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Biguá

Nannopterum brasilianum

Atualizado em

58 a 73 cmTamanho
1 a 1,5 kgPeso
12 a 15 anosExpectativa de vida
Grasnado rouco e baixoCanto
Rios, lagoas e litoralHabitat
Biguá de corpo inteiro pousado em poste de madeira com asas semiabertas

O biguá é a ave aquática mais comum e mais fácil de observar no Brasil. Preto, de pescoço longo e bico em forma de gancho, ele é visto quase sempre parado com as asas bem abertas secando ao sol ou mergulhando para pescar.

Apesar de parecer um pato à distância, não é pato nem garça: é um cormorão da família Phalacrocoracidae, parente dos atobás. Ocorre do sul dos Estados Unidos até o sul da Argentina e está presente em todos os biomas brasileiros, inclusive no centro de grandes cidades.

É uma espécie essencialmente silvestre e colonial, que vive em bandos e se reproduz em colônias barulhentas sobre árvores alagadas. Não é ave de estimação e sua criação sem autorização é crime ambiental.

Também conhecido como: Biguá, Mergulhão, Cormorão, Biguá-una, Cormorão-neotropical, Neotropic Cormorant (inglês), Cormorán neotropical (espanhol)

Faz parte de: Aves Aquáticas

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Galeria de fotos de Biguá

Biguá de corpo inteiro pousado em poste de madeira com asas semiabertas
Biguá adulto com plumagem preta e pele amarela ao redor do bico.
Close do rosto do biguá mostrando bico em gancho e olho verde-azulado
Detalhe da cabeça: bico em gancho e olhos claros característicos.
Biguá em voo com asas totalmente abertas sobre a água
Em voo o biguá mantém o pescoço esticado e batimentos rápidos.
Biguá mergulhando debaixo d'água perseguindo peixe
Mergulho para captura de peixes, seu principal alimento.
Colônia de biguás nidificando em árvores alagadas
Colônia de nidificação sobre árvores alagadas, típica da espécie.
Biguá secando as asas totalmente abertas ao sol na margem do lago
Comportamento clássico de secar as asas após o mergulho.

Perfil rápido de Biguá

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie muito abundante e amplamente distribuída nas Américas.

População
estável
Protegido por
Sim, protegido por lei ambiental no Brasil; captura e comércio são crimes

Calendário

Reprodução (pico)JFMAMJJASOND
Presença como residenteJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
12 a 15 anos; até 20 anos em registros anilhados
Em cativeiro
Não se aplica (espécie silvestre não mantida como pet)

Reprodução

Maturidade sexual
2 a 3 anos
Época reprodutiva no Brasil
Ano todo, com pico de agosto a novembro (estação seca)
Tipo de ninho
Plataforma de gravetos sobre árvores/arbustos alagados, em colônias
Ovos e incubação
3 a 4 ovos azul-claros; 25 a 28 dias de incubação
Filhotes
Nidícolas, nus ao nascer; voam com 10 a 12 semanas

Habitat

Ambientes

  • Rios e lagoas de água doce
  • Represas e açudes urbanos
  • Estuários e manguezais
  • Lagoas costeiras e praias abrigadas
  • Banhados e áreas alagáveis

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Amazônia
  • Cerrado
  • Pantanal
  • Pampa
  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes de pequeno e médio porte

Outros alimentos

  • Crustáceos
  • Girinos e rãs
  • Insetos aquáticos
  • Pequenas serpentes d'água

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Paraguai
  • Chile
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Estados Unidos
  • México
  • Panamá
  • Equador

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não adequado; ave silvestre colonial e piscívora
Legalidade no Brasil
Criação doméstica proibida sem autorização; venda de ave da natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Muito alto; exige grande corpo d'água e peixes vivos diariamente
Observação recomendada
Observação livre na natureza com binóculos e distância de colônias

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Suliformes
Família
Phalacrocoracidae
Gênero
Nannopterum
Espécie
Nannopterum brasilianum

Resumo

  • O biguá é um cormorão preto de 58 a 73 cm, comum em todo o Brasil, reconhecido por secar as asas abertas ao sol após mergulhar.
  • Mergulhador exímio, alimenta-se principalmente de peixes e pode ficar até 60 segundos submerso, capturando presas com o bico em forma de gancho.
  • Vive em bandos e nidifica em colônias sobre a água, com status de conservação Pouco Preocupante e população estável.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPhalacrocoracidae
Origem e distribuiçãoDas Américas, do sul dos EUA ao sul da Argentina; presente em todo o Brasil
HabitatÁguas interiores e costeiras: rios, lagoas, represas, estuários e manguezais
Tamanho (comprimento)58 a 73 cm
Envergadura90 a 105 cm
Peso1 a 1,5 kg
Corespretomarrom-escuroamarelo (pele da face)verde-azulado (olhos)
Expectativa de vida12 a 15 anos na natureza
AlimentaçãoPiscívora (peixes, crustáceos, anfíbios e insetos aquáticos)
CantoGrasnados guturais e coaxados, mais intenso nas colônias
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em plataforma de gravetos sobre árvores alagadas; 3 a 4 ovos azul-claros
Comportamento socialAltamente gregário e colonial
Variedades ou subespécies2 subespécies: N. b. mexicanum e N. b. brasilianum (ocorre no Brasil)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoBaixo
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o biguá: tamanho, cores e silhueta inconfundível

O biguá adulto é quase todo preto, com reflexos esverdeados nas asas quando visto ao sol. O bico é longo, fino e com a ponta em forma de gancho, ideal para segurar peixes escorregadios.

Mede de 58 a 73 cm e pesa entre 1 e 1,5 kg, com envergadura de 90 a 105 cm. É menor e mais leve que o biguá-de-penacho da Patagônia, com quem às vezes é confundido no sul.

Três detalhes entregam a identificação mesmo de longe:

  • Pele nua amarela ao redor do bico e na garganta, bem visível.
  • Olhos verde-azulados ou turquesa, muito claros nos adultos.
  • Cauda longa e pescoço em forma de S quando em voo, diferente de patos e garças.

Filhotes e jovens são marrom-acinzentados com barriga mais clara, e só ficam totalmente pretos após a primeira muda completa. Em voo, o biguá mantém o pescoço esticado e bate as asas de forma rápida e contínua.

Onde vive o biguá no Brasil e nas Américas

O biguá é uma das aves aquáticas de maior distribuição nas Américas. Ocorre do Texas e Louisiana, nos Estados Unidos, até o Cabo Horn, no Chile e Argentina, passando por todo o Brasil.

Aqui ele está em todos os biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. É tão adaptável que colonizou represas urbanas como a Billings e o Guarapiranga, em São Paulo, e o Lago Paranoá, em Brasília.

Prefere águas calmas e rasas com poleiros por perto: troncos, pedras, postes e até boias. Você o encontra em rios, lagoas, açudes, estuários, manguezais e ao longo da costa, mas evita mar aberto.

É parcialmente migratório no extremo sul e no extremo norte da distribuição, mas na maior parte do Brasil é residente o ano todo. Em áreas alagáveis como o Pantanal, desloca-se conforme o nível da água.

O que o biguá come e como ele pesca mergulhando

A dieta é essencialmente piscívora. No Brasil consome principalmente lambaris, tilápias, traíras pequenas, muçuns e peixes invasores abundantes em represas.

Complementa com crustáceos, girinos, rãs, insetos aquáticos e, ocasionalmente, pequenas serpentes d’água. Não é seletivo: pega o que for mais abundante e fácil de capturar no local.

A técnica de pesca é toda subaquática. Ele mergulha com um impulso, nada com os pés palmados e persegue o peixe debaixo d’água, usando as asas semiabertas como leme. Um mergulho dura em média 20 a 60 segundos e pode chegar a 8 a 10 metros de profundidade.

Diferente de patos, suas penas não são totalmente impermeáveis. Isso reduz a flutuabilidade e ajuda a afundar rápido, mas o obriga a sair da água para secar. Por isso é tão comum vê-lo com as asas abertas.

Comportamento social e o famoso hábito de secar as asas ao sol

O biguá é extremamente sociável. Vive, pesca e dorme em bandos que podem ter de dezenas a milhares de indivíduos, e forma dormitórios coletivos em árvores à beira d’água.

O comportamento mais famoso é secar as asas. Após mergulhar, ele pousa em local exposto e abre as asas como um leque, imóvel por minutos. Isso seca a plumagem, regula a temperatura e ajuda a eliminar parasitas.

Essa postura também tem função social: em colônias, abrir as asas sinaliza dominância e marca território no poleiro. É um dos melhores marcadores para identificar a espécie a distância.

Em voo, desloca-se em formação em V ou em fila, com o pescoço esticado e batimentos rápidos. Na água, nada com o corpo bem submerso, deixando só pescoço e cabeça de fora, o que já gerou o apelido de “pato-serpente” em algumas regiões.

Canto e comunicação: por que o biguá é quase silencioso

Fora da época reprodutiva, o biguá é uma ave silenciosa. Adultos em alimentação quase não vocalizam, o que surpreende quem espera um canto elaborado.

Quando vocaliza, emite grasnados roucos, coaxados guturais e estalos de garganta. O som é baixo e áspero, audível apenas a curta distância.

A colônia na época de ninhos é outra história. Machos fazem exibições com estalos de bico, sacudidas de cabeça e vibração da bolsa gular amarela para atrair fêmeas. Filhotes pedem comida com piados agudos e insistentes que deixam a colônia bem barulhenta.

A comunicação visual pesa mais que a vocal. Posturas de ameaça com asas entreabertas, reverências e o balançar do pescoço são centrais nas disputas por poleiro e parceiro.

Reprodução, ninhos e filhotes: colônias barulhentas e fedidas

O biguá nidifica em colônias mistas, muitas vezes junto com garças, socós e colhereiros, sobre árvores ou arbustos alagados e ilhas. A escolha de local isolado pela água reduz a predação.

O ninho é uma plataforma rústica de gravetos, forrada com folhas e algas, construída por ambos os pais. Com o uso contínuo e o acúmulo de fezes, a árvore pode morrer e ficar completamente branca e sem folhas.

A postura é de 3 a 4 ovos azul-esverdeados cobertos por uma camada calcária esbranquiçada. A incubação dura cerca de 25 a 28 dias, com revezamento do casal.

Os filhotes nascem nus e cegos, e são alimentados com peixe regurgitado diretamente dentro da garganta. Ficam no ninho por cerca de 5 a 6 semanas e começam a voar com 10 a 12 semanas, mas continuam dependendo dos pais por mais tempo.

No Brasil, a reprodução pode ocorrer o ano todo conforme a oferta de alimento, com pico na estação seca, entre agosto e novembro na maior parte do Sudeste e Centro-Oeste, quando o nível da água baixa e os peixes ficam concentrados.

Biguá pode ser criado em casa? Legalidade e por que não é pet

Não. O biguá é ave silvestre nativa e protegida por lei. Capturar, manter em cativeiro, comprar ou vender sem autorização do IBAMA ou órgão estadual é crime ambiental (Lei 9.605/98).

Não existe criação legalizada para pet. Diferente de calopsita ou canário-da-terra, o biguá não se adapta a gaiolas ou viveiros domésticos: precisa de grandes corpos d’água, pesca peixes vivos diariamente e vive em colônias.

Além disso, tem odor forte devido à dieta piscívora e às fezes muito ácidas, é arisco ao contato humano e pode infligir bicadas dolorosas com o bico em gancho. Centros de reabilitação só o mantêm temporariamente para soltura.

Se encontrar um filhote caído ou ave ferida, não tente criar. Acione o órgão ambiental local, Polícia Ambiental ou CETAS. A melhor forma de ter contato é pela observação na natureza, com binóculos, mantendo distância de ninhos e dormitórios.

Conservação, ameaças e como não confundir o biguá

O biguá é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população grande e em expansão em várias regiões. No Brasil é uma das aves aquáticas mais abundantes.

Essa abundância não significa ausência de ameaças. As principais são contaminação da água por agrotóxicos e metais pesados, que se acumulam nos peixes, redes de pesca onde se afoga, perseguição de pescadores que o veem como competidor e destruição de áreas úmidas.

Por outro lado, a construção de represas e açudes criou novos habitats artificiais que favoreceram a espécie em áreas urbanas, onde quase não tem predadores naturais.

Erros comuns de identificação:

  • Biguá x pato-mergulhão (Mergus octosetaceus): o pato-mergulhão é muito mais raro, tem topete e bico serrilhado vermelho, vive só em rios de cabeceira limpos do Cerrado e Mata Atlântica.
  • Biguá x anhinga (Anhinga anhinga): a anhinga tem pescoço ainda mais longo e fino, bico reto em forma de punhal e cauda muito longa; também seca as asas, mas nada com o corpo ainda mais submerso.
  • Biguá x corvo-marinho-de-orelha: espécie norte-americana ausente no Brasil.

Na nossa avaliação, o biguá é a melhor porta de entrada para quem quer começar a observar aves aquáticas no Brasil: é comum, fácil de identificar pelo hábito de secar as asas e tolera a presença humana mais que qualquer outra ave mergulhadora nativa.

Perguntas frequentes

Biguá é pato?

Não. Apesar de nadar e mergulhar, é um cormorão da família Phalacrocoracidae, parente dos atobás, não dos patos (Anatidae).

Por que o biguá fica com as asas abertas?

Para secar as penas, que não são totalmente impermeáveis, além de regular a temperatura e sinalizar dominância no poleiro.

Quanto tempo o biguá fica embaixo d'água?

Em média 20 a 60 segundos por mergulho, podendo chegar a 8 a 10 metros de profundidade para perseguir peixes.

Onde encontrar biguá no Brasil?

Em todo o país, em rios, lagoas, represas urbanas, manguezais e litoral. É a ave aquática mais comum em centros urbanos.

Biguá pode ser criado em casa?

Não. É ave silvestre protegida por lei; manter ou comprar sem autorização do IBAMA é crime ambiental e ele não se adapta a gaiolas.

Qual a diferença entre biguá e anhinga?

A anhinga tem pescoço mais fino e longo, bico reto em forma de punhal e cauda mais longa; o biguá tem bico em gancho e corpo mais robusto.

O biguá está ameaçado de extinção?

Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população grande e estável, embora sofra com poluição e redes de pesca.

Fatos surpreendentes sobre o biguá

1

Penas que encharcam de propósito

As penas do biguá absorvem água porque sua glândula uropigial produz pouca cera impermeabilizante. Isso o faz afundar com menos esforço e mergulhar mais rápido que patos.

2

Olhos que enxergam debaixo d'água

Ele tem membrana nictitante transparente que funciona como óculos de mergulho e lente adaptada para corrigir a refração da água, permitindo focar o peixe em movimento.

3

Árvores branqueadas pelas fezes

Colônias ativas depositam tanto guano ácido que matam a vegetação onde nidificam. De longe, a árvore fica branca e sem folhas, marca visível de um ninhal.

4

Nome que mudou de gênero

Até 2021 era Phalacrocorax brasilianus. Estudos genéticos o transferiram para Nannopterum brasilianum, mesmo gênero do cormorão-de-orelha da América do Norte.

Fontes

  1. WikiAves - Biguá
  2. IUCN Red List - Nannopterum brasilianum
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - Neotropic Cormorant

Prós e contras: Biguá

Prós

  • Extremamente fácil de observar em todo o Brasil, inclusive em cidades
  • Excelente mergulhador e pescador, comportamento fascinante de ver
  • Adapta-se bem a ambientes alterados como represas urbanas
  • Vive em bandos, permitindo observar vida social e colônias
  • Indicador útil de qualidade da água e disponibilidade de peixes

Contras

  • Não pode ser criado como pet; manutenção é crime ambiental
  • Odor forte e fezes ácidas que danificam vegetação e estruturas
  • Perseguido por alguns pescadores por competir por peixes
  • Pode se afogar em redes de pesca e sofrer com poluição da água
  • Quase não vocaliza fora da colônia, pouco atrativo para quem busca canto
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o biguá é subestimado justamente por ser comum: é um predador aquático extremamente eficiente e um excelente indicador de saúde de rios e represas. Para observação, vale mais que muitas espécies raras, porque permite estudar de perto mergulho, pesca e vida colonial sem precisar viajar para áreas remotas.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.