Resumo
- A Amburana é uma árvore nativa do Brasil de 10 a 20 metros, famosa pela casca avermelhada que descasca em placas e pelo perfume de baunilha da madeira e das sementes.
- É caducifólia e muito resistente à seca, floresce entre agosto e outubro com flores brancas perfumadas e frutifica em vagens aladas com uma única semente.
- Sua madeira nobre e aromática é uma das mais valorizadas do país para móveis, esculturas e barris de cachaça, o que levou a espécie à lista de ameaçadas de extinção.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Amburana, cerejeira, cumaru-de-cheiro, imburana-de-cheiro |
|---|---|
| Nome científico | Amburana cearensis (Allemão) A.C. Sm. |
| Família botânica | Fabaceae (Faboideae) |
| Origem | América do Sul - Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Peru |
| Tamanho | 10 a 20 m de altura; tronco 40 a 80 cm de diâmetro |
| Copa | Ampla, arredondada e pouco densa, 6 a 10 m de diâmetro |
| Folhagem | Caducifólia (perde folhas na seca) |
| Crescimento | Lento a moderado |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Baixa após pegamento; tolera seca prolongada |
| Solo | Bem drenado, arenoso a argiloso, pH 5,5 a 7,0; tolera solos pobres e pedregosos |
| Usos | Madeira nobre, reflorestamento, apicultura, barris de cachaça, paisagismo rural |
| Longevidade | 80 a 120 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Baixo |
|---|---|
| Sombra | Alto |
| Resistência à seca | Muito alto |
| Agressividade das raízes | Baixo |
| Facilidade de cultivo | Médio |
| Atrai fauna | Alto |
O que é a Amburana e por que ela é tão valorizada
A Amburana é um gênero com apenas duas espécies aceitas no Brasil, sendo Amburana cearensis a mais conhecida e amplamente distribuída. É chamada de cerejeira no Centro-Oeste e Sudeste, imburana-de-cheiro no Nordeste e cumaru-de-cheiro em outras regiões, sempre por causa do perfume.
O que a distingue de qualquer outra árvore da Caatinga é a presença de cumarina na madeira, na casca e nas sementes. Essa substância libera um aroma adocicado intenso, que lembra baunilha e canela, perceptível mesmo sem cortar a árvore. Por isso a madeira é chamada de cerejeira e tão disputada.
Na nossa avaliação, a Amburana é um dos melhores exemplos de árvore nativa de múltiplo uso: entrega madeira nobre, serviço ecossistêmico e valor cultural ao mesmo tempo. O problema é justamente esse valor, que levou à exploração predatória e à sua raridade em áreas de ocorrência natural.
Como identificar: tronco, folhas, flores e frutos
O tronco é o melhor marcador em campo. A casca é lisa, avermelhada a marrom-escura e se solta em lâminas finas e papiráceas, como se descascasse. Quando destacadas, deixam manchas claras acastanhadas, bem diferentes da casca grossa e fissurada de aroeiras e angicos.
As folhas são compostas pinadas, com 5 a 12 folíolos ovalados, verde-claros e com pontos translúcidos quando vistos contra a luz. São alternas e exalam cheiro suave quando amassadas. Na estação seca, a árvore fica totalmente desfolhada por 2 a 3 meses.
A floração ocorre no fim da seca, entre agosto e outubro, antes ou junto com a nova brotação. As flores são pequenas, branco-amareladas, em cachos, muito perfumadas e ricas em néctar. São polinizadas principalmente por abelhas nativas e Apis mellifera.
O fruto é uma vagem achatada e alada, com 5 a 8 cm, que contém apenas uma semente escura e oleosa na ponta. Quando madura, a vagem seca e abre, liberando a semente com ala membranosa que permite dispersão pelo vento a curta distância.
Onde a Amburana ocorre naturalmente
A Amburana cearensis é tipicamente brasileira, mas não exclusiva do Brasil. Ocorre desde o Ceará e Piauí até o Paraná, passando por toda a diagonal seca, além do Chaco argentino e paraguaio e dos vales interandinos da Bolívia e Peru.
No Brasil, está presente em quatro biomas: Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Prefere florestas estacionais deciduais, matas de galeria, encostas pedregosas e afloramentos calcários, onde o solo é bem drenado. É comum em áreas de transição entre Caatinga e Cerrado.
É uma espécie heliófila e pioneira tardia. Precisa de sol pleno desde jovem e não tolera sombreamento prolongado. Em vegetação fechada, só se estabelece em clareiras. Suporta temperaturas de 18 °C a 35 °C e precipitação anual de 500 a 1.800 mm.
Tamanho, copa e comportamento das raízes
Em condições naturais, atinge 10 a 20 metros de altura, podendo chegar a 25 metros em solos profundos e úmidos. O tronco é reto, com diâmetro de 40 a 80 cm, e copa arredondada, aberta e irregular, com 6 a 10 metros de diâmetro. Não forma sombra compacta como um oiti ou mangueira.
O crescimento é lento nos primeiros 2 anos e moderado depois. Incremento médio anual fica entre 0,8 e 1,5 metro em plantios com manejo, mas em Caatinga nativa o crescimento é bem mais lento. A madeira é densa e de crescimento anelar bem marcado.
As raízes são pivotantes e profundas, pouco agressivas lateralmente. Não costumam levantar calçadas ou tubulações como Ficus ou sibipirunas. Isso a torna mais segura para áreas rurais e parques, mas o porte grande ainda exige espaço.
Quanto espaço ela precisa?
Para desenvolvimento pleno, reserve raio livre de 5 metros ao redor do tronco e distância de 8 a 10 metros de construções. Em reflorestamento, o espaçamento recomendado é de 3 x 3 metros ou 4 x 4 metros, com desbaste futuro.
Como plantar Amburana do jeito certo
A propagação é quase exclusivamente por sementes. Estacas não enraízam bem. As sementes perdem viabilidade rápido e devem ser semeadas em até 3 meses após a coleta. Não precisam de quebra de dormência, apenas embebição em água por 12 horas.
Semeie em sacos de 15 x 25 cm com substrato arenoso e bem drenado. A germinação ocorre em 7 a 20 dias, com taxa de 60% a 80% se a semente for fresca. Mantenha em meia-sombra até 15 cm de altura e depois passe para sol pleno para rustificação.
O plantio definitivo deve ser feito no início da estação chuvosa, de novembro a fevereiro na maior parte do Brasil. Cova de 40 x 40 x 40 cm com adição de matéria orgânica e calcário se o solo for muito ácido. Em áreas de Caatinga, o plantio pode ser direto no campo com covas menores.
Nos primeiros 6 meses, irrigue semanalmente se não chover. Após pegamento, a irrigação pode ser suspensa. A planta tolera solos pobres, mas não tolera encharcamento. Evite várzeas e solos compactados.
Como cuidar depois do plantio
A Amburana exige pouca manutenção. Nos dois primeiros anos, faça coroamento e controle de mato em 80 cm ao redor da muda e tutoramento se houver vento forte. Adubação leve anual com composto orgânico é suficiente; excesso de nitrogênio favorece pragas.
A poda é apenas de formação e limpeza. Retire galhos secos, cruzados ou muito baixos no período de dormência, quando a árvore está sem folhas. Não faça poda drástica, pois a cicatrização é lenta e expõe a madeira perfumada a fungos.
Por ser caducifólia, a queda foliar entre junho e agosto é normal e não indica doença. As folhas caídas formam serapilheira aromática que enriquece o solo. Nesse período, reduza a rega a zero.
Em áreas urbanas, a limpeza de frutos e folhas é mínima, pois a frutificação não é suja nem atrai moscas. A árvore é bem aceita por abelhas sem oferecer risco de espinhos ou frutos tóxicos para crianças e animais.
Usos da madeira, perfume e importância ecológica
A madeira da Amburana é moderadamente densa, macia ao corte e extremamente aromática. É considerada madeira nobre para móveis finos, portas, forros, esculturas, instrumentos e, sobretudo, barris e tonéis para cachaça, umburana e whisky. A cumarina transfere aroma e cor dourada à bebida.
Na perfumaria popular, as sementes são usadas como aromatizante de roupas e repelente de traças, colocadas em gavetas. Na medicina tradicional, casca e sementes são usadas em chás, mas o uso requer cautela devido à cumarina, que em excesso é hepatotóxica.
Ecologicamente, é valiosa para restauração de áreas degradadas no semiárido. Fixa nitrogênio por associação com bactérias, melhora o solo, atrai polinizadores na entressafra e serve de alimento para morcegos e aves que consomem suas flores. É recomendada pela Embrapa Florestas para sistemas agroflorestais.
| Uso | Parte utilizada | Detalhe |
|---|---|---|
| Móveis e marcenaria | Tronco | Madeira clara-amarelada, fácil de trabalhar, não empena |
| Toneis de cachaça | Tronco | Libera cumarina que adoça e aromatiza a bebida |
| Apicultura | Flores | Florada perfumada na seca, quando há pouca oferta |
| Reflorestamento | Árvore inteira | Resistente à seca, pioneira, fixa nitrogênio |
Pragas, doenças e erros comuns ao cultivar
A Amburana é rústica, mas pode ser atacada por serra-pau e brocas de tronco quando estressada ou ferida por poda mal feita. Lagartas desfolhadoras aparecem esporadicamente, sem causar morte. Em viveiro, o excesso de água causa tombamento por fungos.
O erro mais comum é plantar em solo encharcado ou sombreado. A muda definha, fica estiolada e morre no primeiro período chuvoso. Outro erro é coletar sementes velhas armazenadas por mais de 6 meses, com germinação abaixo de 20%.
Por ser espécie protegida por lei em vários estados e constar como Em Perigo na lista da IUCN, a extração de madeira nativa sem manejo autorizado é ilegal. Prefira sempre mudas de viveiros licenciados e madeira certificada. O corte ilegal é a principal ameaça à espécie.
Curiosidades que pouca gente sabe
Diferente da maioria das Fabaceae, a Amburana não tem flores vistosas em forma de feijão. Suas flores são pequenas e quase imperceptíveis, mas o perfume alcança metros de distância e é sentido principalmente ao entardecer.
O nome cearensis remete ao Ceará, onde a espécie foi descrita pela primeira vez em 1859. Já o nome popular cerejeira não tem relação com a cerejeira japonesa ou europeia; é apenas pela cor avermelhada da madeira quando recém-cortada.
Em algumas regiões do Nordeste, acredita-se que dormir sob uma Amburana traz bons sonhos por causa do cheiro adocicado. O mito vem do costume de guardar sementes perfumadas sob o travesseiro.
Perguntas frequentes
Amburana e cerejeira são a mesma árvore?
Sim, no Brasil Central e Sudeste a Amburana cearensis é chamada popularmente de cerejeira, mas não tem parentesco com a cerejeira japonesa (Prunus). O nome vem da cor avermelhada da madeira.
Amburana dá sombra o ano todo?
Não. É caducifólia e fica sem folhas por 2 a 3 meses na estação seca, entre junho e agosto, quando a sombra diminui bastante.
Pode plantar Amburana na calçada?
Não é recomendado. Ela atinge 10 a 20 metros e precisa de espaço; para calçada prefira espécies de pequeno porte.
Quanto tempo para a Amburana crescer?
Crescimento lento a moderado. Leva cerca de 8 a 12 anos para atingir porte arbóreo pleno e décadas para produzir madeira nobre.
A semente de Amburana é tóxica?
A semente contém cumarina, que em grandes quantidades pode ser tóxica ao fígado. O uso tradicional como aromatizante é em pequena quantidade e sem ingestão.
Como conseguir muda de Amburana?
Procure viveiros florestais licenciados ou órgãos como Embrapa e viveiros estaduais. Evite coleta ilegal em mata nativa, pois a espécie é protegida.
Amburana atrai abelhas?
Sim, muito. A floração perfumada entre agosto e outubro é importante fonte de néctar para abelhas nativas e africanizadas no período seco.
Você sabia?
Barril que adoça a cachaça
A madeira libera cumarina durante o envelhecimento da cachaça, dispensando açúcar e dando cor dourada e notas de baunilha. Por isso o barril de amburana é o mais caro entre os nacionais.
Casca que parece papel
A casca se desprende em lâminas finas cor de vinho, quase como papel, deixando o tronco manchado. Essa característica ajuda a identificar a árvore mesmo sem folhas na seca.
Semente que perfuma gaveta
Uma única semente mantém perfume por mais de um ano e era usada no interior como sachê natural para roupas e para espantar traças, antes dos produtos industrializados.
Parente do cumaru, mas diferente
Apesar do nome cumaru-de-cheiro, a Amburana não é o mesmo que o cumaru verdadeiro (Dipteryx odorata). São gêneros distintos, com frutos e aromas diferentes.










