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Flor-de-seda

Calotropis procera

Atualizado em

2 a 4 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Baixa, tolera secaRega
PereneCiclo de vida
Muito fácil, invasoraDificuldade
Flor-de-seda Calotropis procera arbusto adulto com folhas acinzentadas e flores cerosas

A Flor-de-seda verdadeira é o arbusto Calotropis procera, da família Apocynaceae. Tem flores pequenas, cerosas e em forma de estrela, com coroa central, e folhas largas acinzentadas cobertas por uma cera que reduz a perda de água.

Muito confundida em viveiros com a Portulaca grandiflora (onze-horas), que também é chamada de flor-de-seda, a Calotropis é bem diferente: cresce de 2 a 4 metros, solta um látex branco altamente tóxico ao ser cortada e se espalha com facilidade pelo vento graças às sementes com paina sedosa. É perene, de sol pleno e extremamente rústica.

No Brasil foi introduzida como ornamental e hoje é naturalizada, sobretudo no Semiárido nordestino, onde se comporta como invasora. Por isso, o cultivo exige responsabilidade: bonita e incansável na floração, mas não é planta para vaso, para perto de pets e crianças ou para deixar sem controle.

Também conhecido como: Algodão-de-seda, Flor-de-seda, Ciúme, Bombardeira, Queimadeira, Apple of Sodom (inglês), Calotrope (francês)

Faz parte de: Flores de Sol Pleno, Flores Ornamentais, Flores para Jardim, Flores Perenes

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Galeria de fotos de Flor-de-seda

Flor-de-seda Calotropis procera arbusto adulto com folhas acinzentadas e flores cerosas
Flor-de-seda (Calotropis procera) adulta em solo arenoso e sol pleno.
Close-up das flores cerosas da Flor-de-seda
Detalhe das flores cerosas em estrela com coroa central.
Folhas acinzentadas e aveludadas da Flor-de-seda
Folhas largas, acinzentadas e aveludadas que reduzem a perda de água.
Frutos da Flor-de-seda abrindo e liberando paina sedosa
Frutos em forma de balão liberam sementes com paina sedosa ao vento.
Látex branco tóxico escorrendo do caule da Flor-de-seda
Látex branco tóxico: exige luvas e cuidado com pets e crianças.
Flor-de-seda como invasora na Caatinga degradada
Comportamento invasor em áreas degradadas do Semiárido.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, chácara ou terreno amplo em região quente e seca e busca um arbusto perene de sol pleno que floresce sem irrigação nem adubação. Funciona bem em paisagismo xerófito e para conter erosão em solos pobres, desde que haja manejo para não dispersar sementes.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para apartamento, vaso, casas com cachorro, gato ou crianças pequenas, nem para jardins urbanos sem controle. Também não serve para quem busca flores grandes e coloridas ou arranjos de corte, e deve ser evitada perto de áreas de Caatinga preservada por ser invasora.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas diretas
Rega
Baixa; regar só na seca prolongada
Solo
Arenoso, bem drenado, pobre, pH 6-8
Temperatura
Ideal 25-35 °C; sensível a geada
Adubação
Dispensável; se necessário, 1x ao ano com composto leve
Poda
De contenção e remoção de frutos antes de abrirem
Propagação
Sementes com paina ou estacas de 20-30 cm com luvas

Perfil rápido de Flor-de-seda

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Látex com calotropina e calactina; causa irritação severa em pele e olhos e intoxicação se ingerido. Manuseie com luvas e mantenha longe de pets e crianças.

Encontrado em 4 países

  • África tropical
  • Arábia Saudita
  • Índia
  • Brasil (naturalizada)

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Gentianales
Família
Apocynaceae
Gênero
Calotropis
Espécie
Calotropis procera

Resumo

  • A Flor-de-seda verdadeira é Calotropis procera, arbusto perene de 2 a 4 m com flores cerosas branco-rosadas e folhas acinzentadas, muito diferente da onze-horas vendida com o mesmo nome.
  • É de sol pleno, solo pobre e seco e floração quase o ano todo no Nordeste, mas tem látex tóxico com calotropina que exige luvas e distância de cachorro, gato e crianças.
  • No Brasil é espécie exótica invasora da Caatinga e só faz sentido em paisagismo árido amplo e controlado, nunca em vaso pequeno ou jardim com animais.

Características

Ficha da flor

Nome popularFlor-de-seda
Nome científicoCalotropis procera (Aiton) W.T.Aiton
Família botânicaApocynaceae
OrigemÁfrica tropical, Península Arábica e Ásia Ocidental (naturalizada no Brasil)
Tipo de plantaArbusto suculento perene
Ciclo de vidaPerene
Tamanho2 a 4 m de altura (até 5 m)
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa, solo seco entre regas
SoloArenoso, bem drenado, pobre e até salino
Temperatura20 a 35 °C, não tolera geada
PropagaçãoSementes com paina e estacas
Toxicidade para petsTóxica (látex)
FloraçãoQuase o ano todo, pico na estação seca

Perfil e comportamento

Necessidade de luzMuito alto
Necessidade de águaMuito baixo
Facilidade de cultivoMuito alto
Adequação a vasosMuito baixo
Resistência a pragasMuito alto
Tolerância ao frioMuito baixo
Tolerância ao calorMuito alto
Valor ornamentalMédio

O que é a Flor-de-seda e como reconhecer sem erro

A Flor-de-seda que a botânica reconhece é Calotropis procera, um arbusto ereto muito ramificado. O porte já denuncia: enquanto a onze-horas rasteja a 15 cm do chão, a Calotropis forma moitas de 2 a 4 metros.

As folhas são o segundo atalho. Grandes, ovais, verde-acinzentadas e aveludadas, com nervura clara e textura de couro. Quebrou ou cortou e escorreu leite branco? É ela. Esse látex abundante é a marca da família Apocynaceae.

A flor é pequena, mas inconfundível de perto. Tem cinco pétalas cerosas em estrela e uma coroa central elevada com cinco segmentos. As cores variam de branco puro a lilás-claro rosado, sempre com centro mais escuro. O fruto lembra um balão verde que, ao secar, abre e solta centenas de sementes com paina sedosa — daí o nome.

Por que tanta confusão com a onze-horas?

Em garden centers do Sudeste, Portulaca grandiflora é vendida como flor-de-seda. É uma suculenta rasteira de flores grandes e abertas, em tons de rosa, vermelho, laranja e amarelo, que abre às 11h com sol forte.

A confusão é só de nome popular. Botanicamente são famílias diferentes: Portulacaceae vs. Apocynaceae, portes opostos e exigências distintas. Se a etiqueta fala em vaso 11, floração colorida e sem látex, é Portulaca.

Na nossa avaliação, vale separar: quer forração colorida para vaso e jardineira, procure por onze-horas (Portulaca). Quer arbusto rústico para área seca e cercas vivas amplas, aí sim é a Calotropis — com todos os cuidados de toxicidade.

Onde vive no Brasil e por que virou problema

Originária do norte da África e Oriente Médio, a Calotropis chegou ao Brasil como ornamental e medicinal. Adaptou-se tão bem ao Semiárido que hoje ocorre de forma subespontânea em quase todo o Nordeste, além de manchas no Norte e Sudeste.

Ela domina áreas degradadas, beira de estrada, pastagens e solos salinizados onde pouca planta sobrevive. Cada fruto pode liberar 350 a 500 sementes e uma planta adulta produz milhares por ano, dispersas pelo vento por centenas de metros.

Por isso a Embrapa e órgãos ambientais a tratam como exótica invasora da Caatinga. Toma espaço de nativas, tem baixa palatabilidade para o gado e rebrota com vigor após corte ou fogo. Plantar exige plano de contenção.

Luz, solo e clima: o tripé da rusticidade

Luz: sol pleno o dia todo. Com menos de 6 horas de sol, fica estiolada e floresce pouco. Não serve para sombra ou meia-sombra.

Solo: quanto mais drenado, melhor. Vai bem em areia, cascalho e solos pobres, inclusive levemente salinos. Solo encharcado ou muito orgânico apodrece a raiz. pH de 6,0 a 8,0.

Clima: calor e seca. Cresce melhor entre 25 e 35 °C e tolera estiagens longas graças às folhas cerosas. Frio é o limite: geada queima as ponteiras e temperaturas abaixo de 10 °C travam o crescimento.

Como plantar — e por que pensar duas vezes antes

Se você tem área rural ampla, cercada e sem acesso de crianças e pets, a propagação é simples. Por sementes: colha o fruto ainda fechado, seque à sombra, retire a paina e semeie superficialmente em areia úmida. Germina em 7 a 14 dias sem necessidade de quebra de dormência.

Por estaca: corte ramos de 20 a 30 cm, deixe o látex secar por um dia, plante em solo arenoso e regue pouco. Pega com facilidade, mas use luvas, óculos e lave as mãos — o látex irrita pele e olhos.

Em área urbana, quintal pequeno ou perto de caatinga preservada, não plante. A dispersão é difícil de controlar e a remoção depois dá trabalho. Prefira nativas do Semiárido como ipê-amarelo-da-caatinga ou jurema para o mesmo efeito rústico sem risco invasor.

Rega, adubação e poda na prática

Rega: quase nada. Depois de pegada, vive de chuva. No jardim, regue a cada 15 a 20 dias na seca e suspenda nas chuvas. Vaso não é recomendado, mas se insistir, regue só quando o substrato secar completamente.

Adubação: dispensável. Se quiser estimular floração, uma dose anual de composto leve ou NPK 4-14-8 no início das chuvas basta. Excesso de nitrogênio gera muita folha e pouca flor.

Poda: faça apenas para conter tamanho e remover frutos antes que abram. Pode drasticamente após a floração, sempre com ferramenta limpa e proteção. Queime ou ensaque os frutos — não deixe no chão.

Floração e cores: o que esperar

No Nordeste floresce o ano todo, com pico na estação seca quando outras plantas param. No Sudeste e Centro-Oeste, concentra-se entre agosto e março.

Cada inflorescência traz de 10 a 20 flores cerosas que duram dias. As cores são discretas: branco, branco-rosado e lilás bem claro, nunca os tons vibrantes da Portulaca. São muito visitadas por abelhas carpinteiras (Xylocopa) e borboletas.

Não é flor de corte. O látex mancha, irrita e murcha rápido. O valor ornamental está no contraste da folhagem acinzentada com as bolinhas florais e no aspecto escultural do arbusto em paisagismo xerófito.

É tóxica para cachorro, gato e gente?

Sim. Toda a planta, sobretudo o látex branco, contém glicosídeos cardiotóxicos como calotropina e calactina. Ingestão causa vômito, cólica, arritmia e pode ser grave. Contato com olhos pode causar ceratite e cegueira temporária.

Para cachorro e gato, o risco é alto porque folhas caídas e frutos atraem curiosidade. Mantenha a planta fora de alcance, recolha frutos diariamente e nunca ofereça ramos para brincadeira. Em caso de ingestão ou contato ocular, procure veterinário ou serviço médico imediatamente levando amostra da planta.

Use sempre luvas e óculos ao podar. Lave ferramentas e não queime ramos verdes — a fumaça também irrita. Se houver crianças em casa, a recomendação é não cultivar.

Pragas, doenças e controle

É uma das plantas mais resistentes a pragas. O látex repele a maioria dos insetos. Ocasionalmente aparecem pulgões amarelos (Aphis nerii) nas ponteiras e cochonilhas.

Controle com jato d’água forte ou poda da parte afetada. Evite inseticida sistêmico sem necessidade, pois mata polinizadores. Doenças fúngicas só aparecem com excesso de água — corrija a drenagem.

O verdadeiro problema é ela virar praga. Se notar mudas espontâneas ao redor, arranque ainda pequenas com raiz. Em áreas infestadas, o controle exige arranquio com raiz + ensacamento de frutos e, em larga escala, manejo orientado por órgão ambiental.

Quando usar no paisagismo e quando evitar

Funciona em áreas amplas, secas e de solo pobre: taludes, cercas vivas de sítio, recuperação de áreas degradadas com controle e jardins desérticos com cactos e agaves. Cria volume rápido sem irrigação.

Evite em vasos, varandas, escolas, praças com grande circulação de crianças e pets, e perto de unidades de conservação. Nesses casos, troque por espécies nativas não tóxicas e não invasoras com efeito visual similar, como algodão-bravo ou pinhão-manso controlado.

Se já tem uma no terreno e quer manter, conduza como arvoreta única, remova frutos antes da dispersão e sinalize o risco do látex para quem frequenta o local.

Perguntas frequentes

Flor-de-seda é a mesma que onze-horas?

Não. A Flor-de-seda verdadeira é Calotropis procera, arbusto de 2 a 4 m com látex tóxico. A onze-horas (Portulaca grandiflora) é uma suculenta rasteira vendida com o mesmo nome popular, mas são espécies diferentes.

Flor-de-seda é tóxica para cachorro e gato?

Sim, é tóxica. O látex contém calotropina que causa vômito, cólica e arritmia se ingerido e irritação grave nos olhos. Mantenha longe de pets e use luvas ao manusear.

Pode plantar Flor-de-seda em vaso?

Não é adequada para vaso. Cresce muito, precisa de sol pleno extremo e solta sementes que se espalham. Para vaso prefira Portulaca grandiflora (onze-horas).

Como plantar Flor-de-seda?

Por sementes com paina semeadas superficialmente em areia ou por estacas de 20 a 30 cm. Germina em 7 a 14 dias, mas só plante em área ampla e com plano para recolher os frutos antes que abram.

Quando a Flor-de-seda floresce?

No Nordeste floresce praticamente o ano todo, com pico na seca. No Sudeste e Centro-Oeste floresce de agosto a março, sempre em sol pleno.

Flor-de-seda precisa de muita água?

Não. É extremamente tolerante à seca. Depois de estabelecida, vive só de chuva; regas quinzenais na seca já são suficientes.

Como controlar a Flor-de-seda invasora?

Arranque mudas com raiz ainda pequenas e ensaque todos os frutos antes que liberem a paina. Em infestação grande, procure orientação do órgão ambiental local.

Você sabia?

1

Fibra de guerra

Na Segunda Guerra, a paina sedosa dos frutos foi usada como substituta da sumaúma para encher coletes salva-vidas e travesseiros, por ser leve e flutuante.

2

Látex que vira cola

O látex contém calotropina, um glicosídeo cardiotóxico tão forte que povos do Sahel já o usaram como veneno de flecha e para coagular leite.

3

Polinização por carpinteiras

As flores têm um mecanismo de polinização por presilha que prende temporariamente a perna de abelhas carpinteiras (Xylocopa), garantindo a troca de pólen.

4

Invasora viajante

Um único arbusto pode produzir mais de 10 mil sementes por ano, que viajam até 1 km com o vento e germinam mesmo em solo salinizado.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Semiárido
  3. Plants of the World Online - Kew

Prós e contras: Flor-de-seda

Prós

  • Floração quase o ano todo mesmo na seca
  • Extremamente rústica, vive em solo pobre e arenoso
  • Quase não tem pragas e não precisa de adubação
  • Atrai abelhas carpinteiras e borboletas
  • Crescimento rápido para cercas vivas amplas

Contras

  • Látex altamente tóxico para pets, crianças e olhos
  • Espécie exótica invasora na Caatinga
  • Não serve para vaso, sombra ou jardim pequeno
  • Flores pequenas e cores discretas, não serve para arranjos
  • Dispersão difícil de controlar sem manejo constante
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a Flor-de-seda é fascinante pela rusticidade, mas é o exemplo clássico de planta bonita que cobra um preço alto: toxicidade e potencial invasor. Só recomendamos para áreas amplas e controladas no Semiárido, nunca como florzinha de vaso.

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Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Feliciano Murene
Revisão especializadaFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.