🍊 Frutíferas

Pitomba-do-mato

Talisia esculenta

Atualizado em

6 a 12 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
3 a 5 anosPrimeiros frutos
BaixaDificuldade
Frutos de pitomba-do-mato inteiros e cortado mostrando polpa translúcida e semente

A pitomba-do-mato (Talisia esculenta) é uma árvore frutífera nativa do Norte e Nordeste do Brasil, muito comum na Amazônia e na Caatinga. De copa densa e tronco de casca acinzentada, atinge de 6 a 12 metros e produz cachos de frutos arredondados de casca marrom e polpa translúcida, suculenta e agridoce.

É uma espécie rústica, de crescimento relativamente rápido e grande adaptação ao calor. Frutifica entre janeiro e maio e é valorizada tanto para consumo in natura quanto para sucos, licores e doces, além de atrair abelhas e pássaros. Por ser pouco exigente e produtiva, é ótima para pomares domésticos, sítios e projetos de restauração.

Apesar do nome parecido, não é a mesma pitomba comercial (Talisia esculenta vs. Talisia macrophylla e Melicoccus bijugatus). A do mato tem fruto menor, semente grande ocupando boa parte da polpa e sabor mais ácido, o que a torna única e ainda pouco explorada fora de sua região de origem.

Também conhecido como: Pitombeira, Pitomba-de-macaco, Pitomba-do-cerrado, Olho-de-boi, Pitomba-rosa

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Pitomba-do-mato

Frutos de pitomba-do-mato inteiros e cortado mostrando polpa translúcida e semente
Frutos de pitomba-do-mato: casca marrom e polpa translúcida agridoce.
Árvore de pitomba-do-mato com cachos de frutos pendentes no pomar
Pitombeira adulta com cachos carregados na época de safra.
Folhas compostas brilhantes da pitomba-do-mato
Folhas compostas com folíolos brilhantes, marca da espécie.
Flores brancas pequenas da pitomba-do-mato em panícula
Floração branca e perfumada, muito visitada por abelhas.
Cesto de colheita cheio de pitombas-do-mato maduras
Colheita da safra: frutos devem ser consumidos em poucos dias.
Detalhe interno da pitomba-do-mato mostrando casca fina e semente grande
Interior do fruto: pouca polpa e semente grande.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal amplo, sítio ou chácara no Norte e Nordeste e busca uma frutífera nativa, rústica e de sombra rápida. É ótima para quem quer atrair abelhas e pássaros e produzir frutos para consumo familiar sem manejo intensivo. Também funciona bem para projetos de restauração, arborização rural e para tutores que valorizam espécies da Caatinga e da Amazônia com baixa exigência de irrigação após estabelecida.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento ou tem quintal muito pequeno e sombreado, pois a árvore atinge 6 a 12 metros e exige sol pleno para frutificar. Também não é a melhor escolha para quem busca fruto de alto rendimento de polpa ou produção em vaso. Quem tem pouco tempo para colheita rápida pode se frustrar, já que a safra é curta e o fruto fermenta em 2 a 3 dias, exigindo consumo ou processamento imediato.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo de 6 horas de sol direto por dia
Rega
Moderada; 3 a 4 vezes/semana na muda, depois 1 a 2 vezes/semana; tolera seca adulta
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, com matéria orgânica; pH 5,5 a 6,5
Temperatura
22 °C a 32 °C; não tolera geada; sensível a frio abaixo de 10 °C
Adubação
10 a 20 L de esterco + NPK 10-10-10 duas vezes ao ano (início das chuvas e pós-colheita)
Poda
Formação nos 2 primeiros anos e limpeza após a safra (maio a julho)
Propagação
Sementes frescas (15 a 30 dias para germinar) e enxertia por garfagem

Perfil rápido de Pitomba-do-mato

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
Frutificação / ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Sapindales
Família
Sapindaceae
Gênero
Talisia
Espécie
Talisia esculenta

Resumo

  • A pitomba-do-mato é árvore nativa de 6 a 12 m da família Sapindaceae, com frutos de casca marrom e polpa agridoce que amadurecem de janeiro a maio.
  • Rústica e de sol pleno, cresce bem em clima tropical quente, tolera seca após estabelecida e começa a produzir entre 3 e 5 anos quando plantada por semente.
  • O cultivo exige solo profundo e bem drenado, espaçamento de 7 a 8 metros e pouca poda, sendo mais indicada para quintais e sítios do que para vasos.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularPitomba-do-mato, pitombeira, pitomba-de-macaco
Nome científicoTalisia esculenta (A. St.-Hil.) Radlk.
Família botânicaSapindaceae
OrigemNorte e Nordeste do Brasil (Amazônia, Caatinga e Cerrado)
Tamanho6 a 12 m de altura (até 15 m em mata fechada)
Tempo até frutificar3 a 5 anos por semente; 2 a 3 anos se enxertada
Época de frutificaçãoJaneiro a maio (pico entre fevereiro e abril)
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada; tolera estiagem após estabelecida
SoloProfundo, fértil, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
ClimaTropical quente, úmido a semiárido
PropagaçãoSementes (principal) e enxertia
Cultivo em vasoPouco recomendado devido ao porte
Espaçamento7 x 7 m a 8 x 8 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasAlto

O que é a pitomba-do-mato e como reconhecê-la sem confundir

A pitomba-do-mato é a Talisia esculenta, árvore da família Sapindaceae, mesma da lichia e do guaraná. O nome popular muda por região, mas a espécie verdadeira tem folhas compostas com 5 a 9 folíolos brilhantes, tronco reto de casca cinza-acastanhada levemente fissurada e copa arredondada e densa.

O fruto é o melhor marcador. É globoso, de 2 a 3,5 cm de diâmetro, com casca fina, coriácea e marrom-clara quando maduro, levemente aveludada. Dentro há 1 a 2 sementes grandes envoltas por arilo translúcido, suculento e agridoce. A polpa é pouca em relação à semente, diferente da pitomba comercial mais carnosa.

A floração é discreta: panículas terminais com flores pequenas, brancas e perfumadas, muito visitadas por abelhas. Se a árvore está florida entre setembro e novembro e depois forma cachos densos de bolinhas verdes que amarelam e depois ficam marrons, é ela.

Onde ela vive no Brasil e por que é tão rústica

A distribuição natural vai do Pará e Maranhão até o Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia, com ocorrência na Amazônia, Caatinga, Cerrado e zonas de transição. Cresce em matas de várzea, capoeiras e até em solos arenosos do sertão.

Essa amplitude explica a rusticidade. A espécie tolera sol forte, calor acima de 30 °C e períodos de seca de 4 a 6 meses depois de adulta, graças ao sistema radicular profundo. Também suporta solos pobres, desde que bem drenados.

Na natureza, é árvore de dossel médio e serve de alimento para morcegos, macacos e aves. Em quintais, funciona como sombra rápida e quebra-vento, pois mantém folhas o ano todo e aguenta ventos do litoral nordestino.

Como é o fruto e quando colher

O fruto amadurece de forma escalonada. Cada cacho pode ter 20 a 50 frutos e uma árvore adulta bem conduzida produz 40 a 80 kg por safra, com pico entre fevereiro e abril no Nordeste.

O ponto de colheita é quando a casca passa de verde para marrom-claro uniforme e cede levemente ao toque. Se colhido verde, não amadurece bem e fica muito adstringente. Madura, a polpa fica translúcida, levemente amarelada, com equilíbrio entre doce e ácido.

Consuma em até 2 a 3 dias após a colheita, pois fermenta rápido. Na geladeira dura até 5 dias. O sabor lembra mistura de pitomba com limão suave, e a semente ocupa cerca de 60% do peso do fruto, por isso o rendimento de polpa é baixo. É ideal para chupar in natura, sucos, caipirinhas e geleias.

Como plantar pitomba-do-mato do zero

A propagação mais usada é por semente recém-colhida. A viabilidade cai muito após 15 dias, portanto plante logo. Lave a semente para retirar toda a polpa, deixe secar à sombra por um dia e semeie a 2 cm de profundidade.

Use saquinhos de 15 x 25 cm com substrato de terra vegetal + areia grossa + esterco curtido (2:1:1). A germinação ocorre em 15 a 30 dias e a taxa costuma passar de 70% com sementes frescas. Mantenha à meia-sombra até atingir 20 cm.

O plantio definitivo deve ser no início da estação chuvosa, de outubro a março na maior parte do Brasil. Abra berço de 50 x 50 x 50 cm, incorpore 10 litros de esterco e 200 g de calcário se o pH estiver abaixo de 5,5. Plante com espaçamento de 7 a 8 metros entre árvores e tutoramento nos primeiros meses.

Enxertia por garfagem acelera a produção para 2 a 3 anos e mantém padrão da planta-mãe, mas é pouco usada comercialmente. Para pomar doméstico, a muda de semente já é satisfatória.

Luz, solo, rega e clima ideais para produzir bem

Sol pleno é inegociável. Com menos de 6 horas de sol direto, a árvore cresce, mas produz pouco e com frutos pequenos. Plante longe de muros e de copas que façam sombra.

O solo ideal é profundo, bem drenado e com matéria orgânica. Encharcamento mata raízes jovens. Em solos argilosos, faça camalhão de 30 cm de altura. A faixa de pH entre 5,5 e 6,5 favorece absorção de nutrientes.

Na fase de muda, regue 3 a 4 vezes por semana. Após o pegamento, 1 a 2 regas semanais bastam, e árvore adulta estabelecida tolera seca. Na floração e no enchimento dos frutos, não deixe faltar água: déficit nessa janela derruba flores e reduz o tamanho do fruto.

Clima quente e úmido é o melhor, mas ela frutifica bem no semiárido com irrigação complementar. Não tolera geada. Temperaturas abaixo de 10 °C por muitos dias queimam folhas novas.

Poda e adubação sem exageros

A pitomba-do-mato exige pouca poda. Nos dois primeiros anos, faça poda de formação para conduzir um tronco único e 3 a 4 pernadas bem distribuídas a partir de 1,5 m de altura. Depois, limite-se a remover galhos secos, cruzados e ladrões na base.

Evite poda drástica no fim do ano, pois remove gemas florais. O melhor momento é logo após a colheita, entre maio e julho, quando a planta entra em repouso relativo.

Para adubação, aplique anualmente 10 a 20 litros de esterco curtido + 100 g de NPK 10-10-10 por metro de copa, dividido em duas vezes: início das chuvas e após a frutificação. Em solos arenosos do Nordeste, adicione cobertura morta para segurar umidade.

Árvores muito vigorosas com excesso de nitrogênio soltam muita folha e pouco fruto. Se a copa está enorme e sem flor, reduza adubo nitrogenado e garanta sol.

Dá para cultivar em vaso ou quintal pequeno?

Na nossa avaliação, vaso não é a vocação da espécie. O sistema radicular é pivotante e profundo, e a árvore quer virar 8 metros. Em vaso de 100 litros ela até sobrevive, mas dificilmente frutifica bem e exige poda constante.

Para quintal pequeno, a saída é plantar uma única árvore em canto ensolarado, conduzindo a copa com poda leve anual para manter 4 a 5 metros. Outra opção é usar como porta-enxerto anão, mas ainda é técnica restrita a viveiros especializados.

Se o espaço é realmente limitado, prefira frutíferas de porte menor como acerola ou pitanga. A pitomba-do-mato brilha em chácaras, sítios, quintais amplos e calçadas largas, onde pode sombrear sem apertar muros e fiação.

Pragas, doenças e 4 fatos que quase ninguém conta

A espécie é bastante resistente. Ocasionalmente aparecem cochonilhas, pulgões e mosca-das-frutas nos frutos maduros. O controle é cultural: colha no ponto certo, recolha frutos caídos e use calda de sabão neutro para cochonilhas. Fungos como antracnose surgem em anos muito úmidos, mas raramente comprometem a árvore toda.

Fatos pouco óbvios ajudam a entender seu valor:

  • Semente recalcitrante: não pode ser seca e armazenada como feijão; perde viabilidade em poucas semanas, por isso viveiristas semeiam imediatamente.
  • Parentesco que engana: apesar do nome, não é Sapotaceae como o abiu, e sim Sapindaceae, o que explica a semelhança da folha com a da pitomba e da lichia.
  • Madeira útil: a madeira é densa e usada regionalmente para moirões e lenha, motivo pelo qual a árvore foi mantida em cercas vivas no sertão.
  • Potencial apícola: a floração é melífera e ocorre na entressafra de outras frutíferas do Nordeste, ajudando a manter colmeias entre setembro e novembro.

Um erro comum é confundir pitomba-do-mato com pitomba-da-mata (Eugenia sp.) ou com o mata-fome. Observe sempre a folha composta e o fruto em cacho terminal: Eugenia tem folha simples e fruto solitário.

Perguntas frequentes

Pitomba-do-mato é a mesma pitomba que vende na feira?

Nem sempre. A pitomba-do-mato é Talisia esculenta, menor e mais ácida, típica do Norte e Nordeste. A pitomba mais comercial no Sudeste costuma ser Talisia macrophylla ou Melicoccus bijugatus.

Quanto tempo demora para dar frutos?

Por semente, de 3 a 5 anos em condições de sol pleno e solo bom. Mudas enxertadas podem produzir em 2 a 3 anos.

Precisa de duas árvores para frutificar?

Não. A espécie é monoica e autocompatível, mas ter mais de um indivíduo ou abelhas por perto aumenta a polinização e a produção.

Dá para plantar pitomba-do-mato em vaso?

Não é recomendado. O porte de 6 a 12 m e a raiz pivotante limitam muito a produção em vaso, mesmo em recipientes de 100 litros.

Qual o melhor solo e clima?

Solo profundo, fértil e bem drenado com pH 5,5 a 6,5, sol pleno e clima tropical quente. Tolera semiárido com irrigação na floração.

Como saber a hora de colher?

Quando a casca fica marrom-clara opaca e cede levemente ao toque. Fruto verde não amadurece bem fora do pé.

A pitomba-do-mato tem pragas?

É resistente, mas pode ter cochonilhas, pulgões e mosca-das-frutas. Colha no ponto certo, retire frutos caídos e use manejo cultural.

Você sabia?

1

Semente que não espera

As sementes são recalcitrantes e perdem a germinação em cerca de 15 a 20 dias se secarem. Por isso, ribeirinhos e viveiristas plantam no mesmo dia em que chupam o fruto.

2

Confusão de nomes no mercado

Muita pitomba vendida em feiras do Sudeste é na verdade Talisia macrophylla ou Melicoccus bijugatus. A do mato (Talisia esculenta) tem fruto menor e mais ácido, típica do sertão.

3

Florada na seca

Floresce entre setembro e novembro, justamente na estação seca do Nordeste, quando poucas árvores frutíferas oferecem néctar, o que a torna estratégica para abelhas nativas.

4

Casca que indica o ponto

O ponto certo de colheita não é pelo tamanho, mas pela cor da casca: de verde para marrom-claro opaco. Se ainda brilha, está verde e muito adstringente.

Fontes

  1. Embrapa
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Plantarum - Árvores Brasileiras

Prós e contras: Pitomba-do-mato

Prós

  • Muito rústica e tolerante à seca após estabelecida
  • Produção generosa (40 a 80 kg por árvore adulta) na entressafra de outras frutas
  • Copa densa que oferece sombra e atrai abelhas e pássaros
  • Baixa exigência de poda e adubação
  • Ótima para quintais amplos, sítios e restauração no Norte e Nordeste

Contras

  • Porte grande, inadequada para vasos e espaços pequenos
  • Polpa escassa: semente ocupa cerca de 60% do fruto
  • Fruto muito perecível, fermenta em 2 a 3 dias
  • Semente perde viabilidade rápido, não pode ser armazenada
  • Não tolera geada nem sombra
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a pitomba-do-mato é uma das nativas mais subestimadas para pomar doméstico no Nordeste: rústica, bonita e produtiva sem frescura. Seu ponto fraco é o baixo rendimento de polpa, mas compensa como árvore de sombra, melífera e de frutos para consumo imediato e doces regionais.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.