🦜 Aves e Pássaros

Pica-pau-de-banda-branca

Dryocopus lineatus

Atualizado em

33 a 36 cmTamanho
136 a 264 gPeso
8 a 10 anosExpectativa de vida
Alto e repetidoCanto
Florestas e bordasHabitat
Pica-pau-de-banda-branca adulto pousado verticalmente em tronco

O pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus) é um dos maiores pica-paus do Brasil, com 33 a 36 cm e topete vermelho chamativo. A faixa branca que vai do bico até o peito e o dorso preto dão o nome popular e permitem identificá-lo mesmo à distância.

Muito barulhento e ativo, vive sozinho ou em casal e é encontrado de bordas de florestas amazônicas a parques urbanos arborizados. Escava troncos para buscar larvas e tamborila alto para marcar território, sendo um dos pica-paus mais fáceis de ouvir e observar no país.

Também conhecido como: pica-pau-de-faixa-branca, pica-pau-grande-de-topete-vermelho, lineated woodpecker (inglês), carpintero lineado (espanhol)

Faz parte de: Aves da Amazônia

Explore a wiki

Galeria de fotos de Pica-pau-de-banda-branca

Pica-pau-de-banda-branca adulto pousado verticalmente em tronco
Adulto em postura típica, com faixa branca e topete vermelho bem visíveis.
Close da cabeça do pica-pau-de-banda-branca mostrando bico e topete
Detalhe da cabeça: bico em cinzel e diferença do vermelho entre macho e fêmea.
Pica-pau-de-banda-branca em voo com asas abertas
Em voo, as pintas brancas nas asas ajudam na identificação.
Pica-pau-de-banda-branca tamborilando em tronco seco
Tamborilar e buracos retangulares característicos no tronco.
Pica-pau-de-banda-branca se alimentando de larvas no tronco
Alimentação: extrai larvas com a língua longa e pegajosa.
Ninho do pica-pau-de-banda-branca em cavidade de tronco com ovos brancos
Ninho em cavidade escavada, com ovos brancos sem forração.

Perfil rápido de Pica-pau-de-banda-branca

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável em grande parte da distribuição.

População
estável
Protegido por
sim

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de canto e tamborilarJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
8 a 10 anos, podendo chegar a 12 em áreas preservadas
Em cativeiro
Não se aplica; espécie silvestre não mantida como pet

Reprodução

Sistema
Monogâmico territorialista, casal escava junto
Ninho
Cavidade escavada em tronco a 3-15 m de altura
Ovos e incubação
2 a 4 ovos brancos; 14 a 15 dias com revezamento do casal
Filhotes
Nidícolas, saem do ninho com 24 a 28 dias e seguem os pais por semanas

Habitat

Ambientes

  • Bordas de florestas tropicais
  • Matas de galeria e cerradão
  • Capoeiras altas e florestas secundárias
  • Parques urbanos e sítios arborizados

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pantanal
  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Larvas de besouros xilófagos
  • Formigas carpinteiras
  • Cupins arborícolas

Outros alimentos

  • Frutos e bagas
  • Sementes ocasionais

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Panamá
  • Costa Rica
  • México

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Piciformes
Família
Picidae
Gênero
Dryocopus
Espécie
Dryocopus lineatus

Resumo

  • O pica-pau-de-banda-branca é um pica-pau grande de 33 a 36 cm, preto com faixas brancas na face e topete vermelho vivo nos machos.
  • Vive em quase todo o Brasil, de florestas úmidas a cerradões e áreas urbanas arborizadas, alimentando-se de larvas, formigas e cupins que extrai dos troncos.
  • Faz ninho em cavidades escavadas a 3 a 15 metros de altura, põe de 2 a 4 ovos brancos e é classificado como Pouco Preocupante pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPicidae
Origem e distribuiçãoDo México ao norte da Argentina; presente em quase todo o Brasil
HabitatFlorestas úmidas, matas de galeria, cerradão, capoeiras e parques urbanos arborizados
Tamanho (comprimento)33 a 36 cm
Envergadura44 a 52 cm
Peso136 a 264 g
Corespretobrancovermelho
Expectativa de vida8 a 10 anos na natureza
AlimentaçãoLarvas de besouros, formigas, cupins e frutos ocasionais
CantoSequência alta de notas “wic-wic-wic” e tamborilar forte no tronco
Reprodução (ninho e ovos)Cavidade escavada a 3-15 m de altura; 2 a 4 ovos brancos; incubação de 14 a 15 dias
Comportamento socialSolitário ou em casal territorialista
Variedades ou subespécies5 subespécies reconhecidas

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o pica-pau-de-banda-branca: tamanho, cores e marcas que não enganam

O pica-pau-de-banda-branca é grande, esguio e de bico em forma de cinzel, com 33 a 36 cm de comprimento. O corpo é predominantemente preto, com uma faixa branca larga que começa na base do bico, contorna a face e desce pelo pescoço até o peito.

O alto da cabeça tem um topete vermelho vivo. No macho, o vermelho cobre a testa e a crista inteira e há uma faixa malar vermelha; na fêmea, a testa é preta e só a crista posterior é vermelha, sem o bigode vermelho. Essa diferença é a forma mais rápida de sexar a espécie em campo.

As asas têm pintas brancas visíveis em voo e a face apresenta linha superciliar branca bem marcada. O bico é escuro, forte e pontiagudo, os olhos são amarelados e as pernas são cinza-escuro com dedos zigodáctilos, dois para frente e dois para trás, ideais para se agarrar ao tronco.

Onde vive e onde encontrar no Brasil

A distribuição vai do México ao norte da Argentina e Uruguai, cobrindo quase todo o Brasil. Está presente na Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Caatinga arborizada, faltando apenas em áreas muito abertas sem árvores.

Prefere bordas de mata, matas de galeria, cerradões, capoeiras altas e plantações com árvores remanescentes. Diferente de pica-paus mais exigentes, tolera bem paisagens fragmentadas e aparece em sítios, praças e parques urbanos com árvores maduras.

É residente e territorialista o ano todo, não migra. O casal mantém o mesmo território por anos e costuma voltar à mesma área para nidificar. Em regiões de floresta densa é mais ouvido do que visto, já em áreas abertas é facilmente observado no topo de troncos secos.

O que come e como consegue alimento no tronco

A base da dieta são larvas de besouros xilófagos, formigas carpinteiras e cupins. Ele localiza as galerias pelo som e pelo tato, abre o tronco com golpes fortes e captura a presa com a língua comprida, pegajosa e com ponta em forma de arpão, que pode se estender vários centímetros além do bico.

Também consome frutos, sementes e bagas, especialmente em períodos de menor oferta de insetos. Essa complementação frugívora ajuda a dispersar sementes e explica visitas a árvores frutíferas.

Para se alimentar, apoia-se na cauda rígida como tripé e mantém o crânio protegido por estruturas esponjosas que absorvem o impacto. Um indivíduo pode escavar buracos retangulares profundos, bem diferentes dos furos redondos de outros pica-paus, deixando marcas características no tronco.

Comportamento e canto: como vive e se comunica

Vive sozinho ou em casal, raramente em grupos. É arisco, mas curioso, e costuma responder a playback imitando o canto. Passa grande parte do dia escalando troncos em espiral, inspecionando fendas e batendo para testar a madeira.

O canto é alto, anasalado e repetido, descrito como wic-wic-wic-wic ou wuk-wuk-wuk, audível a centenas de metros. Serve para contato entre o casal e defesa de território.

O tamborilar é outra comunicação essencial: sequências rápidas e fortes no tronco seco que funcionam como “placa de propriedade”. Na nossa avaliação, é um dos tamborilares mais potentes entre os pica-paus brasileiros, facilmente distinguível do toque mais curto do pica-pau-verde-barrado.

Reprodução, ninho e cuidado com os filhotes

A reprodução ocorre principalmente entre agosto e dezembro, variando com a região. O casal escava juntos uma cavidade oval em tronco vivo ou morto, geralmente entre 3 e 15 metros de altura, com entrada de cerca de 10 cm.

A postura é de 2 a 4 ovos brancos e brilhantes, sem material de forração além de lascas de madeira. A incubação dura 14 a 15 dias e é dividida entre macho e fêmea, com o macho assumindo o turno da noite.

Os filhotes nascem nus e cegos e permanecem no ninho por 24 a 28 dias, alimentados por ambos os pais com larvas regurgitadas. Mesmo após saírem, os jovens seguem os pais por algumas semanas aprendendo a escavar. A cavidade abandonada depois é usada por periquitos, corujas e abelhas, o que torna a espécie uma engenheira do ecossistema.

Como é o ninho por dentro

A câmara interna tem cerca de 30 cm de profundidade e fundo em forma de tigela. A madeira macia de embaúbas, angicos e árvores mortas é preferida por facilitar a escavação e manter temperatura estável.

Diferença entre pica-pau-de-banda-branca e espécies parecidas

A confusão mais comum é com o pica-pau-rei (Campephilus melanoleucos) e com o pica-pau-de-topete-vermelho (Campephilus robustus). O de banda-branca tem faixa branca contínua da face ao peito e dorso preto sem barras, enquanto o pica-pau-rei tem peito branco amplo e barriga barrada de preto e branco.

Espécie Tamanho Marca distintiva Habitat típico
Pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus) 33-36 cm Faixa branca da face ao peito, topete vermelho pontiagudo Bordas e áreas semiabertas em todo o Brasil
Pica-pau-rei (Campephilus melanoleucos) 33-38 cm Peito branco puro, barriga barrada, crista vermelha mais curta Amazônia e matas altas do Norte e Centro-Oeste
Pica-pau-de-topete-vermelho (Campephilus robustus) 32-37 cm Cabeça totalmente vermelha no macho, sem faixa branca longa Mata Atlântica do Sudeste e Sul

Outro detalhe: o pica-pau-de-banda-branca tem íris clara amarelada, enquanto o pica-pau-rei tem íris mais escura. O canto do de banda-branca é mais agudo e acelerado.

É possível criar pica-pau-de-banda-branca em casa? Entenda a legalidade

Não. É uma ave silvestre nativa protegida por lei. No Brasil, capturar, manter em gaiola ou comercializar pica-paus sem autorização é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98.

A criação só seria possível com autorização do IBAMA e órgãos estaduais para fins científicos ou de conservação, nunca como pet. Não existe plantel legalizado para venda como ocorre com calopsita ou periquito.

Além da questão legal, a espécie não se adapta ao cativeiro doméstico: precisa de troncos para escavar, dieta de larvas vivas e grande área de voo. A melhor forma de conviver com ela é pela observação com binóculos, mantendo árvores mortas em pé no sítio e evitando o uso de agrotóxicos que eliminam suas presas.

Estado de conservação e principais ameaças

A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN/BirdLife, com população estável e distribuição muito ampla. A tolerância a habitats alterados tem ajudado a manter os números.

As ameaças locais são desmatamento de matas maduras, remoção de árvores mortas e colisão com vidraças em áreas urbanas. A perda de troncos ocos reduz locais de ninho e afeta também outras aves que dependem de suas cavidades.

Medidas simples como preservar árvores secas, manter corredores de mata e instalar adesivos em vidros já aumentam a presença da espécie. Em unidades de conservação é comum e serve como indicador de floresta saudável, pois só permanece onde há oferta de insetos de madeira.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do pica-pau-de-banda-branca?

Mede de 33 a 36 cm de comprimento, com envergadura de 44 a 52 cm e peso entre 136 e 264 g.

Como diferenciar macho e fêmea?

O macho tem testa e faixa malar vermelhas; a fêmea tem testa preta e vermelho apenas na crista posterior.

Onde o pica-pau-de-banda-branca vive no Brasil?

Em quase todo o país, de florestas amazônicas e Mata Atlântica a cerradões, matas de galeria e parques urbanos com árvores maduras.

O que ele come?

Principalmente larvas de besouros, formigas e cupins extraídos de troncos, complementando com frutos e sementes.

Ele pode ser criado em gaiola?

Não. É ave silvestre nativa protegida por lei; capturar ou manter sem autorização do IBAMA é crime ambiental.

Como é o canto?

Uma sequência alta e repetida de notas “wic-wic-wic” e um tamborilar forte e rápido usado para marcar território.

Está ameaçado de extinção?

Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e ampla distribuição.

Fatos que pouca gente sabe

1

Tamborila mais rápido que parece

O tamborilar pode chegar a cerca de 15 a 20 batidas por segundo e funciona como impressão digital: cada indivíduo tem ritmo e duração próprios reconhecidos pelo parceiro.

2

Língua que contorna o crânio

A língua é tão longa que, quando recolhida, contorna a parte de trás do crânio e passa entre os olhos, ajudando a amortecer o impacto das batidas.

3

Buraco retangular é assinatura

Ao contrário da maioria dos pica-paus que faz furos redondos, o de banda-branca escava buracos retangulares e profundos, marca usada por pesquisadores para confirmar sua presença sem ver a ave.

4

Engenheiro de outras aves

As cavidades que abandona são disputadas por periquitos, corujinhas-do-mato e até morcegos, por isso sua presença aumenta a diversidade local de vertebrados que nidificam em ocos.

Fontes

  1. WikiAves - Dryocopus lineatus
  2. IUCN Red List / BirdLife International
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - All About Birds

Prós e contras: Pica-pau-de-banda-branca

Prós

  • Muito fácil de identificar pela faixa branca e topete vermelho
  • Ocorre em quase todo o Brasil, inclusive em áreas urbanas arborizadas
  • Canto e tamborilar altos facilitam a observação
  • Cria cavidades que beneficiam outras aves e morcegos
  • Tolerante a florestas secundárias e paisagens fragmentadas

Contras

  • Não pode ser criado como pet; manutenção é crime ambiental
  • Necessita de árvores maduras ou mortas para nidificar
  • Pode danificar madeiramento de casas se atraído por larvas na madeira
  • Arisco e territorialista, não se aproxima facilmente de pessoas
  • Depende de oferta de insetos de madeira, sensível a agrotóxicos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pica-pau-de-banda-branca é o melhor pica-pau para quem começa a observar aves no Brasil: grande, barulhento e tolerante a áreas alteradas, ele entrega avistamento garantido sem exigir expedição à mata fechada. Sua importância como escavador de ocos o torna mais valioso vivo no tronco do que qualquer tentativa de criação.

Continue explorando: Aves e Pássaros

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.