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Pinguim-de-adélia

Pygoscelis adeliae

Atualizado em

62 a 71 cmTamanho
3,6 a 6 kgPeso
11 a 20 anosExpectativa de vida
Grasnado áspero e trombeteadoCanto
Costas e gelo da AntárticaHabitat
Pinguim-de-adélia adulto de corpo inteiro em costa rochosa da Antártica

O pinguim-de-adélia é um dos pinguins mais emblemáticos da Antártica e o único do gênero Pygoscelis que vive tão ao sul. Inconfundível pelo anel branco completo ao redor dos olhos e pelo bico curto com base avermelhada, ele forma colônias barulhentas de milhares de casais nas costas rochosas do continente gelado.

Altamente dependente do gelo marinho, passa o verão reproduzindo em terra e o inverno migrando sobre o gelo. Nada e mergulha com agilidade para caçar principalmente krill antártico, e é famoso pelo comportamento de roubar pedras dos ninhos vizinhos para construir o próprio.

Também conhecido como: Pinguim-de-Adélia, Pinguim Adélia, Adélie Penguin (inglês), Pingüino de Adelia (espanhol), Manchot d'Adélie (francês)

Faz parte de: Aves Aquáticas, Aves Migratórias

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Galeria de fotos de Pinguim-de-adélia

Pinguim-de-adélia adulto de corpo inteiro em costa rochosa da Antártica
Pinguim-de-adélia adulto com o característico anel branco ao redor dos olhos.
Close-up da cabeça do pinguim-de-adélia mostrando anel ocular branco
Detalhe da cabeça: anel branco completo e base avermelhada do bico.
Colônia de pinguins-de-adélia com ninhos de pedras na costa antártica
Colônia barulhenta com ninhos circulares de pedras.
Pinguim-de-adélia nadando submerso com nadadeiras abertas
Embaixo d'água, usa as nadadeiras para caçar krill.
Ninho de pinguim-de-adélia com dois ovos entre pedras
Ninho de pedras com dois ovos, incubados por ambos os pais.
Filhotes de pinguim-de-adélia em creche com penugem cinza
Filhotes em creche enquanto os pais buscam alimento no mar.

Perfil rápido de Pinguim-de-adélia

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global grande e amplamente distribuída, mas dependente do gelo marinho.

População
Estável globalmente, com declínios locais na Península Antártica
Protegido por
Sim, pelo Tratado da Antártica e Protocolo de Madri; captura e comércio proibidos

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Muda de penasJFMAMJJASOND
Migração / dispersão no geloJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
11 a 20 anos; mortalidade alta no primeiro ano (cerca de 50% não sobrevive)
Em cativeiro
Não mantido como pet; em aquários especializados pode passar de 20 anos com manejo adequado

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal com alta fidelidade ao parceiro e ao ninho
Estrutura social
Colonial, com centenas a centenas de milhares de casais
Padrão sazonal
Anual, primavera e verão austral (outubro a fevereiro)
Tipo de nascimento
Ovíparo
Ninhada
2 ovos; incubação 32-37 dias; filhotes em creche após 3 semanas; independência com 50-60 dias

Habitat

Ambientes

  • Costas rochosas antárticas
  • Gelo marinho e polínias
  • Águas pelágicas do Oceano Austral

Biomas

  • Oceano Austral
  • Tundra antártica
  • Gelo marinho

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Krill antártico

Outros alimentos

  • Peixe-prata antártico
  • Lulas
  • Anfípodes

Encontrado em 1 país

  • Antártica

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Sphenisciformes
Família
Spheniscidae
Gênero
Pygoscelis
Espécie
Pygoscelis adeliae

Resumo

  • O pinguim-de-adélia mede 62 a 71 cm, pesa 3,6 a 6 kg e é reconhecido pelo anel branco ao redor dos olhos e bico com base vermelha.
  • Vive ao longo da costa da Antártica e ilhas próximas, depende do gelo marinho e se alimenta quase exclusivamente de krill antártico.
  • Forma colônias de milhares de casais, faz ninhos circulares de pedras, põe 2 ovos e ambos os pais revezam incubação e alimentação dos filhotes.

Características

Ficha da espécie

FamíliaSpheniscidae
Origem e distribuiçãoCostas da Antártica e ilhas antárticas e subantárticas
HabitatCostas rochosas, gelo marinho e águas pelágicas antárticas
Tamanho (comprimento)62 a 71 cm
EnvergaduraNão voa; nadadeiras com 20 a 25 cm
Peso3,6 a 6 kg (maior antes da muda)
Corespretobrancocinza-azuladovermelho-alaranjado (bico)
Expectativa de vida11 a 20 anos na natureza
AlimentaçãoCarnívora: krill, peixes e lulas
CantoGrasnados, latidos e trombeteios nas colônias
Reprodução (ninho e ovos)Ninho circular de pedras; 2 ovos branco-esverdeados; incubação 32 a 37 dias
Comportamento socialExtremamente colonial e monogâmico na estação
Variedades ou subespéciesNenhuma subespécie reconhecida

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o pinguim-de-adélia: o anel branco que não engana

O pinguim-de-adélia é médio para um pinguim, com 62 a 71 cm de altura e corpo compacto e hidrodinâmico. O adulto pesa entre 3,6 e 6 kg, variando muito ao longo do ano: engorda antes da muda e emagrece durante o jejum da incubação.

A marca registrada é o anel branco completo ao redor dos olhos, sobre íris castanha, que contrasta com a cabeça e o dorso pretos. Nenhum outro pinguim antártico tem esse círculo tão nítido. O ventre é branco puro, o bico é curto, preto com base avermelhada e uma mancha de penas na base, e as nadadeiras são pretas por fora e brancas por dentro.

Filhotes nascem com penugem cinza-prateada e só ganham o anel ocular após a primeira muda completa. Juvenis podem ser confundidos com pinguim-de-barbicha, mas o de Adélia nunca tem a faixa preta sob o queixo.

Diferença entre os três Pygoscelis

Na Antártica vivem três pinguins de cauda longa do mesmo gênero. Esta tabela ajuda a não confundir:

Espécie Tamanho Marca distintiva Distribuição
Pinguim-de-adélia (P. adeliae) 62-71 cm Anel branco ao redor do olho Costa antártica continental
Pinguim-de-barbicha (P. antarcticus) 68-76 cm Faixa preta sob o queixo Ilhas antárticas e Península
Pinguim-gentoo (P. papua) 75-90 cm Mancha branca acima do olho e bico laranja Subantártico e Península

Onde vive: o pinguim mais ao sul do planeta

O pinguim-de-adélia é o pinguim com distribuição mais meridional. Reproduz ao longo de toda a costa da Antártica e em ilhas como Shetland do Sul, Órcades do Sul e Bouvet, sempre onde há rocha exposta sem gelo no verão.

Fora da época reprodutiva, não fica em terra. Vive no gelo marinho e em águas pelágicas, seguindo a expansão e o recuo do gelo. É uma espécie pagofílica, ou seja, dependente do gelo para descanso, muda e alimentação.

Existem cerca de 3,8 milhões de casais reprodutores distribuídos em mais de 250 colônias. Algumas, como a da Ilha Ross, reúnem mais de 200 mil casais e são visíveis em imagens de satélite pela mancha escura de guano.

O que come: krill, peixe e a dependência do gelo

A dieta é quase exclusivamente krill antártico (Euphausia superba), que pode representar mais de 90% do alimento em muitas colônias. Complementa com peixe-prata antártico (Pleuragramma antarcticum) e pequenas lulas quando o krill escasseia.

Caça durante o dia, com mergulhos rasos de 20 a 50 metros que duram 1 a 2 minutos. Em busca de presas pode chegar a 170 metros, mas raramente precisa tanto. Nada a até 8 km/h e pode percorrer 50 a 120 km por dia quando está alimentando filhotes.

O gelo marinho é crucial porque o krill se alimenta de algas que crescem sob o gelo. Sem gelo, a base da cadeia quebra. Por isso o pinguim-de-adélia é considerado sentinela da saúde do Oceano Austral.

  • Principal: krill antártico
  • Secundários: peixe-prata, lulas e anfípodes
  • Estratégia: perseguição subaquática com nadadeiras, engole a presa inteira ainda na água

Comportamento e vida em colônia: barulho, roubo de pedras e natação

É extremamente sociável e barulhento. Nas colônias, milhares de casais vocalizam ao mesmo tempo para se reconhecerem. O canto é um grasnado áspero e trombeteado, usado para defender território e chamar o parceiro em meio à multidão.

Em terra anda ereto e desajeitado, mas na água é ágil. Para se deslocar rápido sobre o gelo, faz o tobogã: desliza de barriga empurrando com nadadeiras e pés, economizando energia. Na água, salta como golfinho (porpoising) para respirar sem perder velocidade.

O comportamento mais famoso é o roubo de pedras. Machos e fêmeas constroem ninhos circulares de seixos para manter os ovos acima da água do degelo. Como pedras boas são raras, é comum um indivíduo distrair o vizinho e furtar uma pedra, gerando brigas rápidas com bicadas e golpes de nadadeira.

Na colônia, a qualidade do ninho importa: ninhos mais altos e bem drenados têm maior sucesso de eclosão. Por isso a disputa por pedras não é brincadeira, é seleção natural.

Reprodução, ninhos de pedra e filhotes

A estação reprodutiva começa na primavera austral, entre outubro e novembro, quando o gelo ainda cobre o mar mas as áreas rochosas já descongelam. Machos chegam primeiro, ocupam o mesmo local do ano anterior e começam a empilhar pedras.

A fêmea põe geralmente 2 ovos branco-esverdeados, com intervalo de 2 a 4 dias. Ambos incubam por 32 a 37 dias, revezando turnos de 1 a 2 semanas enquanto o outro se alimenta no mar. O primeiro ovo costuma ser ligeiramente maior.

Os filhotes nascem com penugem cinza e ficam no ninho por cerca de 3 semanas, aquecidos pelos pais. Depois formam creches: grupos de filhotes juntos enquanto os pais buscam comida. Com 50 a 60 dias já têm plumagem juvenil e entram no mar para se tornarem independentes.

  • Sistema: monogâmico sazonal, com alta fidelidade ao parceiro e ao local
  • Sucesso: em anos bons, 1 a 2 filhotes por casal sobrevivem; em anos de pouco gelo e pouco krill, muitos ninhos falham
  • Maturidade: reproduz pela primeira vez entre 3 e 5 anos

Migração e ciclo anual: 13 mil quilômetros seguindo o gelo

O pinguim-de-adélia é migratório, mas não voa: migra nadando e à deriva no gelo. Após a reprodução, entre fevereiro e março, os adultos fazem a muda completa de penas em terra, jejuando por 2 a 3 semanas.

Depois seguem para o norte acompanhando a expansão do gelo marinho no outono e inverno. Estudos com geolocalizadores mostraram que alguns indivíduos percorrem cerca de 13.000 km por ano, passando o inverno em áreas de gelo compacto onde há luz suficiente para caçar.

Na primavera, retornam às colônias com precisão impressionante, muitas vezes ao mesmo ninho do ano anterior. Essa fidelidade facilita o monitoramento a longo prazo pelos pesquisadores.

É possível ter um pinguim-de-adélia em casa?

Não. O pinguim-de-adélia é uma ave silvestre antártica estritamente protegida. No Brasil, sua criação como animal de estimação é ilegal e inviável. A espécie é protegida pelo Tratado da Antártica e, no Brasil, pela Lei de Crimes Ambientais.

Além da questão legal, há a biológica: precisa de água a -1,8°C a 2°C, gelo marinho, dieta de krill vivo e colônia social. Nenhum ambiente doméstico ou mesmo zoológico comum consegue replicar isso sem estrutura especializada. No Brasil, apenas instituições científicas e aquários autorizados com licença do IBAMA podem manter pinguins, e nunca a espécie antártica para venda.

Observar pinguins deve ser feito em documentários, em aquários com espécies subantárticas autorizadas ou em expedições regulamentadas à Antártica, sempre com distância mínima e sem interferência.

Conservação e ameaças: por que o gelo importa

Atualmente o pinguim-de-adélia é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população global estimada em cerca de 10 milhões de indivíduos maduros e tendência geral estável. Mas a situação varia muito por região.

Na Península Antártica, onde o aquecimento é mais rápido e o gelo marinho diminuiu, várias colônias encolheram mais de 50% em poucas décadas por falta de krill. Já no Mar de Ross, onde o gelo permanece mais estável, algumas colônias cresceram. Essa resposta oposta mostra como a espécie depende diretamente do gelo.

As principais ameaças são mudança climática, pesca industrial de krill e poluição. O aumento da pesca de krill para ração e suplementos compete diretamente com o alimento do pinguim. Derramamentos de óleo e microplásticos também são riscos crescentes. Áreas marinhas protegidas no Oceano Austral são a principal ferramenta de conservação defendida por cientistas.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do pinguim-de-adélia?

Mede 62 a 71 cm de altura e pesa 3,6 a 6 kg. É menor que o pinguim-gentoo e maior que o pinguim-de-barbicha.

Como identificar o pinguim-de-adélia?

Pelo anel branco completo ao redor dos olhos, cabeça preta e bico curto com base avermelhada. Não tem faixa preta no queixo como o de barbicha.

Onde vive o pinguim-de-adélia?

Ao longo da costa da Antártica e ilhas antárticas próximas. Passa o inverno no gelo marinho do Oceano Austral.

O que o pinguim-de-adélia come?

Principalmente krill antártico, além de peixes e lulas. A dieta depende diretamente da disponibilidade de krill associada ao gelo marinho.

O pinguim-de-adélia voa?

Não voa no ar, mas voa na água. Usa as nadadeiras para nadar e mergulhar com grande agilidade, chegando a 8 km/h.

Pode ter pinguim-de-adélia em casa no Brasil?

Não. É ave silvestre protegida pelo Tratado da Antártica e pela lei brasileira. Criação e comércio são ilegais e a espécie exige gelo e krill para sobreviver.

Está em risco de extinção?

É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável globalmente, mas colônias da Península Antártica estão em declínio por perda de gelo e pesca de krill.

Fatos surpreendentes sobre o pinguim-de-adélia

1

Ladrão de pedras profissional

Machos são conhecidos por roubar pedras de ninhos vizinhos quando o dono se distrai. Pedras são tão valiosas que já foram vistas fêmeas trocando cópulas por pedras melhores.

2

Homenagem à esposa

Foi descrito em 1840 pelo explorador francês Dumont d'Urville, que batizou a espécie em homenagem à sua esposa Adèle e à Terra Adélia, que ele acabara de descobrir na Antártica.

3

Nadador de longa distância

Fora da reprodução, passa 90% do tempo na água e pode percorrer mais de 13.000 km por ano acompanhando o gelo marinho, orientando-se pela posição do sol.

4

Visto do espaço

Colônias gigantes mancham o gelo de rosa-amarronzado por causa do guano rico em krill. Essa coloração é tão extensa que satélites a usam para contar pinguins.

Fontes

  1. IUCN Red List - Pygoscelis adeliae
  2. BirdLife International
  3. Cornell Lab - All About Birds
  4. WikiAves / CBRO

Prós e contras: Pinguim-de-adélia

Prós

  • Anel ocular branco torna identificação muito fácil
  • Espécie sentinela bem estudada, com dados de longo prazo
  • Colônias grandes permitem observação comportamental rica
  • Adaptação extrema ao frio e ao mergulho impressiona
  • Fidelidade ao local facilita monitoramento e pesquisa

Contras

  • Totalmente dependente do gelo marinho, vulnerável ao aquecimento
  • Dieta quase exclusiva de krill o torna sensível à pesca industrial
  • Não pode ser criado legalmente como ave de estimação
  • Reprodução falha facilmente em anos de pouco alimento
  • Acesso à observação na natureza exige expedição à Antártica
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pinguim-de-adélia é o melhor termômetro vivo da Antártica: fácil de identificar pelo anel branco e fascinante de observar, mas impossível de romantizar como pet. Sua história de roubo de pedras e migrações de milhares de quilômetros mostra uma ave resistente, porém refém do gelo — e é aí que mora seu valor enciclopédico.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.