🍊 Frutíferas

Mapati

Pourouma cecropiifolia

Atualizado em

10 a 15 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Alta, solo úmidoRega
3 a 4 anosPrimeiros frutos
MédiaDificuldade
Frutos de mapati inteiros e cortado mostrando polpa translúcida e semente

O mapati (Pourouma cecropiifolia) é uma árvore frutífera da Amazônia que chama atenção pelos cachos de frutos roxos e pela semelhança com a embaúba. De crescimento rápido e copa ampla, chega a 10 a 15 metros e produz frutos doces, suculentos e muito perecíveis, consumidos in natura e em sucos.

Nativa de terra firme e muito presente em quintais e sistemas agroflorestais do Norte do Brasil, é uma espécie dioica — precisa de plantas masculinas e femininas para frutificar. Rústica no clima equatorial úmido, exige calor, umidade e sol pleno, mas estranha geadas e seca prolongada.

Também conhecido como: Cucura, Cucurá, Embaúba-da-mata, Mapatí, Uva-da-mata

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Mapati

Frutos de mapati inteiros e cortado mostrando polpa translúcida e semente
Frutos maduros de mapati, roxos e com polpa mucilaginosa.
Árvore de mapati com folhas grandes e cachos de frutos roxos pendentes
Mapatizeiro carregado de cachos na época da safra.
Folhas grandes e lobadas do mapati
Folhas do mapati, parecidas com as da embaúba.
Flores pequenas amareladas do mapati
Inflorescência do mapati, pouco vistosa e polinizada pelo vento.
Cesto com colheita de frutos de mapati
Colheita de mapati precisa ser consumida em até dois dias.
Muda jovem de mapati em saquinho de viveiro
Muda de mapati pronta para plantio no início das chuvas.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal grande, chácara ou sítio em clima quente e úmido, especialmente na Amazônia e no litoral norte. É perfeita para quem busca uma frutífera nativa de crescimento rápido, boa para sistemas agroflorestais e para atrair pássaros, com frutos doces para consumo familiar. Também agrada colecionadores de frutíferas exóticas que valorizam espécies pouco comerciais e de valor cultural amazônico, com manejo simples e sem exigência de defensivos constantes.

Pode não ser ideal para

Não é indicada para quem mora em apartamento, tem pouco espaço ou quer cultivar em vaso, pois vira árvore de 10 metros ou mais. Também não funciona para quem vive em regiões frias, com geada ou seca prolongada sem irrigação, onde a planta não frutifica. Quem espera uma frutífera para vender em feiras distantes ou armazenar por dias vai se frustrar: o fruto fermenta em 24 a 48 horas e exige consumo imediato, além de precisar de mais de uma planta para garantir polinização.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno o dia todo; meia-sombra apenas nos primeiros meses de muda
Rega
Frequente, mantendo solo úmido; 3 a 4 vezes por semana na seca nos 2 primeiros anos
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 5,0 a 6,5
Temperatura
Ideal entre 24 e 28 °C; não tolera geada nem frio abaixo de 15 °C por muitos dias
Adubação
Matéria orgânica + NPK 2 a 3 vezes ao ano, com reforço de potássio na floração
Poda
Apenas formação e limpeza após colheita; sem poda drástica
Propagação
Por sementes recalcitrantes semeadas em até 7 dias após a colheita

Perfil rápido de Mapati

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída na Amazônia e cultivada em quintais, sem risco iminente.

População
Estável
Protegido por
Não

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Mata de terra firme
  • Capoeiras e roçados antigos
  • Quintais e sistemas agroflorestais

Biomas

  • Amazônia

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Peru
  • Equador
  • Venezuela
  • Bolívia
  • Guiana

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Rosales
Família
Urticaceae
Gênero
Pourouma
Espécie
Pourouma cecropiifolia Mart.

Resumo

  • O mapati é uma árvore amazônica dioica de 10 a 15 m, da família Urticaceae, que produz cachos de frutos roxos de polpa doce e mucilaginosa.
  • Frutifica entre fevereiro e maio, começa a produzir com 3 a 4 anos e tem sementes recalcitrantes que perdem a viabilidade em poucos dias.
  • Exige clima quente e úmido, sol pleno e solo fértil e bem drenado, sendo ideal para quintais grandes e agroflorestas na Amazônia, mas pouco indicada para vasos e regiões frias.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularMapati
Nome científicoPourouma cecropiifolia Mart.
Família botânicaUrticaceae (ex-Cecropiaceae)
OrigemAmazônia (Brasil, Colômbia, Peru, Equador)
Tamanho10 a 15 m (até 20 m na mata)
Tempo até frutificar3 a 4 anos por semente
Época de frutificaçãoFevereiro a maio (pico na Amazônia)
LuminosidadeSol pleno
RegaFrequente, solo sempre úmido
SoloFértil, profundo, bem drenado, rico em matéria orgânica
ClimaEquatorial e tropical úmido (24 a 28 °C)
PropagaçãoSementes recalcitrantes
Cultivo em vasoNão recomendado
Espaçamento7 x 7 m a 8 x 8 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaAlto
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosMuito baixo
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasAlto

Como reconhecer o mapati: a embaúba que dá cachos roxos

O mapati é facilmente confundido com a embaúba (Cecropia), mas tem diferenças claras. A árvore tem tronco reto, casca acinzentada e copa aberta, com folhas grandes, palmatilobadas, de 20 a 40 cm de diâmetro, verde-escuras por cima e esbranquiçadas por baixo devido aos pelos.

O detalhe que entrega a espécie é o fruto. Ele forma cachos pendentes com 10 a 20 frutinhos ovais, de 1,5 a 2,5 cm, que ficam verde-claros e depois roxo-escuros quase pretos quando maduros. A casca é fina e aveludada, a polpa é translúcida, mucilaginosa e doce, envolvendo uma única semente grande.

Outro ponto distintivo: o mapati é dioico. Existem árvores masculinas, que só dão flores, e femininas, que dão frutos. Sem pelo menos um pé masculino por perto, o pomar feminino não produz. As flores são pequenas, amareladas e pouco vistosas, reunidas em inflorescências ramificadas.

  • Folha: lobada como a da embaúba, mas mais espessa e menos recortada, com pecíolo longo.
  • Fruto maduro: roxo-escuro, macio, com suco que mancha a mão e sabor que lembra uva com figo.
  • Látex: ramos e frutos verdes soltam látex branco e pegajoso.

Onde o mapati vive e por que é tão amazônico

O centro de origem do mapati é a Amazônia Ocidental, em matas de terra firme do Brasil, Colômbia, Peru e Equador. No Brasil, ocorre naturalmente no Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Pará, até o norte do Mato Grosso.

Na natureza, prefere clareiras, capoeiras e bordas de mata, onde recebe luz direta. É uma pioneira de crescimento rápido, comum em roçados antigos e quintais agroflorestais indígenas, onde é cultivada há séculos. Fora da Amazônia, vegeta bem em clima tropical úmido, mas sofre com frio e geada.

Não é uma frutífera de cerrado ou de altitude. Precisa de umidade relativa alta, chuvas bem distribuídas (1.800 a 3.000 mm/ano) e temperatura média entre 24 e 28 °C. Em regiões com estação seca maior que 3 meses, só vai bem com irrigação.

Quando e como o mapati frutifica

A floração acontece no final da estação seca e início das chuvas, geralmente de setembro a dezembro na Amazônia. A frutificação vem logo depois, com pico entre fevereiro e maio, variando um pouco conforme o local e o regime de chuvas.

Cada árvore feminina adulta pode produzir vários quilos por safra, com cachos que amadurecem de forma desuniforme. O fruto maduro é extremamente perecível: fermenta em 1 a 2 dias após colhido se ficar em temperatura ambiente. Por isso, quase não chega a mercados distantes.

A polinização é feita principalmente pelo vento, o que explica a necessidade de plantar machos e fêmeas próximos. Como não dá para saber o sexo antes da primeira floração, recomenda-se plantar 4 a 5 mudas para garantir pelo menos uma fêmea e um macho, ou enxertar material de planta já sexada.

Como plantar mapati do jeito certo

A propagação é quase sempre por sementes recalcitrantes, que não toleram secagem nem armazenamento prolongado. Sementes retiradas de frutos maduros devem ser lavadas para retirar a polpa e semeadas em até 5 a 7 dias, ou perdem a viabilidade.

Semeie em saquinhos com substrato leve (terra + areia + matéria orgânica) a 1 a 2 cm de profundidade, mantendo à meia-sombra e úmido. A germinação ocorre em 20 a 40 dias e as mudas crescem rápido. Leve para o local definitivo quando atingirem 30 a 50 cm, no início da estação chuvosa.

No campo, faça cova de 50 x 50 x 50 cm, bem adubada com composto orgânico e calcário se o solo for muito ácido. Respeite espaçamento de 7 x 7 m a 8 x 8 m, pois a copa abre bastante. Em sistemas agroflorestais, funciona bem consorciado com açaí, cupuaçu e ingá, que fornecem sombra lateral nos primeiros anos.

Plantio fora da Amazônia funciona?

Em litoral úmido do Nordeste e Sudeste, o mapati pode vegetar se houver irrigação e proteção contra vento frio. No Sul e em áreas de geada, não se adapta. Mesmo no Sudeste, a produção é menor e mais tardia por falta de calor constante.

Luz, rega e solo ideais para crescer rápido

O mapati é planta de sol pleno. Mudas jovens toleram meia-sombra nos primeiros meses, mas a produção só vem com luz direta o dia todo. Sombra excessiva deixa a planta estiolada e atrasa a frutificação.

A rega deve manter o solo sempre úmido, nunca encharcado. Na fase de muda e nos dois primeiros anos, irrigue 3 a 4 vezes por semana na seca. Planta adulta em clima amazônico raramente precisa de irrigação, mas em veranicos longos a falta de água derruba flores e frutos.

O solo ideal é profundo, fértil, bem drenado e rico em matéria orgânica, com pH entre 5,0 e 6,5. Solos compactados ou alagadiços prejudicam as raízes superficiais. Cobertura morta com folhas e palhada ajuda a manter a umidade e a alimentar a microbiota.

Poda, adubação e cuidados que realmente fazem diferença

O mapati exige pouca poda. Faça apenas poda de formação nos primeiros anos para manter um tronco único e poda de limpeza após a colheita, removendo ramos secos, mal posicionados e cachos velhos. Não faça poda drástica, pois a planta demora a se recuperar.

A adubação é o que mais acelera o crescimento. No plantio, use composto orgânico bem curtido. Na manutenção, aplique duas a três vezes ao ano matéria orgânica + NPK rico em potássio na época de floração. Em solos pobres de terra firme, a adição de fósforo no primeiro ano melhora o enraizamento.

Como cresce rápido, tutoramento nos primeiros 12 meses evita tombamento por vento. Mantenha o coroamento limpo em um raio de 80 cm do tronco, sem capina profunda para não ferir raízes.

Pragas, doenças e os erros mais comuns no cultivo

É uma frutífera considerada rústica e pouco atacada. Os problemas mais relatados são lagartas desfolhadoras, cochonilhas e brocas em plantas estressadas, além de antracnose em frutos em locais muito úmidos e sombreados.

O manejo preventivo resolve a maioria dos casos: boa insolação, espaçamento correto e adubação equilibrada. Evite plantar muito adensado e faça colheita rápida, sem deixar frutos fermentando no pé, o que atrai moscas-das-frutas.

Os erros que mais frustram iniciantes são três: plantar uma única muda e descobrir que é macho, guardar sementes por semanas achando que vão germinar e plantar em solo encharcado ou com geada. Todos levam à ausência total de frutos.

Usos, sabor e o que fazer com a colheita

O fruto maduro tem polpa aquosa, doce e levemente ácida, com textura mucilaginosa que lembra uvaia. Come-se com a mão, chupando a polpa e descartando a semente. O sabor é suave, sem acidez forte, e agrada crianças.

Como estraga rápido, o ideal é colher pela manhã, quando a casca está roxa e o fruto cede ao toque, e consumir no mesmo dia. A polpa rende suco, vinho artesanal, geleia e fermentados tradicionais na Amazônia. Indígenas Tikuna e Kokama consomem o mapati há gerações e também usam a entrecasca e o látex na medicina popular.

A madeira é leve, clara e pouco durável, usada localmente para caixotaria e lenha. As folhas grandes servem de forração e, em sistemas agroflorestais, como adubo verde após a poda.

Característica Mapati Embaúba (Cecropia)
Fruto Cacho roxo comestível, polpa doce Cacho alongado não comestível para humanos
Sexo da planta Dioica (precisa macho e fêmea) Dioica também, mas não frutífera
Uso principal Alimentar e agroflorestal Pioneira ecológica, sem uso frutífero

Curiosidades que pouca gente conta sobre o mapati

Apesar de amazônico, o mapati foi levado para coleções de frutíferas exóticas em outras regiões tropicais do mundo, mas nunca se tornou comercial por causa da perecibilidade extrema. É fruta de quintal, não de supermercado.

Outro detalhe pouco divulgado: a semente tem dormência curta e recalcitrância total. Diferente de muitas frutíferas que podem ser armazenadas, ela morre se secar. Isso dificultou por décadas a distribuição de mudas fora da Amazônia e explica por que a espécie ainda é rara no Sudeste.

Perguntas frequentes

Mapati e cucura são a mesma coisa?

Sim. Cucura, cucurá e mapati são nomes populares para Pourouma cecropiifolia, a mesma espécie amazônica.

Quanto tempo o mapati demora para dar frutos?

De semente, geralmente 3 a 4 anos em condições ideais de sol, água e solo fértil.

Preciso plantar mais de um pé de mapati?

Sim, recomenda-se plantar 4 a 5 mudas, pois a espécie é dioica e só as fêmeas frutificam na presença de um macho por perto.

Dá para plantar mapati em vaso?

Não é recomendado. É árvore de 10 a 15 m, com raízes e copa amplas, que não produz bem em vaso.

Qual o sabor do mapati?

Polpa doce, suave e mucilaginosa, que lembra uva com figo, consumida in natura ou em sucos.

Mapati aguenta frio e geada?

Não. É de clima equatorial úmido e sofre com temperaturas abaixo de 15 °C e geada, não frutificando bem fora de regiões quentes e úmidas.

Como guardar sementes de mapati?

Não guarde. São recalcitrantes e perdem a viabilidade em poucos dias; semeie em até 7 dias após retirar a polpa.

Você sabia?

1

Precisa de casal para dar fruto

O mapati é dioico: só a planta fêmea produz frutos, mas ela só frutifica se houver uma planta macho por perto para polinização pelo vento.

2

Semente que não pode secar

As sementes são recalcitrantes e morrem se forem secas ou guardadas por mais de uma semana, por isso devem ser semeadas quase imediatamente após a colheita.

3

Fruta que mancha e fermenta rápido

A polpa roxa solta suco que mancha mãos e roupas e começa a fermentar em 1 a 2 dias, sendo usada tradicionalmente para fazer vinho artesanal amazônico.

4

Parente da embaúba

Pertencia à família Cecropiaceae e hoje está em Urticaceae; suas folhas são tão parecidas com as da embaúba que muita gente confunde as duas no campo.

Fontes

  1. Embrapa Amazônia Ocidental
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. FAO - Ecocrop

Prós e contras: Mapati

Prós

  • Crescimento rápido e rústico no clima amazônico
  • Frutos doces e suculentos, muito apreciados in natura
  • Ótima para sistemas agroflorestais e para atrair pássaros
  • Pouco exigente em defensivos e pragas
  • Valor cultural e alimentar tradicional na Amazônia

Contras

  • Árvore grande, inadequada para vasos e espaços pequenos
  • É dioica: precisa de planta macho e fêmea para frutificar
  • Frutos extremamente perecíveis, fermentam em 1 a 2 dias
  • Sementes recalcitrantes, não podem ser armazenadas
  • Não tolera geada, frio ou seca prolongada sem irrigação
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o mapati é uma das frutíferas nativas mais subestimadas do Brasil: rústica, produtiva e deliciosa, mas ignorada fora da Amazônia por ser perecível e dioica. Vale o plantio para quem tem espaço e clima certo, não como fruta comercial, mas como patrimônio alimentar e agroflorestal.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.