🌳 Árvores

Canela-sassafrás

Ocotea odorifera

Atualizado em

20 a 25 m de alturaTamanho
Perene, verde-escura e aromáticaFolhagem
LentoCrescimento
Sol pleno a meia-sombraLuminosidade
+100 anosLongevidade
Árvore adulta de canela-sassafrás na Mata Atlântica com tronco reto e copa densa

A canela-sassafrás (Ocotea odorifera) é uma árvore nativa da Mata Atlântica famosa pelo cheiro intenso de sassafrás que exala da casca, das folhas e da madeira. Foi intensamente explorada no século XX para extração de óleo essencial rico em safrol, usado em perfumaria, química e como fixador.

De grande porte e crescimento lento, pode passar de 20 metros na mata e viver mais de 100 anos. Hoje é espécie ameaçada de extinção, com corte e comércio proibidos por lei, e seu plantio é voltado sobretudo para restauração florestal e conservação.

Também conhecido como: Canela-sassafrás, Sassafrás-brasileiro, Canela-cheirosa, Sassafrás, Ocotea pretiosa (sinônimo)

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes

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Galeria de fotos de Canela-sassafrás

Árvore adulta de canela-sassafrás na Mata Atlântica com tronco reto e copa densa
Canela-sassafrás adulta na Mata Atlântica, onde pode passar de 20 metros.
Folhas e flores pequenas amareladas da canela-sassafrás
Folhas perenes brilhantes e flores pequenas amareladas.
Tronco e casca da canela-sassafrás com fissuras rasas
Casca pardo-acinzentada e aromática, marca da espécie.
Copa densa da canela-sassafrás vista de baixo
Copa perene que garante sombra o ano todo.
Frutos roxos a negros da canela-sassafrás no ramo
Frutos apreciados por aves, com sementes recalcitrantes.
Mudas jovens de canela-sassafrás em viveiro florestal
Mudas de crescimento lento, que exigem meia-sombra no início.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, fazenda ou área de restauração na Mata Atlântica e busca uma árvore nativa de grande porte para sombreamento, enriquecimento florestal e atração de aves. É também uma escolha de valor histórico e ecológico para projetos de conservação e sistemas agroflorestais amplos. Funciona bem para tutores e produtores que têm paciência com crescimento lento e espaço de sobra, com pelo menos 8 metros livres de construções e fiação. Quem planta hoje contribui para a preservação de uma espécie que quase desapareceu.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para calçadas estreitas, quintais pequenos, vasos ou para quem precisa de sombra rápida e copa baixa. O crescimento lento frustra quem espera resultado em um ou dois anos, e a muda jovem exige meia-sombra e irrigação no início. Também não é indicada para quem busca madeira ou óleo essencial para uso próprio, já que o corte e a extração de árvores nativas são proibidos e o safrol é substância controlada. Para áreas urbanas compactas, prefira nativas menores e de crescimento mais rápido.

Cultivo rápido

Luz
Meia-sombra nos 2 primeiros anos, depois sol pleno
Rega
Regular no primeiro ano; depois apenas em estiagens longas
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 5,0 a 6,5
Temperatura
Subtropical a tropical úmido; não tolera geada forte nem seca prolongada
Adubação
Orgânica anual (composto ou esterco curtido) + cobertura morta
Poda
Apenas de formação e limpeza; não tolera podas drásticas
Propagação
Por sementes recém-colhidas; estaquia não é viável comercialmente

Perfil rápido de Canela-sassafrás

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Espécie ameaçada por superexploração histórica para extração de óleo essencial rico em safrol.

População
em declínio
Protegido por
sim

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Coleta de sementesJFMAMJJASOND
Plantio em campoJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta Ombrófila Densa
  • Floresta Ombrófila Mista com araucária
  • Encostas úmidas da Mata Atlântica

Biomas

  • Mata Atlântica

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Laurales
Família
Lauraceae
Gênero
Ocotea
Espécie
Ocotea odorifera

Resumo

  • A canela-sassafrás é uma árvore nativa da Mata Atlântica de grande porte, com 20 a 25 metros e cheiro característico de sassafrás na casca e nas folhas.
  • Foi superexplorada pelo óleo essencial rico em safrol e hoje é espécie vulnerável, com corte proibido por lei federal.
  • De crescimento lento e copa densa, é indicada para restauração florestal e sombreamento em áreas amplas, não para calçadas ou quintais pequenos.

Características

Ficha da árvore

Nome popularCanela-sassafrás
Nome científicoOcotea odorifera (Vell.) Rohwer
Família botânicaLauraceae
OrigemMata Atlântica do Brasil (endêmica)
Tamanho20 a 25 m de altura, 60 a 90 cm de DAP
CopaDensa, arredondada a alongada, 8 a 12 m de diâmetro
FolhagemPerene
CrescimentoLento
LuminosidadeSol pleno a meia-sombra na fase jovem
RegaModerada; solo úmido sem encharcar
SoloProfundo, fértil, bem drenado, levemente ácido
UsosRestauração florestal, sombreamento, conservação
LongevidadeAlta, mais de 100 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoMuito baixo
SombraAlto
Resistência à secaBaixo
Agressividade das raízesMédio
Facilidade de cultivoBaixo
Atrai faunaMuito alto

O que é a canela-sassafrás e por que ela ficou tão famosa?

A canela-sassafrás é uma árvore nativa e endêmica da Mata Atlântica, pertencente à família Lauraceae, a mesma das canelas e do abacateiro. O nome científico aceito hoje é Ocotea odorifera, ainda muito citada como Ocotea pretiosa em livros antigos.

O que a tornou famosa não foi a madeira, e sim o óleo essencial com cheiro adocicado de sassafrás, rico em safrol (70% a 90% do óleo). Entre as décadas de 1940 e 1980, toneladas de casca e madeira foram destiladas para exportação, principalmente para a produção de fragrâncias, inseticidas e como precursor químico. Essa pressão levou a espécie ao colapso.

Hoje a canela-sassafrás é símbolo da exploração excessiva da Mata Atlântica. Entender sua história ajuda a não confundir valor com viabilidade: é uma árvore de alto valor ecológico e histórico, mas de manejo restrito e protegido por lei.

Como identificar a canela-sassafrás sem erro

O jeito mais seguro de reconhecer é pelo cheiro. Amasse uma folha ou raspe levemente a casca: o aroma de sassafrás, adocicado e penetrante, é inconfundível e não aparece com a mesma intensidade em outras canelas da mata.

As folhas são simples, alternas, perenes, verde-escuras e brilhantes na face superior, com 7 a 15 cm de comprimento, lanceoladas a elípticas e com nervura central bem marcada. Quando jovens, têm tom mais claro e textura mais fina.

O tronco é reto, com casca pardo-acinzentada, áspera e com fissuras rasas. Em árvores adultas, o diâmetro pode chegar a 90 cm. A madeira é amarelada a parda, moderadamente pesada e muito aromática, diferente da canela-preta, que tem cheiro mais suave e folhas menores.

Flores são pequenas, amareladas e pouco vistosas, reunidas em panículas. Os frutos são bagas elipsoides, roxas a negras quando maduras, com cerca de 1 a 1,5 cm, muito apreciados por aves. Se não houver cheiro forte, desconfie: pode ser outra Ocotea.

Onde vive e por que está ameaçada de extinção

A canela-sassafrás ocorre naturalmente na Mata Atlântica do Sul e Sudeste, do Rio de Janeiro e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, com maior frequência na Floresta Ombrófila Densa e na Floresta Ombrófila Mista com araucária. Prefere encostas úmidas, solos profundos e clima subtropical a tropical úmido.

Na natureza, é espécie de clímax, que cresce sob sombreamento parcial quando jovem e atinge o dossel quando adulta. Não forma maciços puros, aparece dispersa na mata, o que dificultou ainda mais sua recuperação após o corte seletivo.

Está classificada como Vulnerável (VU) na Lista Vermelha da IUCN e na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas do Brasil. O corte, o transporte e a comercialização são proibidos pela Portaria MMA nº 148/2022 e pela Lei da Mata Atlântica. Só é permitido o manejo de árvores plantadas com comprovação de origem e autorização do órgão ambiental.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar da árvore adulta

Em mata fechada, a canela-sassafrás atinge 20 a 25 metros de altura, podendo excepcionalmente chegar a 30 metros em condições ideais. O DAP (diâmetro à altura do peito) fica entre 60 e 90 cm em exemplares centenários.

A copa é densa, arredondada a elíptica, com 8 a 12 metros de diâmetro, que proporciona sombra média a densa. Como mantém as folhas o ano todo, oferece cobertura constante, útil para sombreamento de pasto e para enriquecimento de capoeiras.

As raízes são pivotantes e bem ancoradas, com agressividade moderada. Não são tão superficiais e quebradoras de calçada quanto as de figueiras ou sibipirunas, mas não é indicada para calçadas estreitas, sob fiação ou a menos de 6 metros de construções. Precisa de espaço para se desenvolver sem podas drásticas.

Como plantar canela-sassafrás: sementes, clima e época

A propagação é quase exclusivamente por sementes, que são recalcitrantes: perdem a viabilidade em poucas semanas se secarem. O ideal é semear logo após a coleta, entre março e junho, quando os frutos amadurecem.

Limpe a polpa, deixe as sementes à sombra por um dia e semeie em sacos com substrato rico em matéria orgânica, mantendo 50% de sombreamento. A germinação ocorre em 30 a 60 dias, com taxa variável. Mudas demoram para ganhar altura e só vão a campo com 30 a 50 cm, após 8 a 12 meses de viveiro.

No campo, plante no início da estação chuvosa (outubro a dezembro) em berços de 40 x 40 x 40 cm, com adubação orgânica. Em áreas abertas, use plantio em linhas com espécies pioneiras para sombreamento lateral nos dois primeiros anos. O clima ideal é subtropical úmido a tropical de altitude, sem geadas fortes nem seca prolongada.

Como cuidar: luz, rega, solo e ritmo de crescimento

Nos primeiros dois anos, a muda prefere meia-sombra e solo constantemente úmido, mas nunca encharcado. Depois de estabelecida, tolera sol pleno e fica mais rústica, porém o crescimento continua lento: de 30 a 50 cm por ano em média.

O solo deve ser profundo, fértil, bem drenado e levemente ácido (pH 5,0 a 6,5), rico em matéria orgânica. Em solos pobres ou compactados, o desenvolvimento trava e as folhas amarelam. Cobertura morta ajuda a manter a umidade e a microbiota.

Adubação anual com composto orgânico ou NPK formulado para nativas é suficiente. Podas são mínimas, apenas de formação e de galhos secos; podas severas descaracterizam a copa e atrasam o crescimento. Não é uma árvore para quem busca resultado rápido.

Usos da madeira e do óleo de sassafrás: o que é permitido hoje

A madeira da canela-sassafrás é aromática, de boa durabilidade natural e fácil de trabalhar, já usada para móveis, lambris, instrumentos e caixotaria. O óleo essencial, com alto teor de safrol, foi usado como fragrância, fixador e precursor na indústria química.

Hoje, qualquer uso de madeira nativa é ilegal sem origem plantada e licenciada. O safrol também é substância controlada pela Polícia Federal, por ser precursor de drogas sintéticas, o que restringiu ainda mais a destilação. Na prática, o uso atual é ecológico: restauração, enriquecimento de reservas legais, sistemas agroflorestais e arborização de grandes áreas rurais.

Para quem busca óleo essencial de forma legal e sustentável, a alternativa são espécies cultivadas como o pimenta-longa e outras fontes de safrol plantadas, não a extração da canela-sassafrás nativa.

Pragas, doenças e problemas mais comuns

Por ser Lauraceae, pode sofrer com brocas de tronco e coleobrocas em árvores estressadas por seca ou solo compactado. Lagartas desfolhadoras e cochonilhas aparecem em mudas de viveiro, mas raramente matam a planta.

O maior problema é fungo de solo (podridão de raízes) em áreas encharcadas. Evite plantar em baixadas com lençol freático alto ou onde a água empoça. Folhas amareladas e queda fora de época geralmente indicam falta de nutrientes ou excesso de sol em mudas jovens.

Como atrai muita fauna, os frutos podem ser consumidos rapidamente por aves antes da coleta. Se for coletar sementes, monitore a maturação e colha assim que ficarem roxo-escuras.

Curiosidades e confusões com outras canelas

Muita gente confunde canela-sassafrás com canela-preta (Ocotea catharinensis), canela-amarela (Nectandra spp.) ou sassafrás norte-americano (Sassafras albidum). São famílias próximas, mas espécies diferentes. O sassafrás norte-americano, por exemplo, tem folhas que podem ser trilobadas, o que nunca ocorre na canela-sassafrás brasileira.

Outro erro comum é achar que toda canela cheirosa é sassafrás. O teste do cheiro ajuda, mas a confirmação depende de folhas, frutos e casca juntos. Em caso de dúvida para restauração, peça identificação a um viveiro de nativas credenciado.

Característica Canela-sassafrás Canela-preta
Cheiro ao amassar a folha Forte, adocicado, de sassafrás Suave, canelado
Folha Maior, 7 a 15 cm, brilhante Menor, mais estreita e opaca
Fruto Baga roxa a negra, 1 a 1,5 cm Baga menor, mais arredondada
Status legal Vulnerável, corte proibido Também ameaçada, corte restrito

Na nossa avaliação, a canela-sassafrás não é árvore para paisagismo apressado. É uma escolha de longo prazo, para quem valoriza conservação e quer deixar um legado florestal, não sombra para o próximo verão.

Perguntas frequentes

Canela-sassafrás pode ser cortada?

Não. O corte de árvores nativas de canela-sassafrás é proibido por lei federal por ser espécie vulnerável. Só é permitido o manejo de árvores comprovadamente plantadas e com autorização ambiental.

Para que serve a canela-sassafrás?

Historicamente serviu para extração de óleo essencial rico em safrol e madeira aromática. Hoje seu uso principal é ecológico: restauração florestal, sombreamento rural e atração de fauna.

Qual a diferença entre canela-sassafrás e sassafrás americano?

São espécies diferentes. A brasileira é Ocotea odorifera, da Mata Atlântica, com folhas lanceoladas. A americana é Sassafras albidum, com folhas que podem ter três lobos e ocorre na América do Norte.

Como plantar canela-sassafrás a partir da semente?

Colete frutos roxo-escuros entre março e junho, limpe a polpa e semeie imediatamente em substrato úmido com meia-sombra. A germinação leva 30 a 60 dias e as mudas vão a campo com 30 a 50 cm.

Canela-sassafrás cresce rápido?

Não. O crescimento é lento, cerca de 30 a 50 cm por ano, e a árvore demora anos para formar copa densa. É indicada para quem planeja a longo prazo.

Pode plantar canela-sassafrás na calçada?

Não é recomendado. É árvore grande, de 20 a 25 metros, que precisa de espaço e não tolera podas drásticas nem fiação baixa. Prefira espécies de pequeno porte para calçadas.

Você sabia?

1

Óleo com até 90% de safrol

O óleo essencial da casca e da madeira pode conter de 70% a 90% de safrol, um dos teores mais altos entre as Lauraceae brasileiras, motivo da superexploração para exportação.

2

Cheiro que entregava a árvore na mata

Mateiros antigos localizavam a canela-sassafrás pelo cheiro que exalava ao bater o facão no tronco, mesmo sem ver as folhas, tamanha a intensidade do aroma.

3

Sementes que não podem esperar

As sementes são recalcitrantes e perdem o poder germinativo em poucas semanas se desidratadas, por isso precisam ser semeadas quase imediatamente após a coleta.

4

Confundida com o sassafrás americano

Apesar do nome parecido, o sassafrás dos Estados Unidos (Sassafras albidum) é outra espécie, com folhas que podem ter três lobos, característica que nunca ocorre na canela-sassafrás brasileira.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List of Threatened Species

Prós e contras: Canela-sassafrás

Prós

  • Alta longevidade e valor ecológico para a Mata Atlântica
  • Copa perene e densa que atrai aves e polinizadores
  • Madeira e óleo historicamente nobres e muito aromáticos
  • Ótima para restauração florestal e sombreamento rural
  • Espécie emblemática para projetos de conservação

Contras

  • Crescimento lento, sem sombra rápida
  • Corte e comércio proibidos por ser vulnerável
  • Sementes recalcitrantes com baixa janela de plantio
  • Exige solo profundo, fértil e bem drenado
  • Não serve para vasos, calçadas estreitas ou quintais pequenos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a canela-sassafrás é uma das nativas mais emblemáticas da Mata Atlântica, mas seu lugar hoje é na restauração e na conservação, não no paisagismo urbano rápido. Plantar é um gesto de longo prazo que compensa em biodiversidade, não em imediatismo.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.