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Periquito-da-caatinga

Eupsittula cactorum

Atualizado em

25 a 26 cmTamanho
90 a 120 gPeso
15 a 25 anosExpectativa de vida
Agudo e estridenteCanto
Caatinga exclusivaHabitat
Periquito-da-caatinga pousado em galho seco da Caatinga mostrando plumagem verde e peito alaranjado

O periquito-da-caatinga (Eupsittula cactorum) é o único psitacídeo endêmico da Caatinga, ou seja, não ocorre naturalmente em nenhum outro bioma do mundo. Com cerca de 25 cm, testa azulada e peito em tons de laranja-acastanhado, é inconfundível quando visto em bando no sertão.

Extremamente social e vocal, vive em grupos de 10 a 30 indivíduos que cruzam a paisagem seca em voo rápido e ruidoso. Apesar do porte pequeno, é resistente ao calor extremo e à escassez de água, adaptando a dieta a frutos, sementes e cactos da estação.

Na natureza é comum e ainda tem população estável, mas sofre com captura para tráfico e perda de ocos para nidificação. No Brasil sua criação só é legal quando vem de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha e documentação.

Também conhecido como: Periquito-do-sertão, Gangarra, Griguilim, Cactus Parakeet (inglês), Cactus Conure (inglês)

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Galeria de fotos de Periquito-da-caatinga

Periquito-da-caatinga pousado em galho seco da Caatinga mostrando plumagem verde e peito alaranjado
Periquito-da-caatinga adulto pousado, com testa azulada e peito alaranjado característicos.
Close-up da cabeça do periquito-da-caatinga com bico claro e anel ocular branco
Detalhe da cabeça: bico claro e anel periocular branco nu.
Bando de periquitos-da-caatinga em voo sobre a Caatinga
Bando em voo rápido e barulhento sobre a Caatinga.
Periquito-da-caatinga se alimentando de fruto de mandacaru na Caatinga
Alimentando-se de fruto de cacto, item importante na seca.
Ninho de periquito-da-caatinga em cupinzeiro arbóreo na Caatinga
Ninho escavado em cupinzeiro arbóreo, estratégia típica da espécie.
Detalhe da plumagem do periquito-da-caatinga com tons verde, laranja e amarelo
Detalhe da plumagem: dorso verde, peito laranja e barriga amarelada.

Perfil rápido de Periquito-da-caatinga

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Endêmica da Caatinga com população estável e ampla distribuição.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegida por lei ambiental brasileira; comércio ilegal é crime

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade vocal e bandos conspícuosJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
15 a 20 anos
Em cativeiro autorizado
Até 25 anos

Reprodução

Sistema
Monogâmico, par mantém vínculo fora da estação
Estação
Outubro a março, pico na estação chuvosa
Ninho
Ocos de árvores, cupinzeiros arbóreos e fendas rochosas; sem revestimento
Ovos e incubação
3 a 5 ovos brancos; 24 a 26 dias, pela fêmea
Filhotes
Nidícolas; saem do ninho com 45 a 52 dias e dependem dos pais por semanas

Habitat

Ambientes

  • Caatinga arbórea e arbustiva
  • Carnaubais e palmeirais
  • Capoeiras e áreas agrícolas com árvores esparsas
  • Lajedos e afloramentos rochosos

Biomas

  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes e frutos da Caatinga (faveleira, juazeiro, umbu)

Outros alimentos

  • Flores e néctar
  • Polpa e sementes de cactos (mandacaru, xique-xique)
  • Coquinhos de carnaúba e licuri
  • Grãos cultivados como milho e sorgo

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Como animal de estimação

Adequação
Baixa; ave silvestre, não é pet doméstico tradicional
Legalidade no Brasil
Só com anilha e origem em criadouro autorizado pelo IBAMA; captura na natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Alto; exige viveiro grande, dieta variada e interação social diária
Disponibilidade legal
Muito restrita; maioria das ofertas informais é ilegal

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Eupsittula
Espécie
Eupsittula cactorum

Resumo

  • Periquito-da-caatinga (Eupsittula cactorum) é psitacídeo endêmico da Caatinga com 25 a 26 cm, testa azulada e peito alaranjado.
  • Vive em bandos barulhentos, se alimenta de sementes, frutos e cactos e nidifica em ocos de árvores e cupinzeiros arbóreos.
  • Espécie de pouco preocupante na IUCN, mas protegida por lei; captura na natureza é crime e criação exige autorização do IBAMA.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoEndêmica do Nordeste do Brasil (Caatinga)
HabitatCaatinga arbórea e arbustiva, carnaubais e áreas agrícolas
Tamanho (comprimento)25 a 26 cm
Envergadura38 a 42 cm
Peso90 a 120 g
Coresverdeazul-acinzentado na testalaranja-acastanhado no peitoamarelo na barrigabico claro
Expectativa de vida15 a 20 anos na natureza; até 25 anos em cativeiro autorizado
AlimentaçãoGranívora e frugívora (sementes, frutos, flores e cactos)
CantoGritos agudos repetidos, tipo "cri-cri-cri" em voo
Reprodução (ninho e ovos)Ocos e cupinzeiros; 3 a 5 ovos brancos; incubação 24 a 26 dias
Comportamento socialGregário, vive em bandos de 10 a 50 indivíduos
Variedades ou subespécies2: E. c. cactorum e E. c. caixana

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoMédio
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsBaixo

Como reconhecer o periquito-da-caatinga: tamanho, cores e traços únicos

O periquito-da-caatinga mede 25 a 26 cm e pesa entre 90 e 120 g, menor que um periquitão-maracanã e maior que um tuim. O corpo é predominantemente verde, com testa e coroa em azul-acinzentado bem sutil, característica que o separa de outros Eupsittula.

O peito e a barriga entregam a identificação: peito marrom-alaranjado que clareia para amarelo-alaranjado na barriga, bochechas esverdeadas e anel periocular branco e nu ao redor dos olhos escuros. O bico é claro, acinzentado-rosado, e as pernas são cinza.

As duas subespécies se distinguem no detalhe. E. c. cactorum, do leste da Caatinga (Bahia, Minas Gerais), tem peito mais alaranjado vivo. E. c. caixana, do norte (Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte), é mais amarronzada e opaca no peito. Em voo, mostra parte inferior das asas amarelada e cauda longa e pontuda.

Onde vive: distribuição exclusiva na Caatinga

É endêmico da Caatinga, não ocorrendo naturalmente fora do Nordeste do Brasil. A distribuição vai do Maranhão e Piauí até o norte de Minas Gerais, passando por Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Habita caatinga arbórea e arbustiva, carnaubais, matas secas, capoeiras e áreas agrícolas com árvores esparsas. Evita caatinga muito aberta sem ocos e também mata úmida fechada. É encontrado do nível do mar até cerca de 1.000 m de altitude.

Diferente de muitas aves da Caatinga, é residente e não migratório. Faz apenas deslocamentos locais conforme a oferta de frutos e água. É comum ver bandos cruzando estradas, pousados em faveleiras, juazeiros e cactos como mandacaru e xique-xique.

O que come na caatinga seca

A dieta é granívora e frugívora oportunista, ajustada à sazonalidade extrema do sertão. Consome sementes de faveleira, feijão-bravo, jurema, frutos de juazeiro, umbu, caju, flores de ipê e aroeira, além de polpa e sementes de cactos.

Em áreas cultivadas, visita plantações de milho e sorgo e coquinhos de carnaúba e licuri. O bico forte quebra sementes duras que outras aves não aproveitam, e a língua musculosa manipula o alimento com precisão.

Precisa de pouca água livre, obtendo umidade dos frutos. Bebe em cacimbas e bebedouros quando disponível, geralmente no início da manhã. Em cativeiro autorizado, a base deve ser mix de sementes, ração extrusada para psitacídeos, frutas e verduras, nunca apenas girassol.

Comportamento e vida em bando: barulho, voo e sociabilidade

Vive em bandos coesos de 10 a 30 aves, que podem chegar a 50 na seca quando se concentram em fontes de alimento. É uma das aves mais barulhentas da Caatinga: o grupo mantém contato vocal constante, mesmo pousado.

O voo é rápido, direto e ondulante, com batidas aceleradas intercaladas por planeios curtos. Antes de pousar, o bando costuma circular gritando. No chão desce raramente, preferindo copas e galhos secos expostos.

Dorme coletivamente em dormitórios em carnaubeiras, oiticicas e paredões, reunindo dezenas de indivíduos ao entardecer. É monogâmico e mantém o par mesmo fora da estação reprodutiva, com alopreenagem mútua e alimentação do parceiro.

Canto e comunicação: como identificar pelo som

O canto não é melódico, mas é inconfundível. Em voo emite sequências ásperas e agudas do tipo “cri-cri-cri-cri” ou “que-que-que”, repetidas sem pausa. Pousado, faz chamados mais curtos e conversas roucas entre o casal.

O volume é alto para o tamanho. Na nossa avaliação, a intensidade do canto é o principal motivo de confusão com periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), mas o periquito-da-caatinga tem voz mais estridente e anasalada, sem o trinado mais suave dos Brotogeris.

Filhotes pedem alimento com chiados contínuos e trêmulos. Adultos usam um chamado de alarme mais seco e cortante quando há gaviões ou cobras perto do ninho, fazendo o bando levantar voo em explosão.

Reprodução, ninhos e filhotes

Reproduz na estação chuvosa, de outubro a março, com pico entre dezembro e fevereiro, quando há mais frutos e ocos disponíveis. É monogâmico e territorial apenas ao redor do ninho.

Nidifica em ocos de árvores como caraibeira, umburana e juazeiro, além de cupinzeiros arbóreos e fendas em lajedos. O uso de cupinzeiros ativos é um diferencial: o casal escava um túnel no cupim, que segue vivo ao redor, mantendo temperatura estável. Não carrega material, apenas aparas de madeira no fundo.

A fêmea põe 3 a 5 ovos brancos e incuba por 24 a 26 dias, enquanto o macho alimenta a parceira. Os filhotes são nidícolas, nascem sem penas e com olhos fechados, e permanecem no ninho por 45 a 52 dias até o primeiro voo. Mesmo depois de voarem, seguem com os pais por semanas aprendendo rotas de alimentação.

Subespécie Distribuição Traço distintivo
E. c. cactorum Leste da Caatinga: Bahia, Sergipe, Alagoas, norte de Minas Peito laranja mais vivo e brilhante
E. c. caixana Norte da Caatinga: Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco Peito mais marrom-acinzentado, tom opaco

Pode criar periquito-da-caatinga em casa? Legalidade no Brasil

Não é ave doméstica como calopsita ou periquito-australiano. Por ser silvestre nativa, sua captura, transporte e comércio sem autorização são crime ambiental (Lei 9.605/98). A criação só é legal se a ave vier de criadouro comercial autorizado pelo IBAMA/órgão estadual, com anilha fechada e nota fiscal.

Mesmo legalizado, exige viveiro grande (mínimo 2 m de comprimento para um casal), poleiros de madeira natural, banho diário e dieta variada. É muito social e sofre isolado em gaiola pequena. Não é indicado para quem busca ave silenciosa ou que fale com clareza.

Na prática, a oferta legal é extremamente restrita; a maioria das aves à venda em feiras é de origem ilegal. Na nossa avaliação, para quem quer um psitacídeo pequeno, espécies exóticas domesticadas são opção mais ética e viável que tentar legalizar um periquito-da-caatinga.

Conservação e principais ameaças

A IUCN classifica como Pouco Preocupante (LC), com população considerada estável e distribuição ampla dentro da Caatinga. Ainda é comum em muitas áreas, inclusive antropizadas.

As ameaças são captura para tráfico de animais silvestres, desmatamento da Caatinga para carvão e agricultura, e perda de árvores com ocos. A retirada de caraibeiras e umburanas velhas elimina locais de nidificação que demoram décadas para se formar.

Projetos de conservação focam em fiscalização do tráfico, educação ambiental e instalação de ninhos artificiais em áreas degradadas. Observar e fotografar na natureza, sem interferir em ninhos, é a melhor forma de ajudar. Denúncias de comércio ilegal devem ser feitas ao IBAMA ou polícia ambiental.

Perguntas frequentes

Periquito-da-caatinga fala ou imita sons?

Imita pouco e com voz rouca. Pode aprender assobios curtos, mas não tem a clareza de papagaios ou calopsitas; seu forte é o grito agudo natural.

Qual a diferença para o periquito-de-encontro-amarelo?

O da Caatinga tem testa azulada, anel ocular branco nu e peito laranja-acastanhado; o de-encontro-amarelo tem encontro amarelo vivo na asa e não tem azul na testa.

Pode criar periquito-da-caatinga legalizado?

Só se vier anilhado de criadouro autorizado pelo IBAMA com nota fiscal. Capturar, comprar ou manter ave sem origem comprovada é crime ambiental.

O que ele come na natureza?

Sementes, frutos de juazeiro, umbu, faveleira, flores e polpa de cactos como mandacaru e xique-xique, além de coquinhos de palmeiras.

Está ameaçado de extinção?

Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas sofre com tráfico e perda de ocos para nidificar.

Onde observar periquito-da-caatinga?

Em áreas preservadas de Caatinga no Nordeste, como Chapada do Araripe, Serra da Capivara e carnaubais do Ceará e Piauí, geralmente em bandos barulhentos ao amanhecer.

Você sabia?

1

Ninho dentro de cupim vivo

Diferente da maioria dos periquitos, escava o ninho dentro de cupinzeiros arbóreos ainda ativos; o cupim continua vivo ao redor e ajuda a regular a temperatura interna.

2

Endêmico exclusivo

É o único psitacídeo endêmico da Caatinga, não existe naturalmente em nenhum outro bioma ou país, o que o torna símbolo do sertão.

3

Testa azul que engana

A testa azul-acinzentada é sutil e só aparece bem sob luz natural; à sombra muitos confundem com periquito-de-encontro-amarelo, que não tem esse detalhe.

4

Dormitório coletivo

Fora da reprodução, dezenas de casais se reúnem ao entardecer em carnaubeiras e lajedos para dormir juntos, fazendo algazarra antes do silêncio noturno.

Fontes

  1. IUCN Red List / BirdLife International
  2. WikiAves
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Periquito-da-caatinga

Prós

  • Endêmico único da Caatinga, de grande valor para observação de aves
  • Muito sociável e ativo, com comportamento de bando interessante
  • Resistente ao calor e à seca, adaptado ao sertão
  • Coloração distinta com testa azulada e peito alaranjado
  • Ainda relativamente comum na natureza em áreas preservadas

Contras

  • Canto agudo e alto, inadequado para apartamento
  • Ave silvestre protegida; criação exige autorização e é muito restrita
  • Necessita de viveiro grande e interação social constante
  • Não imita voz humana com clareza
  • Sofre com tráfico e perda de habitat; oferta ilegal é comum
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o periquito-da-caatinga é a melhor porta de entrada para entender a Caatinga viva: barulhento, resistente e totalmente dependente de ocos antigos. Não é ave para gaiola, e seu valor está justamente em vê-lo livre em bando sobre o sertão.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.