🌳 Árvores

Jacarandá-da-bahia

Dalbergia nigra

Atualizado em

15 a 30 m de alturaTamanho
Semicaducifólia, verde-escuraFolhagem
LentoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
200 a 300 anosLongevidade
Jacarandá-da-bahia adulto com copa ampla e tronco reto em clareira da Mata Atlântica

O jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra) é uma das árvores mais valorizadas da Mata Atlântica. De grande porte e copa ampla, ficou mundialmente famoso pela madeira escura, densa e aromática, usada por séculos em móveis de luxo e instrumentos musicais.

Hoje a espécie é rara na natureza devido à exploração histórica intensa. É protegida por lei, consta como vulnerável na lista da IUCN e no Apêndice I da CITES, e seu uso madeireiro é restrito. No paisagismo, destaca-se como árvore de sombra e ornamental para grandes áreas, com floração discreta e folhagem elegante.

Também conhecido como: Jacarandá-preto, Caviúna, Jacarandá-caviúna, Brazilian rosewood

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes, Árvores Ornamentais

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Jacarandá-da-bahia adulto com copa ampla e tronco reto em clareira da Mata Atlântica
Jacarandá-da-bahia adulto pode atingir 30 metros na Mata Atlântica.
Folhas compostas do jacarandá-da-bahia com folíolos elípticos verde-escuros
Folhas pinadas com 11 a 17 folíolos brilhantes.
Tronco e casca do jacarandá-da-bahia com casca áspera em placas
Casca pardo-acinzentada e áspera, que se solta em placas.
Flores pequenas branco-amareladas do jacarandá-da-bahia em panícula
Floração discreta e perfumada entre novembro e fevereiro.
Frutos em sâmaras achatadas do jacarandá-da-bahia
Sâmaras achatadas dispersas pelo vento.
Jacarandá-da-bahia no paisagismo de parque amplo oferecendo sombra densa
Uso ideal em parques e áreas rurais amplas.
Ideal para

Ideal para proprietários de sítios, fazendas, parques e quintais muito grandes que buscam uma árvore nativa de sombra densa, longa vida e alto valor ecológico. É perfeita para quem quer investir em restauração da Mata Atlântica e tem paciência para acompanhar um crescimento lento que recompensa por gerações.

Pode não ser ideal para

Não é indicada para calçadas, ruas sob fiação, quintais pequenos ou vasos. O porte grande, a copa ampla e a necessidade de solo profundo causam conflitos com muros e redes. Também não serve para quem busca sombra rápida ou floração ornamental vistosa imediata.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno desde a fase jovem; tolera meia-sombra apenas nos primeiros meses
Rega
Regular no primeiro ano; após estabelecida, apenas em estiagens prolongadas
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, com matéria orgânica; pH 5,5 a 6,5
Clima
Tropical úmido e subtropical; sensível a geadas fortes e a solos encharcados
Adubação
Composto orgânico na cova e adubação anual leve com NPK para nativas
Poda
Apenas formação e limpeza no inverno; evitar podas drásticas
Propagação
Por sementes recém-colhidas; semeadura direta ou em tubetes com escarificação leve

Perfil rápido de Jacarandá-da-bahia

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Espécie ameaçada pela exploração histórica da madeira e pela fragmentação da Mata Atlântica.

População
Em declínio
Protegido por
Sim - CITES Apêndice I e Portaria MMA 443/2014; corte e comércio restritos por lei

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
PlantioJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta ombrófila densa primária e secundária
  • Encostas e vales de solos profundos e férteis
  • Capoeirões antigos em regeneração

Biomas

  • Mata Atlântica

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Dalbergia
Espécie
Dalbergia nigra

Resumo

  • O jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra) é uma árvore nativa da Mata Atlântica de grande porte, famosa pela madeira nobre escura e muito densa.
  • Atinge 15 a 30 metros, tem folhas compostas e crescimento lento, com floração entre novembro e fevereiro e frutos em sâmaras achatadas.
  • É espécie vulnerável à extinção, protegida pelo CITES e pela legislação brasileira, indicada para reflorestamento e paisagismo em áreas amplas, não para calçadas ou quintais pequenos.

Características

Ficha da árvore

Nome popularJacarandá-da-bahia
Nome científicoDalbergia nigra (Vell.) Allemão ex Benth.
Família botânicaFabaceae
OrigemMata Atlântica do Brasil (Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo)
Tamanho15 a 30 m de altura; tronco com 60 a 120 cm de diâmetro
CopaAmpla, arredondada e densa, com 8 a 15 m de diâmetro
FolhagemSemicaducifólia a caducifólia
CrescimentoLento
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada; tolera estiagem curta após estabelecida
SoloProfundo, fértil, bem drenado, levemente ácido
UsosPaisagismo de grande porte, reflorestamento, madeira nobre (uso atual restrito por lei)
Longevidade200 a 300 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraMuito alto
Resistência à secaMédio
Agressividade das raízesMédio
Facilidade de cultivoBaixo
Atrai faunaAlto

O que é o jacarandá-da-bahia e por que ele é tão famoso

O jacarandá-da-bahia é Dalbergia nigra, uma árvore da família Fabaceae endêmica da Mata Atlântica. Não tem parentesco próximo com o jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosifolia), apesar do nome popular parecido.

A fama vem da madeira. Densa, com densidade de 0,85 a 1,00 g/cm³, cor que vai do marrom-chocolate ao violeta-escuro com veios pretos, e aroma adocicado de rosas quando cortada. Por isso o nome internacional Brazilian rosewood.

Essa qualidade custou caro à espécie. Entre os séculos XVII e XX, foi a madeira mais exportada do Brasil para móveis, painéis e instrumentos. Hoje é espécie vulnerável e protegida, e qualquer comércio precisa de comprovação de origem legal antiga ou manejo autorizado.

Como identificar o jacarandá-da-bahia com segurança

Muita gente confunde com outros jacarandás. O da Bahia tem um conjunto bem específico de caracteres.

  • Folhas: compostas, pinadas, com 11 a 17 folíolos pequenos, elípticos, verde-escuros e brilhantes na face superior, mais claros embaixo. Sem o aspecto de samambaia do jacarandá-mimoso.
  • Tronco e casca: reto e cilíndrico em mata fechada, mais ramificado em área aberta. Casca pardo-acinzentada, áspera e que se desprende em placas pequenas.
  • Flores: pequenas, branco-amareladas, perfumadas, em panículas. Nada vistosas como as flores roxas do jacarandá-mimoso.
  • Frutos: sâmaras achatadas, em forma de membrana, com 1 a 2 sementes cada, de cor marrom-clara quando maduras. Não são vagens grossas.
  • Cheiro da madeira: quando lixada ou cortada, exala perfume característico de rosas, diferente de outras Dalbergia.

Na dúvida, observe o fruto e o folíolo. O jacarandá-da-bahia nunca tem flor roxa em trompete nem folhas bipinadas.

Onde ocorre naturalmente e qual seu habitat

É espécie exclusiva da Mata Atlântica, com ocorrência natural do sul da Bahia até o Rio de Janeiro e São Paulo, com interiorização por Minas Gerais. Ocorre principalmente na floresta ombrófila densa, em encostas e vales de solos profundos e férteis.

Prefere clima tropical úmido a subtropical, com chuvas bem distribuídas e temperatura média entre 20 e 26 °C. Não tolera geada forte nem solos encharcados ou rasos.

Na natureza, é árvore de dossel e às vezes emergente. Cresce melhor em mata primária ou capoeirões antigos, onde encontra meia-sombra na juventude e sol pleno na fase adulta. Hoje as populações remanescentes estão fragmentadas e raras.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar no terreno

Em mata, o jacarandá-da-bahia facilmente passa de 20 metros, chegando a 30 metros. Em cultivo isolado, mantém 15 a 20 metros, com copa ampla e arredondada de 8 a 15 metros de diâmetro.

O crescimento é lento. Nos primeiros 5 anos, avança cerca de 0,5 a 1 metro por ano se bem nutrido. Depois estabiliza. É árvore para pensar em décadas, não em resultado rápido.

A copa é densa e oferece sombra de alta qualidade, semicaducifólia. Perde parte das folhas no inverno seco (junho a agosto) e rebrota rapidamente.

As raízes são pivotantes e moderadamente agressivas. Não são tão superficiais e destrutivas como as de figueiras ou sibipirunas, mas exigem espaço. Mantenha pelo menos 8 a 10 metros de distância de construções, muros e redes subterrâneas.

Floração e frutificação no Brasil

A floração ocorre de novembro a fevereiro, no auge da estação chuvosa. As flores brancas, pequenas e melíferas, atraem abelhas nativas e Apis mellifera.

A frutificação vem de março a agosto. As sâmaras amadurecem e são dispersas pelo vento a curta distância. Cada fruto leva geralmente uma semente viável.

A produção de sementes é irregular. Anos de grande frutificação se alternam com anos fracos, um comportamento comum em Fabaceae de madeira dura. Sementes recém-colhidas têm alta taxa de germinação (70 a 90%), mas perdem viabilidade em poucos meses se mal armazenadas.

Como plantar jacarandá-da-bahia corretamente

Plante apenas com mudas de viveiros legalizados e com nota de origem. Nunca retire sementes ou mudas de unidades de conservação sem autorização.

Escolha local com sol pleno, solo profundo e bem drenado. Evite várzea, solo compactado ou laje rasa. A cova deve ter no mínimo 60 x 60 x 60 cm, enriquecida com composto orgânico e calcário se o pH estiver abaixo de 5,5.

O melhor período de plantio é o início da estação chuvosa, de outubro a fevereiro, quando a muda estabelece raízes com menos necessidade de irrigação. Em regiões com inverno seco, plante até dezembro.

Passos essenciais:

  • Tutore a muda nos primeiros 12 meses e mantenha coroamento de 80 cm sem mato.
  • Regue 2 a 3 vezes por semana nos primeiros 6 meses, depois espaçe.
  • Proteja de formigas cortadeiras, principal praga na fase jovem.
  • Não plante sob fiação ou em calçada. É árvore para sítio, fazenda, parque ou quintal muito grande.

Jacarandá-da-bahia x jacarandá-mimoso: não confunda

Característica Jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra) Jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosifolia)
Flor Branca, pequena, discreta Roxa, grande, em trompete
Folha Pinada, 11-17 folíolos Bipinada, aspecto de samambaia
Madeira Nobre, escura, muito densa Clara, leve, sem valor comercial
Status Nativa, ameaçada, protegida Exótica, amplamente plantada nas cidades

Como cuidar e por que o crescimento exige paciência

Após o primeiro ano, o jacarandá-da-bahia exige pouca manutenção, mas não perdoa descuido inicial. A adubação anual com matéria orgânica e NPK formulado para nativas acelera o arranque.

A poda deve ser apenas de formação e limpeza, no inverno, retirando galhos cruzados ou secos. Podas drásticas deformam a copa e abrem porta para fungos.

É relativamente rústico a pragas quando adulto. Jovem, sofre com formigas, lagartas e cochonilhas. Em solo encharcado, pode apresentar podridão de raiz. Boa drenagem é a melhor prevenção.

Por ser de crescimento lento, muitos tutores se frustram. Na nossa avaliação, esse é justamente o valor dele: é uma árvore de legado, para quem planta pensando em 20, 50 ou 100 anos, não em sombra para o próximo verão.

Usos no paisagismo, na natureza e na restauração

No paisagismo, o jacarandá-da-bahia funciona como árvore de sombra nobre e de destaque isolado em grandes gramados, parques e alamedas rurais. A copa densa reduz temperatura e atrai pássaros.

Na ecologia, é fixadora de nitrogênio por simbiose com bactérias, melhorando o solo. Suas flores alimentam abelhas e os frutos alimentam pequenos mamíferos. É excelente para restauração da Mata Atlântica em plantios de enriquecimento.

O uso madeireiro hoje é extremamente restrito. A madeira só pode ser comercializada se for de estoque antigo documentado anterior a 1992 ou de plano de manejo sustentável aprovado. Para o cidadão comum, o valor está no plantio e na conservação, não no corte.

A espécie está na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas (Portaria MMA 443/2014) como vulnerável, na IUCN como Vulnerable e no CITES Apêndice I desde 1992, que proíbe o comércio internacional da madeira extraída na natureza.

Isso significa que derrubar, transportar ou comercializar sem autorização é crime ambiental (Lei 9.605/98). A fiscalização é rigorosa e a madeira é facilmente identificada por anatomia e DNA.

Plantar jacarandá-da-bahia é um ato de conservação. Cada árvore cultivada a partir de semente legal ajuda a manter a diversidade genética de uma espécie que quase desapareceu por causa da cobiça pela sua própria beleza.

Perguntas frequentes

Jacarandá-da-bahia e jacarandá-mimoso são a mesma árvore?

Não. O da Bahia é Dalbergia nigra, nativo, de flor branca pequena e madeira escura nobre. O mimoso é Jacaranda mimosifolia, exótico, de flor roxa vistosa e madeira clara sem valor comercial.

Posso plantar jacarandá-da-bahia na calçada?

Não é recomendado. Atinge 15 a 30 m e copa de até 15 m, exigindo 8 a 10 m de distância de construções e fiação. Use apenas em áreas amplas como sítios e parques.

Quanto tempo demora para crescer?

O crescimento é lento, cerca de 0,5 a 1 m por ano nos primeiros anos e mais lento depois. A copa densa e a sombra plena levam de 8 a 15 anos para se formarem.

Pode cortar jacarandá-da-bahia?

O corte de árvores nativas em área natural é proibido sem autorização do órgão ambiental. A espécie é vulnerável e consta no CITES Apêndice I, com fiscalização rigorosa.

Quando o jacarandá-da-bahia floresce?

Floresce de novembro a fevereiro, com flores branco-amareladas pequenas e perfumadas que atraem abelhas. A frutificação ocorre de março a agosto.

Onde comprar muda legalizada?

Em viveiros florestais registrados no MAPA e com RENASEM, que fornecem nota fiscal e origem da semente. Evite mudas sem procedência.

A madeira ainda é comercializada?

Apenas estoques antigos documentados anteriores a 1992 ou madeira de manejo autorizado. Madeira nova extraída da mata nativa não pode ser comercializada internacionalmente.

Você sabia?

1

A madeira dos Beatles

Guitarras e violões de marcas como Gibson, Fender e Martin usaram jacarandá-da-bahia até os anos 1970. O timbre escuro e a estabilidade fizeram dele o padrão-ouro para fundos e laterais de instrumentos.

2

Perfume de rosas na serragem

Ao ser cortada ou lixada, a madeira libera aroma adocicado de rosas, por isso o nome inglês Brazilian rosewood. É uma forma prática de diferenciá-la de outras madeiras escuras.

3

CITES Apêndice I desde 1992

Foi uma das primeiras madeiras brasileiras a entrar no nível máximo de proteção do CITES, ao lado do marfim de elefante. O comércio internacional de madeira nativa nova é proibido.

4

Semente que não espera

As sementes germinam em 7 a 15 dias, mas perdem viabilidade em 3 a 6 meses se armazenadas em temperatura ambiente. Viveiristas recomendam semear logo após a coleta, com leve escarificação.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List - Dalbergia nigra
  4. CITES - Convention on International Trade in Endangered Species

Prós e contras: Jacarandá-da-bahia

Prós

  • Sombra densa e de alta qualidade para grandes áreas
  • Madeira nobre mais valorizada do Brasil, de grande valor histórico
  • Espécie nativa que melhora o solo por fixar nitrogênio e atrai abelhas
  • Longevidade excepcional, de 200 a 300 anos, ideal como legado
  • Excelente para reflorestamento e restauração da Mata Atlântica

Contras

  • Crescimento lento, não oferece sombra rápida
  • Porte grande incompatível com calçadas, quintais pequenos e fiação
  • Sensível a geada forte e a solos encharcados ou rasos
  • Mudas mais caras e menos disponíveis que espécies comuns
  • Proteção legal rigorosa impede qualquer uso madeireiro sem autorização
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o jacarandá-da-bahia não é árvore para modismo urbano, e sim patrimônio natural para quem tem espaço e visão de longo prazo. Plantá-lo é mais conservação do que paisagismo rápido, e o valor está justamente na lentidão e na raridade.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.