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Cereja-do-suriname

Eugenia brasiliensis

Atualizado em

1,5 a 2,5 cmTamanho
Vermelha a roxa-pretaCor
Doce-ácido suaveSabor
Out. a jan.Safra
~43 kcal/100 gCalorias
Cereja-do-suriname madura inteira e cortada mostrando polpa e semente

A cereja-do-suriname, também chamada de grumichama, é uma fruta nativa da Mata Atlântica brasileira, da família Myrtaceae. Pequena, redonda e de casca fina, vai do vermelho-vivo ao roxo quase preto quando bem madura, com polpa suculenta e semente grande.

Muito confundida com a pitanga, ela se diferencia pela superfície lisa, sem gomos, e pelo sabor mais doce e menos resinoso. É fruta de safra curta, entre outubro e janeiro, e por isso raramente aparece em supermercados, sendo mais comum em quintais, feiras e pomares domésticos do Sudeste e Sul.

Também conhecido como: Grumichama, Grumixama, Cereja-brasileira, Brazilian cherry

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais, Frutas Vermelhas

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Galeria de fotos de Cereja-do-suriname

Cereja-do-suriname madura inteira e cortada mostrando polpa e semente
Cereja-do-suriname madura, roxa a preta, com polpa suculenta e semente grande.
Close da casca lisa e brilhante da cereja-do-suriname
Detalhe da casca fina e brilhante, lisa e sem gomos.
Pé de cereja-do-suriname carregado de frutos na árvore
Grumichameira em plena frutificação, com frutos pendentes nos ramos.
Floração branca da cereja-do-suriname
Floração branca e perfumada que antecede a safra.
Cesto com colheita de cereja-do-suriname
Colheita da safra curta, entre outubro e janeiro.
Geleia e suco de cereja-do-suriname
Geleia e suco são os usos mais comuns para conservar a fruta.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno; tolera meia-sombra com menor produção
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, levemente ácido
Rega
Regular no 1º ano e na floração/frutificação; reduzir no inverno
Temperatura
Subtropical a tropical; adulta tolera geada leve
Propagação
Semente fresca recém-colhida ou enxertia
Frutificação
3 a 5 anos por semente; 2 a 3 anos enxertada
Poda
Leve, após a safra, para controle de altura e aeração

Perfil rápido de Cereja-do-suriname

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
Frutificação e safraJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Calorias
~43 kcal
Carboidratos
10,5 g
Fibras
1,8 g
Proteínas
0,6 g
Gorduras
0,2 g
Vitamina C
28 mg
Potássio
145 mg
Cálcio
12 mg

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Suriname
  • Paraguai

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Myrtaceae
Gênero
Eugenia
Espécie
Eugenia brasiliensis

Resumo

  • A cereja-do-suriname (Eugenia brasiliensis), ou grumichama, é fruta nativa da Mata Atlântica, pequena e de casca fina que fica roxa a preta quando madura.
  • Tem polpa suculenta, sabor doce-ácido suave e safra curta de outubro a janeiro, sendo pouco encontrada no varejo e mais comum in natura ou em geleias e licores.
  • Rica em vitamina C, fibras e compostos antioxidantes, deve ser consumida madura e conservada por poucos dias na geladeira ou congelada sem semente.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoEugenia brasiliensis Lam.
Família botânicaMyrtaceae
OrigemMata Atlântica, Brasil
Tamanho1,5 a 2,5 cm de diâmetro, 3 a 8 g
Coresverdeamarelavermelharoxapreta (conforme maturação)
SaborDoce-ácido suave, levemente resinoso quando verde
Época da safra no BrasilOutubro a janeiro (pico em novembro-dezembro)
Calorias por 100 g~43 kcal
Principais nutrientesVitamina C, fibras, potássio, antocianinas
Como consumirIn natura, sucos, geleias, licores e sobremesas
Conservação2 a 3 dias na geladeira; até 6 meses congelada sem semente
Tipos ou variedadesNão há variedades comerciais; seleção por cor e tamanho do fruto

Perfil e comportamento

DoçuraAlto
AcidezBaixo
SuculênciaAlto
Facilidade de encontrarBaixo
Versatilidade na cozinhaMédio

O que é e como reconhecer a cereja-do-suriname

A cereja-do-suriname é a Eugenia brasiliensis, árvore frutífera nativa da Mata Atlântica conhecida popularmente como grumichama ou grumixama. Na mata pode chegar a 15 a 20 metros, mas em pomar doméstico fica entre 3 e 6 metros, com copa densa e tronco liso que descama em placas.

O fruto é uma baga esférica, lisa e brilhante, sem os gomos da pitanga. Mede de 1,5 a 2,5 cm e pesa 3 a 8 g. A casca é muito fina e a polpa corresponde a 60% a 70% do peso, envolvendo 1 a 2 sementes grandes e arredondadas.

A mudança de cor entrega o ponto: verde → amarelo → vermelho → roxo-escuro a preto. Só quando está roxa-preta, levemente macia ao toque e com brilho intenso, ela está realmente doce. De verde ou vermelha, ainda prende na boca.

Diferença entre cereja-do-suriname, pitanga e cereja europeia

A confusão é comum e tem motivo. As três são vermelhas e pequenas, mas são espécies diferentes. A pitanga (Eugenia uniflora) tem 8 gomos bem marcados e sabor mais ácido e resinoso. A cereja-do-suriname (Eugenia brasiliensis) é lisa, sem gomos, mais doce e com polpa mais carnosa.

Já a cereja europeia (Prunus avium) é de clima temperado, tem caroço único, pedúnculo longo e exige frio para produzir. Não se adapta bem ao calor úmido onde a grumichama prospera. No Brasil, quando alguém fala em “cereja nacional”, quase sempre é grumichama.

Característica Cereja-do-suriname Pitanga
Superfície Lisa e esférica Com 8 gomos
Cor madura Roxa a preta Vermelha a vinho
Sabor Doce suave, baixa acidez Ácido e resinoso
Semente 1 a 2, grandes 1, menor

Sabor, textura e ponto ideal de colheita

Madura, a cereja-do-suriname tem polpa macia, muito suculenta e aroma adocicado que lembra jabuticaba e pitanga, porém mais suave. A acidez é baixa e a doçura aumenta muito nos últimos 2 a 3 dias de maturação na árvore.

A textura é delicada: casca fina que se rompe fácil e polpa que desmancha na boca. Por isso não aguenta transporte longo. Frutos colhidos vermelhos não completam bem o açúcar fora do pé, ficam adstringentes.

O ponto ideal é quando o fruto cai com um leve toque ou se solta sozinho. Se precisar puxar com força, ainda não está pronto. Colha nas horas frescas e consuma no mesmo dia para melhor experiência.

Origem, onde vive e safra no Brasil

É endêmica da Mata Atlântica litorânea, do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, com maior ocorrência em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ocorre naturalmente em restinga e floresta ombrófila, mas hoje está mais presente em quintais, chácaras e arborização urbana do que na mata fechada.

A árvore é muito melífera: a floração branca e abundante, entre agosto e setembro, atrai abelhas nativas e Apis mellifera. Cada flor dura poucos dias e a frutificação é rápida, cerca de 30 a 45 dias após a florada.

A safra principal vai de outubro a janeiro, com pico em novembro e dezembro. É curta e concentrada: em 3 a 4 semanas a árvore produz e derruba tudo. Por isso a oferta é pontual e o preço sobe fora desse período.

Como escolher, conservar e congelar

Na feira ou no pé, escolha frutos roxos a pretos, brilhantes, sem manchas brancas de fungo e sem amassados. Os vermelhos ainda estão verdes para consumo. Cheire: fruta boa tem perfume doce, fruta fermentada tem cheiro alcoólico.

Na geladeira, dura 2 a 3 dias em pote fechado com papel-toalha, sem lavar antes. Lave só na hora de comer. Como fermenta rápido por causa do açúcar e da casca fina, não deixe em temperatura ambiente por mais de um dia.

Para congelar, lave, seque bem, retire a semente e congele aberta em assadeira antes de ensacar. Assim dura até 6 meses e serve para suco, geleia e calda. Congelar inteira com semente amarga a polpa.

Como consumir sem desperdiçar

O melhor uso é in natura, logo após a colheita, comendo com a casca. É assim que se percebe a suculência e o equilíbrio entre doce e acidez. Crianças costumam aceitar bem quando está bem madura.

Na cozinha, funciona onde a jabuticaba e a amora funcionam. Ideias que valorizam a fruta:

  • Suco e caipirinha: bata polpa congelada com água, coe pouco para manter fibras. Combina com limão e manjericão.
  • Geleia: use 1 kg de polpa para 600 g de açúcar e suco de meio limão; pectina natural da fruta já ajuda a dar ponto.
  • Calda para sobremesas: leve ao fogo com pouco açúcar e sirva sobre iogurte, panacota ou sorvete.
  • Licor: tradicional no Sul, feito por infusão em cachaça com açúcar, descansando 30 dias.

Evite cozinhar demais: calor prolongado apaga o aroma e escurece a cor. Para manter o roxo vivo em geleias, finalize com gotas de limão e desligue assim que atingir ponto de colher.

Valor nutricional e benefícios reais

É fruta leve e hidratante, com cerca de 43 kcal por 100 g e boa quantidade de água. O destaque nutricional é a vitamina C (cerca de 28 mg/100 g), fibras e potássio, além de antocianinas responsáveis pela cor roxa, com ação antioxidante.

Por ser rica em água e fibras e pobre em gordura, ajuda na saciedade dentro de uma alimentação variada. As antocianinas e a vitamina C contribuem para a proteção antioxidante do organismo, mas não há efeito medicinal isolado comprovado para curar doenças.

Quem busca controle glicêmico deve considerar que, apesar de leve, tem açúcares naturais. O consumo moderado, preferindo a fruta inteira à versão em suco coado, é a melhor estratégia. Em caso de diabetes ou restrição alimentar, converse com nutricionista.

Quem deve ter cuidado

A fruta madura é segura para a maioria das pessoas, mas frutos verdes são adstringentes e podem causar desconforto, náusea e prisão de ventre em sensíveis. Nunca ofereça frutos verdes para crianças.

A semente não deve ser mastigada nem consumida em grande quantidade. Como em outras Myrtaceae, contém taninos e não é digerível. Ingestão acidental de uma semente inteira costuma passar sem problemas, mas evite triturar.

Pessoas com alergia a Myrtaceae (goiaba, pitanga, jabuticaba) devem provar com cautela. E por ser laxativa em excesso devido às fibras, porções muito grandes podem soltar o intestino.

Como cultivar em casa

A grumichameira gosta de sol pleno, solo profundo, fértil e bem drenado, com pH levemente ácido. Tolera meia-sombra, mas produz menos. Precisa de rega regular no primeiro ano e nos períodos de floração e frutificação.

A propagação é quase sempre por semente recém-colhida. A semente é recalcitrante: se secar por mais de 5 a 7 dias, perde a viabilidade. Semeie logo após retirar da polpa, a 1 cm de profundidade. Germina em 20 a 40 dias. Enxertia acelera a produção.

Começa a frutificar entre 3 e 5 anos se for de semente, e em 2 a 3 anos se for muda enxertada. Pode ser cultivada em vaso grande (mínimo 60 litros) com poda anual após a safra para manter a copa baixa e facilitar a colheita. Tolera geadas leves quando adulta, mas mudas jovens precisam de proteção.

Perguntas frequentes

Cereja-do-suriname e grumichama são a mesma coisa?

Sim. Grumichama, grumixama e cereja-do-suriname são nomes populares para a mesma espécie, Eugenia brasiliensis.

Qual a diferença para pitanga?

A pitanga (Eugenia uniflora) tem gomos marcados e é mais ácida; a cereja-do-suriname é lisa, arredondada e mais doce, ficando roxa a preta quando madura.

Quando é a safra da cereja-do-suriname?

De outubro a janeiro no Sudeste e Sul, com pico em novembro e dezembro. A safra dura apenas 3 a 4 semanas por árvore.

Pode comer a casca e a semente?

A casca fina se come junto com a polpa. A semente não deve ser mastigada nem consumida; retire antes de bater ou congelar.

Como conservar por mais tempo?

Na geladeira por 2 a 3 dias ou congelada sem semente por até 6 meses. Lave só na hora de consumir para não acelerar o apodrecimento.

Dá para plantar em vaso?

Sim, em vaso de pelo menos 60 litros, com sol pleno, solo fértil e rega regular. Produz menos que no chão, mas frutifica bem com poda anual.

Cereja-do-suriname prende ou solta o intestino?

Madura e em porção moderada, as fibras ajudam o intestino. Verde, por ser adstringente, pode prender; em excesso, pode ter efeito laxativo.

Você sabia?

1

Semente que não pode secar

A semente da cereja-do-suriname é recalcitrante: se ficar seca por uma semana, morre. Por isso não se vende semente armazenada, só fruto fresco ou muda.

2

Árvore que descasca

O tronco descama em placas finas como o da jabuticabeira e da goiabeira, deixando manchas claras. É uma característica da família Myrtaceae.

3

Florada branca que chama abelha

Em agosto e setembro a copa fica coberta de flores brancas muito perfumadas. Apicultores valorizam o mel de grumichama, claro e aromático.

4

Cor que indica antioxidante

A mudança para roxo-preto indica acúmulo de antocianinas, os mesmos pigmentos da jabuticaba e do açaí, responsáveis pela cor intensa e ação antioxidante.

Fontes

  1. Embrapa - Frutíferas Nativas
  2. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Unicamp)
  3. USDA FoodData Central

Prós e contras: Cereja-do-suriname

Prós

  • Sabor doce e suculento quando bem madura
  • Rica em vitamina C e antocianinas
  • Muito produtiva e ornamental, atrai polinizadores
  • Versátil para sucos, geleias e licores
  • Adapta-se bem a quintais e vasos grandes

Contras

  • Safra muito curta e difícil de encontrar para comprar
  • Fruto extremamente perecível, fermenta em 1 a 2 dias
  • Polpa com semente grande, baixo rendimento
  • Fruto verde é adstringente e desagradável
  • Semente perde viabilidade rápido, dificulta o plantio
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cereja-do-suriname é uma das frutíferas nativas mais subestimadas: mais doce e versátil que a pitanga, mas esquecida por ter safra curta e polpa delicada. Vale plantar em casa se você busca fruta de quintal autêntica, não fruta de supermercado.

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Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Feliciano Murene
Revisão especializadaFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.