🌳 Árvores

Amburana

Amburana cearensis

Atualizado em

10 a 20 m de alturaTamanho
CaducifóliaFolhagem
Lento a moderadoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
80 a 120 anosLongevidade
Amburana adulta isolada na Caatinga mostrando tronco e copa arredondada

A Amburana, principalmente a espécie Amburana cearensis, é uma árvore nativa da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica conhecida pela madeira nobre e extremamente perfumada. Seu tronco avermelhado que descasca em lâminas finas e o aroma adocicado de cumarina, semelhante à baunilha, a tornam inconfundível.

De porte médio a grande, caducifólia e muito resistente à seca, ela perde as folhas no período seco e floresce com cachos brancos e perfumados que atraem abelhas nativas. É uma das árvores mais exploradas do Brasil, hoje classificada como ameaçada, mas também muito usada em reflorestamento e projetos de restauração do semiárido.

Também conhecido como: Cerejeira, Imburana-de-cheiro, Cumaru-de-cheiro, Amburana-de-cheiro, Umburana, Cerejeira-do-sertão

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes

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Galeria de fotos de Amburana

Amburana adulta isolada na Caatinga mostrando tronco e copa arredondada
Amburana adulta em área de Caatinga, com copa aberta e tronco característico.
Folhas compostas e flores branco-amareladas perfumadas da Amburana
Folhas compostas e cachos de flores claras e perfumadas da Amburana.
Tronco da Amburana com casca avermelhada descascando em lâminas finas
Casca avermelhada da Amburana que se solta em lâminas finas.
Copa da Amburana vista de baixo com luz filtrada entre os folíolos
Copa aberta da Amburana vista de baixo.
Frutos em vagem alada e semente única da Amburana
Vagem alada da Amburana com semente única na ponta.
Plantio jovem de Amburana em área de restauração no Cerrado
Plantio jovem de Amburana em sistema de restauração no Cerrado.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, fazenda ou chácara no Cerrado e Caatinga e busca uma árvore nativa de sombra leve, rústica e de longa vida para reflorestamento, quebra-vento ou bosque. Também atende produtores de cachaça artesanal e apicultores, pois oferece madeira nobre futura e florada valiosa na seca. Funciona bem em projetos de restauração ecológica, sistemas agroflorestais e parques rurais amplos, onde há espaço e sol pleno. Quem valoriza árvores com história, perfume e importância cultural vai se identificar com a Amburana.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para calçada estreita, quintal pequeno ou embaixo de fiação, pois atinge 15 metros ou mais e perde todas as folhas na seca, sujando o chão por algumas semanas. Também não serve para quem busca sombra densa o ano todo ou crescimento muito rápido para cobrir muro. Não é recomendada para áreas urbanas com solo encharcado, sombreado ou muito compactado, nem para quem espera frutos comestíveis. Em apartamento ou casa sem terreno amplo, o cultivo em vaso é inviável após o primeiro ano.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno o dia todo; não tolera sombra na fase jovem
Solo
Bem drenado, profundo, arenoso a franco-argiloso; tolera solos calcários e pedregosos
Rega
Moderada no primeiro ano; depois apenas em secas extremas
Temperatura ideal
20 °C a 32 °C; tolera geadas leves e secas prolongadas
Adubação
Orgânica leve na cova; sem necessidade de adubos químicos frequentes
Poda
Apenas formação e limpeza no período sem folhas
Propagação
Por sementes frescas; semeadura direta ou em sacos; germinação em 7 a 20 dias

Perfil rápido de Amburana

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Populações em declínio por exploração madeireira seletiva e perda de habitat.

População
em declínio
Protegido por
sim

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
Plantio recomendadoJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Florestas estacionais deciduais
  • Matas de galeria
  • Caatinga arbórea
  • Cerradão e encostas calcárias

Biomas

  • Caatinga
  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Pantanal

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Peru

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Amburana
Espécie
Amburana cearensis

Resumo

  • A Amburana é uma árvore nativa do Brasil de 10 a 20 metros, famosa pela casca avermelhada que descasca em placas e pelo perfume de baunilha da madeira e das sementes.
  • É caducifólia e muito resistente à seca, floresce entre agosto e outubro com flores brancas perfumadas e frutifica em vagens aladas com uma única semente.
  • Sua madeira nobre e aromática é uma das mais valorizadas do país para móveis, esculturas e barris de cachaça, o que levou a espécie à lista de ameaçadas de extinção.

Características

Ficha da árvore

Nome popularAmburana, cerejeira, cumaru-de-cheiro, imburana-de-cheiro
Nome científicoAmburana cearensis (Allemão) A.C. Sm.
Família botânicaFabaceae (Faboideae)
OrigemAmérica do Sul - Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Peru
Tamanho10 a 20 m de altura; tronco 40 a 80 cm de diâmetro
CopaAmpla, arredondada e pouco densa, 6 a 10 m de diâmetro
FolhagemCaducifólia (perde folhas na seca)
CrescimentoLento a moderado
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa após pegamento; tolera seca prolongada
SoloBem drenado, arenoso a argiloso, pH 5,5 a 7,0; tolera solos pobres e pedregosos
UsosMadeira nobre, reflorestamento, apicultura, barris de cachaça, paisagismo rural
Longevidade80 a 120 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraAlto
Resistência à secaMuito alto
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Atrai faunaAlto

O que é a Amburana e por que ela é tão valorizada

A Amburana é um gênero com apenas duas espécies aceitas no Brasil, sendo Amburana cearensis a mais conhecida e amplamente distribuída. É chamada de cerejeira no Centro-Oeste e Sudeste, imburana-de-cheiro no Nordeste e cumaru-de-cheiro em outras regiões, sempre por causa do perfume.

O que a distingue de qualquer outra árvore da Caatinga é a presença de cumarina na madeira, na casca e nas sementes. Essa substância libera um aroma adocicado intenso, que lembra baunilha e canela, perceptível mesmo sem cortar a árvore. Por isso a madeira é chamada de cerejeira e tão disputada.

Na nossa avaliação, a Amburana é um dos melhores exemplos de árvore nativa de múltiplo uso: entrega madeira nobre, serviço ecossistêmico e valor cultural ao mesmo tempo. O problema é justamente esse valor, que levou à exploração predatória e à sua raridade em áreas de ocorrência natural.

Como identificar: tronco, folhas, flores e frutos

O tronco é o melhor marcador em campo. A casca é lisa, avermelhada a marrom-escura e se solta em lâminas finas e papiráceas, como se descascasse. Quando destacadas, deixam manchas claras acastanhadas, bem diferentes da casca grossa e fissurada de aroeiras e angicos.

As folhas são compostas pinadas, com 5 a 12 folíolos ovalados, verde-claros e com pontos translúcidos quando vistos contra a luz. São alternas e exalam cheiro suave quando amassadas. Na estação seca, a árvore fica totalmente desfolhada por 2 a 3 meses.

A floração ocorre no fim da seca, entre agosto e outubro, antes ou junto com a nova brotação. As flores são pequenas, branco-amareladas, em cachos, muito perfumadas e ricas em néctar. São polinizadas principalmente por abelhas nativas e Apis mellifera.

O fruto é uma vagem achatada e alada, com 5 a 8 cm, que contém apenas uma semente escura e oleosa na ponta. Quando madura, a vagem seca e abre, liberando a semente com ala membranosa que permite dispersão pelo vento a curta distância.

Onde a Amburana ocorre naturalmente

A Amburana cearensis é tipicamente brasileira, mas não exclusiva do Brasil. Ocorre desde o Ceará e Piauí até o Paraná, passando por toda a diagonal seca, além do Chaco argentino e paraguaio e dos vales interandinos da Bolívia e Peru.

No Brasil, está presente em quatro biomas: Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Prefere florestas estacionais deciduais, matas de galeria, encostas pedregosas e afloramentos calcários, onde o solo é bem drenado. É comum em áreas de transição entre Caatinga e Cerrado.

É uma espécie heliófila e pioneira tardia. Precisa de sol pleno desde jovem e não tolera sombreamento prolongado. Em vegetação fechada, só se estabelece em clareiras. Suporta temperaturas de 18 °C a 35 °C e precipitação anual de 500 a 1.800 mm.

Tamanho, copa e comportamento das raízes

Em condições naturais, atinge 10 a 20 metros de altura, podendo chegar a 25 metros em solos profundos e úmidos. O tronco é reto, com diâmetro de 40 a 80 cm, e copa arredondada, aberta e irregular, com 6 a 10 metros de diâmetro. Não forma sombra compacta como um oiti ou mangueira.

O crescimento é lento nos primeiros 2 anos e moderado depois. Incremento médio anual fica entre 0,8 e 1,5 metro em plantios com manejo, mas em Caatinga nativa o crescimento é bem mais lento. A madeira é densa e de crescimento anelar bem marcado.

As raízes são pivotantes e profundas, pouco agressivas lateralmente. Não costumam levantar calçadas ou tubulações como Ficus ou sibipirunas. Isso a torna mais segura para áreas rurais e parques, mas o porte grande ainda exige espaço.

Quanto espaço ela precisa?

Para desenvolvimento pleno, reserve raio livre de 5 metros ao redor do tronco e distância de 8 a 10 metros de construções. Em reflorestamento, o espaçamento recomendado é de 3 x 3 metros ou 4 x 4 metros, com desbaste futuro.

Como plantar Amburana do jeito certo

A propagação é quase exclusivamente por sementes. Estacas não enraízam bem. As sementes perdem viabilidade rápido e devem ser semeadas em até 3 meses após a coleta. Não precisam de quebra de dormência, apenas embebição em água por 12 horas.

Semeie em sacos de 15 x 25 cm com substrato arenoso e bem drenado. A germinação ocorre em 7 a 20 dias, com taxa de 60% a 80% se a semente for fresca. Mantenha em meia-sombra até 15 cm de altura e depois passe para sol pleno para rustificação.

O plantio definitivo deve ser feito no início da estação chuvosa, de novembro a fevereiro na maior parte do Brasil. Cova de 40 x 40 x 40 cm com adição de matéria orgânica e calcário se o solo for muito ácido. Em áreas de Caatinga, o plantio pode ser direto no campo com covas menores.

Nos primeiros 6 meses, irrigue semanalmente se não chover. Após pegamento, a irrigação pode ser suspensa. A planta tolera solos pobres, mas não tolera encharcamento. Evite várzeas e solos compactados.

Como cuidar depois do plantio

A Amburana exige pouca manutenção. Nos dois primeiros anos, faça coroamento e controle de mato em 80 cm ao redor da muda e tutoramento se houver vento forte. Adubação leve anual com composto orgânico é suficiente; excesso de nitrogênio favorece pragas.

A poda é apenas de formação e limpeza. Retire galhos secos, cruzados ou muito baixos no período de dormência, quando a árvore está sem folhas. Não faça poda drástica, pois a cicatrização é lenta e expõe a madeira perfumada a fungos.

Por ser caducifólia, a queda foliar entre junho e agosto é normal e não indica doença. As folhas caídas formam serapilheira aromática que enriquece o solo. Nesse período, reduza a rega a zero.

Em áreas urbanas, a limpeza de frutos e folhas é mínima, pois a frutificação não é suja nem atrai moscas. A árvore é bem aceita por abelhas sem oferecer risco de espinhos ou frutos tóxicos para crianças e animais.

Usos da madeira, perfume e importância ecológica

A madeira da Amburana é moderadamente densa, macia ao corte e extremamente aromática. É considerada madeira nobre para móveis finos, portas, forros, esculturas, instrumentos e, sobretudo, barris e tonéis para cachaça, umburana e whisky. A cumarina transfere aroma e cor dourada à bebida.

Na perfumaria popular, as sementes são usadas como aromatizante de roupas e repelente de traças, colocadas em gavetas. Na medicina tradicional, casca e sementes são usadas em chás, mas o uso requer cautela devido à cumarina, que em excesso é hepatotóxica.

Ecologicamente, é valiosa para restauração de áreas degradadas no semiárido. Fixa nitrogênio por associação com bactérias, melhora o solo, atrai polinizadores na entressafra e serve de alimento para morcegos e aves que consomem suas flores. É recomendada pela Embrapa Florestas para sistemas agroflorestais.

Uso Parte utilizada Detalhe
Móveis e marcenaria Tronco Madeira clara-amarelada, fácil de trabalhar, não empena
Toneis de cachaça Tronco Libera cumarina que adoça e aromatiza a bebida
Apicultura Flores Florada perfumada na seca, quando há pouca oferta
Reflorestamento Árvore inteira Resistente à seca, pioneira, fixa nitrogênio

Pragas, doenças e erros comuns ao cultivar

A Amburana é rústica, mas pode ser atacada por serra-pau e brocas de tronco quando estressada ou ferida por poda mal feita. Lagartas desfolhadoras aparecem esporadicamente, sem causar morte. Em viveiro, o excesso de água causa tombamento por fungos.

O erro mais comum é plantar em solo encharcado ou sombreado. A muda definha, fica estiolada e morre no primeiro período chuvoso. Outro erro é coletar sementes velhas armazenadas por mais de 6 meses, com germinação abaixo de 20%.

Por ser espécie protegida por lei em vários estados e constar como Em Perigo na lista da IUCN, a extração de madeira nativa sem manejo autorizado é ilegal. Prefira sempre mudas de viveiros licenciados e madeira certificada. O corte ilegal é a principal ameaça à espécie.

Curiosidades que pouca gente sabe

Diferente da maioria das Fabaceae, a Amburana não tem flores vistosas em forma de feijão. Suas flores são pequenas e quase imperceptíveis, mas o perfume alcança metros de distância e é sentido principalmente ao entardecer.

O nome cearensis remete ao Ceará, onde a espécie foi descrita pela primeira vez em 1859. Já o nome popular cerejeira não tem relação com a cerejeira japonesa ou europeia; é apenas pela cor avermelhada da madeira quando recém-cortada.

Em algumas regiões do Nordeste, acredita-se que dormir sob uma Amburana traz bons sonhos por causa do cheiro adocicado. O mito vem do costume de guardar sementes perfumadas sob o travesseiro.

Perguntas frequentes

Amburana e cerejeira são a mesma árvore?

Sim, no Brasil Central e Sudeste a Amburana cearensis é chamada popularmente de cerejeira, mas não tem parentesco com a cerejeira japonesa (Prunus). O nome vem da cor avermelhada da madeira.

Amburana dá sombra o ano todo?

Não. É caducifólia e fica sem folhas por 2 a 3 meses na estação seca, entre junho e agosto, quando a sombra diminui bastante.

Pode plantar Amburana na calçada?

Não é recomendado. Ela atinge 10 a 20 metros e precisa de espaço; para calçada prefira espécies de pequeno porte.

Quanto tempo para a Amburana crescer?

Crescimento lento a moderado. Leva cerca de 8 a 12 anos para atingir porte arbóreo pleno e décadas para produzir madeira nobre.

A semente de Amburana é tóxica?

A semente contém cumarina, que em grandes quantidades pode ser tóxica ao fígado. O uso tradicional como aromatizante é em pequena quantidade e sem ingestão.

Como conseguir muda de Amburana?

Procure viveiros florestais licenciados ou órgãos como Embrapa e viveiros estaduais. Evite coleta ilegal em mata nativa, pois a espécie é protegida.

Amburana atrai abelhas?

Sim, muito. A floração perfumada entre agosto e outubro é importante fonte de néctar para abelhas nativas e africanizadas no período seco.

Você sabia?

1

Barril que adoça a cachaça

A madeira libera cumarina durante o envelhecimento da cachaça, dispensando açúcar e dando cor dourada e notas de baunilha. Por isso o barril de amburana é o mais caro entre os nacionais.

2

Casca que parece papel

A casca se desprende em lâminas finas cor de vinho, quase como papel, deixando o tronco manchado. Essa característica ajuda a identificar a árvore mesmo sem folhas na seca.

3

Semente que perfuma gaveta

Uma única semente mantém perfume por mais de um ano e era usada no interior como sachê natural para roupas e para espantar traças, antes dos produtos industrializados.

4

Parente do cumaru, mas diferente

Apesar do nome cumaru-de-cheiro, a Amburana não é o mesmo que o cumaru verdadeiro (Dipteryx odorata). São gêneros distintos, com frutos e aromas diferentes.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List - Amburana cearensis

Prós e contras: Amburana

Prós

  • Madeira nobre muito valorizada e aromática
  • Extremamente resistente à seca e a solos pobres
  • Atrai abelhas e ajuda na restauração do semiárido
  • Raízes pouco agressivas e copa aberta
  • Longeva, vive mais de 80 anos

Contras

  • Crescimento lento nos primeiros anos
  • Perde folhas na seca e fica sem sombra temporariamente
  • Porte grande, exige muito espaço
  • Sementes perdem viabilidade rápido
  • Exploração ilegal torna difícil encontrar madeira legalizada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a Amburana é uma das nativas mais nobres para quem pensa a longo prazo: demora para crescer, mas compensa com rusticidade, perfume inigualável e valor ecológico na seca. Não é árvore de calçada, é árvore de legado, ideal para quem planta pensando nas próximas gerações.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.