🍊 Frutíferas

Abricó-da-praia

Mimusops coriacea

Atualizado em

8 a 15 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Moderada a baixaRega
4 a 7 anosPrimeiros frutos
BaixaDificuldade
Frutos de abricó-da-praia inteiros e cortado mostrando polpa alaranjada e sementes

O abricó-da-praia (Mimusops coriacea) é uma árvore frutífera da família Sapotaceae, muito usada na arborização do litoral brasileiro pela tolerância a vento, salinidade e solos arenosos. Forma copa densa e arredondada, com folhas coriáceas e brilhantes, e frutos de casca fina amarelo-alaranjada.

A polpa é doce, pastosa e aromática, consumida ao natural ou em sucos e doces, mas estraga rápido após a colheita. Apesar do nome, não tem parentesco com o abricó verdadeiro (Prunus armeniaca) nem com o abricó-do-pará (Mammea americana).

Também conhecido como: Abricó-da-praia, Abricó, Abricó-do-litoral, Mimusops, Abricot de plage

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Abricó-da-praia

Frutos de abricó-da-praia inteiros e cortado mostrando polpa alaranjada e sementes
Frutos maduros de abricó-da-praia com polpa amarelo-alaranjada e sementes grandes.
Árvore de abricó-da-praia com copa densa e frutos pendentes em quintal litorâneo
Árvore adulta de abricó-da-praia com copa arredondada, ideal para sombra no litoral.
Folhas coriáceas e brilhantes do abricó-da-praia em close
Folhas coriáceas e brilhantes, marca registrada do abricó-da-praia.
Flores pequenas branco-amareladas do abricó-da-praia
Flores discretas e perfumadas que surgem na primavera.
Cesto com colheita de abricó-da-praia maduros
Colheita de verão: frutos devem ser consumidos em poucos dias.
Muda jovem de abricó-da-praia em saquinho de viveiro
Muda de abricó-da-praia pronta para plantio na estação chuvosa.
Ideal para

Ideal para quem mora no litoral ou tem sítio e quintal amplo com sol pleno e quer uma árvore de sombra rústica que ainda produz frutos doces no verão. É perfeita para quem busca baixa manutenção, tolerância a maresia e atração de pássaros, sem precisar de irrigação constante. Também funciona bem para prefeituras e condomínios que precisam de arborização resistente a vento e solo arenoso, onde outras frutíferas falham.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento, casa com quintal pequeno ou região fria com geadas frequentes, pois a árvore exige muito sol e espaço para a copa de 6 a 10 metros. Quem espera colheita rápida ou frutos para venda em larga escala também pode se frustrar, já que a produção é sazonal, perecível e demora anos para começar.

Cultivo rápido

Luminosidade
Sol pleno, mínimo de 6 horas de sol direto por dia
Rega
Moderada no primeiro ano; após estabelecida, apenas em estiagens longas
Solo
Arenoso, leve e bem drenado; tolera solos pobres e salinos
Clima
Tropical litorâneo quente e úmido; sensível a geada forte
Adubação
Orgânica 3x ao ano + potássio na frutificação
Poda
Formação nos primeiros anos e limpeza leve após a colheita
Propagação
Sementes frescas (20 a 45 dias para germinar) e enxertia

Perfil rápido de Abricó-da-praia

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 3 países

  • Madagascar
  • Moçambique
  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Ericales
Família
Sapotaceae
Gênero
Mimusops
Espécie
Mimusops coriacea

Resumo

  • O abricó-da-praia é uma árvore de 8 a 15 metros, de copa densa e altamente tolerante a salinidade, vento e solos pobres do litoral.
  • Seus frutos amarelo-alaranjados amadurecem no verão, têm polpa doce e pastosa com 1 a 2 sementes grandes e devem ser consumidos logo após a colheita.
  • É frutífera rústica de sol pleno e baixa exigência hídrica, ideal para quintais amplos e arborização costeira, mas pouco adequada para vasos pequenos ou apartamentos.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularAbricó-da-praia, abricó, abricó-do-litoral
Nome científicoMimusops coriacea (A.DC.) Miq.
Família botânicaSapotaceae
OrigemLitoral da África Oriental e Madagascar, naturalizada no Brasil
Tamanho8 a 15 m de altura; copa de 6 a 10 m de diâmetro
Tempo até frutificar4 a 7 anos por semente; 3 a 4 anos por muda enxertada
Época de frutificaçãoDezembro a abril no Sudeste e Nordeste
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada no primeiro ano; baixa após estabelecida
SoloArenoso, bem drenado, levemente ácido a neutro; tolera salinidade
ClimaTropical e subtropical litorâneo; não tolera geada forte
PropagaçãoSementes e enxertia
Cultivo em vasoPouco recomendado; apenas vasos acima de 200 litros
Espaçamento8 a 10 m entre árvores

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeMédio
Resistência a pragasMuito alto

Como reconhecer o abricó-da-praia sem confundir

O abricó-da-praia é uma árvore de tronco acinzentado, copa densa e arredondada que chama atenção de longe no litoral. As folhas são o melhor marcador: coriáceas, elípticas, verde-escuras e muito brilhantes na face superior, com nervura central clara.

Ao cortar uma folha ou ramo fino, sai um látex branco e pegajoso, típico das Sapotaceae. É o mesmo grupo da sapoti e do abiu, e isso já separa o abricó-da-praia de outras frutíferas de praia.

O fruto é redondo a ovalado, com 3 a 5 cm de diâmetro, casca fina que vai do amarelo ao alaranjado quando madura. A polpa é amarelo-alaranjada, doce e pastosa, envolvendo 1 a 2 sementes grandes, achatadas e brilhantes de cor marrom.

Não confunda com o abricó-do-pará (Mammea americana), que tem fruto muito maior, de 10 a 20 cm, casca grossa e polpa mais firme. O abricó-da-praia também não tem relação com o damasco europeu.

Onde o abricó-da-praia vive bem e por que é tão rústico

Na origem, ocorre em restingas e florestas costeiras de Madagascar e da costa leste africana. No Brasil, foi introduzido para arborização e se naturalizou do litoral do Pará ao Rio Grande do Sul.

O grande trunfo é a tolerância a maresia, ventos fortes e solos arenosos e pobres. Suporta borrifos de sal que queimariam a maioria das frutíferas e continua frutificando.

Prefere clima quente e úmido, com temperaturas entre 22 °C e 30 °C. Não tolera geadas severas e cresce mal em altitudes acima de 800 m onde o frio é frequente.

É comum vê-lo em praças, calçadas largas, sítios e chácaras litorâneas. Em ambiente urbano, suas raízes são relativamente pouco agressivas, mas a copa larga exige espaço.

Quando e como o abricó-da-praia frutifica

A floração ocorre na primavera, entre setembro e novembro, com flores pequenas, branco-amareladas e perfumadas, pouco vistosas. A polinização é feita por insetos, principalmente abelhas.

Os frutos amadurecem no verão, de dezembro a abril, com pico em janeiro e fevereiro no Sudeste e Nordeste. Uma árvore adulta bem estabelecida pode produzir dezenas de quilos por safra, mas a produção é alternada: um ano mais carregado, outro mais fraco.

O fruto não amadurece bem se colhido muito verde. O ponto ideal é quando a casca está amarelo-alaranjada e cede levemente ao toque. Cai facilmente da árvore quando maduro.

Depois de colhido, fermenta em 2 a 3 dias fora da geladeira. Por isso quase não chega a mercados distantes e é mais consumido no quintal, logo após a colheita.

Como plantar abricó-da-praia do zero

A forma mais comum é por semente fresca. Retire a semente do fruto maduro, lave para remover a polpa e plante em até uma semana, pois perde viabilidade rápido.

Use saquinhos com substrato arenoso + composto orgânico (2:1) e mantenha à meia-sombra até a germinação, que leva 20 a 45 dias. Mantenha o substrato úmido, nunca encharcado.

Leve a muda para sol pleno quando atingir 30 a 40 cm. O plantio definitivo deve ser feito no início da estação chuvosa, em cova de 60 x 60 x 60 cm enriquecida com 10 a 15 litros de composto curtido e 200 g de farinha de ossos.

Para antecipar a frutificação, alguns viveiristas fazem enxertia sobre seedlings da própria espécie. A muda enxertada pode frutificar em 3 a 4 anos, contra 4 a 7 anos da muda de semente.

Luz, rega e solo ideais para crescer forte

Exige sol pleno o dia todo. Com menos de 6 horas de sol direto, a copa fica rala e a frutificação cai drasticamente.

No primeiro ano, regue 2 a 3 vezes por semana se não chover. Depois de pegada, a árvore tolera períodos secos e só precisa de rega em estiagens prolongadas. O excesso de água é mais prejudicial que a falta.

O solo ideal é arenoso, profundo e bem drenado, com pH entre 5,5 e 6,8. Tolera solos pobres e levemente salinos, mas não suporta encharcamento. Em solos argilosos, plante em camalhão ou eleve a cova.

Cobertura morta com folhas ou palha ajuda a manter a umidade e proteger as raízes superficiais do calor excessivo da areia.

Poda, adubação e condução da copa

O abricó-da-praia tem crescimento inicial lento e depois moderado. Nos primeiros anos, faça poda de formação para deixar um tronco único e 3 a 4 ramos principais bem distribuídos.

Após a colheita, faça poda leve de limpeza: retire ramos secos, cruzados e aqueles muito baixos que atrapalham a circulação. Evite podas drásticas, que reduzem a safra seguinte.

Adube três vezes ao ano: no início das chuvas, após a floração e após a colheita. Use composto orgânico + adubo rico em potássio e fósforo na frutificação. Em solos de restinga, a reposição de matéria orgânica é essencial.

Não precisa de tutoramento após o primeiro ano, pois o tronco engrossa rápido e se torna bastante resistente ao vento.

Cultivo em vaso e em quintais pequenos: vale a pena?

Na nossa avaliação, o abricó-da-praia não é frutífera para vaso pequeno ou apartamento. Mesmo com poda, atinge 4 a 6 metros em vasos grandes e precisa de sol pleno constante.

Se houver apenas varanda ou quintal de 2 x 2 m, prefira frutíferas de menor tamanho como acerola ou pitanga. O abricó-da-praia exige espaçamento de 8 a 10 metros de muros e outras árvores.

Em quintais médios a grandes, funciona bem como árvore de sombra + frutífera. A copa densa oferece sombra o ano todo e os frutos atraem pássaros.

Para quem insiste no vaso, use vaso de 200 a 300 litros, com solo bem drenado e adubação trimestral, e espere produção bem menor e mais tardia.

Pragas, doenças e cuidados que evitam dor de cabeça

É uma das frutíferas mais resistentes a pragas. O látex e as folhas coriáceas afastam a maioria dos insetos mastigadores.

Ocasionalmente surgem cochonilhas e pulgões em brotações novas, facilmente controlados com jato d’água e poda dos ramos afetados. Mosca-das-frutas pode atacar frutos muito maduros deixados na árvore.

Doenças fúngicas são raras, mas o encharcamento causa podridão radicular. Garanta drenagem e nunca deixe água acumulada na base.

Colha os frutos maduros diariamente na safra e recolha os caídos do chão para não atrair formigas e moscas. Essa higiene simples evita 90% dos problemas.

Sabor, usos e o que fazer com a colheita

A polpa é doce, levemente musky, com textura pastosa que lembra mamão com notas de caramelo. Há quem ame e quem ache enjoativa se consumida em grande quantidade.

O uso mais comum é ao natural, com colher, bem maduro e gelado. Também rende suco batido com leite ou água, geleia, compota e licor. As sementes não são consumidas.

Por fermentar rápido, não congele a polpa pura sem branqueamento: ela escurece e fica amarga. O ideal é processar em geleia ou consumir em até 24 horas na geladeira.

A madeira, densa e pesada, foi historicamente usada em construção naval e dormentes em Madagascar, mas no Brasil o valor é quase todo ornamental e frutífero.

Característica Abricó-da-praia Abricó-do-pará
Nome científico Mimusops coriacea Mammea americana
Tamanho do fruto 3 a 5 cm 10 a 20 cm
Casca Fina, amarelo-alaranjada Grossa, marrom-acinzentada
Sementes 1 a 2 grandes 1 a 4 grandes
Uso principal no Brasil Arborização litorânea e quintal Pomar doméstico, doce em calda

Perguntas frequentes

Abricó-da-praia é a mesma coisa que abricó-do-pará?

Não. O abricó-da-praia é Mimusops coriacea, com frutos pequenos de 3 a 5 cm. O abricó-do-pará é Mammea americana, com frutos grandes de 10 a 20 cm e casca grossa.

Quanto tempo demora para dar frutos?

De semente, de 4 a 7 anos. De muda enxertada, de 3 a 4 anos, com sol pleno e adubação adequada.

Pode plantar abricó-da-praia em vaso?

Só em vasos muito grandes, acima de 200 litros, e com produção reduzida. A espécie prefere solo e espaço para copa de 6 a 10 metros.

O fruto do abricó-da-praia é comestível?

Sim, a polpa amarelo-alaranjada é doce e comestível ao natural, em sucos e geleias. As sementes não devem ser consumidas.

Precisa de muita água?

Não. Após o primeiro ano, é tolerante à seca e prefere solo bem drenado. Encharcamento causa podridão radicular.

Quando é a safra no Brasil?

Principalmente de dezembro a abril, com pico em janeiro e fevereiro no Sudeste e Nordeste.

Atrai pássaros?

Sim, os frutos maduros atraem sabiás, sanhaços e morcegos frugívoros, o que ajuda na dispersão das sementes.

Você sabia?

1

Látex que vira cola

O látex branco das folhas e ramos já foi usado como cola rústica e para remendar pequenas fissuras em artesanato litorâneo, de tão pegajoso que é.

2

Folha que brilha como verniz

As folhas coriáceas têm cutícula tão espessa que refletem o sol e reduzem a perda de água, um truque para sobreviver ao vento salgado da restinga.

3

Fruto que cai sozinho

Quando maduro, o fruto se desprende com facilidade e cai no chão; moradores do litoral costumam estender lona sob a copa na safra para colher sem machucar a polpa.

4

Parente da sapoti

Apesar do nome, seu parente mais próximo no pomar brasileiro é o sapoti e o abiu, não o damasco; todos são da família Sapotaceae e têm látex e sementes brilhantes.

Fontes

  1. Embrapa - Frutíferas Tropicais
  2. Jardim Botânico do Rio de Janeiro - Flora do Brasil
  3. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro - REFLORA

Prós e contras: Abricó-da-praia

Prós

  • Extremamente rústica a maresia, vento e solos arenosos
  • Copa densa que oferece sombra o ano todo
  • Baixa exigência de água e de defensivos
  • Frutos doces e aromáticos para consumo fresco e geleias
  • Atrai e alimenta a fauna local

Contras

  • Porte grande, exige quintal amplo e 8 a 10 m de espaçamento
  • Demora 4 a 7 anos para frutificar por semente
  • Fruto muito perecível, fermenta em 2 a 3 dias
  • Não tolera geada forte nem sombra
  • Pouco produtiva em vaso e com frutificação alternada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o abricó-da-praia é uma das frutíferas mais subestimadas para o litoral brasileiro: entrega sombra densa, rusticidade extrema e frutos doces sem exigir irrigação ou defensivos. Seu ponto fraco é a perecibilidade e o porte grande, que o tornam uma escolha ruim para vasos e quintais compactos.

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.