🌳 Árvores

Pinhão-manso

Jatropha curcas

Atualizado em

3 a 5 m de alturaTamanho
SemidecíduaFolhagem
RápidoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
30 a 50 anosLongevidade
Folhas lobadas verde-claras e flores amarelo-esverdeadas do pinhão-manso

O pinhão-manso (Jatropha curcas) é uma arvoreta semidecídua de 3 a 5 metros, muito ramificada e de tronco suculento, nativa do México e América Central e amplamente cultivada no Brasil como cerca-viva e para produção de óleo.

Apesar da aparência rústica e das flores discretas, chama atenção pela resistência extrema à seca e pelas sementes altamente tóxicas, ricas em óleo (30% a 38%) usado em biodiesel. Não é árvore de sombra densa nem de grande porte, mas cumpre papel importante em áreas degradadas e no paisagismo funcional.

Também conhecido como: Pinhão-de-purga, Pinhão-paraguaio, Pinhão-bravo-manso, Mundubi-assu, Physic nut

Faz parte de: Árvores Ornamentais, Árvores Pequenas

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Galeria de fotos de Pinhão-manso

Folhas lobadas verde-claras e flores amarelo-esverdeadas do pinhão-manso
Folhas cordiformes e flores pequenas do pinhão-manso.
Tronco curto e casca acinzentada do pinhão-manso com látex
Tronco suculento e casca lisa acinzentada.
Frutos capsulares e sementes pretas oleosas do pinhão-manso
Cápsulas triloculares e sementes pretas tóxicas.
Frutos capsulares e sementes pretas oleosas do pinhão-manso
Cápsulas triloculares e sementes pretas tóxicas.
Cerca-viva de pinhão-manso em propriedade rural
Uso tradicional como cerca-viva impenetrável.
Copa aberta do pinhão-manso vista de baixo
Copa rala que oferece pouca sombra.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, chácara ou terreno grande no interior e busca cerca-viva barata, resistente à seca e que o gado não destrói. Também serve para projetos de recuperação de solo pobre e para quem quer uma arvoreta rústica de baixa manutenção em sol pleno.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para famílias com crianças pequenas, cachorros soltos ou quintal pequeno onde os frutos tóxicos ficam ao alcance. Também não funciona para quem busca sombra densa, árvore ornamental de flores vistosas ou espécie para calçada e apartamento.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno (mínimo 6 horas diárias)
Solo
Bem drenado, arenoso a franco-argiloso, pH 5,5 a 7,5
Rega
Moderada no 1º ano; depois apenas em secas prolongadas
Temperatura
20 °C a 30 °C; sensível a geada forte
Adubação
Esterco curtido ou composto 1x ao ano no início das chuvas
Poda
Formação a 50 cm e limpeza anual após frutificação
Propagação
Estacas de 60 a 80 cm (preferencial) ou sementes frescas

Perfil rápido de Pinhão-manso

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie amplamente cultivada e naturalizada, sem risco de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
Frutificação / colheitaJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Sementes, folhas e látex contêm curcina e ésteres de forbol. Ingestão de poucas sementes causa intoxicação grave. Use luvas ao podar.

Habitat

Ambientes

  • Áreas cultivadas
  • Cercas-vivas
  • Áreas degradadas
  • Caatinga antropizada

Biomas

  • Caatinga
  • Cerrado
  • Mata Atlântica

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • México
  • Índia
  • Moçambique
  • Angola
  • Colômbia
  • Paraguai

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malpighiales
Família
Euphorbiaceae
Gênero
Jatropha
Espécie
Jatropha curcas L.

Resumo

  • O pinhão-manso é uma arvoreta tóxica de 3 a 5 m, nativa do México e cultivada em todo o Brasil por sua resistência à seca e sementes oleosas.
  • Suas sementes contêm ésteres de forbol e curcina, sendo perigosas para humanos e animais mesmo em pequenas quantidades, e seu óleo é usado para biodiesel e cercas-vivas.
  • Exige sol pleno, solo bem drenado e pouca água depois de estabelecida, mas não serve como árvore de sombra ou para calçadas e quintais com crianças.

Características

Ficha da árvore

Nome popularPinhão-manso
Nome científicoJatropha curcas L.
Família botânicaEuphorbiaceae
OrigemMéxico e América Central (naturalizada no Brasil)
Tamanho3 a 5 m de altura (excepcionalmente até 7 m)
CopaIrregular, aberta e muito ramificada, 3 a 4 m de diâmetro
FolhagemSemidecídua a caducifólia na seca
CrescimentoRápido (até 1 m por ano nos primeiros anos)
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa após pegamento; tolera 300 a 1.000 mm anuais
SoloBem drenado, arenoso a argiloso, pH 5,5 a 7,5; não tolera encharcamento
UsosBiodiesel, cerca-viva, recuperação de áreas degradadas, medicinal (com risco)
Longevidade30 a 50 anos
ToxicidadeAlta (sementes, folhas e látex)

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoAlto
SombraBaixo
Resistência à secaMuito alto
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMuito alto
Atrai faunaMédio

O que é o pinhão-manso e como reconhecê-lo

O pinhão-manso é uma arvoreta ou arbusto grande suculento, não uma árvore de grande porte. O tronco é curto, grosso na base, com casca lisa acinzentada que solta placas finas e exsuda látex esbranquiçado quando cortado.

As folhas são grandes, cordiformes com 3 a 5 lóbulos, verde-claras e brilhantes, com 10 a 20 cm de largura. Na seca, a planta perde boa parte da folhagem, o que denuncia seu caráter semidecíduo.

As flores são pequenas, amarelo-esverdeadas com centro avermelhado, reunidas em cimeiras. Os frutos são cápsulas ovoides de 2,5 a 4 cm que ficam amarelas e depois pretas ao amadurecer, com 3 sementes pretas e oleosas cada. É por esses frutos triloculares que se distingue facilmente de outras Jatropha ornamentais.

Pinhão-manso é venenoso? Toxicidade que você precisa conhecer

Sim, todas as partes são tóxicas, mas as sementes concentram o maior risco. Contêm curcina e ésteres de forbol que não são eliminados com torra ou cozimento simples.

A ingestão de 2 a 3 sementes já pode causar vômitos intensos, diarreia com sangue, dor abdominal e desidratação em crianças. Em animais, bovinos e cachorros são especialmente sensíveis. O látex causa dermatite e irritação nos olhos.

O óleo extraído mantém os ésteres de forbol, por isso não é comestível nem para humanos nem para animais, mesmo após prensagem. Nunca plante onde crianças ou pets possam colher os frutos pretos, que parecem castanhas.

Para que serve o pinhão-manso: do biodiesel à cerca-viva

O uso mais pesquisado no Brasil é para biodiesel. A semente tem 30% a 38% de óleo e cada planta adulta produz 1 a 4 kg de sementes por ano (plantios adensados chegam a 2.000 kg/ha). A Embrapa estudou a espécie intensamente entre 2005 e 2015 como alternativa ao semiárido.

O segundo uso, mais tradicional, é como cerca-viva impenetrável. Como o gado não come as folhas tóxicas, os agricultores plantam estacas a cada 1,5 m e em dois anos formam barreira viva barata e resistente ao fogo.

Outros usos são recuperação de áreas degradadas, contenção de erosão e produção de torta para adubo (não para ração) e de glicerina. O uso medicinal popular existe, mas é desaconselhado devido à estreita margem entre dose e intoxicação.

Por que o projeto do biodiesel esfriou?

Apesar da propaganda inicial, a produtividade mostrou-se muito irregular sem irrigação e adubação, a colheita é manual e desuniforme e o óleo precisa de refino específico. Na nossa avaliação, o pinhão-manso funciona melhor como planta de apoio e cerca-viva do que como monocultura energética.

Como plantar pinhão-manso passo a passo

Prefira estacas de 60 a 80 cm retiradas de ramos grossos e lenhosos. Elas pegam mais rápido que sementes e garantem cerca uniforme. Deixe a estaca secar à sombra por 3 a 5 dias para cicatrizar.

Plante no início das chuvas, de outubro a dezembro na maior parte do Brasil. Enterre 20 cm da estaca em cova de 30 x 30 cm com solo solto e bem drenado. Espaçamento ideal é 2 x 2 m para produção ou 1,5 m em linha para cerca.

Se for por semente, use sementes frescas com menos de 6 meses. Deixe de molho por 12 horas e semeie a 2 cm de profundidade. A germinação ocorre em 7 a 15 dias com taxa de 60% a 80% quando a semente é nova.

  • Solo encharcado mata a muda: nunca plante em baixada ou solo compactado.
  • Sol pleno desde o início: sombra atrasa o crescimento e reduz floração.
  • Sem necessidade de tutor: o caule engrossa rápido e se sustenta.

Como cuidar: solo, rega, poda e clima ideal no Brasil

O pinhão-manso vai bem em clima quente, de 20 °C a 30 °C, e suporta até 6 meses de seca depois de estabelecido. Tolera geadas leves e curtas, mas perde folhas e atrasa a produção abaixo de 10 °C.

O solo ideal é arenoso, profundo e bem drenado. Em solos argilosos, faça camalhão ou plante em nível. O pH pode variar de 5,5 a 7,5 e a planta tolera solos pobres, mas responde bem a esterco curtido e cinzas uma vez ao ano.

Regue apenas no primeiro ano, quinzenalmente se não chover. Depois, a rega é dispensável no Sudeste e Nordeste. O excesso de água causa podridão de raízes, principal causa de morte em jardins urbanos.

A poda é simples: faça poda de formação a 50 cm de altura no primeiro ano para estimular ramificações e depois apenas poda de limpeza após a colheita, entre julho e agosto. Use luvas, pois o látex irrita a pele.

Tamanho, copa e raízes: cabe no seu terreno?

Espere uma arvoreta de 3 a 5 m de altura e 3 a 4 m de copa em 3 a 4 anos. O crescimento é rápido no início e depois estabiliza, com tronco que pode chegar a 20 cm de diâmetro.

A copa é aberta, irregular e pouco densa, por isso oferece sombra rala. Não serve como árvore de sombra para banco ou garagem.

As raízes são pivotantes e pouco agressivas, superficiais nos primeiros 40 cm mas sem levantar calçada ou quebrar muro quando plantada a 2 m de construções. É uma das poucas arvoretas que pode ficar próxima a muro sem grande risco, desde que o solo não seja muito raso.

Característica Pinhão-manso Pinhão-mirim (Jatropha gossypiifolia)
Altura 3 a 5 m 1 a 2 m
Folha Verde-clara, 3 a 5 lóbulos Roxa quando jovem, 3 lóbulos profundos
Fruto Cápsula grande, amarela a preta Cápsula menor, verde a marrom
Uso Biodiesel e cerca-viva Ornamental e medicinal popular

Pragas e doenças mais comuns

Apesar da rusticidade, sofre com ácaro-vermelho e mosca-branca na seca, que amarelam e enrolam as folhas. O controle é com jato d’água e poda de folhas atacadas; raramente precisa de defensivo.

O percevejo Pachycoris torridus suga os frutos e reduz drasticamente a produção de sementes. Catação manual e destruição de frutos caídos ajudam.

Em solos úmidos, ocorre podridão do colo por Fusarium e Phytophthora. Evite encharcamento e não amontoe matéria orgânica no colo. Plantas muito sombreadas ficam estioladas e com pouca floração.

Pinhão-manso no paisagismo e na recuperação de áreas

No paisagismo, funciona como planta de fundo, maciço rústico ou cerca-viva defensiva, não como árvore de destaque isolada. Combina com espécies da Caatinga e Cerrado por exigir pouca água.

Em recuperação de áreas degradadas, é pioneira valiosa: cresce em solo pobre, segura encosta e atrai abelhas nativas com floração amarela prolongada. Abelhas Apis e Trigonas visitam intensamente as flores.

Evite usar em praças com grande circulação de crianças, escolas ou parquinhos e em calçadas estreitas onde os frutos caem no chão. Para quintal pequeno com pets, prefira espécies não tóxicas.

Perguntas frequentes

Pinhão-manso é venenoso?

Sim, muito. Sementes, folhas e látex contêm curcina e ésteres de forbol. A ingestão de 2 a 3 sementes pode intoxicar gravemente crianças e animais.

Para que serve o pinhão-manso?

Principalmente para extração de óleo para biodiesel, como cerca-viva que o gado não come e na recuperação de solos degradados.

Pode plantar pinhão-manso no quintal com cachorro?

Não é recomendado. Os frutos caem no chão e são atraentes para cachorros, que podem se intoxicar ao morder as sementes.

Qual a diferença entre pinhão-manso e pinhão-mirim?

O manso (Jatropha curcas) tem 3 a 5 m e folhas verde-claras; o mirim (Jatropha gossypiifolia) tem 1 a 2 m e folhas roxas quando jovens.

Quanto tempo para produzir sementes?

Começa a frutificar com 1 a 2 anos se plantado por estaca, com pico de produção entre 4 e 6 anos.

Pinhão-manso precisa de muita água?

Não. Após o primeiro ano tolera longas secas e morre mais por excesso de água do que por falta.

Pode comer a semente torrada?

Não. A torra não elimina os ésteres de forbol e a semente continua tóxica mesmo cozida.

Você sabia?

1

Nome que engana

Apesar do nome, não tem parentesco com o pinhão da araucária. Pinhão aqui vem do formato da semente, semelhante a um pequeno pinhão, e manso para diferenciar do pinhão-bravo, ainda mais tóxico.

2

Viajou com os portugueses

Foi levada pelos navegadores portugueses da América Central para África e Ásia no século XVI como cerca-viva e purgante. Por isso hoje é encontrada em quase todo o cinturão tropical.

3

Floração por susto hídrico

Depois de um período seco, a primeira chuva forte faz a planta soltar folhas novas e florescer em poucos dias. Em regiões com chuvas irregulares pode florescer 2 a 3 vezes ao ano.

4

Semente que não perde o veneno

Mesmo depois de prensada, a torta mantém ésteres de forbol tóxicos. Pesquisas tentam obter variedades atóxicas do México, mas as cultivadas no Brasil continuam venenosas.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jatropha curcas
  2. Embrapa Agroenergia - Pinhão-manso
  3. IUCN Red List - Jatropha curcas

Prós e contras: Pinhão-manso

Prós

  • Extremamente resistente à seca e a solos pobres
  • Crescimento rápido e fácil pega por estaca
  • Raízes pouco agressivas, não quebra calçada
  • Ótima cerca-viva que o gado não come
  • Atrai abelhas e ajuda na recuperação de áreas degradadas

Contras

  • Sementes altamente tóxicas para humanos e pets
  • Sombra rala, não serve como árvore de sombra
  • Perde folhas na seca, fica com aspecto seco
  • Frutos caem e sujam o chão
  • Produtividade de óleo irregular sem manejo
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pinhão-manso é uma excelente ferramenta para cerca-viva e recuperação de áreas secas, mas foi superestimado como salvação do biodiesel. Para a maioria dos quintais urbanos, o risco tóxico supera o benefício ornamental.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.