🍓 Frutas

Patauá

Oenocarpus bataua

Atualizado em

2 a 3 cmTamanho
Roxo-escuro a pretoCor
Terroso e amanteigadoSabor
Jan. a jun.Safra
~250 kcal/100g polpaCalorias
Fruta patauá inteira e cortada ao meio mostrando polpa fina e semente

O patauá é o fruto da palmeira amazônica Oenocarpus bataua, muito parecido com o açaí por fora, mas com polpa mais oleosa e amanteigada por dentro. Na Amazônia ele é consumido como "vinho de patauá", uma bebida cremosa batida com água morna, e como óleo vegetal que lembra o azeite de oliva.

Diferente de frutas doces e suculentas, o patauá quase não tem doçura e estraga em poucas horas após o despolpamento. Por isso raramente chega in natura ao Sudeste e Sul, sendo encontrado como polpa congelada, óleo prensado a frio ou em comunidades e feiras da Região Norte.

Também conhecido como: patauá, patawá, pataua, bataua, ungurahui (Peru), seje (Colômbia), yagua (Venezuela), milpesos (Colômbia)

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais

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Galeria de fotos de Patauá

Fruta patauá inteira e cortada ao meio mostrando polpa fina e semente
Patauá inteiro e cortado, com polpa fina e semente grande.
Close-up do cacho de patauá com frutos roxo-pretos brilhantes
Detalhe dos frutos maduros no cacho.
Palmeira patauazeiro alta com cachos pendentes na Amazônia
Patauazeiro, palmeira de estipe único que chega a 25 metros.
Tigela com vinho de patauá cremoso servido com farinha
Vinho de patauá batido, forma tradicional de consumo.
Óleo de patauá prensado a frio em vidro escuro
Óleo de patauá, amarelo-esverdeado e rico em ácido oleico.
Cesto com colheita de patauá fresco
Colheita de patauá, fruto muito perecível após a coleta.

Perfil rápido de Patauá

Calendário

Safra - NorteJFMAMJJASOND
Pico de produçãoJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Calorias
~250 kcal
Carboidratos
6 g
Proteínas
3,5 g
Gorduras totais
24 g
Gorduras monoinsaturadas
~17 g
Fibras
7 g
Vitamina E
3,2 mg
Ferro
1,8 mg
Cálcio
45 mg
Sódio
4 mg

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Peru
  • Equador
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Liliopsida
Ordem
Arecales
Família
Arecaceae
Gênero
Oenocarpus
Espécie
Oenocarpus bataua

Resumo

  • O patauá é o fruto roxo-preto da palmeira Oenocarpus bataua, nativa da Amazônia, consumido como vinho cremoso e óleo rico em ácido oleico.
  • Tem sabor terroso e amanteigado, baixa doçura, alta caloria pela gordura boa e safra principal entre janeiro e junho no Brasil.
  • É muito perecível, pouco encontrado fora do Norte e não deve ser confundido com açaí, bacaba ou buriti apesar da aparência semelhante.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoOenocarpus bataua Mart.
Família botânicaArecaceae (palmeiras)
OrigemAmazônia (Brasil, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela e Guianas)
Tamanho1,5 a 3 cm de comprimento, 1 a 2 cm de diâmetro
CorRoxo-escuro a preto quando maduropolpa esbranquiçada a arroxeada
SaborTerroso, levemente amargo, amanteigado e sem doçura
Época da safra no BrasilJaneiro a junho, pico entre março e maio
Calorias por 100 g (polpa batida)~240 a 260 kcal
Principais nutrientesGorduras monoinsaturadas (ácido oleico), fibras, vitamina E, ferro e cálcio
Como consumirVinho/batida com água morna, óleo prensado, com farinha ou tapioca
ConservaçãoIn natura 1 a 2 dias refrigerado; polpa congelada até 6 meses
Tipos ou variedadesNão há variedades comerciais; há variação regional de tamanho e rendimento de óleo

Perfil e comportamento

DoçuraMuito baixo
AcidezMuito baixo
SuculênciaBaixo
Facilidade de encontrarMuito baixo
Versatilidade na cozinhaMédio

O que é o patauá e por que não é só um açaí escuro

O patauá é o fruto da palmeira Oenocarpus bataua, uma das palmeiras mais altas da Amazônia. Ele é frequentemente confundido com açaí e bacaba, mas pertence a outra espécie e tem uso bem diferente.

A principal distinção está na polpa oleosa. Enquanto o açaí é mais fibroso e rico em antocianinas, o patauá concentra óleo — até 30% da polpa seca — com perfil parecido ao do azeite de oliva. Por isso o sabor não é adocicado, e sim cremoso e que lembra azeitona verde.

Na Amazônia, o patauá não é sobremesa. É alimento energético, tomado puro como vinho ou usado para cozinhar, passar no pão de farinha e até no cabelo.

Como reconhecer o fruto e a palmeira

O cacho de patauá é grande e pendente, com 500 a 2.000 frutos por cacho. Cada fruto é uma drupa oval, lisa e brilhante, que vai do verde ao roxo-preto quando madura.

A polpa é fina, com 1 a 2 mm de espessura, aderida a uma semente grande e dura. É essa camada fina que rende o vinho e o óleo. Quando cortado, o fruto solta líquido arroxeado que mancha a mão, mas menos que o açaí.

A palmeira ajuda na identificação. O patauazeiro tem estipe único, liso e com até 25 metros de altura, sem perfilhos na base, diferente do açaí-de-touceira que forma moitas. As folhas são pinadas, longas e arqueadas, com folíolos pendentes. Ela frutifica em palmeiras com mais de 8 a 10 anos e produz 3 a 4 cachos por ano, com 10 a 15 kg cada.

Onde o patauá ocorre e quando dá safra

O patauá é amazônico de terra firme e baixios úmidos. Ocorre em floresta densa, matas de várzea alta e áreas de transição, sempre em solos bem drenados e clima quente e úmido.

No Brasil, é mais comum no Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá. Fora do país, aparece em toda a bacia amazônica ocidental: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Guiana e Bolívia.

A safra no Brasil vai de janeiro a junho, com pico entre março e maio. É o oposto do açaí de várzea do Pará, que tem pico no segundo semestre. Essa diferença faz o patauá ser importante para segurança alimentar no primeiro semestre, quando o açaí escasseia em algumas áreas.

Sabor, textura e como se consome de verdade na Amazônia

Cru direto do cacho, o patauá é adstringente e intragável. Ele precisa ser amolecido em água morna (cerca de 40 a 50 °C) por 30 a 60 minutos e depois batido ou amassado para soltar a polpa.

O resultado é o vinho de patauá: bebida espessa, cor café com leite arroxeado, textura aveludada e gordurosa. O sabor é terroso, levemente amargo, com notas de abacate e azeitona. Não é doce; na comunidade se toma puro, com farinha d’água, tapioca ou peixe.

Outros usos tradicionais:

  • Óleo de patauá: prensado da polpa, usado como azeite para refogar, temperar e fritar. É translúcido, amarelo-esverdeado e muito estável ao calor.
  • Mingau e chicha: polpa cozida com água e farinha de mandioca.
  • Cosmético: óleo passado no cabelo e pele para hidratar e dar brilho, prática comum entre povos Siona, Kichwa e Tikuna.

Fora da Amazônia, o consumo mais viável é a polpa congelada batida ou o óleo engarrafado. Não funciona bem em suco aguado ou vitamina doce — a gordura talha e o sabor amargo se destaca.

Patauá vs. açaí vs. bacaba: como não errar

Característica Patauá Açaí Bacaba
Tamanho do fruto 2 a 3 cm, oval 1 a 1,5 cm, redondo 1,3 a 1,8 cm, redondo
Cor da polpa batida Marrom-arroxeada, oleosa Roxo intenso Bege-acinzentada
Sabor Amanteigado e amargo Terroso suave Leitoso e suave
Gordura Muito alta Média Alta

Valor nutricional: por que é tão calórico

O patauá é fruta oleaginosa, não fruta aquosa. A maior parte das calorias vem da gordura, não do açúcar. Em 100 g de polpa batida sem adição de açúcar há cerca de 240 a 260 kcal, contra 60 kcal do açaí médio.

O destaque é o ácido oleico (ômega-9), que representa 70 a 77% dos ácidos graxos do óleo, proporção muito próxima à do azeite de oliva. Há também ácido palmítico e linoleico em menor quantidade.

Além da gordura, a polpa oferece fibras, vitamina E, ferro, cálcio e compostos fenólicos. Não é fonte relevante de vitamina C nem de proteína. Por ser energético e pouco volumoso, sacia rápido com pequena porção.

Benefícios e limites sem promessas exageradas

Pelo perfil lipídico, o patauá pode fazer parte de uma alimentação que prioriza gorduras insaturadas. O óleo é usado em comunidades amazônicas como substituto da banha e do dendê.

As fibras e a gordura juntas ajudam na saciedade, o que explica seu uso tradicional como refeição completa com farinha. A vitamina E e os fenólicos têm ação antioxidante, mas em quantidades modestas na porção usual de 50 a 100 ml de vinho.

Limites importantes: por ser muito calórico, o excesso pesa na dieta de quem busca déficit calórico. E por ser rico em gordura, pode causar desconforto em quem tem digestão sensível a frituras ou síndrome do intestino irritável. Pessoas com alergia a palmeiras ou a açaí devem ter cautela e conversar com nutricionista antes de provar.

Como escolher, conservar e extrair em casa

O fruto fresco quase não viaja. Se encontrar em feira no Norte, escolha cachos com frutos uniformemente pretos, firmes e sem cheiro fermentado. Fruto avermelhado está verde; muito mole e com cheiro azedo já fermentou.

A polpa é extremamente perecível. Depois de batida, deve ser consumida em até 12 horas refrigerada ou congelada imediatamente. O vinho não deve ser reaquecido em fogo alto, pois o óleo separa e amarga.

Para fazer em casa com polpa congelada:

  1. Descongele apenas a porção que vai usar.
  2. Aqueça água a 45 °C — quente ao toque, mas sem ferver.
  3. Bata a polpa com água morna na proporção 1:1 até ficar cremosa.
  4. Consuma na hora com farinha, sem adoçar. Se quiser, adicione sal ou pimenta, não açúcar.

O óleo prensado a frio dura 6 a 12 meses em vidro escuro, fechado e longe do calor. Use como azeite: finalize pratos, refogue em fogo médio ou hidrate o cabelo com poucas gotas.

Curiosidades, confusões comuns e conservação

Um erro comum é chamar qualquer vinho escuro de açaí. Em muitas comunidades do Alto Rio Negro, o que se vende como açaí no primeiro semestre é na verdade patauá ou bacaba, justamente pela entressafra do açaí verdadeiro.

O nome patauá vem do tupi *pata’wa* e varia muito: no Peru é ungurahui, na Colômbia seje, na Venezuela yagua. Essa diversidade de nomes esconde a mesma espécie botânica.

A palmeira tem papel ecológico grande. Seus frutos alimentam araras, tucanos, macacos e queixadas na época de escassez, e suas folhas são usadas para cobertura de casas. O corte para palmito mata a planta, já que ela não rebrota — diferente do açaí.

Atualmente o patauazeiro não está ameaçado (IUCN Pouco Preocupante), mas sofre pressão local por desmatamento e extração predatória de cachos com derrubada da palmeira. O manejo sustentável mantém a árvore em pé e coleta apenas os cachos maduros com peconha ou escalada.

Perguntas frequentes

Patauá é a mesma coisa que açaí?

Não. São palmeiras diferentes. O patauá (Oenocarpus bataua) tem fruto maior, polpa mais oleosa e sabor amanteigado e amargo, enquanto o açaí (Euterpe oleracea/precatoria) é mais roxo, menos gorduroso e mais suave.

Qual o gosto do vinho de patauá?

Terroso, levemente amargo e cremoso, lembrando abacate com azeitona. Não é doce; tradicionalmente se toma puro com farinha, sem açúcar.

Patauá engorda?

É muito calórico (cerca de 250 kcal por 100 g de polpa) por ser rico em gordura. Em porções pequenas (50 a 100 ml) sacia bem, mas o excesso aumenta bastante as calorias do dia.

Onde comprar patauá fora da Amazônia?

Raramente fresco. Procure polpa congelada ou óleo prensado a frio em empórios de produtos amazônicos, feiras especializadas ou lojas online de origem do Norte.

Como conservar o patauá?

Fruto fresco dura 1 a 2 dias refrigerado. A polpa batida deve ser consumida em até 12 horas ou congelada por até 6 meses. O óleo dura 6 a 12 meses em vidro escuro e fresco.

Quem não deve consumir patauá?

Quem tem alergia a frutos de palmeiras, quem precisa de dieta com pouca gordura por orientação médica e quem tem sensibilidade a alimentos gordurosos deve moderar e consultar nutricionista.

Óleo de patauá faz bem para o cabelo?

Na Amazônia é usado tradicionalmente para hidratar e dar brilho por ser rico em ácido oleico e vitamina E. Use poucas gotas nas pontas; não é tratamento médico.

Você sabia?

1

O azeite da Amazônia

O óleo de patauá tem 70 a 77% de ácido oleico, praticamente o mesmo do azeite de oliva, e por isso era chamado pelos naturalistas do século XIX de "azeite amazônico" e usado para fritar e conservar alimentos.

2

Vinho que não é vinho

O "vinho de patauá" não tem álcool nem fermentação. O nome vem do português antigo "vinho" como sinônimo de suco espesso batido, igual ao vinho de açaí e de bacaba.

3

Palmeira que não rebrota

Diferente do açaí-de-touceira, o patauazeiro tem estipe único. Se for cortado para palmito, morre. Por isso o extrativismo sustentável coleta só o cacho, mantendo a palmeira viva por décadas.

4

Repelente natural de gorgulhos

Em comunidades do interior do Amazonas, o bagaço que sobra da batida é queimado levemente para defumar casas e espantar carapanãs e gorgulhos da farinha, aproveitando a fumaça oleosa.

Fontes

  1. Embrapa Amazônia Oriental
  2. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Unicamp)
  3. USDA FoodData Central
  4. IUCN Red List

Prós e contras: Patauá

Prós

  • Riquíssimo em gordura monoinsaturada (ômega-9) similar ao azeite
  • Alta saciedade com porção pequena
  • Uso versátil como bebida, óleo de cozinha e cosmético natural
  • Importante para segurança alimentar na entressafra do açaí
  • Manejo sustentável mantém a palmeira viva e a floresta em pé

Contras

  • Muito calórico, exige controle de porção
  • Sabor amargo e gorduroso não agrada quem espera fruta doce
  • Extremamente perecível e difícil de achar fora do Norte
  • Risco de confusão com açaí e bacaba na compra
  • Pode causar desconforto digestivo em pessoas sensíveis a gordura
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o patauá é a palmeira oleaginosa mais subestimada da Amazônia: nutricionalmente superior ao açaí em gorduras boas, mas prejudicado pela perecibilidade e pela falta de cadeia fria fora do Norte. Vale provar como óleo, não como sobremesa doce, e exigir manejo que mantenha a palmeira em pé.

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Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Feliciano Murene
Revisão especializadaFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.