🌳 Árvores

Jurema-preta

Mimosa tenuiflora

Atualizado em

4 a 7 m de alturaTamanho
Caducifólia na secaFolhagem
Rápido e pioneiroCrescimento
Sol plenoLuminosidade
20 a 30 anosLongevidade
Tronco e casca escura fissurada da jurema-preta

A jurema-preta (Mimosa tenuiflora) é uma árvore pioneira da Caatinga, famosa pela casca escura quase preta, pelos espinhos nos ramos jovens e pela capacidade de colonizar áreas degradadas no semiárido. Atinge de 4 a 7 metros, tem copa rala e perde as folhas na seca, mas floresce justamente quando quase nada mais floresce.

É uma das espécies mais importantes do sertão nordestino: serve de estaca, lenha e carvão de alto poder calorífico, fornece pólen e néctar para abelhas na entressafra, tem casca com alto teor de tanino e é a planta central do Vinho da Jurema, bebida ritualística de povos indígenas e religiões de matriz afro-indígena.

Também conhecido como: Jurema, Jurema-de-embira, Calumbi, Tepezcohuite

Faz parte de: Árvores Pequenas

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Galeria de fotos de Jurema-preta

Tronco e casca escura fissurada da jurema-preta
Casca quase preta e fissurada, que dá nome à espécie.
Copa rala da jurema-preta vista de baixo
Copa aberta e rala, que filtra pouca luz.
Tronco e casca escura fissurada da jurema-preta
Casca quase preta e fissurada, que dá nome à espécie.
Copa rala da jurema-preta vista de baixo
Copa aberta e rala, que filtra pouca luz.
Vagens achatadas e sementes da jurema-preta
Vagens achatadas com sementes duras de dormência tegumentar.
Ramos jovens espinhosos da jurema-preta
Ramos jovens com espinhos retos característicos.
Ideal para

Ideal para quem precisa recuperar área degradada no semiárido, formar cerca viva impenetrável, produzir estacas, lenha ou pasto apícola com mínimo de água e cuidado. Também é valiosa para projetos de restauração da Caatinga e para apicultores que precisam de florada na seca, quando poucas espécies florescem.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem busca sombra densa, árvore ornamental de copa cheia ou espécie para calçada e quintal pequeno em cidade úmida. Os espinhos, a copa rala e a perda total de folhas na seca frustram quem espera árvore sempre verde, além de exigir sol pleno e solo bem drenado que não existe em áreas sombreadas ou encharcadas.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno o dia todo, mínimo 6 horas de sol direto
Solo
Arenoso, pedregoso ou franco-arenoso, bem drenado, pobre e pH 5,5 a 7,0
Rega
Apenas nos 3-4 primeiros meses; depois só chuva. Não tolera encharcamento
Temperatura
Clima quente semiárido, 22 a 32 °C; tolera geadas leves e curtas
Adubação
Desnecessária; se preciso, esterco curtido na cova
Poda
Leve, de formação ou limpeza no fim das chuvas
Propagação
Sementes com quebra de dormência em água quente a 80 °C ou escarificação

Perfil rápido de Jurema-preta

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie muito comum e amplamente distribuída, sem risco de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não, mas Caatinga é protegida por lei e o manejo exige autorização em alguns estados

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
Semeadura / PlantioJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Caatinga arbustiva e arbórea
  • Capoeiras e áreas degradadas
  • Pastagens abandonadas e beira de estradas

Biomas

  • Caatinga

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • México
  • Honduras
  • El Salvador
  • Colômbia
  • Venezuela

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Mimosa
Espécie
Mimosa tenuiflora

Resumo

  • A jurema-preta é uma árvore pioneira da Caatinga de 4 a 7 m, de casca escura, espinhosa e extremamente resistente à seca e ao fogo.
  • Floresce na estação seca em espigas brancas muito melíferas e frutifica em vagens achatadas, com sementes duras que exigem quebra de dormência para germinar.
  • É usada como estaca viva, lenha, tanino para curtume, forragem e no preparo ritual do Vinho da Jurema, mas não serve para sombra densa ou calçada urbana.

Características

Ficha da árvore

Nome popularJurema-preta
Nome científicoMimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
Família botânicaFabaceae (Mimosoideae)
OrigemCaatinga do Nordeste do Brasil e América Central
Tamanho4 a 7 m de altura (até 8 m em condições ideais)
CopaRala, irregular e aberta, 3 a 5 m de diâmetro
FolhagemCaducifólia (perde folhas na seca)
CrescimentoRápido, pioneira
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa; só nos primeiros meses
SoloPobre, arenoso, pedregoso e bem drenado
FloraçãoBranca, em espigas cilíndricas
UsosCerca viva, lenha, carvão, tanino, melífera, recuperação de áreas
Longevidade20 a 30 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoMuito alto
SombraBaixo
Resistência à secaMuito alto
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMuito alto
Atrai faunaAlto

O que é a jurema-preta e como reconhecê-la na Caatinga

A jurema-preta é Mimosa tenuiflora, árvore ou arvoreta pioneira que domina capoeiras e áreas degradadas do semiárido. Não é arbusto ornamental delicado: é uma espécie rústica, espinhosa e de casca escura que anuncia solo pobre e histórico de desmatamento ou fogo.

O nome vem da casca. Externa quase preta, grossa e fissurada, contrasta com a casca interna avermelhada, muito rica em tanino. Essa combinação, somada aos espinhos retos de 1 a 3 cm nos ramos jovens e às folhas muito divididas, torna a identificação em campo quase imediata.

  • Tronco: tortuoso, com casca escura e áspera; ramos jovens acinzentados e espinhosos.
  • Folhas: bipinadas, pequenas, com 5 a 10 pares de pinas e folíolos minúsculos de 3 a 6 mm.
  • Flores: em espigas cilíndricas brancas de 4 a 8 cm, sem pétalas vistosas, mas com muitos estames.
  • Frutos: vagens achatadas de 2,5 a 5 cm, que se abrem liberando 4 a 6 sementes achatadas e brilhantes.

Origem e onde vive: por que ela domina o sertão

A espécie é nativa da Caatinga, ocorrendo do Maranhão e Piauí até a Bahia e Minas Gerais, além de populações disjuntas no México e América Central, onde é chamada de tepezcohuite. No Brasil, é mais abundante no Sertão e Agreste, entre 0 e 800 m de altitude.

Ela é pioneira agressiva. Após desmatamento, queimada ou abandono de roçado, a jurema-preta é uma das primeiras a voltar, formando os famosos juremais quase puros. Isso acontece porque fixa nitrogênio no solo, tolera solos rasos e pedregosos e rebrota vigorosamente da cepa.

Na natureza prefere Caatinga arbustiva-arbórea, capoeiras, beira de estradas e pastagens degradadas. Não ocorre em mata úmida, brejos ou solos encharcados. Onde a Caatinga está bem preservada e sombreada, ela perde espaço para espécies de crescimento mais lento.

Tamanho, copa, tronco e raízes: o que esperar

Em geral, a jurema-preta fica entre 4 e 7 metros de altura, com exemplares excepcionais chegando a 8 metros. O diâmetro do tronco raramente passa de 20 a 30 cm. É, portanto, uma árvore pequena a média, de crescimento rápido nos primeiros 2 a 3 anos.

A copa é rala, irregular e pouco densa, com 3 a 5 metros de diâmetro. Não forma sombra fechada como um oiti ou mangueira. A projeção de sombra é leve e filtrada, útil para gado, mas insuficiente para quem busca árvore de sombra urbana.

O sistema radicular é pivotante e profundo, o que explica a resistência extrema à seca. As raízes laterais são pouco agressivas e não costumam levantar calçadas, mas a planta não tolera solo compactado ou encharcado. A madeira é extremamente densa, com densidade de 1,00 a 1,12 g/cm³, mais pesada que a água.

Folhas, floração na seca e frutos

A folhagem é caducifólia: perde quase todas as folhas no auge da seca, de junho a setembro, para economizar água. A rebrota ocorre com as primeiras chuvas, rapidamente.

O grande trunfo ecológico é a floração na seca. De setembro a janeiro, com pico em novembro e dezembro, quando a Caatinga está seca e sem folhas, a jurema-preta se cobre de espigas brancas perfumadas. Cada espiga dura poucos dias, mas a floração escalonada alimenta abelhas nativas, Apis mellifera e outros polinizadores na entressafra.

Os frutos amadurecem de janeiro a abril. São vagens retas, marrom-claras, que estalam ao secar e lançam as sementes a curta distância. As sementes têm dormência tegumentar forte e podem ficar viáveis no solo por anos até uma chuva ou fogo escarificar o tegumento.

Como plantar jurema-preta: semente exige tratamento

A propagação é quase sempre por sementes. Estacas pegam mal. O erro mais comum é plantar a semente dura direto na terra e achar que ela morreu. Sem tratamento, a germinação fica abaixo de 10%.

Faça a quebra de dormência: imersão em água quente a 80 °C por 1 minuto e depois 24 horas em água em temperatura ambiente, ou escarificação manual leve com lixa no lado oposto ao hilo. Com isso, a germinação sobe para 70 a 90% em 7 a 15 dias.

  • Quando plantar: semeie no início das chuvas, de novembro a março no Nordeste. Em viveiro, use sacos de 15 x 25 cm com substrato arenoso.
  • Profundidade: 1 a 2 cm, com solo apenas úmido.
  • Transplante: quando a muda tiver 20 a 30 cm, 60 a 90 dias após a germinação. No campo, espaçamento de 3 x 3 m para recuperação ou 2 x 2 m para cerca viva.
  • Solo: não precisa corrigir. Evite solo argiloso encharcado. Ela prefere pH 5,5 a 7,0 e drenagem excelente.

Como cuidar: rusticidade que dispensa mimos

Depois de pegada, a jurema-preta quase não precisa de cuidados. É árvore para quem quer baixa manutenção e máxima resistência, não para jardim que exige rega diária.

Nos primeiros 3 a 4 meses, irrigue a cada 7 a 10 dias se não chover. Depois disso, dispense rega. Adubação é desnecessária; se quiser acelerar, use apenas esterco curtido na cova. Excesso de nitrogênio ou água favorece fungos e tombamento.

A poda deve ser mínima. Remova apenas galhos secos ou mal posicionados no fim da estação chuvosa. Ela rebroto vigorosamente após corte raso ou fogo, por isso é usada em manejo de talhadia para lenha a cada 5 a 7 anos. Não precisa de tutoramento após o primeiro ano.

Usos no sertão, na apicultura e no ritual

Nenhuma outra árvore da Caatinga é tão multiuso. A madeira é dura, pesada e de alto poder calorífico, considerada uma das melhores lenhas e carvões do Nordeste. Também fornece estacas e mourões extremamente duráveis, resistentes a cupins.

A casca tem 12 a 16% de tanino, já explorado industrialmente para curtume. As folhas e vagens jovens são forragem proteica importante na seca, com 15 a 18% de proteína bruta, embora o consumo excessivo possa causar intoxicação por tanino.

Para apicultura, é estratégica: floresce na seca quando há escassez de flor, garantindo mel claro e pólen. Já no campo cultural, a casca da raiz contém 0,5 a 1,2% de N,N-dimetiltriptamina (DMT) e é base do Vinho da Jurema ou Ajucá, bebida enteógena usada por povos indígenas do Nordeste e em religiões como o Catimbó e a Umbanda. O uso é ritualístico e protegido culturalmente, não recreativo.

Pragas, problemas e como não confundir com jurema-branca

É uma das árvores mais sadias da Caatinga. Pragas são raras. Pode ocorrer cochonilha e lagartas desfolhadoras em mudas, mas sem impacto econômico. O maior problema é o manejo errado: plantar em solo encharcado causa podridão radicular, e plantar muito adensado gera fustes finos e tortuosos.

A confusão mais frequente é com a jurema-branca (Piptadenia stipulacea). Veja as diferenças:

Característica Jurema-preta Jurema-branca
Casca Quase preta, fissurada Cinza-clara, lisa
Espinhos Retos e esparsos Curvos e mais numerosos
Flor Espiga branca cilíndrica Espiga branca mais curta e densa
Folha Folíolos menores (3-6 mm) Folíolos maiores

Cuidado com os espinhos ao manejar mudas e com o pó da casca, que é irritante. Apesar de medicinal na tradição popular, a casca não deve ser usada sem orientação, devido à presença de alcaloides e taninos em alta concentração.

Curiosidades que só quem vive no sertão nota

A jurema-preta é indicadora de área degradada em regeneração. Onde ela domina, o solo já foi desmatado ou queimado. Com o tempo, ela melhora o solo com nitrogênio e matéria orgânica e abre caminho para espécies mais exigentes.

Outro ponto pouco divulgado: a árvore pode florescer duas vezes no mesmo ano se houver veranico seguido de chuva fora de época. E suas sementes, se não forem escarificadas, podem esperar mais de 5 anos no banco de sementes do solo até germinar.

Perguntas frequentes

Jurema-preta dá sombra boa?

Não. A copa é rala e filtrada, com pouca densidade. Serve para sombreamento leve de gado, mas não para sombra densa de quintal ou praça.

Quanto tempo para crescer?

Crescimento rápido: atinge 2 a 3 metros em 12 a 18 meses e porte adulto de 4 a 7 metros em 3 a 5 anos, mesmo em solo pobre.

Como fazer a semente germinar?

É preciso quebrar a dormência. Escarifique levemente com lixa ou mergulhe em água a 80 °C por 1 minuto e deixe 24 horas de molho antes de semear.

Jurema-preta tem espinho?

Sim. Ramos jovens têm espinhos retos de 1 a 3 cm. Adultas ficam menos espinhosas no tronco, mas os ramos novos sempre têm espinhos.

Qual a diferença para jurema-branca?

A jurema-preta tem casca quase preta e fissurada, a jurema-branca tem casca cinza-clara e lisa. São espécies diferentes, com usos e espinhos distintos.

Pode plantar em vaso?

Não é recomendado. É árvore pioneira de raiz pivotante profunda, que precisa de sol pleno e solo bem drenado para se desenvolver.

É tóxica?

Folhas e vagens em excesso podem causar intoxicação em animais por tanino. A casca da raiz contém DMT e só tem uso ritualístico tradicional, não deve ser ingerida sem contexto cultural e orientação.

Você sabia?

1

Tanino de curtume

A casca da jurema-preta tem 12 a 16% de tanino, já usada industrialmente para curtir couro no Nordeste, um dos maiores teores entre as árvores da Caatinga.

2

DMT na raiz

A casca da raiz concentra 0,5 a 1,2% de DMT, princípio ativo do Vinho da Jurema, bebida ritualística indígena preparada há séculos, muito antes do interesse urbano pelo alcaloide.

3

Rebrota após fogo

Mesmo carbonizada, ela rebrota da base e da raiz com vigor. Por isso forma juremais densos após queimadas, estratégia que a torna pioneira imbatível.

4

Mel da seca

Floresce de setembro a janeiro, no auge da seca, quando 80% da Caatinga está sem folhas. É uma das poucas fontes de néctar e pólen para abelhas nesse período crítico.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. Reflora - Herbário Virtual

Prós e contras: Jurema-preta

Prós

  • Extremamente resistente à seca, solo pobre e fogo, ideal para semiárido
  • Crescimento rápido e pioneiro, ótima para recuperação de áreas degradadas
  • Melífera estratégica: floresce na seca quando poucas plantas florescem
  • Madeira densa de alto poder calorífico e estacas muito duráveis
  • Fixa nitrogênio e melhora o solo para outras espécies

Contras

  • Copa rala, não serve para sombra densa ou conforto térmico urbano
  • Tem espinhos nos ramos jovens, exige cuidado no manejo
  • Perde todas as folhas na seca, aspecto seco por meses
  • Não tolera solo encharcado, sombra ou clima úmido e frio prolongado
  • Sementes com dormência forte, precisam de tratamento para germinar
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a jurema-preta é a árvore mais subestimada do Nordeste: pouco ornamental para jardim urbano, mas imbatível para quem precisa de rusticidade, recuperação de solo e florada na seca. É a escolha técnica para Caatinga, não a escolha estética para praça sombreada.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.