🍊 Frutíferas

Bacupari-mirim

Garcinia brasiliensis

Atualizado em

4 a 7 m (3 a 4 m em quintal)Tamanho
Sol pleno a meia-sombraLuminosidade
Moderada a frequenteRega
3 a 5 anosPrimeiros frutos
Baixa a médiaDificuldade
Frutos de bacupari-mirim inteiros e cortado mostrando polpa branca translúcida

O bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis) é uma árvore frutífera nativa da Mata Atlântica, muito menor que o bacupari comum. Atinge de 4 a 7 metros na natureza, mas pode ser conduzida com 3 a 4 metros em quintal, com copa densa, folhas brilhantes e látex amarelado nos ramos.

O fruto é o grande atrativo: pequeno (2 a 3,5 cm), amarelo-alaranjado quando maduro, com polpa branca translúcida, suculenta e agridoce que envolve 1 a 2 sementes. É consumido in natura, em sucos e doces, e tem frutificação concentrada no verão, muito apreciada por pássaros e abelhas nativas.

Também conhecido como: Bacupari-miúdo, Bacuri-mirim, Escropari-mirim, Garcinia-mirim

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Bacupari-mirim

Frutos de bacupari-mirim inteiros e cortado mostrando polpa branca translúcida
Frutos de bacupari-mirim maduros com polpa branca e suculenta.
Árvore de bacupari-mirim com copa densa e frutos pendentes
Árvore de bacupari-mirim em quintal, com copa compacta e frutos.
Close nas folhas brilhantes do bacupari-mirim com detalhe do látex
Folhas coriáceas e brilhantes, típicas do bacupari-mirim.
Flores pequenas branco-amareladas do bacupari-mirim
Floração na primavera com flores pequenas e perfumadas.
Cesto com colheita de bacupari-mirim recém-colhidos
Colheita de verão do bacupari-mirim, frutos muito perecíveis.
Muda jovem de bacupari-mirim em saquinho de viveiro
Muda de bacupari-mirim: semeio deve ser feito com sementes frescas.
Ideal para

Ideal para quem busca uma frutífera nativa de tamanho pequeno para quintal ou chácara, com manejo simples e frutos para consumo fresco e sucos. Funciona bem para quem valoriza biodiversidade, pois atrai abelhas nativas e pássaros e se adapta à meia-sombra nos primeiros anos. Também é boa opção para colecionadores de frutas raras e para quem tem espaço limitado, já que aceita condução baixa e até vaso grande com adubação regular.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem tem apenas uma vaga de vaso pequeno em apartamento sem sol direto, pois precisa de sol e de mais de uma planta para garantir polinização. Também não serve para quem busca produção imediata em grande volume ou frutos que durem muitos dias após colhidos, já que a safra é concentrada e o fruto é perecível.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno a meia-sombra; mínimo 4h de sol direto na fase adulta
Rega
Moderada a frequente; manter solo úmido sem encharcar, irrigar 2-3x/semana nos 2 primeiros anos
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, com matéria orgânica; pH 5,5 a 6,5
Temperatura
18 °C a 28 °C; sensível a geadas fortes e seca prolongada
Adubação
Composto orgânico + NPK 10-10-10 no crescimento; 4-14-8 em setembro e março na fase produtiva
Poda
Formação no 1º ano e limpeza pós-colheita; evitar podas severas
Propagação
Sementes frescas (20-45 dias para germinar) e enxertia por garfagem

Perfil rápido de Bacupari-mirim

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malpighiales
Família
Clusiaceae
Gênero
Garcinia
Espécie
Garcinia brasiliensis

Resumo

  • Bacupari-mirim é árvore nativa da Mata Atlântica com frutos amarelos de 2 a 3,5 cm e polpa branca agridoce.
  • Frutifica no verão, entre dezembro e março, e começa a produzir entre 3 e 5 anos quando plantado por sementes.
  • Prefere sol pleno a meia-sombra, solo úmido e bem drenado, e se adapta bem a quintais e vasos grandes com manejo correto.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularBacupari-mirim
Nome científicoGarcinia brasiliensis (sin. Rheedia brasiliensis, Garcinia gardneriana)
Família botânicaClusiaceae
OrigemMata Atlântica – Brasil
Tamanho4 a 7 m (cultivada: 3 a 4 m)
Tempo até frutificar3 a 5 anos (semente); 2 a 3 anos (muda enxertada)
Época de frutificaçãoDezembro a março
LuminosidadeSol pleno a meia-sombra
RegaModerada; solo úmido sem encharcar
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
ClimaTropical e subtropical úmido
PropagaçãoSementes e enxertia
Cultivo em vasoSim, vasos acima de 80 litros
Espaçamento4 a 5 m entre plantas

Perfil e comportamento

Necessidade de solAlto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosMédio
ProdutividadeMédio
Resistência a pragasAlto

O que é o bacupari-mirim e como reconhecê-lo

O bacupari-mirim é a versão de tamanho pequeno do bacupari, nativo da Mata Atlântica. Enquanto o bacupari comum (Garcinia gardneriana em sentido amplo) pode passar de 10 metros, o mirim raramente ultrapassa 7 metros e forma uma copa mais compacta e arredondada.

O reconhecimento em campo é fácil. Folhas opostas, elípticas, coriáceas e brilhantes, com nervura central bem marcada e verde-escuro. Ao quebrar um ramo fino ou pecíolo, sai um látex amarelado, típico da família Clusiaceae. O tronco é reto, casca acinzentada e lisa quando jovem.

O fruto entrega a identidade. É uma baga globosa de 2 a 3,5 cm, com casca fina amarelo-alaranjada na maturação e polpa branca translúcida, muito suculenta. O sabor é agridoce, com acidez leve que lembra mangostão – não por acaso, são do mesmo gênero Garcinia. Cada fruto traz 1 a 2 sementes grandes envoltas pela polpa.

Onde o bacupari-mirim ocorre naturalmente

A espécie é endêmica do Brasil, com ocorrência principal na Mata Atlântica do Sudeste e Sul, de Minas Gerais e Espírito Santo até o Rio Grande do Sul, incluindo matas de encosta, restingas e matas ciliares.

Na natureza prefere ambientes úmidos e sombreados na fase jovem, crescendo no sub-bosque e depois alcançando luz plena no dossel baixo. Por isso tolera meia-sombra melhor que muitas frutíferas de sol total.

Hoje é encontrado em quintais, sítios e projetos de restauração. É muito visitado por abelhas nativas na floração e os frutos são rapidamente consumidos por sabiás, sanhaços e morcegos, o que ajuda na dispersão.

Quando e como frutifica: o que esperar da produção

O bacupari-mirim é dioico: existem plantas masculinas e femininas separadas. Só a planta feminina dá frutos, mas precisa de uma masculina por perto para polinização. Na prática, plante pelo menos 2 a 3 mudas de sementes diferentes para garantir frutificação.

A floração ocorre na primavera, de setembro a novembro, com flores pequenas, branco-amareladas e perfumadas. A frutificação vem no verão, de dezembro a março, com pico em janeiro e fevereiro no Sudeste.

A produção é moderada e concentrada. Uma árvore adulta bem conduzida produz cachos com dezenas a poucas centenas de frutos por safra. Como a casca é fina, o fruto amadurece rápido e cai; a colheita deve ser feita assim que a cor vira para amarelo-alaranjado intenso.

Como plantar bacupari-mirim do jeito certo

A forma mais comum é por sementes recém-colhidas. Elas são recalcitrantes, ou seja, perdem viabilidade em poucas semanas se secarem. Lave a polpa, deixe secar à sombra por um dia e semeie em até 10 dias.

Use saquinhos de 15 x 25 cm com substrato leve: 1 parte de terra, 1 de areia grossa e 1 de composto orgânico. Enterre a semente a 1,5 cm de profundidade, mantenha úmido e à meia-sombra. A germinação leva 20 a 45 dias e a taxa é alta quando a semente é fresca.

No local definitivo, abra berço de 50 x 50 x 50 cm, misture 10 litros de composto curtido e 150 g de calcário se o pH estiver abaixo de 5,5. Plante no início das chuvas (outubro a dezembro) e mantenha tutoramento nos primeiros meses. O espaçamento ideal é de 4 a 5 metros entre plantas.

A enxertia por garfagem em porta-enxerto da própria espécie é possível e antecipa a produção para 2 a 3 anos, além de permitir selecionar plantas femininas produtivas, mas ainda é pouco ofertada em viveiros.

Luz, rega e solo ideais para produzir bem

Em quintal, ofereça sol pleno ou meia-sombra com pelo menos 4 horas de sol direto. Plantas jovens agradecem sombra parcial nos dois primeiros anos; adultas produzem mais com luz abundante.

O solo deve ser profundo, fértil e bem drenado, mas que retenha umidade. Solos encharcados apodrecem raízes, e solos muito arenosos exigem irrigação frequente. A faixa ideal de pH é 5,5 a 6,5.

A rega é moderada a frequente. Nos dois primeiros anos, irrigue 2 a 3 vezes por semana se não chover. Depois de estabelecida, a árvore tolera estiagens curtas, mas a falta de água na floração e no enchimento dos frutos reduz a safra. Cobertura morta com folhas ou palha ajuda a manter a umidade.

Em regiões com geada forte ou seca prolongada, o crescimento é mais lento. O bacupari-mirim vai melhor em clima tropical e subtropical úmido, com temperaturas entre 18 °C e 28 °C.

Poda, adubação e condução da copa

A poda é simples. Faça poda de formação no primeiro ano, deixando um tronco único e 3 a 4 ramos principais bem distribuídos. Depois, apenas poda de limpeza após a colheita, retirando ramos secos, cruzados e mal posicionados.

Evite podas drásticas. A espécie tem crescimento lento a moderado e demora para recompor a copa. Cortes maiores devem ser protegidos com pasta cicatrizante.

Para adubação, siga um calendário objetivo:

  • Plantio: composto orgânico no berço + calcário se necessário.
  • Crescimento (ano 1 e 2): 3 aplicações por ano de 1 a 2 litros de composto + 50 g de NPK 10-10-10 por planta, no início, meio e fim das chuvas.
  • Produção: adube em setembro (pré-floração) e março (pós-colheita) com composto + formulação rica em potássio e fósforo, como 4-14-8.

Análise de solo a cada 2 anos evita excessos. Excesso de nitrogênio gera muita folha e pouco fruto.

Cultivo em vaso e em quintal pequeno: vale a pena?

Por ser de tamanho pequeno e crescimento contido, o bacupari-mirim é uma das poucas Garcinia que aceitam vaso grande. Use recipiente de 80 a 150 litros, com substrato drenante e camada de argila expandida no fundo.

Em vaso, a planta fica com 1,8 a 2,5 m e produz menos, mas frutifica. Exige rega mais frequente, adubação parcelada a cada 3 meses e sol pleno. A vantagem é o controle do ambiente e a possibilidade de mover a planta jovem para meia-sombra no verão muito forte.

Em quintal pequeno, conduza com copa baixa e espaçamento de 4 m. Como a frutificação exige planta masculina, se o espaço for muito limitado, combine com um vizinho que também cultive ou plante 3 mudas e depois selecione, mantendo pelo menos uma de cada sexo quando florescerem.

Pragas, doenças e erros comuns

É uma frutífera rústica e pouco atacada. Os problemas mais frequentes são cochonilhas e pulgões em brotações novas, facilmente controlados com jato de água e óleo de neem, e mosca-das-frutas nos frutos maduros se a colheita atrasar.

Em solo encharcado pode ocorrer podridão de raízes por Phytophthora. A prevenção é drenagem e não enterrar o colo da planta. Manchas foliares fúngicas aparecem em locais muito sombreados e úmidos sem ventilação.

Erros que mais frustram iniciantes:

  • Guardar semente seca por meses: ela morre. Semeie fresca.
  • Plantar só uma muda: se for macho ou se faltar polinizador, não há fruto.
  • Colher verde: o bacupari-mirim não amadurece bem fora da planta; espere a cor amarelo-alaranjada.
  • Deixar fruto no chão: fermenta em 1 a 2 dias e atrai moscas.

Usos, sabor e por que cultivar

O fruto é consumido ao natural, chupando a polpa ao redor da semente. O sabor é doce com acidez refrescante, sem amargor da casca se não for mordida. Rende sucos, geleias, licores e sorvetes, com bom equilíbrio entre açúcar e acidez.

A polpa é rica em água e compostos antioxidantes da família das xantonas, comuns em Garcinia, mas ainda pouco estudada em tabelas nutricionais brasileiras. O consumo deve ser moderado, como qualquer fruta, e as sementes não são comestíveis cruas.

Para quem busca frutífera nativa, ornamental e que alimenta a fauna, o bacupari-mirim entrega os três papéis sem exigir grande área. Na nossa avaliação, é uma escolha mais inteligente que o bacupari comum para quintais urbanos justamente por unir tamanho contido, rusticidade e frutificação precoce.

Perguntas frequentes

Bacupari-mirim precisa de macho e fêmea para dar fruto?

Sim. A espécie é dioica e só a planta feminina frutifica, precisando de uma masculina por perto para polinização. Plante 2 a 3 mudas de origens diferentes.

Quanto tempo demora para produzir?

De semente, de 3 a 5 anos em boas condições. Mudas enxertadas e bem adubadas podem frutificar em 2 a 3 anos.

Pode plantar bacupari-mirim em vaso?

Pode, em vaso de 80 a 150 litros, com sol pleno, rega frequente e adubação a cada 3 meses. A produção será menor que no chão.

Qual a diferença entre bacupari e bacupari-mirim?

O mirim (Garcinia brasiliensis) é menor (4 a 7 m), com frutos de 2 a 3,5 cm e copa compacta. O bacupari comum é maior, com frutos e árvore de maior porte.

Quando colher o bacupari-mirim?

No verão, de dezembro a março, quando a casca fica amarelo-alaranjada intensa e a polpa está macia. Não colha verde, pois não amadurece bem fora da planta.

A semente pode ser guardada?

Não por muito tempo. É recalcitrante e perde viabilidade em poucas semanas se secar. Semeie em até 10 dias após retirar da polpa.

Você sabia?

1

Planta dioica

O bacupari-mirim tem árvores masculinas e femininas separadas. Só dá para saber o sexo na primeira floração, por isso viveiristas recomendam plantar 3 mudas para aumentar a chance de ter frutos.

2

Parente do mangostão

Pertence ao mesmo gênero do mangostão (Garcinia mangostana), considerado a "rainha das frutas" na Ásia. O sabor agridoce e a polpa translúcida são traços da família.

3

Semente que não pode secar

As sementes são recalcitrantes e morrem se ficarem secas por mais de 3 a 4 semanas. No comércio informal, muita semente vendida como "seca" já está inviável.

4

Látex que marca

O látex amarelo dos ramos mancha roupa e pele e já foi usado popularmente para marcar madeira. Na planta, ele ajuda a cicatrizar feridas e afasta herbívoros.

Fontes

  1. Embrapa - Frutíferas Nativas
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) / IAC

Prós e contras: Bacupari-mirim

Prós

  • Tamanho pequeno, ideal para quintais e vasos grandes
  • Rústico e pouco exigente em pragas
  • Frutos saborosos e versáteis para consumo fresco e sucos
  • Atrai abelhas nativas e pássaros, valor ecológico alto
  • Tolera meia-sombra na fase jovem

Contras

  • É dioico: precisa de planta masculina e feminina para frutificar
  • Semente recalcitrante, não pode ser armazenada seca
  • Fruto muito perecível, dura 1 a 2 dias após maduro
  • Safra concentrada no verão, sem produção escalonada
  • Crescimento inicial lento a moderado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bacupari-mirim é a Garcinia mais viável para quintais brasileiros: mantém o sabor exótico do gênero sem o tamanho exagerado do bacupari comum. Vale o plantio em dupla ou trio para garantir polinização, mas exige paciência com a semente recalcitrante e colheita rápida no verão.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.