🦜 Aves e Pássaros

Saíra-douradinha

Stilpnia cyanoventris

Atualizado em

13 a 14 cmTamanho
12 a 17 gPeso
8 a 12 anosExpectativa de vida
Fino, agudo e curtoCanto
Mata Atlântica e bordasHabitat
Saíra-douradinha empoleirada em galho fino mostrando ventre azul e bordas douradas das asas

A saíra-douradinha (Stilpnia cyanoventris, sin. Tangara cyanoventris) é um pássaro endêmico do Brasil e um dos mais elegantes da família Thraupidae. Com cerca de 13 a 14 cm, chama atenção pelo contraste entre o azul do ventre, o verde do dorso e as bordas douradas das asas que lhe dão o nome.

Vive quase exclusivamente na Mata Atlântica do Sudeste e Sul, de bordas de mata a quintais arborizados, quase sempre em pequenos bandos e frequentemente em bandos mistos com outras saíras. É frugívora e insetívora, tem canto fino e agudo e é facilmente observada quando visita frutíferas como embaúba e pitanga.

Não é ave de gaiola e sua captura na natureza é crime ambiental. Na natureza é considerada Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas depende diretamente da conservação da Mata Atlântica para manter populações estáveis.

Também conhecido como: Saíra-dourada, Gilt-edged Tanager (inglês), Tangará-de-dorso-dourado

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Galeria de fotos de Saíra-douradinha

Saíra-douradinha empoleirada em galho fino mostrando ventre azul e bordas douradas das asas
Saíra-douradinha adulta em poleiro, com destaque para as bordas douradas das asas.
Close-up da cabeça e bico da saíra-douradinha
Detalhe da cabeça e do bico curto e preto da saíra-douradinha.
Saíra-douradinha em voo com asas abertas
Saíra-douradinha em voo exibindo o padrão dourado das asas.
Saíra-douradinha se alimentando de frutos de embaúba na Mata Atlântica
Alimentação com frutos nativos, base da dieta da espécie.
Bando misto de saíras na copa da Mata Atlântica com saíra-douradinha
Bando misto no dossel, comportamento social típico da espécie.
Ninho em forma de taça da saíra-douradinha com ovos
Ninho em taça com ovos esbranquiçados e manchados.

Perfil rápido de Saíra-douradinha

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População estável com distribuição ampla na Mata Atlântica.

População
estável
Protegido por
Sim, protegida por lei federal contra captura e comércio ilegal

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
8 a 12 anos; alta atividade diurna no dossel
Em cativeiro
Não se aplica (espécie silvestre não domesticada)

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal com defesa de território ao redor do ninho
Estrutura social
Casal reprodutor; fora da época vive em bandos pequenos
Padrão sazonal
Primavera e verão (setembro a fevereiro)
Tipo de nascimento
Ovíparo
Ninhada
2 a 3 ovos; incubação 13 a 14 dias; filhotes deixam o ninho com 14 a 16 dias

Habitat

Ambientes

  • bordas de mata
  • capoeiras e matas secundárias
  • restingas
  • parques e quintais arborizados
  • plantações com frutíferas nativas

Biomas

  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • frutos pequenos e carnosos

Outros alimentos

  • insetos
  • aranhas
  • néctar

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Como animal de estimação

Adequação
Não é ave de estimação
Legalidade no Brasil
Criação e comércio sem autorização do IBAMA são crime ambiental; não há plantel pet legal
Nível de cuidado
Não se aplica; manejo apenas em criadouros conservacionistas autorizados
Observação responsável
Atraia com frutíferas nativas e água; não capture nem use gaiolas

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Thraupidae
Gênero
Stilpnia
Espécie
Stilpnia cyanoventris

Resumo

  • A saíra-douradinha é um pássaro endêmico da Mata Atlântica com 13 a 14 cm, ventre azul e bordas douradas nas asas.
  • Vive em bordas de mata, capoeiras e áreas urbanas arborizadas, em bandos pequenos e bandos mistos, alimentando-se de frutos, néctar e insetos.
  • Não pode ser criada como pet sem autorização e tem status Pouco Preocupante (LC), mas sofre com desmatamento e fragmentação do habitat.

Características

Ficha da espécie

FamíliaThraupidae
Origem e distribuiçãoEndêmica do Brasil (Mata Atlântica do Sudeste e Sul, da Bahia ao Rio Grande do Sul)
HabitatBordas de mata, capoeira, restinga, parques e quintais arborizados, até 1.200 m de altitude
Tamanho (comprimento)13 a 14 cm
Envergadura19 a 21 cm
Peso12 a 17 g
Coresazulverdedouradoamarelopretocinza
Expectativa de vida8 a 12 anos na natureza
AlimentaçãoFrugívora e insetívora (frutos, néctar e pequenos artrópodes)
CantoSequência aguda e fina do tipo tsi-tsi-tsi-tsiu
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em taça; 2 a 3 ovos esbranquiçados com manchas escuras; incubação 13 a 14 dias
Comportamento socialVive em casais ou bandos de 3 a 8 indivíduos, comum em bandos mistos
Variedades ou subespéciesMonotípica (sem subespécies reconhecidas)

Perfil e comportamento

SociabilidadeAlto
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a saíra-douradinha sem confundir

A saíra-douradinha tem 13 a 14 cm e 12 a 17 g, porte pequeno e bico curto e preto, típico de saíras frugívoras. O que realmente a distingue são as bordas dourado-amareladas nas coberteiras das asas, que formam uma faixa luminosa sobre o dorso verde.

O macho apresenta ventre azul-turquesa intenso, dorso verde-oliva e cabeça com tons azulados. A fêmea é muito parecida, porém com cores mais opacas e menos brilho dourado. Não há dimorfismo gritante, o que confunde iniciantes.

A confusão mais comum é com a saíra-sete-cores (Tangara seledon) e a saíra-azul (Dacnis cayana). A sete-cores tem cabeça verde-turquesa e peito azul com mancha laranja, sem a faixa dourada contínua. A saíra-azul é mais esguia, de bico mais fino e sem o dourado nas asas.

Onde vive e por que só ocorre no Brasil

É endêmica da Mata Atlântica. Ocorre da sul da Bahia e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, passando por Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Há registros pontuais no interior de Goiás e Mato Grosso do Sul, sempre associados a matas úmidas.

Prefere bordas de mata, capoeiras em regeneração, restingas e áreas urbanas bem arborizadas. Raramente entra em mata fechada e escura, preferindo o dossel e o subdossel iluminado. Em cidades como Ubatuba, Paraty e Florianópolis, visita comedouros se houver frutíferas nativas por perto.

Vive do nível do mar até cerca de 1.200 m de altitude, sendo mais comum entre 300 e 900 m. É residente o ano todo, sem migração de longa distância, mas pode fazer deslocamentos curtos em busca de frutificação.

O que come na mata e no quintal

A base da dieta é fruto pequeno e carnoso. Consome embaúba (Cecropia), pitanga, jabuticaba, morango-silvestre, frutos de Melastomataceae e de figueiras. Complementa com néctar e pequenos insetos capturados em folhagens.

Forrageia de forma ativa, virando folhas e sondando ramos finos no alto das copas. Em bandos mistos, aproveita insetos espantados por outras aves. Essa estratégia explica por que aparece tanto em árvores frutificando em sequência.

  • Frutos: 60 a 70% da dieta, principalmente nativos de Mata Atlântica
  • Insetos e aranhas: larvas, besouros pequenos e aranhas, importantes na época de filhotes
  • Néctar: flores de ingá e quaresmeira, lambido com a língua em pincel

Em quintais, visita comedouros apenas se houver fruta in natura como mamão, banana e goiaba. Não deve receber alimento industrializado, açúcar ou pão.

Canto, comportamento social e bandos mistos

O canto é fino, agudo e pouco potente, descrito como um tsi-tsi-tsi-tsiu acelerado. Serve mais para contato entre o casal e o bando do que para exibição a longa distância. O chamado de alarme é um tsik curto e metálico.

É altamente social. Vive em casais na época reprodutiva e em grupos de 3 a 8 indivíduos fora dela. Quase sempre está associada a bandos mistos com saíra-amarela, saíra-sete-cores, sanhaços e saís. Essa associação aumenta a proteção contra predadores e a eficiência para achar alimento.

Tem nível de atividade muito alto. Passa o dia se deslocando entre copas, raramente fica parada. É curiosa mas arisca com humanos, mantendo distância mesmo quando se alimenta perto de casas.

Reprodução: ninho, ovos e cuidado com os filhotes

A estação reprodutiva vai de setembro a fevereiro, com pico entre outubro e dezembro, coincidindo com maior oferta de frutos e insetos. É monogâmica e territorial apenas no entorno imediato do ninho.

O ninho é uma taça bem tecida com fibras vegetais, musgo e teias de aranha, geralmente a 3 a 8 m de altura em forquilha de árvore. A fêmea constrói com ajuda do macho, que defende o território e traz material.

A postura é de 2 a 3 ovos esbranquiçados com manchas marrons e lilases concentradas na extremidade maior. A incubação dura 13 a 14 dias, feita principalmente pela fêmea. Os filhotes nascem com penugem rala e ficam no ninho por cerca de 14 a 16 dias, alimentados por ambos os pais com frutos macerados e insetos.

Ela migra? Movimentos ao longo do ano

Não é considerada migratória. É residente e sedentária em grande parte da distribuição. O que ocorre são movimentos altitudinais e locais seguindo a frutificação.

Em regiões serranas, pode descer para baixadas no inverno quando faltam frutos no alto. Em áreas urbanas, torna-se mais visível na primavera, quando árvores como embaúba e pitangueira frutificam.

Para observadores, isso significa que pode ser encontrada o ano todo no mesmo fragmento, mas com abundância variável mês a mês. Manter frutíferas nativas com frutificação escalonada ajuda a fixar o bando.

Pode criar em casa? O que diz a lei brasileira

Não. A saíra-douradinha é ave silvestre nativa protegida por lei. Capturar, manter em gaiola ou comercializar indivíduos retirados da natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98).

A criação só seria possível com autorização do IBAMA e de órgãos estaduais, em criadouros conservacionistas ou científicos registrados, o que não se aplica à criação doméstica. Não existe plantel legal para venda como pet, ao contrário de calopsita ou canário.

Na nossa avaliação, a melhor forma de conviver com a espécie é atraí-la livre: plantar nativas, oferecer água limpa e evitar agrotóxicos. Observar um bando livre no dossel tem valor muito maior do que qualquer tentativa de gaiola, que além de ilegal, causa estresse extremo e alta mortalidade.

Estado de conservação e ameaças reais

É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN/BirdLife, com população considerada estável e distribuição relativamente ampla dentro da Mata Atlântica. Isso não significa ausência de risco.

As ameaças principais são desmatamento, fragmentação e perda de conectividade entre fragmentos. Como depende de frutos de mata e de bordas bem estruturadas, o isolamento de pequenos capões reduz a oferta alimentar ao longo do ano.

Outros fatores são captura ilegal para tráfico de aves silvestres e uso de agrotóxicos que eliminam insetos. Medidas eficazes incluem restauração com espécies frutíferas nativas, corredores ecológicos e fiscalização. Onde a mata se recupera, a espécie costuma ser uma das primeiras saíras a retornar.

Como observar e fotografar sem atrapalhar

Procure por árvores frutificando no dossel entre 6h e 9h da manhã. Fique parado próximo a embaúbas ou figueiras e espere o bando misto passar. O dourado das asas brilha ao sol e facilita a identificação mesmo a distância.

Use binóculo 8×42 e evite playback excessivo do canto, que estressa e afasta o grupo. Se for fotografar, mantenha distância mínima de 10 m do ninho e nunca pode árvores ou afaste folhas para expor ovos e filhotes.

Registrar no WikiAves ou eBird ajuda no monitoramento da distribuição. Anote data, local, altitude e comportamento, especialmente se observar alimentação de filhotes ou participação em bando misto.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho da saíra-douradinha?

Mede 13 a 14 cm de comprimento e pesa de 12 a 17 g, com envergadura de 19 a 21 cm.

Onde a saíra-douradinha vive no Brasil?

É endêmica da Mata Atlântica, da Bahia ao Rio Grande do Sul, em bordas de mata, capoeiras, restingas e áreas urbanas arborizadas.

O que a saíra-douradinha come?

Principalmente frutos pequenos como embaúba, pitanga e jabuticaba, além de néctar e pequenos insetos e aranhas.

Pode criar saíra-douradinha em gaiola?

Não. É ave silvestre nativa e sua captura ou manutenção sem autorização do IBAMA é crime ambiental.

Como diferenciar da saíra-sete-cores?

A douradinha tem ventre azul uniforme e faixa dourada contínua nas asas; a sete-cores tem cabeça verde-turquesa, peito azul e mancha laranja no dorso.

Ela está ameaçada de extinção?

Não. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas depende da conservação da Mata Atlântica.

Quando se reproduz?

Entre setembro e fevereiro, com ninho em forma de taça e 2 a 3 ovos que eclodem em 13 a 14 dias.

Você sabia?

1

O dourado que dá nome

A faixa dourada não é pigmento amarelo puro, mas bordas das penas que refletem luz e parecem brilhar quando a ave se move no sol.

2

Fiel ao bando misto

É uma das espécies nucleares de bandos mistos da Mata Atlântica, frequentemente vista liderando deslocamentos com saíra-amarela e saíra-sete-cores.

3

Mudança de gênero recente

Até 2016 era Tangara cyanoventris; estudos genéticos a transferiram para o gênero Stilpnia, criado para reorganizar as saíras coloridas.

4

Dispersora de sementes

Ao engolir frutos inteiros de embaúba e melastomas, ajuda a espalhar sementes pela borda da mata, acelerando a regeneração natural.

Fontes

  1. IUCN Red List / BirdLife International
  2. WikiAves
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Saíra-douradinha

Prós

  • Endêmica do Brasil e fácil de observar em bordas de Mata Atlântica
  • Coloração distinta com bordas douradas que facilitam identificação
  • Participa de bandos mistos, ótima para iniciantes em observação de aves
  • Importante dispersora de sementes e indicadora de mata em regeneração
  • Canto suave que não causa incômodo em áreas urbanas arborizadas

Contras

  • Não pode ser criada como pet; captura é crime ambiental
  • Exige Mata Atlântica bem conservada, ausente em grande parte do interior
  • Pode ser confundida com outras saíras por leigos
  • Sensível a fragmentação e a agrotóxicos
  • Canto pouco potente, difícil de detectar sem prática
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a saíra-douradinha é o melhor cartão de visitas da Mata Atlântica para quem começa a observar aves: colorida, ativa e relativamente fácil de ver em bordas bem preservadas. Seu valor está justamente em permanecer livre e em bando, e não em gaiola.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.