🦜 Aves e Pássaros

Caturrita

Myiopsitta monachus

Atualizado em

28 a 30 cmTamanho
90 a 140 gPeso
15 a 20 anos (até 30 em cativeiro)Expectativa de vida
Grasnado, alto e repetitivoCanto
Savanas, áreas agrícolas e cidadesHabitat
Caturrita em voo com asas abertas mostrando penas azuis

A caturrita é um periquito sul-americano de 28 a 30 cm, verde com peito cinza-claro escamado e cauda longa pontiaguda. É o único psitacídeo do mundo que constrói ninho volumoso de gravetos em vez de usar ocos de árvores.

Altamente gregária e barulhenta, vive em colônias que podem reunir dezenas de casais no mesmo ninho. Adaptou-se muito bem às cidades brasileiras, onde é comum em praças, fiações e pomares, e se destaca pela inteligência, vocalização áspera e comportamento cooperativo.

Também conhecido como: Periquito-monge, Catorrita, Caturrita, Monk Parakeet (inglês), Cotorra argentina (espanhol)

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Galeria de fotos de Caturrita

Caturrita em voo com asas abertas mostrando penas azuis
Caturrita em voo, com rêmiges azuladas visíveis.
Ninho comunitário gigante de caturritas sobre poste de energia
Ninho comunal de gravetos construído por várias famílias de caturritas.
Caturrita em voo com asas abertas mostrando penas azuis
Caturrita em voo, com rêmiges azuladas visíveis.
Ninho comunitário gigante de caturritas sobre poste de energia
Ninho comunal de gravetos construído por várias famílias de caturritas.
Bando de caturritas se alimentando de sementes no chão
Bando se alimentando no chão com sentinela em vigília.
Filhotes de caturrita dentro da câmara do ninho comunitário
Filhotes altriciais na câmara forrada do ninho comunal.

Perfil rápido de Caturrita

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla, estável e em expansão, beneficiada por áreas abertas e urbanização.

População
crescente
Protegido por
Não há proteção específica além da lei de fauna silvestre

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Construção e reforma de ninhosJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
15 a 20 anos
Em cativeiro
25 a 30 anos com manejo e veterinário adequados

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico com par duradouro
Estrutura social
Colonial, várias famílias no mesmo ninho comunal
Padrão sazonal
Primavera e verão, de setembro a março
Tipo de nascimento
Ovíparo, ovos brancos incubados pela fêmea por 26 dias
Ninhada
5 a 8 ovos, 1 a 2 posturas por ano; filhotes saem com 40 a 45 dias

Habitat

Ambientes

  • Savanas e campos com árvores esparsas
  • Bordas de matas e capoeiras
  • Pomares e áreas agrícolas
  • Parques, praças e postes urbanos

Biomas

  • Pampa
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes de gramíneas e girassol
  • Grãos cultivados como milho, sorgo e arroz

Outros alimentos

  • Frutos (pitanga, goiaba, aroeira)
  • Flores, brotos e folhas jovens
  • Pequenos insetos na criação dos filhotes

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Estados Unidos
  • Espanha
  • Itália
  • Reino Unido

Como animal de estimação

Adequação
Baixa como pet doméstico; ave silvestre gregária e muito vocal
Legalidade no Brasil
Só com anilha e nota de criadouro autorizado no SisFauna/IBAMA; captura na natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Alto: viveiro grande, enriquecimento diário e companhia constante
Aquisição
Apenas em criadouros legalizados; exige comprovação de origem

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Myiopsitta
Espécie
Myiopsitta monachus

Resumo

  • A caturrita é um periquito de 28 a 30 cm, verde com peito cinza e asas azuladas, único entre os psitacídeos por construir ninhos comunitários de gravetos.
  • Vive em colônias barulhentas e altamente sociais, alimenta-se de sementes, frutos e grãos e adaptou-se com sucesso às áreas urbanas do Brasil e de outros países.
  • No Brasil sua criação só é legal com autorização do IBAMA e anilha de criadouro, e a captura na natureza é crime ambiental; na natureza a espécie é classificada como Pouco Preocupante e está em expansão.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul (centro-sul); introduzida na América do Norte e Europa
HabitatSavanas, bordas de mata, áreas agrícolas e centros urbanos
Tamanho (comprimento)28 a 30 cm
Envergadura42 a 48 cm
Peso90 a 140 g
Coresverdecinza-claroamarelo-esverdeadoazul
Expectativa de vida15 a 20 anos na natureza, até 30 em cativeiro
AlimentaçãoGranívora e frugívora (sementes, grãos, frutos, flores)
CantoGrasnidos ásperos, gritos agudos e sequências tagarelas
Reprodução (ninho e ovos)Ninho comunal de gravetos; 5 a 8 ovos brancos; incubação 26 dias
Comportamento socialColonial e gregária, vive em bandos de 10 a 100 indivíduos
Variedades ou subespécies3 subespécies: M. m. monachus, M. m. calita e M. m. cotorra

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMuito alto
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsAlto

Como reconhecer a caturrita: tamanho, cores e traços inconfundíveis

A caturrita (Myiopsitta monachus) tem 28 a 30 cm e 90 a 140 g, porte de periquito grande, menor que um papagaio-verdadeiro e bem mais robusta que um periquito-australiano.

O padrão de cor é único entre os psitacídeos brasileiros: dorso e asas verde-vivo, testa, bochechas e peito cinza-claro com efeito escamado, barriga amarelo-esverdeada pálida e rêmiges azul-acinzentadas visíveis em voo.

O bico é curto, curvo e cor de chifre, mais claro que o de outros periquitos, e a cauda é longa, graduada e pontiaguda, verde por cima e acinzentada por baixo. Jovens são mais opacos, com menos cinza no peito e cauda mais curta.

Não há dimorfismo sexual evidente a olho nu. Macho e fêmea são idênticos na plumagem; a sexagem segura exige exame de DNA ou laparoscopia.

Onde vive a caturrita no Brasil e no mundo

A distribuição natural vai do centro da Argentina e Uruguai ao Paraguai, Bolívia e sul e sudeste do Brasil, do Rio Grande do Sul ao Piauí, com maior densidade no Pampa, Mata Atlântica e Cerrado.

Habita savanas, bordas de matas, capoeiras, pomares, plantações de milho, sorgo e arroz, parques urbanos e fiações. Evita floresta densa fechada e prefere áreas abertas com árvores esparsas para nidificar.

É uma das aves que mais se beneficiou da urbanização. Em cidades como Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro forma colônias em postes, torres de celular e árvores de praças, onde encontra alimento e poucos predadores.

Fora da América do Sul, populações asselvajadas estabelecidas existem nos Estados Unidos, Espanha, Itália, Reino Unido, Bélgica e Japão, originadas de fugas e solturas. É considerada espécie invasora em parte da Europa e da América do Norte.

O único periquito que constrói ninho de gravetos: comportamento e vida em colônia

A caturrita é o único psitacídeo que não nidifica em oco. Ela tece um ninho volumoso de gravetos secos, espinhos e até arame, com câmaras internas forradas de folhas macias.

Cada estrutura funciona como um prédio de apartamentos: de 3 a mais de 20 casais ocupam câmaras separadas com entrada própria, mas compartilham a mesma base. Ninhos antigos podem atingir 1 a 2 metros de diâmetro e pesar mais de 100 kg, exigindo manutenção constante.

A vida social é intensa. Bandos de 10 a 100 aves voam juntos, pousam juntos e se revezam na vigilância. Há vocação para sentinela: enquanto o grupo se alimenta no chão, um ou dois indivíduos ficam em poleiro alto emitindo gritos de alerta.

São monogâmicas e fiéis ao par por várias estações, e ambos os sexos participam da construção e defesa do ninho. A agressividade territorial é baixa entre vizinhos da mesma colônia, mas forte contra outras espécies que tentam ocupar o ninho.

O que a caturrita come na natureza e na cidade

É essencialmente granívora e frugívora. A base são sementes de gramíneas nativas, girassol, cardo, frutos de aroeira, pitanga, goiaba, eucalipto e coquinhos.

Em áreas agrícolas consome milho, sorgo, arroz, trigo e soja, o que a coloca em conflito com produtores. Na cidade, aproveita restos de pão, ração de pombo, flores de tipuana e ipê e brotos tenros.

Alimenta-se tanto na copa quanto no chão, descendo em grupo e com revezamento de vigias. O bico forte quebra sementes duras, e a língua musculosa manipula o alimento com precisão.

  • Principal: sementes e grãos (60 a 70% da dieta)
  • Complemento: frutos polposos, flores, brotos e folhas jovens
  • Ocasional: pequenos insetos e larvas, especialmente na criação dos filhotes

Canto, inteligência e comunicação: por que ela chama tanta atenção

O canto não é melodioso. É um grasnido áspero, alto e repetitivo, do tipo kri-kri-kri ou chá-chá, audível a centenas de metros. Em colônia, o coro é quase contínuo ao amanhecer e ao entardecer.

Apesar do timbre ruidoso, a caturrita tem grande capacidade de imitar assobios, palavras curtas e sons do ambiente quando criada desde filhote com interação diária. Não atinge a clareza de um papagaio-amazona, mas aprende 10 a 30 vocábulos com treino.

A inteligência se revela na construção do ninho, no uso de ferramentas simples e na resolução de problemas. Em cativeiro, aprende a abrir trincos, desatar nós e empilhar objetos. Na natureza, já foi observada usando espinhos para travar gravetos.

A comunicação combina vocalizações de contato, alarme, corte e briga com posturas corporais: eriçar penas da cabeça, abrir asas e balançar a cauda. É uma ave que precisa de estímulo social constante; isolada, desenvolve gritos excessivos e arrancamento de penas.

Reprodução, ninhos comunitários e filhotes

A estação reprodutiva no Brasil vai de setembro a março, com pico entre outubro e dezembro. O casal reforma a câmara do ano anterior ou constrói uma nova anexada ao bloco.

A fêmea põe 5 a 8 ovos brancos e arredondados, um a cada dois dias, e incuba por cerca de 26 dias enquanto o macho a alimenta e defende a entrada. Posturas de 11 ovos ocorrem, mas são raras.

Os filhotes nascem altriciais, sem penas e de olhos fechados, e permanecem no ninho por 40 a 45 dias. Ambos os pais alimentam com papa regurgitada rica em sementes semidigeridas.

Após saírem, os jovens ficam 2 a 3 semanas próximos à colônia sendo alimentados pelos pais e aprendendo rotas de alimento. A maturidade sexual chega entre 1 e 2 anos, e a fidelidade ao ninho natal é alta.

Caturrita pode ser criada em casa? Legalidade e cuidados

No Brasil, a caturrita é ave silvestre nativa protegida por lei. Capturar, manter ou vender exemplares da natureza é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98, com multa e detenção.

A criação só é legal se a ave vier de criadouro comercial autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada, nota fiscal e cadastro no SisFauna/Sispass. Sem essa documentação, a posse é ilegal mesmo que a ave tenha sido encontrada caída.

Mesmo legalizada, não é um pet simples. Exige viveiro grande (mínimo 2 m de comprimento para um casal), poleiros de madeira natural, cordas, brinquedos destrutíveis e banho regular. Gaiola pequena de calopsita causa estresse, obesidade e problemas comportamentais.

Na nossa avaliação, a caturrita funciona melhor como ave de observação livre na cidade do que como ave de gaiola. Quem busca um psitacídeo para apartamento deve preferir espécies domesticadas como calopsita ou periquito-australiano, mais silenciosas e adaptadas ao manejo doméstico.

Conservação, expansão urbana e conflitos com humanos

A IUCN classifica a caturrita como Pouco Preocupante (LC), com população estável e em expansão. A conversão de florestas em áreas abertas e a oferta de alimento urbano favoreceram a espécie.

Os principais conflitos são danos a pomares e lavouras e ninhos em postes e torres, que podem causar curtos-circuitos e quedas de energia. Concessionárias fazem manejo com poda de ninhos fora da época reprodutiva e instalação de plataformas alternativas.

Predadores naturais incluem gaviões, falcões, corujas e gambás que atacam ovos e filhotes. A caça direta é incomum, mas o tráfico para comércio ilegal ainda existe em algumas regiões.

Para observar sem prejudicar, mantenha distância de colônias ativas entre setembro e janeiro, não ofereça pão ou alimentos ultraprocessados e nunca remova gravetos de ninhos. Denuncie comércio ilegal ao IBAMA ou Polícia Ambiental.

Subespécies e como diferenciar a caturrita de periquitos parecidos

Existem três subespécies reconhecidas, com diferenças sutis de tamanho e tonalidade:

Subespécie Distribuição principal Traço distintivo
M. m. monachus Sudeste do Brasil, Uruguai e nordeste da Argentina Maior, verde mais escuro, cinza do peito bem marcado
M. m. calita Oeste da Argentina e Bolívia Menor, asas mais azuladas, tom geral mais claro
M. m. cotorra Paraguai, norte da Argentina e Chaco Intermediária, com amarelo mais vivo na barriga

No Brasil, a forma mais vista é M. m. monachus. A confusão mais comum é com o periquito-de-encontro-amarelo e o tuim, mas a caturrita se distingue pelo peito cinza escamado e pelo ninho de gravetos — nenhum outro periquito brasileiro faz ninho aparente em postes.

Outra pista é o voo: batidas rápidas e trajetória ondulada, com gritos constantes em bando, diferente do voo mais silencioso e direto dos tuins.

Perguntas frequentes

Caturrita fala?

Pode imitar assobios e algumas palavras curtas se criada desde filhote com interação diária, mas o timbre é áspero e o vocabulário é menor que o de papagaios do gênero Amazona.

Qual a diferença entre caturrita e periquito australiano?

A caturrita é maior (28 a 30 cm), verde com peito cinza escamado e faz ninho de gravetos; o australiano tem 18 cm, cores variadas e nidifica em ocos.

Caturrita pode ser criada em casa legalmente?

Só se vier de criadouro autorizado pelo IBAMA com anilha e nota fiscal. Tirar da natureza ou comprar sem origem é crime ambiental.

O que a caturrita come?

Sementes, grãos, frutos, flores e brotos. Na cidade consome também milho, sorgo e frutos de árvores urbanas; não ofereça pão, chocolate ou alimentos salgados.

Quanto tempo vive uma caturrita?

De 15 a 20 anos na natureza e até 25 a 30 anos em cativeiro com alimentação adequada e acompanhamento veterinário.

Por que a caturrita faz ninho no poste?

Porque não usa ocos e precisa de suporte alto e firme para seu ninho comunal de gravetos. Postes e torres imitam árvores isoladas e ficam livres de muitos predadores.

Caturrita é praga agrícola?

Pode causar danos locais a milho, sorgo e fruticultura quando em bandos grandes, mas é também dispersora de sementes e controlada por manejo não letal fora da época reprodutiva.

Você sabia?

1

O único papagaio que constrói ninho de gravetos

Todos os outros psitacídeos usam ocos de árvores ou rochas. A caturrita tece uma estrutura de gravetos com câmaras forradas que pode passar de 1,5 metro e pesar mais de 100 kg.

2

Prédio com controle térmico natural

As câmaras internas mantêm temperatura até 5 °C mais estável que o exterior, protegendo ovos e filhotes de frio e calor extremos.

3

Invasora em três continentes

Fugas de cativeiro criaram populações selvagens em mais de 15 países, como Estados Unidos, Espanha e Itália, onde hoje compete com aves nativas por cavidades e alimento.

4

Bico que causa blecaute

Ao incorporar arames e gravetos metálicos nos ninhos sobre postes, colônias urbanas já provocaram curtos-circuitos e quedas de energia em várias cidades brasileiras.

Fontes

  1. WikiAves - Myiopsitta monachus
  2. IUCN Red List / BirdLife International
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab of Ornithology - All About Birds

Prós e contras: Caturrita

Prós

  • Único psitacídeo que constrói ninho comunal, fácil de observar na cidade
  • Muito inteligente, curiosa e sociável em bando
  • Resistente e adaptável a diferentes climas e habitats
  • Longevidade alta para o porte quando bem manejada
  • Vocalizações úteis para estudo de comunicação e vida colonial

Contras

  • Canto alto e repetitivo, inadequado para apartamento
  • Exige viveiro grande e companhia, sofre isolada
  • Criação legal exige documentação e criadouro autorizado
  • Pode causar danos a lavouras e ninhos em rede elétrica
  • Não tem dimorfismo sexual visível e exige sexagem por DNA
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a caturrita é o psitacídeo mais interessante para observar na cidade justamente porque não depende de ocos e mostra engenharia social rara. Por isso, vale mais investir em binóculo e respeito à colônia do que em gaiola: isolada, ela perde o que tem de mais fascinante.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.