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Mutum-do-sudeste

Crax blumenbachii

Atualizado em

82 a 92 cmTamanho
2,7 a 3,5 kgPeso
20 a 25 anosExpectativa de vida
Grave e abafado, tipo "hum"Canto
Mata Atlântica de baixadaHabitat
Mutum-do-sudeste macho de corpo inteiro em pé no chão da Mata Atlântica

O mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii) é um dos maiores representantes da família Cracidae no Brasil e um dos mais ameaçados. Endêmico da Mata Atlântica do sudeste, ele vive no chão da floresta e quase desapareceu devido ao desmatamento e à caça.

Apesar do tamanho imponente, é uma ave discreta e silenciosa na maior parte do dia. O macho é preto brilhante com bico vermelho vivo e a fêmea é avermelhada e barrada, um dimorfismo que confunde até observadores experientes. Hoje sobrevive em pouquíssimos fragmentos florestais e depende de projetos de reintrodução para não ser extinto na natureza.

Também conhecido como: mutum-de-bico-vermelho, mutum-vermelho, Red-billed Curassow (inglês), Hocco à bec rouge (francês), Paujil de Pico Rojo (espanhol)

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Galeria de fotos de Mutum-do-sudeste

Mutum-do-sudeste macho de corpo inteiro em pé no chão da Mata Atlântica
Macho adulto do mutum-do-sudeste com bico vermelho e carúncula amarela característicos.
Close-up da cabeça do mutum-do-sudeste macho mostrando bico vermelho
Detalhe da cabeça do macho, com topete arrepiado e bico vermelho vivo.
Fêmea do mutum-do-sudeste com plumagem avermelhada barrada
Fêmea avermelhada e barrada, bem diferente do macho preto.
Mutum-do-sudeste em seu habitat de Mata Atlântica de baixada
Habitat típico: interior de mata de baixada bem preservada.
Ninho do mutum-do-sudeste com dois ovos brancos em plataforma de gravetos
Ninho em plataforma de gravetos com dois ovos brancos.
Fêmea de mutum-do-sudeste com filhotes listrados forrageando no chão
Fêmea com filhotes nidífugos caminhando na serapilheira.

Perfil rápido de Mutum-do-sudeste

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Risco muito alto de extinção na natureza em futuro próximo.

População
decrescente
Protegido por
sim

Vida útil

Na natureza
20 a 25 anos
Em cativeiro
até 30 anos com manejo adequado

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, par estável por várias estações
Estrutura social
Casal territorial isolado
Padrão sazonal
Sazonal, de setembro a janeiro
Tipo de nascimento
Ovíparo, nidífugo
Ninhada
2 ovos brancos; incubação 28-30 dias

Habitat

Ambientes

  • Mata Atlântica de baixada
  • Florestas primárias úmidas
  • Capoeiras altas e matas secundárias antigas

Biomas

  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • frutos carnosos
  • sementes

Outros alimentos

  • brotos
  • folhas
  • insetos
  • caramujos

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Como animal de estimação

Adequação
Não é ave de estimação; silvestre e ameaçada
Legalidade no Brasil
Proibida a criação doméstica; apenas criadouros científicos autorizados pelo IBAMA
Nível de cuidado
Muito alto: exige viveiro florestal grande e dieta especializada
Observação
Pode ser vista com guias em reservas como Sooretama e Linhares (ES)

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Galliformes
Família
Cracidae
Gênero
Crax
Espécie
Crax blumenbachii Spix, 1825

Resumo

  • O mutum-do-sudeste é uma ave grande e endêmica da Mata Atlântica, com macho preto de bico vermelho e fêmea castanho-avermelhada barrada.
  • Vive no chão de matas baixas e úmidas entre o sul da Bahia e o Rio de Janeiro, alimentando-se de frutos, sementes e pequenos invertebrados.
  • Classificado como Em Perigo pela IUCN, sofre com desmatamento e caça e é alvo de programas de reprodução em cativeiro e reintrodução.

Características

Ficha da espécie

FamíliaCracidae
Origem e distribuiçãoEndêmico do Brasil: sul da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro
HabitatMata Atlântica de baixada e encosta, até 500 m de altitude
Tamanho82 a 92 cm de comprimento
Envergadura75 a 85 cm (estimativa)
Peso2,7 a 3,5 kg (macho maior que a fêmea)
Coresmacho: pretobrancovermelhofêmea: castanho-avermelhadopretobranco
Expectativa de vida20 a 25 anos na natureza, até 30 em cativeiro
AlimentaçãoFrugívora e onívora oportunista
CantoGrave, abafado e de baixa frequência, audível a curta distância
ReproduçãoMonogâmica; 2 ovos brancos por ninhada, incubação de 28 a 30 dias
Comportamento socialPares ou pequenos grupos familiares, terrícola
SubespéciesNenhuma (espécie monotípica)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMédio
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeBaixo
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o mutum-do-sudeste: tamanho, cores e dimorfismo

O mutum-do-sudeste é um gigante do chão da Mata Atlântica, com 82 a 92 cm e corpo robusto, pernas longas e cauda larga. É impossível confundi-lo quando visto bem, mas o dimorfismo sexual engana muita gente.

O macho é preto-azulado brilhante, com barriga e ponta da cauda brancas, bico vermelho-alaranjado com carúncula amarela na base e topete de penas arrepiadas. A fêmea é completamente diferente: castanho-avermelhada, com asas e cauda finamente barradas de preto e branco, barriga canela e bico preto com base vermelha.

Os filhotes nascem com penugem listrada em tons de marrom e bege, camuflagem perfeita para a serapilheira. Já nos primeiros meses, machos e fêmeas começam a se diferenciar pela cor do bico.

Onde vive: o último reduto da Mata Atlântica

É uma ave estritamente endêmica do Brasil, restrita à Mata Atlântica de baixada do sudeste. Ocorre hoje em fragmentos isolados no sul da Bahia, Espírito Santo, leste de Minas Gerais e norte do Rio de Janeiro.

Prefere matas primárias e capoeiras altas bem preservadas, úmidas, com dossel fechado e sub-bosque aberto, geralmente abaixo de 500 m de altitude. Não tolera áreas muito desmatadas ou com forte presença humana.

Historicamente ocupava uma faixa contínua de floresta. Hoje estima-se que menos de 5% da sua área original ainda esteja ocupada, com populações isoladas em reservas como Sooretama (ES), Linhares (ES) e Rio Doce (MG).

O que o mutum-do-sudeste come na natureza

É essencialmente frugívoro, um grande dispersor de sementes da Mata Atlântica. Mais de 70% da dieta são frutos carnosos caídos no chão, como juçara (Euterpe edulis), figueiras, ingás e mirtáceas.

Complementa com sementes, brotos, folhas e pequenos invertebrados, além de capturar insetos, caramujos e até pequenos vertebrados quando encontra. No chão, cata o alimento com o bico e engole inteiro, sem quebrar muito.

Em cativeiro, programas de conservação oferecem ração específica para cracídeos, frutas nativas, grãos e proteína animal. Na natureza, segue bandos de macacos para aproveitar frutos derrubados, comportamento já documentado em Sooretama.

Comportamento e canto: um gigante discreto do chão da mata

Apesar do tamanho, é extremamente arisco e silencioso. Passa a maior parte do tempo no chão, caminhando devagar pela serapilheira. Quando assustado, prefere correr e se esconder a voar, mas pode dar voos curtos e pesados até galhos baixos para dormir.

Vive em casais monogâmicos territoriais ou em pequenos grupos familiares com filhotes. Não forma bandos grandes. É mais ativo no início da manhã e no fim da tarde.

O canto é um dos traços mais singulares: um “hummm” grave, abafado e de baixa frequência, quase como um mugido curto, emitido pelo macho ao amanhecer na época reprodutiva. A fêmea emite pios finos e estalos de alarme. Por ser grave, o som não viaja longe e é facilmente abafado pela mata.

Reprodução, ninho e cuidado com os filhotes

A reprodução ocorre na primavera e início do verão, entre setembro e janeiro. O casal é monogâmico e mantém o território por anos.

O ninho é uma plataforma rústica de gravetos e folhas, construída a 2 a 4 metros de altura em árvores ou emaranhados de cipós. A fêmea põe geralmente 2 ovos brancos e de casca áspera, raramente 1 ou 3.

A incubação dura 28 a 30 dias e é feita quase exclusivamente pela fêmea, enquanto o macho vigia o entorno. Os filhotes são nidífugos: nascem com olhos abertos, já caminham e seguem os pais no chão horas após eclodirem, mas ainda dependem deles por meses para alimentação e proteção.

Mutum-do-sudeste x outros mutuns: como não confundir

O Brasil tem 7 espécies de mutuns, e a confusão é comum. O mutum-do-sudeste é o único com bico vermelho com carúncula amarela bem evidente no macho dentro da sua área.

Espécie Nome científico Traço distintivo do macho Distribuição
Mutum-do-sudeste Crax blumenbachii Preto com bico vermelho e carúncula amarela Mata Atlântica do sudeste
Mutum-de-penacho Crax fasciolata Preto com cera amarela e penas encaracoladas na cabeça Cerrado e Pantanal
Mutum-pinima Crax fasciolata pinima Semelhante ao de penacho, mas criticamente ameaçado no Pará Amazônia oriental
Mutum-assu Crax globulosa Preto com carúncula vermelha grande e globosa Amazônia ocidental

Na nossa avaliação, a fêmea do mutum-do-sudeste é a mais diferente de todas: avermelhada e barrada, enquanto fêmeas de outras Crax são pretas ou com barriga branca. Esse é o melhor critério em campo.

Por que está em perigo e o que está sendo feito para salvá-lo

O mutum-do-sudeste é classificado como Em Perigo (EN) pela IUCN, com população estimada entre 300 e 700 indivíduos maduros na natureza e tendência de queda.

As ameaças são desmatamento da Mata Atlântica de baixada, fragmentação, caça para alimentação e captura de ovos e filhotes. Por ser terrícola e precisar de áreas grandes, sofre muito com a borda da mata e com cães domésticos.

É uma das aves com programa de conservação mais antigo do Brasil. O projeto da CRAX Brasil, em Minas Gerais, mantém plantel em cativeiro desde os anos 1990 e já reintroduziu dezenas de indivíduos na Reserva Natural Vale (ES) e no Parque Estadual do Rio Doce (MG), com monitoramento por rádio. Sem esse manejo, a espécie provavelmente já estaria extinta na natureza.

É possível ter mutum-do-sudeste em casa? Legalidade e observação responsável

Não. A criação como ave de estimação é proibida. Por ser silvestre, endêmica e ameaçada, sua captura, transporte, venda ou manutenção sem autorização é crime ambiental (Lei 9.605/98). Apenas instituições autorizadas pelo IBAMA e órgãos estaduais podem mantê-lo para conservação.

Quem quiser ver a espécie deve buscar observação responsável em reservas, com guias locais, sem playback excessivo e sem oferecer alimento. Avistar um mutum-do-sudeste na natureza é considerado um dos maiores troféus da observação de aves no Brasil, justamente pela raridade.

Criar qualquer mutum exige viveiros enormes, dieta especializada e manejo técnico. Não é ave para quintal, gaiola ou apartamento, e não se adapta ao convívio doméstico.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre macho e fêmea do mutum-do-sudeste?

O macho é preto brilhante com barriga branca e bico vermelho com carúncula amarela. A fêmea é castanho-avermelhada com asas barradas de preto e branco e bico escuro com base vermelha.

Onde o mutum-do-sudeste vive hoje?

Apenas em fragmentos de Mata Atlântica entre o sul da Bahia e o norte do Rio de Janeiro, com núcleos principais no Espírito Santo e leste de Minas Gerais.

O mutum-do-sudeste está em extinção?

Sim, é classificado como Em Perigo (EN) pela IUCN, com poucos centenas de indivíduos na natureza e população em declínio.

O que o mutum-do-sudeste come?

Principalmente frutos caídos no chão, como juçara e figos, além de sementes, brotos e pequenos invertebrados.

Pode criar mutum-do-sudeste em casa?

Não. É crime ambiental capturar ou manter a espécie sem autorização. Só instituições de conservação autorizadas pelo IBAMA podem criá-lo.

Como é o canto do mutum-do-sudeste?

Um som grave, abafado e curto, tipo "hummm" ou mugido baixo, emitido pelo macho na época reprodutiva, audível a curta distância.

Quantos ovos o mutum-do-sudeste põe?

Geralmente 2 ovos brancos por ninhada, chocados por 28 a 30 dias em ninho de gravetos a poucos metros do chão.

Fatos surpreendentes

1

Bico que muda de cor

O macho só adquire o vermelho vivo com carúncula amarela após o primeiro ano de vida. Jovens e fêmeas têm bico escuro, o que já fez muita gente achar que eram espécies diferentes.

2

Redescoberto após ser dado como extinto

No início dos anos 1940 foi considerado extinto na natureza. Foi reencontrado em 1942 no Espírito Santo pelo ornitólogo Helmut Sick, em um fragmento que hoje é a Reserva de Sooretama.

3

Voo pesado e barulhento

Apesar de passar a vida no chão, dorme empoleirado. Ao levantar voo, bate as asas com força e faz um ruído alto de estalo, audível a dezenas de metros na mata silenciosa.

4

Pai que vigia, mãe que choca

Durante a incubação, o macho não choca, mas permanece a poucos metros do ninho, emitindo chamados de alerta e até simulando estar ferido para desviar predadores dos ovos.

Fontes

  1. IUCN Red List - Crax blumenbachii
  2. WikiAves - Mutum-do-sudeste
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife International

Prós e contras: Mutum-do-sudeste

Prós

  • Grande dispersor de sementes da Mata Atlântica
  • Espécie-bandeira para conservação de florestas de baixada
  • Comportamento monogâmico e cuidado parental prolongado
  • Alto valor para observação de aves e ecoturismo responsável
  • Programa de reintrodução bem estabelecido no Brasil

Contras

  • População minúscula e fragmentada
  • Extremamente sensível a desmatamento e caça
  • Exige áreas florestais grandes e bem preservadas
  • Reprodução lenta: apenas 2 ovos por ano
  • Não se adapta a cativeiro doméstico ou áreas urbanas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o mutum-do-sudeste é o símbolo mais urgente da Mata Atlântica de baixada: grande, bonito e quase invisível justamente porque a floresta que ele precisa quase sumiu. Salvá-lo exige menos romantização e mais proteção efetiva de fragmentos grandes e conectados, onde ele possa voltar a caminhar no chão sem medo.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.