a 70% em relação ao fruto. Não é fruta para comer pura como manga; brilha mesmo em suco, batida, sorvete e fermentados.

Onde vive e qual clima o cajá-mirim exige

Nativo da América tropical, o cajá-mirim ocorre do México ao Sudeste do Brasil, com maior abundância na Amazônia, Caatinga litorânea e Mata Atlântica nordestina. No Brasil é espontâneo em capoeiras, margens de rios e quintais, até 800 m de altitude.

É planta de clima quente e úmido, com temperatura ideal entre 24 °C e 32 °C e chuvas de 1.200 a 2.000 mm anuais. Tolera estiagem de 3 a 4 meses depois de adulta, mas não suporta geada nem frio prolongado abaixo de 12 °C.

Em regiões Sul e Sudeste de inverno rigoroso, só produz bem em baixadas quentes e protegidas. No Cerrado e Nordeste, vai muito bem com irrigação nos primeiros dois anos.

Quando floresce e quando dá frutos

O ciclo é bem marcado. A floração ocorre de agosto a novembro, logo após a queda das folhas. Os cachos terminais com flores pequenas e brancas são muito visitados por abelhas nativas e africanizadas.

A frutificação vai de dezembro a abril, com pico em janeiro e fevereiro na maior parte do Brasil. Uma árvore adulta e bem conduzida pode produzir 80 a 150 kg de frutos por safra, e exemplares antigos em solo fértil passam de 200 kg.

O fruto amadurece de verde para amarelo uniforme e cai facilmente. O ponto ideal de colheita é quando a casca está amarela com leve toque alaranjado e polpa ainda firme. Frutos colhidos verdes amadurecem fora do pé, mas ficam mais ácidos.

Como plantar cajá-mirim do jeito certo

O plantio deve ser feito no início da estação chuvosa, de outubro a dezembro, para que a muda enraíze com água natural. Escolha local com sol pleno e espaço: são necessários pelo menos 8 metros de distância de muros e casas.

A cova ideal tem 60 x 60 x 60 cm. Misture à terra 15 a 20 litros de composto orgânico ou esterco curtido, 200 g de calcário e 150 g de superfosfato simples, 30 dias antes do plantio. Em solos argilosos, acrescente areia grossa para melhorar a drenagem.

Prefira muda enxertada ou de estaquia se quiser precocidade e porte menor. Muda por semente é mais barata e rústica, mas demora mais e gera plantas desuniformes. Após o plantio, faça tutoramento e coroamento de 1 metro sem mato ao redor.

  • Semente: retire a polpa, seque o caroço à sombra por 2 dias e plante a 2 cm de profundidade. Germinação em 20 a 40 dias.
  • Estaquia: estacas de 25 cm de ramos grossos, plantadas no início das chuvas, enraízam com facilidade.
  • Enxertia: garfagem em fenda cheia é a mais usada em viveiros comerciais.

Luz, rega e solo ideais

Luz é inegociável. O cajá-mirim precisa de sol pleno o dia todo. Sombra parcial reduz floração, deixa a copa estiolada e atrasa a produção em anos.

Na fase jovem, regue 2 a 3 vezes por semana com cerca de 20 litros por vez, mantendo o solo úmido mas nunca encharcado. Depois do segundo ano, só irrigue em veranicos longos ou para antecipar a floração. Excesso de água na maturação racha frutos e dilui o sabor.

O solo deve ser profundo, fértil e bem drenado, com pH entre 5,5 e 6,5. A espécie tolera solos arenosos e até pedregosos, desde que haja matéria orgânica. Evite áreas de alagamento e lençol freático raso; a raiz pivotante apodrece fácil.

Poda, adubação e condução da copa

Sem manejo, o cajá-mirim vira uma árvore muito alta e difícil de colher. Faça poda de formação no primeiro ano, deixando 3 a 4 ramos principais a 80 cm do solo para abrir a copa em taça.

Todo ano, após a colheita (abril a junho), faça poda de limpeza: retire ramos secos, cruzados e ladrões da base. Não faça poda drástica no auge da seca; a planta está sem folhas e pode sofrer.

A adubação é simples e eficaz:

  • Anual, no início das chuvas: 10 a 20 litros de composto + 100 g de NPK 10-10-10 por metro de copa, ao redor da projeção.
  • Em produção: reforce com potássio e fósforo após a floração para segurar frutos.
  • Cobertura morta: mantenha palhada sob a copa para conservar umidade e alimentar a microbiota.

Na nossa avaliação, conduzir a altura para 5 a 7 metros é a melhor estratégia para quintal: facilita colheita, aumenta ventilação e mantém a produtividade.

Cultivo em vaso: vale a pena?

O cajá-mirim não é frutífera de vaso por natureza. A raiz é profunda e a copa cresce rápido. Em vaso pequeno, ele sobrevive, mas quase não frutifica.

Se não houver quintal, use vaso de 200 a 300 litros, com 80 cm de altura mínima, solo com 40% de composto e drenagem com brita e manta. Será necessário poda anual forte e adubação a cada 3 meses para manter porte de 2,5 a 3 metros.

Mesmo assim, espere produção de 5 a 15 kg contra mais de 80 kg no chão. Para apartamento ou varanda, outras Spondias anãs ou acerola são escolhas mais realistas.

Pragas, doenças e o que realmente incomoda

É uma árvore rústica e pouco atacada, mas não imune. Os problemas mais comuns em pomar doméstico são:

  • Mosca-das-frutas (Anastrepha spp.): principal praga. Fura o fruto e deixa larva na polpa. Controle com coleta diária de frutos caídos, armadilhas com suco e ensacamento quando possível.
  • Broca do tronco e cupins: surgem em árvores estressadas ou com feridas de poda mal cicatrizadas. Use pasta cúprica nos cortes.
  • Antracnose e verrugose: manchas escuras em folhas e frutos em anos muito úmidos. Melhore ventilação com poda e evite molhar a copa à tarde.

Evite pulverizações químicas na floração para não matar polinizadores. O manejo cultural — limpeza do pomar, poda e colheita rápida — resolve 80% dos casos.

Usos, conservação e por que plantar

O fruto é altamente perecível: dura 2 a 3 dias em temperatura ambiente e até 12 meses como polpa congelada. Por isso, o mercado principal é de polpa. Cada quilo de fruto rende cerca de 600 g de polpa.

Na culinária, o cajá-mirim é base para suco, caipirinha, sorvete, mousse, geleia e licor. Na Amazônia, o suco de taperebá é tão tradicional quanto o de açaí. A casca e as folhas têm uso popular, mas a polpa é a parte segura e aproveitável.

Do ponto de vista ecológico, é excelente para reflorestamento e sistemas agroflorestais: cresce rápido, atrai fauna e recupera áreas degradadas. Para quem tem espaço e calor, é uma das frutíferas nativas mais gratas para plantar e colher em poucos anos.

Perguntas frequentes

Cajá-mirim e cajá-manga são a mesma coisa?

Não. Cajá-mirim é Spondias mombin, nativo e de fruto pequeno (2 a 4 cm). Cajá-manga é Spondias dulcis, exótico e de fruto grande (6 a 10 cm), menos ácido.

Quanto tempo demora para dar frutos?

Muda enxertada ou de estaquia produz em 3 a 4 anos. Por semente, de 5 a 7 anos, dependendo do clima e do manejo.

Posso plantar cajá-mirim em vaso?

É pouco recomendado. Só em vasos de 200 a 300 litros com poda constante, e a produção será bem menor que no chão.

Quando é a safra do cajá-mirim no Brasil?

De dezembro a abril, com pico em janeiro e fevereiro na maioria das regiões quentes.

Precisa de outra árvore para frutificar?

Não. É autocompatível, mas ter mais de uma árvore ou abelhas por perto aumenta a polinização e a produtividade.

Como conservar a polpa?

Bata, peneire e congele em porções. A polpa dura até 12 meses congelada e 2 a 3 dias na geladeira.

Cajá-mirim aguenta seca e geada?

Aguenta seca moderada depois de adulto, mas não tolera geada. Frio intenso queima folhas e impede a frutificação.

Você sabia?

1

Taperebá é o mesmo fruto

Na Amazônia o cajá-mirim é chamado de taperebá e o suco é tão popular que tem até festival dedicado a ele no Pará, onde a polpa congelada é vendida o ano inteiro.

2

Caroço com espinhos

O caroço do cajá-mirim é fibroso e coberto por pequenas fibras espinhosas que grudam na polpa; por isso o rendimento nunca chega a 100% e a despolpa manual exige peneira.

3

Árvore que avisa a chuva

No sertão, a floração do cajá-mirim logo após a queda total das folhas é usada como indicador tradicional de que a estação chuvosa está próxima.

4

Parente do caju e da manga

Por ser da família Anacardiaceae, é parente botânico do caju, da manga e do umbu, e compartilha com eles a resina que pode irritar a pele de pessoas sensíveis ao manusear ramos.

Fontes

  1. Embrapa - Frutíferas Nativas
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE

Prós e contras: Cajá-mirim

Prós

  • Frutífera nativa muito produtiva e rústica em clima quente
  • Polpa aromática e versátil para sucos, sorvetes e geleias
  • Atrai abelhas e pássaros e serve para agrofloresta
  • Propagação fácil por semente e estaca
  • Baixa exigência de adubação e defensivos

Contras

  • Porte grande, exige quintal amplo e sol pleno
  • Fruto muito perecível e com caroço grande e fibroso
  • Pouco adaptada a vasos pequenos e a clima frio com geada
  • Suscetível a mosca-das-frutas na safra
  • Copa alta dificulta colheita sem poda de condução
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o cajá-mirim é uma das frutíferas nativas mais subestimadas: extremamente produtiva e rústica para clima quente, mas injustamente trocada pelo cajá-manga em viveiros. Se você tem espaço e sol, vale plantar o mirim pela autenticidade do sabor e pelo papel ecológico, deixando o vaso para frutíferas menores.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.