🦜 Aves e Pássaros

Borboletinha-do-mato

Phylloscartes ventralis

Atualizado em

11 a 12 cmTamanho
8 a 10 gPeso
5 a 7 anosExpectativa de vida
Agudo e trinadoCanto
Mata AtlânticaHabitat
Borboletinha-do-mato empoleirada em galho fino na Mata Atlântica

A borboletinha-do-mato (Phylloscartes ventralis) é um pássaro minúsculo e hiperativo da família Tyrannidae, famoso pelo voo curto e tremulante que lembra o de uma borboleta. Com apenas cerca de 11 cm, passa despercebida se não fosse pelo canto agudo e insistente no alto das copas.

Vive principalmente na Mata Atlântica do Sudeste e Sul do Brasil, mas também ocorre no Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia. É insetívora, forrageia em bandos mistos e constrói um ninho fechado e pendente que pouca gente consegue encontrar.

Também conhecido como: Borboletinha-do-mato, Mottle-cheeked Tyrannulet (inglês), Mosqueta de cara moteada (espanhol), Mosqueta cara manchada

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Galeria de fotos de Borboletinha-do-mato

Borboletinha-do-mato empoleirada em galho fino na Mata Atlântica
Borboletinha-do-mato em poleiro típico na borda da mata.
Close da cabeça da borboletinha-do-mato mostrando manchas da face e bico fino
Detalhe da face manchada que dá nome à espécie em inglês.
Borboletinha-do-mato em voo pairado capturando inseto na folha
Voo borboleteante para capturar insetos na folhagem.
Borboletinha-do-mato em habitat natural de mata de araucária
Habitat preferencial: florestas úmidas e matas de araucária.
Ninho globular pendente da borboletinha-do-mato com entrada lateral
Ninho fechado e pendente com entrada lateral, feito de musgo.
Bando misto na copa com borboletinha-do-mato forrageando junto
Forrageia quase sempre em bandos mistos de insetívoros.

Perfil rápido de Borboletinha-do-mato

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável, ainda comum em fragmentos bem preservados de Mata Atlântica.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegida por lei federal contra captura e comércio ilegal

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Migração / deslocamento norteJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
5 a 7 anos, podendo chegar a 8 em áreas preservadas
Em cativeiro
Não se aplica, espécie silvestre não adaptada ao cativeiro

Reprodução

Maturidade sexual
Cerca de 1 ano
Época reprodutiva
Setembro a janeiro (primavera e verão)
Tipo de ninho
Globular fechado e pendente, com entrada lateral
Ovos por postura
2 a 3 ovos brancos com manchas castanhas
Incubação
14 a 16 dias
Cuidado parental
Ambos alimentam, fêmea incuba principalmente

Habitat

Ambientes

  • Mata Atlântica primária e secundária alta
  • Matas de araucária
  • Bordas de floresta e capoeirões
  • Parques com dossel fechado

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos voadores pequenos (dípteros, himenópteros)
  • Besouros e larvas

Outros alimentos

  • Aranhas
  • Pequenos artrópodes de folhagem

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Tyrannidae
Gênero
Phylloscartes
Espécie
Phylloscartes ventralis

Resumo

  • A borboletinha-do-mato é um tiranídeo de 11 a 12 cm da Mata Atlântica, de dorso verde-oliva e ventre amarelado com manchas discretas na face.
  • Vive em bordas e interior de florestas úmidas e capoeiras altas, forrageia capturando insetos em voo curto e participa de bandos mistos.
  • Tem canto agudo e acelerado, ninho esférico fechado com entrada lateral e é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

FamíliaTyrannidae
Origem e distribuiçãoLeste e sul da América do Sul: Brasil (Sudeste e Sul), leste do Paraguai, nordeste da Argentina, Uruguai e Bolívia
HabitatMata Atlântica, matas de araucária, capoeiras altas e bordas de floresta, de 300 a 1.800 m de altitude
Tamanho (comprimento)11 a 12 cm
Envergadura16 a 18 cm
Peso8 a 10 g
Coresverde-olivaamarelocinzabrancopreto
Expectativa de vida5 a 7 anos na natureza
AlimentaçãoInsetívora (moscas, besouros, pequenos himenópteros e aranhas)
CantoSequência aguda, rápida e trêmula, tipo psi-psi-psi-tri-tri
Reprodução (ninho e ovos)Ninho globular fechado com entrada lateral, 2 a 3 ovos brancos com poucas manchas
Comportamento socialAtiva, vive em pares ou bandos mistos com outros insetívoros
Subespécies2: P. v. ventralis e P. v. tucumanus

Perfil e comportamento

SociabilidadeAlto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a borboletinha-do-mato na natureza

A borboletinha-do-mato é daquelas aves que você mais ouve do que vê. Phylloscartes ventralis é um tiranídeo miúdo que não para quieto, sempre pulando entre folhas e dando voos curtíssimos.

O nome popular não é por acaso. O voo é leve, batido e em zigue-zague, muito parecido com o de uma borboleta, e ela pairar por um segundo no ar para capturar insetos na folhagem. Se você vir um pontinho amarelo-esverdeado tremulando na copa, provavelmente é ela.

Diferente de saíras ou cambacicas, ela tem bico fino, achatado e escuro, típico de quem caça insetos no ar, e não bico curvo para néctar. Esse detalhe já elimina confusão com aves de bico doce.

Tamanho, cores e marcas que não deixam dúvida

Com 11 a 12 cm e 8 a 10 g, é menor que um pardal e quase do tamanho de uma cambacica. A silhueta é compacta, com cauda curta e asas arredondadas.

O dorso é verde-oliva uniforme, o ventre é amarelo-pálido com peito levemente acinzentado e a face tem manchas escuras sutis que deram origem ao nome em inglês Mottle-cheeked Tyrannulet. Duas barras alares amareladas nas asas e um anel ocular claro ajudam na identificação.

Olhos escuros, pernas acinzentadas e bico preto com base da mandíbula mais clara completam o conjunto. Não há dimorfismo sexual evidente: macho e fêmea são iguais a olho nu.

Como não confundir

A espécie mais parecida é a borboletinha-do-rio (Phylloscartes oustaleti), mas esta tem bico mais rosado e ocorre mais ao norte. Já o marianinha-amarela tem cauda mais longa e vocalização totalmente diferente.

Onde vive: distribuição e habitat no Brasil

A borboletinha-do-mato é endêmica da porção leste e sul da América do Sul. No Brasil, vai do sul da Bahia e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, acompanhando a Mata Atlântica.

Fora do Brasil ocorre no leste do Paraguai, nordeste da Argentina (Misiones, Tucumán), Uruguai e no sopé andino da Bolívia. São duas subespécies: P. v. ventralis na Mata Atlântica e P. v. tucumanus mais a oeste, nos Yungas e matas de montanha.

Prefere interior e bordas de florestas úmidas, matas de araucária, capoeirões e matas secundárias altas. Evita áreas muito abertas ou urbanas, mas pode aparecer em parques bem arborizados próximos a fragmentos. Vive entre 300 e 1.800 m de altitude, sendo mais comum entre 600 e 1.400 m.

O que come e como caça insetos no ar

É estritamente insetívora. A base são dípteros (moscas e mosquitos), pequenos besouros, himenópteros e aranhas capturadas na vegetação.

A técnica principal é o forrageio em folhagem com voos curtos, chamado de gleaning e sally: ela inspeciona a face inferior das folhas, paira e dá um bote rápido. Raramente desce ao chão.

Quase sempre está em bandos mistos com mariquitas, pitiguari e saíras. Seguir um bando misto na Mata Atlântica é a forma mais fácil de encontrá-la, pois ela se junta ao grupo para aproveitar insetos espantados.

Canto e comportamento: por que parece uma borboleta

O canto é o melhor jeito de achá-la. É uma sequência aguda, rápida e trêmula, algo como psi-psi-psi-titititri, emitida do alto da copa e repetida a intervalos curtos. O chamado de contato é um tsik fino e metálico.

O comportamento é hiperativo e acrobático. Ela troca de poleiro a cada poucos segundos, abre as asas em leque e faz aquele voo borboleteante. Na nossa avaliação, é uma das aves mais difíceis de fotografar parada na Mata Atlântica justamente por não parar.

É territorial na época reprodutiva, mas fora dela torna-se gregária e pouco arisca, permitindo aproximação moderada se o observador ficar imóvel. Não imita sons e não tem canto melodioso para gaiola.

Reprodução, ninho e cuidado com os filhotes

A estação reprodutiva vai de setembro a janeiro no Sudeste e Sul. O casal é monogâmico na temporada e defende um território pequeno.

O ninho é uma bola fechada com entrada lateral, feita de musgos, fibras vegetais, paina e teias de aranha, geralmente pendente na ponta de um galho fino a 3 a 8 m de altura. Essa arquitetura pendente dificulta o acesso de predadores.

A postura é de 2 a 3 ovos brancos com pontinhos castanhos. A incubação dura cerca de 14 a 16 dias, feita principalmente pela fêmea, e os filhotes deixam o ninho com 15 a 17 dias, ainda dependentes dos pais por mais uma semana. Ambos alimentam os filhotes com insetos macerados.

Migração e movimentos ao longo do ano

É considerada migrante parcial e altitudinal. Populações do sul (Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai) deslocam-se para norte no outono-inverno, aparecendo no Sudeste entre abril e agosto.

Já as populações de encosta da Serra do Mar fazem migração vertical: descem para áreas mais baixas e quentes no inverno e sobem novamente para reproduzir na primavera.

Esse padrão explica por que em alguns locais ela é comum o ano todo e em outros só aparece em certas estações. Não é migrante de longa distância como andorinhões, mas seus movimentos são regulares e previsíveis.

Subespécie Distribuição Traço distintivo
P. v. ventralis Mata Atlântica do Brasil ao Paraguai e Misiones Mais amarelada no ventre, face mais manchada
P. v. tucumanus Yungas da Bolívia ao noroeste da Argentina Tom mais acinzentado, vocalização levemente mais grave

Conservação e como observar sem perturbar

A IUCN classifica a espécie como Pouco Preocupante (LC), com população estável e ampla distribuição. Ainda é comum em parques nacionais como Itatiaia, Serra dos Órgãos e Aparados da Serra.

A principal ameaça é a fragmentação da Mata Atlântica. Por depender de florestas contínuas e bandos mistos, sofre em fragmentos muito pequenos ou isolados. Não é alvo de tráfico por não ter valor como ave de gaiola.

Para observar, use playback com moderação e nunca perto do ninho. Binóculo 8×42 e paciência em bordas de mata pela manhã são mais eficazes. Manter distância do ninho pendente é essencial, pois ele é frágil e visível para predadores se houver movimentação humana.

É possível ter borboletinha-do-mato em casa?

Não. É uma ave silvestre protegida por lei e sua captura, manutenção ou venda sem autorização do IBAMA é crime ambiental (Lei 9.605/98). Ela não se adapta ao cativeiro.

Por ser insetívora obrigatória, não sobrevive com sementes ou ração de pássaros e precisa caçar dezenas de insetos por dia. Em viveiro, definha rapidamente e não reproduz.

Quem gosta da espécie deve optar pela observação livre e fotografia. Atrair insetos com jardim nativo e manter árvores com musgos ajuda a trazê-la para perto de forma ética, sem mantê-la presa.

Perguntas frequentes

Borboletinha-do-mato é a mesma que borboletinha-do-rio?

Não. São espécies diferentes do mesmo gênero. A do mato é Phylloscartes ventralis, mais ao sul e na Mata Atlântica, com ventre amarelado. A do rio é Phylloscartes oustaleti, mais ao norte.

Qual o tamanho da borboletinha-do-mato?

Mede 11 a 12 cm de comprimento e pesa 8 a 10 g, menor que um pardal.

Onde encontrar borboletinha-do-mato no Brasil?

Em florestas da Mata Atlântica do Sudeste e Sul, de Minas e Bahia até o Rio Grande do Sul, em bordas e interior de matas entre 300 e 1.800 m.

O que a borboletinha-do-mato come?

Insetos pequenos e aranhas capturados em voo curto ou na folhagem. Não come sementes nem frutas.

Ela canta bem? Pode criar em gaiola?

Tem canto agudo e rápido, mas não é melodioso e não imita. É silvestre, protegida por lei, e não pode ser criada em gaiola sem crime ambiental.

Quando ela se reproduz?

De setembro a janeiro, com ninho globular pendente e 2 a 3 ovos brancos manchados.

Ela migra?

Sim, parcialmente. Populações do sul migram para o norte no inverno e outras fazem deslocamentos altitudinais na Serra do Mar.

Fatos surpreendentes sobre a borboletinha-do-mato

1

Ninho com porta lateral

O ninho fechado tem uma pequena entrada tubular na lateral, quase invisível entre musgos, que funciona como corredor ant predador.

2

Caçadora que paira no ar

Ela consegue pairar como um beija-flor por 1 a 2 segundos para catar aranhas na face inferior das folhas, técnica rara entre tiranídeos.

3

Fiel aos bandos mistos

Fora da reprodução, passa mais de 70% do tempo acompanhando bandos mistos de insetívoros, seguindo o grupo por centenas de metros.

4

Canto que entrega a altitude

Populações de Yungas (tucumanus) têm canto mais grave e lento que as da Mata Atlântica, diferença usada por ornitólogos para separar as subespécies em campo.

Fontes

  1. IUCN Red List / BirdLife International
  2. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  3. WikiAves
  4. Cornell Lab of Ornithology - Birds of the World

Prós e contras: Borboletinha-do-mato

Prós

  • Excelente indicadora de mata preservada e de bandos mistos
  • Canto agudo facilita a detecção mesmo sem vê-la
  • Não sofre pressão de tráfico por não ser ave de gaiola
  • Ampla distribuição e população ainda estável
  • Ótima espécie para introdução à observação de aves

Contras

  • Muito pequena e agitada, difícil de fotografar
  • Depende de floresta contínua, sofre com desmatamento
  • Não se adapta a áreas urbanas ou quintais abertos
  • Pode ser confundida com outras borboletinhas sem experiência
  • Ninho frágil e sensível a perturbação humana
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a borboletinha-do-mato é um termômetro discreto da saúde da Mata Atlântica: onde bandos mistos ainda circulam, ela aparece. Não é ave para gaiola nem para iniciantes, e seu valor está justamente em ser observada livre, em voo borboleteante.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.