🦜 Aves e Pássaros

Sangue-de-boi

Ramphocelus bresilius

Atualizado em

18 a 19 cmTamanho
28 a 35,5 gPeso
10 a 12 anosExpectativa de vida
Curto e metálicoCanto
Mata Atlântica e restingaHabitat
Sangue-de-boi macho adulto com plumagem vermelha intensa e asas pretas pousado em galho

O sangue-de-boi (Ramphocelus bresilius) é um dos pássaros mais chamativos do Brasil. O macho adulto é vermelho-vivo com asas e cauda pretas, enquanto a fêmea é marrom-acinzentada com ventre avermelhado, um dimorfismo que confunde muita gente no campo.

Endêmico da Mata Atlântica, vive da Paraíba a Santa Catarina em bordas de mata, restingas e até quintais arborizados. É frugívoro, barulhento e anda sempre em bando, o que torna fácil observá-lo quando aprende a reconhecer seu canto curto e metálico.

Também conhecido como: Tiê-sangue, Tiê-de-bando, Sangue-de-boi-de-bando, Brazilian Tanager (inglês), Tangara du Brésil (francês)

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Galeria de fotos de Sangue-de-boi

Sangue-de-boi macho adulto com plumagem vermelha intensa e asas pretas pousado em galho
Macho adulto de sangue-de-boi com o vermelho característico e contraste preto.
Close do rosto e bico do sangue-de-boi mostrando base clara da mandíbula
Detalhe do bico com base esbranquiçada, marca distintiva da espécie.
Fêmea de sangue-de-boi com plumagem parda e ventre avermelhado
Fêmea de sangue-de-boi, bem diferente do macho vermelho e preto.
Sangue-de-boi em voo com asas abertas sobre vegetação de restinga
Sangue-de-boi em voo curto entre arbustos.
Sangue-de-boi se alimentando de frutos em árvore da Mata Atlântica
Alimentação frugívora, essencial para dispersão de sementes.
Ninho em forma de taça do sangue-de-boi com ovos azul-esverdeados manchados
Ninho em taça com ovos azul-esverdeados, escondido em arbusto denso.

Perfil rápido de Sangue-de-boi

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie endêmica com população estável e ampla distribuição no litoral atlântico.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegida pela Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67 e Lei 9.605/98)

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Muda de penasJFMAMJJASOND
Maior atividade de bandosJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
10 a 12 anos
Em cativeiro autorizado
Até 15 anos com manejo adequado
Maturidade sexual
12 a 15 meses

Reprodução

Sistema
Monogâmico sazonal, em casal territorial
Época
Outubro a fevereiro, pico em novembro-janeiro
Ninho
Taça de fibras vegetais a 1,5-4 m do solo em arbusto denso
Ovos
2 a 3 ovos azul-esverdeados com manchas escuras
Incubação
12 a 13 dias, feita pela fêmea
Filhotes no ninho
13 a 15 dias, alimentados por ambos os pais

Habitat

Ambientes

  • Bordas de mata
  • Restingas e manguezais
  • Capoeiras e matas secundárias
  • Pomares, quintais e parques urbanos arborizados

Biomas

  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Frutos carnosos (embaúba, pitanga, banana, goiaba, coquinhos)

Outros alimentos

  • Insetos e lagartas
  • Aranhas
  • Néctar

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não indicada; ave silvestre não domesticada
Legalidade no Brasil
Protegida por lei; captura e comércio sem autorização do IBAMA são crime ambiental
Criação legal
Apenas em criadouros autorizados com anilha e nota; oferta praticamente inexistente
Nível de cuidado
Alto: exige viveiro grande, dieta frugívora variada e vida em bando

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Thraupidae
Gênero
Ramphocelus
Espécie
Ramphocelus bresilius (Linnaeus, 1766)

Resumo

  • O sangue-de-boi é um tiê endêmico da Mata Atlântica, com macho vermelho e preto e fêmea parda, medindo cerca de 19 cm.
  • Vive em bandos barulhentos em bordas de mata, restingas e áreas urbanas arborizadas, alimentando-se principalmente de frutos e pequenos insetos.
  • Não pode ser criado como pet sem autorização: sua captura na natureza é crime ambiental e a espécie é protegida por lei.

Características

Ficha da espécie

FamíliaThraupidae
Origem e distribuiçãoEndêmica do Brasil, da Paraíba ao Rio Grande do Sul
HabitatMata Atlântica, restinga, capoeira e parques urbanos
Tamanho18 a 19 cm de comprimento
Envergadura25 a 28 cm (aprox.)
Peso28 a 35,5 g
CoresMacho: vermelhopretoFêmea: marromcinzavermelho-claroBico: preto com base branca-azulada
Expectativa de vida10 a 12 anos na natureza
AlimentaçãoFrugívora (frutos, coquinhos) e insetívora eventual
CantoChamado curto, agudo e metálico, em série repetida
ReproduçãoNinho em forma de taça; 2 a 3 ovos azul-esverdeados com manchas escuras
Comportamento socialVive em bandos de 6 a 12 indivíduos, frequentemente em bandos mistos
Variedades ou subespécies2: R. b. bresilius e R. b. dorsalis

Perfil e comportamento

SociabilidadeAlto
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o sangue-de-boi: cores, tamanho e bico

O sangue-de-boi é inconfundível quando o macho adulto está à vista. Ele tem corpo vermelho-sangue intenso, asas e cauda pretas bem contrastantes e mede entre 18 e 19 cm, pesando de 28 a 35,5 g.

A fêmea é completamente diferente. Tem dorso marrom-acinzentado, ventre avermelhado apagado e cauda pardo-escura. Juvenis e machos imaturos se parecem com a fêmea, o que gera muita confusão na identificação.

O detalhe que entrega a espécie de perto é o bico cônico preto com a mandíbula inferior esbranquiçada a azulada e base branca bem visível. As pernas são escuras e os olhos são avermelhados nos machos adultos.

Macho, fêmea e jovem: não confunda

Machos só adquirem o vermelho total após a primeira muda completa, com cerca de 12 a 15 meses. Antes disso, apresentam manchas vermelhas irregulares sobre fundo pardo.

Fêmeas e jovens podem ser confundidos com o tiê-preto fêmea, mas o sangue-de-boi tem tom mais avermelhado no peito e bico com base clara, enquanto o tiê-preto tem bico totalmente escuro.

Onde vive o sangue-de-boi no Brasil

É uma ave endêmica da Mata Atlântica. Ocorre de forma contínua do sudeste da Paraíba e Pernambuco até Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul, sempre na faixa litorânea e encostas até cerca de 800 m de altitude.

Prefere bordas de mata, capoeiras, restingas, manguezais, plantações de cacau e quintais com fruteiras. Diferente de muitos tiês florestais, tolera bem áreas alteradas, desde que haja árvores frutíferas e arbustos densos para nidificar.

É sedentária e territorial. Não migra, mas faz deslocamentos curtos em busca de frutificação. Em cidades como Rio de Janeiro, Ubatuba e Ilhéus é comum em parques urbanos, o que facilita a observação.

As duas subespécies

Subespécie Distribuição Traço distintivo
R. b. bresilius Do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro Vermelho mais fechado, dorso com menos preto
R. b. dorsalis Do Rio de Janeiro a Santa Catarina Macho com mancha preta mais extensa no dorso

Na zona de contato no Rio de Janeiro há indivíduos intermediários, o que mostra que a separação é sutil e baseada principalmente na extensão do preto dorsal do macho.

O que o sangue-de-boi come na natureza

É essencialmente frugívoro. Cerca de 80% da dieta são frutos carnosos, sobretudo de embaúba, aroeira, pitanga, banana, mamão, goiaba e coquinhos de palmeiras como jerivá.

Complementa com pequenos insetos, lagartas, aranhas e néctar, especialmente na época de criação dos filhotes, quando precisa de proteína. Costuma forragear em arbustos de 2 a 8 m de altura, raramente no chão.

Tem papel ecológico importante como dispersor de sementes. Ao engolir frutos inteiros e regurgitar ou defecar as sementes longe da planta-mãe, ajuda na regeneração da Mata Atlântica.

Em comedouros, aparece com facilidade se houver banana madura e mamão. Chega em grupo, come rápido e vocaliza bastante, expulsando saíras menores.

Canto, comportamento e vida em bando

O sangue-de-boi é altamente social. Vive em bandos de 6 a 12 indivíduos que se mantêm juntos o ano todo, com hierarquia leve liderada por machos mais velhos e coloridos.

O canto não é melodioso como o de um sabiá. É um chamado curto, agudo e metálico, tipo “tchlip-tchlip-tchlip”, repetido em séries, além de um trinado áspero usado em disputa territorial. O macho canta do topo de arbustos para marcar território.

Participa com frequência de bandos mistos com saíra-amarela, saíra-azul e tiê-preto. Essa associação aumenta a proteção contra predadores e a eficiência para achar fruteiras.

É ativo e inquieto, com voo curto e ondulado entre arbustos. Toma banho com frequência em folhas molhadas e poças, e passa muito tempo se alisando em poleiros expostos ao sol da manhã.

Reprodução, ninhos e filhotes

A estação reprodutiva vai de outubro a fevereiro, no auge das chuvas e da oferta de frutos. É monogâmico na temporada, mas o vínculo do casal pode se desfazer após a criação dos filhotes.

O ninho é uma taça rasa e bem acabada, feita pela fêmea com fibras vegetais, raízes finas e folhas secas, forrada com material macio. Fica a 1,5 a 4 m do solo, em arbusto denso ou emaranhado de cipós, bem escondido.

A postura é de 2 a 3 ovos azul-esverdeados com manchas marrons e pretas concentradas na ponta maior. A incubação dura 12 a 13 dias e é feita só pela fêmea, enquanto o macho defende o território e traz alimento.

Os filhotes nascem com penugem rala e ficam no ninho por 13 a 15 dias. Ambos os pais alimentam, e mesmo após saírem do ninho, os jovens seguem o bando por semanas aprendendo onde frutificar. Em anos bons, o casal faz duas ninhadas por estação.

É migratória? Movimentos e ciclo anual

O sangue-de-boi não é ave migratória. É residente o ano todo em sua área de ocorrência, segundo dados do CBRO e WikiAves.

O que ocorre são movimentos locais e altitudinais curtos acompanhando a frutificação. Quando uma área fica sem frutos, o bando se desloca alguns quilômetros até outra capoeira ou restinga produtiva.

Após a reprodução, entre março e setembro, os bandos ficam maiores e mais silenciosos, dedicados à muda de penas. É o período em que machos com plumagem manchada são mais vistos, pois estão trocando as penas.

Pode ter sangue-de-boi em casa? Legalidade e cuidados

Não. A criação de sangue-de-boi capturado na natureza é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98. Por ser silvestre e endêmica, sua captura, transporte e comércio sem autorização são ilegais e geram multa e apreensão.

A única forma legal seria por meio de criadouro comercial ou conservacionista autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com ave anilhada e nota fiscal. Na prática, não há criadouros regularizados oferecendo a espécie, pois ela não é domesticada como calopsita ou canário.

Manter em gaiola traz problemas sérios: dieta frugívora muito específica, necessidade de viveiro grande e arborizado, estresse alto em isolamento e canto pouco valorizado para criação. A melhor forma de ter contato é atrair bandos livres com fruteiras nativas e comedouros e observar na natureza.

Se encontrar filhote caído ou ave ferida, não tente criar. Acione o órgão ambiental local ou CETAS para reabilitação e soltura.

Conservação e ameaças na Mata Atlântica

Globalmente é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população considerada estável. Isso se deve à adaptabilidade a ambientes alterados e à ampla distribuição litorânea.

Localmente, sofre com desmatamento da Mata Atlântica, captura ilegal para gaiola e uso de agrotóxicos que reduzem frutos e insetos. Em áreas muito urbanizadas sem corredores verdes, os bandos ficam isolados.

Por outro lado, é uma das aves que mais se beneficia de restauração com fruteiras nativas e quintais agroflorestais. Plantar embaúba, pitanga, araçá e palmeiras nativas em sítios e praças ajuda diretamente na manutenção da espécie.

Observar e registrar no WikiAves ou eBird, sem alimentar com pão ou oferecer gaiolas, é a forma mais útil de contribuir para o monitoramento.

Perguntas frequentes

Sangue-de-boi e tiê-sangue são a mesma ave?

Sim. Tiê-sangue é o nome mais usado na ornitologia, e sangue-de-boi é o nome popular mais conhecido no Sudeste. Ambos se referem a Ramphocelus bresilius.

Qual a diferença entre macho e fêmea?

O macho adulto é vermelho-vivo com asas e cauda pretas. A fêmea é marrom-acinzentada com barriga avermelhada clara e sem o preto contrastante.

Onde encontrar sangue-de-boi no Brasil?

Em toda a faixa da Mata Atlântica litorânea, da Paraíba ao Rio Grande do Sul, em bordas de mata, restingas, capoeiras e parques urbanos com fruteiras.

O sangue-de-boi canta bem?

Não tem canto melodioso. Emite chamados curtos, agudos e metálicos repetidos, usados para contato do bando e defesa de território.

O que ele come?

Principalmente frutos como embaúba, pitanga, banana e coquinhos, além de pequenos insetos e néctar na época de filhotes.

Pode criar sangue-de-boi em gaiola?

Não. É ave silvestre protegida por lei e sua captura é crime ambiental. Só seria legal com ave de criadouro autorizado pelo IBAMA, o que na prática não existe para a espécie.

Está ameaçado de extinção?

Não globalmente. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas depende da conservação da Mata Atlântica localmente.

Você sabia?

1

Bico com “batom” branco

A base esbranquiçada da mandíbula inferior não é sujeira: é a coloração natural da espécie e fica mais evidente nos machos adultos, servindo para identificação a distância.

2

Demora para ficar vermelho

Machos nascem pardos como as fêmeas e só ficam totalmente vermelhos e pretos após mais de um ano, passando por uma fase malhada que muitos confundem com outra espécie.

3

Símbolo da Mata Atlântica

É considerado uma das aves-símbolo da Mata Atlântica e já foi homenageado em selos e ilustrações científicas do século XIX por ser endêmico e exclusivo do litoral brasileiro.

4

Líder de bando misto

Frequentemente lidera bandos mistos com saíras e sanhaços, dando o alarme com seu chamado metálico quando há gaviões por perto, beneficiando todo o grupo.

Fontes

  1. IUCN Red List - Ramphocelus bresilius
  2. WikiAves - Sangue-de-boi
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Sangue-de-boi

Prós

  • Macho extremamente vistoso e fácil de identificar
  • Adapta-se a áreas alteradas e pode ser visto em quintais e parques
  • Vive em bandos, ótimo para observação e fotografia
  • Importante dispersor de sementes da Mata Atlântica
  • Canto de contato fácil de aprender para iniciantes

Contras

  • Fêmea e jovens pardos confundem iniciantes
  • Canto curto e metálico, sem valor melódico
  • Não pode ser criado legalmente como pet
  • Depende de oferta contínua de frutos nativos
  • Pode ser alvo de captura ilegal para gaiola
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o sangue-de-boi é a melhor porta de entrada para quem quer começar a observar aves na Mata Atlântica: é comum, barulhento e inconfundível, mas ainda exige mata preservada para se manter. Valorizá-lo livre, com fruteiras nativas no quintal, é muito mais interessante do que qualquer tentativa de gaiola, que só apaga seu comportamento social mais bonito.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.