🦜 Aves e Pássaros

Cambaxirra

Troglodytes musculus

Atualizado em

11 a 13 cmTamanho
10 a 14 gPeso
6 a 10 anosExpectativa de vida
Muito alto e melodiosoCanto
Quintais e áreas urbanasHabitat
Ninho da cambaxirra em cavidade com ovos pintados

A cambaxirra, também chamada de corruíra, é um dos pássaros mais comuns e mais ouvidos do Brasil. Com apenas 12 cm e canto desproporcionalmente alto e melodioso, ela vive em quintais, jardins e centros urbanos de norte a sul do país.

Apesar do tamanho discreto, é extremamente territorial, curiosa e ativa. Constrói ninhos em cavidades improváveis — de telhas a vasos e caixas de correio — e é famosa por destruir ovos de outras aves para dominar o território. É a ave silvestre que mais se adaptou à presença humana sem depender de alimentação oferecida.

Também conhecido como: Corruíra, Corruíra-de-casa, Garrincha, Curruíra, Cutipuruí, Corruchela, Southern House Wren (inglês), Ratona común (espanhol)

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Galeria de fotos de Cambaxirra

Ninho da cambaxirra em cavidade com ovos pintados
Ninho em cavidade com gravetos e ovos rosados com pintas.
Ninho da cambaxirra em cavidade com ovos pintados
Ninho em cavidade com gravetos e ovos rosados com pintas.
Ninho da cambaxirra em cavidade com ovos pintados
Ninho em cavidade com gravetos e ovos rosados com pintas.
Cambaxirra em quintal urbano com telhas e plantas
Habitat típico: quintais e áreas urbanas com frestas.
Cambaxirra levando inseto no bico para alimentar filhotes
Alimentação insetívora, levando presa ao ninho.
Ninho da cambaxirra em cavidade com ovos pintados
Ninho em cavidade com gravetos e ovos rosados com pintas.

Perfil rápido de Cambaxirra

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla, estável e adaptada a ambientes urbanos.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegida por lei federal; captura e comércio são crime ambiental

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND
Presença no territórioJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
2 a 4 anos em média; até 6 a 9 anos em aves anilhadas
Em cativeiro
Não se aplica; espécie silvestre protegida, não adaptada ao cativeiro

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal; casal defende território fixo
Estrutura social
Par isolado, altamente territorial
Padrão sazonal
Estação de agosto a janeiro, pico setembro-novembro
Tipo de nascimento
Ovíparo com incubação apenas da fêmea
Ninhada
4 a 6 ovos rosados com pintas marrons; 2 a 3 ninhadas por temporada
Incubação e ninhegos
14 a 16 dias de incubação; filhotes deixam o ninho com 16 a 19 dias

Habitat

Ambientes

  • Quintais e jardins urbanos
  • Capoeiras e bordas de mata
  • Áreas agrícolas e pastagens com árvores esparsas
  • Parques e praças
  • Cavidades em construções humanas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Amazônia (bordas e áreas abertas)
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos (besouros, formigas, cupins, moscas)
  • Aranhas
  • Larvas e lagartas

Outros alimentos

  • Pequenos frutos ocasionalmente

Encontrado em 11 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia
  • Chile
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Peru
  • Equador
  • México

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Troglodytidae
Gênero
Troglodytes
Espécie
Troglodytes musculus

Resumo

  • A cambaxirra (Troglodytes musculus), também chamada corruíra, é um pássaro pequeno de 11 a 13 cm famoso pelo canto muito alto e complexo.
  • Vive em todo o Brasil em áreas abertas, capoeiras, jardins e cidades, fazendo ninhos em cavidades e frestas com gravetos e penas.
  • É insetívora, altamente territorial e não pode ser criada em gaiola: sua captura na natureza é crime ambiental e depende de autorização do IBAMA.

Características

Ficha da espécie

FamíliaTroglodytidae
Origem e distribuiçãoDas Américas, do sul do México ao sul da Argentina e Chile; presente em todo o Brasil
HabitatÁreas abertas, capoeiras, bordas de mata, jardins, quintais e centros urbanos
Tamanho (comprimento)11 a 13 cm
Envergadura15 a 17 cm
Peso10 a 14 g
Coresmarrombegemarrom-acinzentadobranco sujo
Expectativa de vida2 a 4 anos em média na natureza, até 9 anos em registros de anilhamento
AlimentaçãoInsetívora (insetos, aranhas e larvas)
CantoForte, agudo, rápido e repetitivo, com frases musicais variadas
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em cavidade com gravetos; 4 a 6 ovos rosados com pintas marrons
Variedades ou subespéciesComplexo com cerca de 20 a 30 subespécies; no Brasil predomina T. musculus musculus

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoBaixo
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a cambaxirra: tamanho, cores e traços inconfundíveis

A cambaxirra é minúscula, mas impossível de ignorar quando canta. Mede 11 a 13 cm e pesa apenas 10 a 14 g, pouco mais que uma moeda de um real. O corpo é compacto, com cauda curta quase sempre empinada para cima e bico fino, levemente curvo e escuro.

A plumagem não chama atenção à primeira vista, e é aí que muita gente a confunde. O dorso é marrom-acinzentado com finas barras escuras nas asas e na cauda, o peito e a barriga são bege-claro a branco sujo e o supercílio é claro e discreto. Não há dimorfismo sexual evidente: macho e fêmea são iguais a olho nu.

O que realmente entrega a espécie é o comportamento. Ela se move aos pulinhos rápidos, entra e sai de frestas, inspeciona tudo e raramente fica parada. Quando pousa, mantém a cauda ereta e o bico apontado para cima, pronta para soltar a sequência de notas altas.

Onde vive a cambaxirra no Brasil e nas Américas

A cambaxirra é uma das aves de distribuição mais ampla das Américas. Ocorre do sul do México até a Terra do Fogo, e no Brasil está presente em todos os estados e biomas, da Caatinga à Mata Atlântica, do Cerrado à Pampa.

Ela não é ave de mata fechada. Prefere áreas abertas, capoeiras, bordas de floresta, roçados, parques e quintais. É justamente essa preferência que explica seu sucesso nas cidades. Enquanto muitas espécies recuam com a urbanização, a cambaxirra avança.

Nas áreas urbanas ocupa telhados, muros, jardins e varandas. No interior, usa cercas, galpões e ocos de árvores. É residente e não migratória no Brasil: permanece no mesmo território o ano todo, defendendo-o com afinco.

O canto da cambaxirra: por que é tão alto para um pássaro tão pequeno

Se você já acordou com um canto forte e repetitivo antes das 5h da manhã, provavelmente era uma cambaxirra. O macho canta muito mais alto do que seu tamanho sugere, com frases rápidas, trinadas e cheias de variações que podem ser ouvidas a mais de 50 metros.

O canto tem duas funções principais: marcar território e atrair a fêmea. Na época reprodutiva, o macho canta do poleiro mais alto que encontra — cumeeira, antena, galho seco — e repete a estrofe dezenas de vezes por hora. A fêmea também canta, mas de forma mais curta e suave, principalmente perto do ninho.

Outro detalhe pouco conhecido: ela canta o ano inteiro, não só para reproduzir. Em dias quentes, o canto diminui ao meio-dia e volta com força no fim da tarde. É um dos primeiros pássaros a cantar ao amanhecer e um dos últimos ao entardecer.

O que a cambaxirra come e como caça

A dieta é quase exclusivamente insetívora. Come besouros, formigas, cupins, lagartas, moscas, pernilongos e aranhas, além de larvas escondidas em frestas de madeira e folhagem. Ocasionalmente consome pequenos frutos, mas insetos são mais de 90% da alimentação.

A estratégia de caça é ativa e meticulosa. Ela vasculha folhas, cascas, telhas, tijolos e vasos com o bico fino, entrando em buracos onde outros pássaros não cabem. Por isso é tão útil em quintais: ajuda a controlar insetos naturalmente.

Filhotes são alimentados com presas macias e pequenas, levadas pelos pais a cada poucos minutos. Um casal pode fazer centenas de viagens por dia quando os ninhegos estão em crescimento rápido.

Comportamento: territorial, curiosa e destruidora de ninhos

A fama de dócil engana. A cambaxirra é extremamente territorial e agressiva com outras aves, mesmo maiores que ela. Não tolera concorrentes perto do ninho e é conhecida por invadir ninhos de joão-de-barro, andorinhas e pardais para furar e jogar fora ovos e até filhotes.

Esse comportamento, chamado de competição por cavidades, acontece porque locais bons para nidificar são escassos. Ao eliminar a concorrência, ela garante o espaço. Por isso, quem instala ninhos artificiais para andorinhas costuma ver a cambaxirra tomando a frente.

Apesar disso, é muito curiosa com humanos. Entra em casas, oficinas e varandas para inspecionar objetos, e pode se aproximar a poucos metros se não for afugentada. Vive sozinha ou em casal, nunca em bandos, e cada casal defende um território pequeno mas com muita energia.

Reprodução, ninhos e filhotes: o engenheiro de gravetos

A estação reprodutiva no Brasil vai de agosto a janeiro, com pico entre setembro e novembro. O macho começa construindo vários esboços de ninho, chamados ninhos falsos, em diferentes cavidades do território. São estruturas desorganizadas de gravetos secos.

A fêmea escolhe um desses esboços e completa o ninho verdadeiro, forrando o interior com penas, pelos, crina de cavalo e material macio. O ninho final fica em qualquer cavidade: ocos de árvore, telhas, blocos, vasos, caixas de luz, churrasqueiras e até bolsos de roupas esquecidas no varal.

A postura é de 4 a 6 ovos rosados com pontinhos marrom-avermelhados. A incubação dura 14 a 16 dias e é feita só pela fêmea. Os filhotes nascem cegos e com pouca penugem, permanecem no ninho por 16 a 19 dias e continuam sendo alimentados pelos pais por mais uma a duas semanas após saírem. Um casal pode fazer 2 a 3 ninhadas por temporada se houver alimento.

Cambaxirra e corruíra são a mesma ave? Nomes e confusões

Sim. Cambaxirra e corruíra são nomes populares para a mesma espécie, Troglodytes musculus. Cambaxirra é mais usado no Sul e Sudeste, corruíra no Nordeste e Centro-Oeste. Outros nomes regionais são garrincha, curruíra, cutipuruí e corruchela.

A confusão científica é recente. Até 2024, a espécie era tratada como Troglodytes aedon, a House Wren norte-americana. Estudos genéticos e vocais levaram a separação do complexo: as populações do sul, incluindo a brasileira, passaram a ser Troglodytes musculus, a Southern House Wren. Em inglês, o nome continua House Wren.

Outro erro comum é confundi-la com o sabiá ou com o pardal por causa do tom marrom. A diferença está no tamanho bem menor, na cauda empinada e no bico mais fino e longo que o do pardal, além do canto muito mais agudo e acelerado.

É possível ter cambaxirra em casa? Legalidade e observação responsável

Não. A cambaxirra é ave silvestre nativa protegida por lei. Sua captura, manutenção em gaiola e comércio sem autorização são crime ambiental (Lei 9.605/98) e só podem ocorrer com autorização do IBAMA e órgãos estaduais para fins científicos ou de conservação, nunca como pet.

Além da questão legal, ela não se adapta ao cativeiro. É insetívora obrigatória, precisa de espaço para forragear e sofre muito estresse em gaiola. Tentar criá-la quase sempre resulta em morte rápida do animal.

A melhor forma de conviver com ela é atraí-la naturalmente: mantenha o quintal com plantas nativas, sem veneno, com água limpa e com cavidades ou ninhos artificiais com entrada de 3 a 4 cm. Ela mesma escolhe se quer ficar. Observar o casal construindo o ninho e alimentando os filhotes é muito mais recompensador — e legal — do que prendê-la.

Estado de conservação e por que ela se dá bem nas cidades

A cambaxirra é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e até em expansão em áreas urbanas. É uma das poucas aves que se beneficiou do desmatamento parcial e da ocupação humana.

Isso não significa ausência de ameaças. O uso de inseticidas, a predação por gatos domésticos e a competição por cavidades com espécies invasoras como o pardal e o estorninho afetam ninhos localmente. A retirada de árvores velhas com ocos também reduz locais de nidificação em bairros novos.

Na nossa avaliação, a cambaxirra é o melhor exemplo de ave urbana resiliente do Brasil: pequena, generalista e vocalmente dominante. Protegê-la é simples — menos veneno, mais abrigo e gatos dentro de casa — e o retorno é um controle biológico eficiente e um canto que marca o dia desde a madrugada.

Perguntas frequentes

Cambaxirra e corruíra são a mesma coisa?

Sim, são dois nomes populares para Troglodytes musculus. O nome varia conforme a região do Brasil.

Qual o tamanho da cambaxirra?

Mede 11 a 13 cm de comprimento e pesa de 10 a 14 g, do tamanho de um polegar.

O que a cambaxirra come?

É insetívora: come besouros, formigas, aranhas, lagartas e larvas que encontra em frestas e folhagens.

Onde a cambaxirra faz ninho?

Em qualquer cavidade: ocos de árvore, telhas, vasos, caixas de luz e ninhos artificiais, sempre com muitos gravetos.

Pode criar cambaxirra em gaiola?

Não. É ave silvestre protegida por lei; capturar ou manter em gaiola sem autorização do IBAMA é crime ambiental.

Por que a cambaxirra canta tanto?

O macho canta alto para demarcar território e atrair a fêmea, e continua cantando o ano todo, com pico ao amanhecer.

A cambaxirra destrói ninhos de outras aves?

Sim, pode furar e jogar fora ovos de outras espécies para disputar cavidades para nidificar.

Você sabia?

1

Constrói ninhos falsos

O macho faz até 6 esboços de ninho com gravetos para confundir predadores e impressionar a fêmea, que escolhe apenas um para finalizar com penas.

2

Fura ovos de vizinhos

Para garantir cavidades, a cambaxirra invade ninhos de outras aves e fura os ovos com o bico fino, comportamento documentado até contra o joão-de-barro, bem maior que ela.

3

Canto desproporcional

Apesar de pesar 12 gramas, seu canto pode atingir intensidade comparável à de aves três vezes maiores e é audível a mais de 50 metros em área aberta.

4

Mudança de nome científico

Em 2024 a American Ornithological Society separou a espécie sul-americana como Troglodytes musculus, distinta da House Wren do Hemisfério Norte.

Fontes

  1. WikiAves - Cambaxirra
  2. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  3. IUCN Red List / BirdLife International
  4. Cornell Lab - All About Birds

Prós e contras: Cambaxirra

Prós

  • Canto forte e melodioso que anima quintais
  • Excelente controle natural de insetos e aranhas
  • Adapta-se muito bem a áreas urbanas e jardins pequenos
  • Fácil de observar e atrair com ninhos artificiais
  • Não precisa de alimentação artificial

Contras

  • Extremamente territorial, expulsa outras aves do ninho
  • Pode furar ovos de andorinhas e joão-de-barro
  • Canto muito alto de madrugada pode incomodar
  • Não pode ser criada legalmente como ave de estimação
  • Vulnerável a gatos soltos e a inseticidas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cambaxirra é a ave mais subestimada dos quintais brasileiros: minúscula por fora, gigante no canto e na personalidade. Se fosse rara, seria tratada como joia ornitológica; por ser comum, passa despercebida, mas é um caso exemplar de adaptação inteligente à cidade.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.